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27 novembro 2016

o que é o inferno?

Vale a pena ler e aprender com esta catequese de São João Paulo II sobre o inferno.

"O inferno como rejeição definitiva de Deus
   
1. Deus é Pai infinitamente bom e misericordioso. Mas o homem, chamado a responder-Lhe na liberdade, pode infelizmente optar por rejeitar de maneira definitiva o Seu amor e o Seu perdão, subtraindo-se assim, para sempre, à alegre comunhão com Ele. Precisamente esta trágica situação é apontada pela doutrina cristã, quando fala de perdição ou inferno. Não se trata de um castigo de Deus infligido a partir do exterior, mas do desenvolvimento de premissas já postas pelo homem nesta vida. A própria dimensão de infelicidade que esta obscura condição traz consigo, pode ser de algum modo intuída à luz de algumas das nossas terríveis experiências, que tornam a vida, como se costuma dizer, um «inferno».
Em sentido teológico, contudo, o inferno é outra coisa: é a última consequência do próprio pecado, que se vira contra quem o cometeu. É a situação em que definitivamente se coloca quem rejeita a misericórdia do Pai, também no último instante da sua vida.
2. Para descrever esta realidade, a Sagrada Escritura serve-se de uma linguagem simbólica, que aos poucos assumirá aspectos bem definidos. No Antigo Testamento, a condição dos mortos ainda não estava plenamente iluminada pela Revelação. Com efeito, pensava-se em geral que os mortos estivessem recolhidos no sheol, um lugar de trevas (cf. Ez 28, 8; 31, 14; Jb 10, 21 s.; 38, 17; Sl 30, 10; 88, 7.13), uma fossa da qual não se sobe (cf. Jb 7, 9), um lugar onde não é possível louvar a Deus (cf. Is 38, 18; Sl 6, 6).
O Novo Testamento projeta nova luz sobre a condição dos mortos, sobretudo anunciando que Cristo, com a Sua ressurreição, venceu a morte e estendeu o Seu poder libertador também ao reino dos mortos.
A redenção, contudo, continua uma oferta de salvação que compete ao homem acolher em liberdade. Por isto cada um será julgado «segundo as suas obras» (Ap 20, 13). Recorrendo a imagens, o Novo Testamento apresenta o lugar destinado aos operadores de iniquidade como uma fornalha ardente, onde há «choro e ranger de dentes» (Mt 13, 42; cf. 25, 30.41), ou como a Geena de «fogo inextinguível» (Mc 9, 43). Tudo isto é expresso de modo narrativo na parábola do rico avarento, na qual se precisa que o inferno é o lugar de pena definitiva, sem possibilidade de retorno ou de mitigação do sofrimento (cf. Lc 16, 19-31).
Também o Apocalipse representa de maneira simbólica, num «lago de fogo», aqueles que não estão inscritos no livro da vida, indo assim ao encontro da «segunda morte» (Ap 20, 13 s.). Quem, portanto, se obstina a não abrir-se ao Evangelho predispõe-se a «uma ruína eterna, longe da face do Senhor e da glória do seu poder» (2 Ts 1, 9).
3. As imagens com que a Sagrada Escritura nos apresenta o inferno devem ser interpretadas de maneira correta. Elas indicam a completa frustração e vazio de uma vida sem Deus. O inferno está a indicar, mais do que um lugar, a situação em que se vai encontrar quem de maneira livre e definitiva se afasta de Deus, fonte de vida e de alegria. Assim resume os dados da fé sobre este tema o Catecismo da Igreja Católica: «Morrer em pecado mortal sem arrependimento e sem dar acolhimento ao amor misericordioso de Deus é a mesma coisa que morrer separado d'Ele para sempre, por livre escolha própria. E é este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa pela palavra "Inferno"» (n. 1033).
A «perdição» não deve, por isso, ser atribuída à iniciativa de Deus, pois no Seu amor misericordioso Ele não pode querer senão a salvação dos seres por Ele criados. Na realidade, é a criatura que se fecha ao Seu amor. A «perdição» consiste precisamente no definitivo afastamento de Deus, livremente escolhido pelo homem e confirmado com a morte que sela para sempre aquela opção. A sentença de Deus ratifica este estado.
4. A fé cristã ensina que, no delineamento do «sim» e do «não», que caracteriza a liberdade da criatura, alguém já disse não. Trata-se das criaturas espirituais que se rebelaram contra o amor de Deus e são chamadas demónios (cf. Concílio Lateranense IV: DS 800-801). Para nós, seres humanos, esta sua vicissitude soa como advertência: é apelo contínuo a evitar a tragédia a que o pecado leva e a modelar a nossa existência segundo a de Jesus, que se desenvolveu no sinal do «sim» a Deus.
A perdição continua uma real possibilidade, mas não nos é dado conhecer, sem especial revelação divina, quais os seres humanos que nela estão efectivamente envolvidos. O pensamento do inferno - e menos ainda a utilização imprópria das imagens bíblicas - não deve criar psicoses ou angústia, mas representa uma necessária e salutar advertência à liberdade, no interior do anúncio de que Jesus Ressuscitado venceu Satanás, dando-nos o Espírito de Deus, que nos faz invocar «Abbá, Pai» (Rm 8, 15; Gl 4, 6).
Esta perspectiva rica de esperança prevalece no anúncio cristão. Ela está reflectida de maneira eficaz na tradição litúrgica da Igreja, como testemunham por exemplo as palavras do Cânone Romano: «Aceitai com benevolência, ó Senhor, a oferta que nós, vossos ministros e a vossa família inteira, Vos apresenta- mos... salvai-nos da perdição eterna, e acolhei-nos no rebanho dos eleitos»."1.

Notas 

1. Papa João Paulo II, Audiência: O inferno como rejeição definitiva de Deus (28 de Julho de 1999). Disponível em: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/audiences/1999/documents/hf_jp-ii_aud_28071999.html
2. O negrito é de minha autoria e foi usado para realçar o conteúdo do ensinamento papal.

25 novembro 2016

O que é o Purgatório?

Nós, Católicos,  acreditamos na existência do Purgatório. Mas, muita gente não sabe o que ele realmente significa. Então compartilho aqui o ensinamento de três Papas sobre esse assunto. Antes, porém, vejamos o que o Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz sobre o assunto:
"§1030 Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida sua salvação eterna, passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu.


§1031 A Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos, que é completamente distinta do castigo dos condenados.
A Igreja formulou a doutrina da fé relativa ao Purgatório sobretudo no Concílio de Florença e de Trento. Fazendo referência a certos textos da Escritura, a tradição da Igreja fala de um fogo purificador.
§1032 Este ensinamento apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, da qual já a Sagrada Escritura fala: "Eis por que ele [Judas Macabeu) mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos de seu pecado" (2Mc 12,46).
Desde os primeiros tempos a Igreja honrou a memória dos defuntos e ofereceu sufrágios em seu favor, em especial o sacrifício eucarístico, a fim de que, purificados, eles possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos:
Levemo-lhes socorro e celebremos sua memória. Se os filhos de Jó foram purificados pelo sacrifício de seu pai que deveríamos duvidar de que nossas oferendas em favor dos mortos lhes levem alguma consolação? Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer nossas orações por eles.
§1472 As Penas do Pecado - Para compreender esta doutrina e esta prática da Igreja, é preciso admitir que o pecado tem uma dupla conseqüência. O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, consequentemente, nos toma incapazes da vida eterna; esta privação se chama "pena eterna" do pecado. Por outro lado, todo pecado, mesmo venial, acarreta um apego prejudicial às criaturas que exige purificação, quer aqui na terra, quer depois da morte, no estado chamado "purgatório". Esta purificação liberta da chamada "pena temporal" do pecado. Essas duas penas não devem ser concebidas como uma espécie de vingança infligida por Deus do exterior, mas, antes, como uma conseqüência da própria natureza do pecado. Uma conversão que procede de uma ardente caridade pode chegar à total purificação do pecador, de tal modo que não haja mais nenhuma pena."1.
Assim, vejamos os ensinamentos dos Papas João Paulo II, Bento XVI e  Paulo VI.

São João Paulo II deixou-nos uma profunda explicação sobre o tema na audiência "O purgatório: necessária purificação para o encontro com Deus"2. Vejamo-na:
"2. Na Sagrada Escritura podem-se captar alguns elementos que ajudam a compreender o sentido desta doutrina, embora ela não seja enunciada de modo formal. Eles exprimem a convicção de que não se pode aceder a Deus sem passar através de alguma purificação.
Segundo a legislação religiosa do Antigo Testamento, aquilo que é destinado a Deus deve ser perfeito. Por conseguinte, a integridade também física é particularmente necessária para as realidades que entram em contacto com Deus no plano sacrifical, como por exemplo os animais a serem imolados (cf. Lv 22, 22), ou institucional, como no caso dos sacerdotes, ministros do culto (cf. Lv 21, 17-23). A esta integridade física deve corresponder uma dedicação total, dos indivíduos e da colectividade (cf. 1 Rs 8, 61) ao Deus da aliança, segundo os grandes ensinamentos do Deuteronômio (cf. 6, 5). Trata-se de amar a Deus com todo o próprio ser, com pureza de coração e testemunho de obras (cf. ibid., 10, 12 s.).

A exigência de integridade impõe-se evidentemente depois da morte, para o ingresso na comunhão perfeita e definitiva com Deus. Quem não tem esta integridade deve passar pela purificação. É um texto de São Paulo que o sugere. O Apóstolo fala do valor da obra de cada um, que será revelada no dia do juízo, e diz: «Se a obra construída subsistir, o construtor receberá a paga. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá a perda. Ele, porém, será salvo, como que através do fogo» (1 Cor 3, 14-15).

3. Para alcançar um estado de perfeita integridade, às vezes é necessária a intercessão ou a mediação de uma pessoa. Por exemplo, Moisés obtém o perdão do povo com uma oração, na qual evoca a obra salvífica realizada por Deus no passado e invoca a sua fidelidade ao juramento feito aos antepassados (cf. Êx 32, 30 e vv. 11-13). A figura do Servo do Senhor, delineada pelo Livro de Isaías, caracteriza-se também pela função de interceder e de expiar a favor de muitos; no final dos seus sofrimentos ele «verá a luz» e «justificará muitos», tomando sobre si as suas iniquidades (cf. Is 52, 13-53, v. 12, especialmente 53, 11).

Segundo a perspectiva do Antigo Testamento, o Salmo 51 pode ser considerado uma síntese do processo de reintegração: o pecador confessa e reconhece a própria culpa (cf. v. 6), pede insistentemente que seja purificado ou «lavado» (cf. vv. 4.9.12 e 16) para poder proclamar o louvor divino (cf. v. 17).

4. No Novo Testamento Cristo é apresentado como o intercessor, que assume as funções do sumo sacerdote no dia da expiação (cf. Hb 5, 7; 7, 25). Mas n'Ele o sacerdócio apresenta uma configuração nova e definitiva. Ele entra uma só vez no santuário celeste, com a finalidade de interceder diante de Deus em nosso favor (cf. Hb 9, 23-26, especialmente v. 24). Ele é Sacerdote e ao mesmo tempo «vítima de expiação» pelos pecados de todo o mundo (cf. 1 Jo 2, 2).

Jesus, como o grande intercessor que nos expia, revelar-Se-à plenamente no final da nossa vida, quando Se expressar com a oferta da misericórdia mas também com o inevitável juízo sobre aquele que rejeita o amor e o perdão do Pai.

A oferta da misericórdia não exclui o dever de nos apresentarmos puros e íntegros diante de Deus, ricos daquela caridade, que por Paulo é chamada «vínculo de perfeição» (Cl 3, 14).

5. Durante a nossa vida terrena, seguindo a exortação evangélica a sermos perfeitos como o Pai celeste (cf. Mt 5, 48), somos chamados a crescer no amor para nos encontrarmos firmes e irrepreensíveis diante de Deus Pai, «por ocasião da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, com todos os seus santos» (1 Ts 3, 12 s.).
Por outro lado, somos convidados a «purificar-nos de toda a imundície da carne e do espírito» (2 Cor 7, 1; cf. 1 Jo 3, 3), porque o encontro com Deus requer uma pureza absoluta.

Todo o vestígio de apego ao mal deve ser eliminado; toda a deformidade da alma há-de ser corrigida. A purificação deve ser completa, e é precisamente assim que a doutrina da Igreja entende o purgatório. "2.

O Papa Bento XVI fala do purgatório, segundo Santa Catarina de Gênova: 
"O pensamento de Catarina sobre o purgatório, pelo qual ela é particularmente conhecida, está condensado nas últimas duas partes do livro citado no início: o Tratado sobre o purgatório e o Diálogo entre a alma e o corpo. É importante observar que, na sua experiência mística, Catarina jamais tem revelações específicas sobre o purgatório ou sobre as almas que ali estão a purificar-se. Todavia, nos escritos inspirados pela nossa santa, é um elemento central, e o modo de o descrever tem características originais em relação à sua época.
O primeiro traço original diz respeito ao «lugar» da purificação das almas. No seu tempo, ele era representado principalmente com o recurso a imagens ligadas ao espaço: pensava-se num certo espaço, onde se encontraria o purgatório. Em Catarina, ao contrário, o purgatório não é apresentado como um elemento da paisagem das vísceras da terra: é um fogo não exterior, mas interior. Este é o purgatório, um fogo interior. A santa fala do caminho de purificação da alma, rumo à plena comunhão com Deus, a partir da própria experiência de profunda dor pelos pecados cometidos, em relação ao amor infinito de Deus (cf. Vida admirável, 171v). Ouvimos sobre o momento da conversão, quando Catarina sente repentinamente a bondade de Deus, a distância infinita da própria vida desta bondade e um fogo ardente no interior de si mesma. E este é o fogo que purifica, é o fogo interior do purgatório.
Também aqui há um traço original em relação ao pensamento do tempo. Com efeito, não se começa a partir do além para narrar os tormentos do purgatório — como era habitual naquela época e talvez ainda hoje — e depois indicar o caminho para a purificação ou a conversão, mas a nossa santa começa a partir da própria experiência interior da sua vida a caminho da eternidade.
A alma — diz Catarina — apresenta-se a Deus ainda vinculada aos desejos e à pena que derivam do pecado, e isto torna-lhe impossível regozijar com a visão beatífica de Deus.
Catarina afirma que Deus é tão puro e santo que a alma com as manchas do pecado não pode encontrar-se na presença da majestade divina (cf. Vida admirável, 177r). E também nós sentimos como estamos distantes, como estamos repletos de tantas coisas, a ponto de não podermos ver Deus. A alma está consciente do imenso amor e da justiça perfeita de Deus e, por conseguinte, sofre por não ter correspondido de modo correto e perfeito a tal amor, e precisamente o amor a Deus torna-se chama, é o próprio amor que a purifica das suas escórias de pecado.
Em Catarina entrevê-se a presença de fontes teológicas e místicas das quais era normal haurir na sua época. Em particular, encontra-se uma imagem típica de Dionísio, o Areopagita, ou seja, aquela do fio de ouro que liga o coração humano ao próprio Deus. Quando Deus purifica o homem, liga-o com um fio de ouro extremamente fino, que é o seu amor, e atrai-o a si com um afeto tão forte, que o homem permanece como que «superado, vencido e totalmente fora de si». Assim, o coração do homem é invadido pelo amor de Deus, que se torna o único guia, o único motor da sua existência (cf. Vida admirável, 246rv). Esta situação de elevação a Deus e de abandono à sua vontade, expressa na imagem do fio, é utilizada por Catarina para manifestar a obra da luz divina nas almas do purgatório, luz que as purifica e eleva aos esplendores dos raios fúlgidos de Deus (cf. Vida admirável,179r).

Queridos amigos, na sua experiência de união com Deus os santos alcançam um «saber» tão profundo dos mistérios divinos, no qual o amor e o conhecimento se compenetram, a ponto de ajudarem os próprios teólogos no seu compromisso de estudo, de intelligentia fidei, de intelligentia dos mistérios da fé, de aprofundamento real dos mistérios, por exemplo daquilo que é o purgatório.
Com a sua vida, santa Catarina ensina-nos que quanto mais amamos a Deus e entramos em intimidade com Ele na oração, tanto mais Ele se faz conhecer e acende o nosso coração com o seu amor. Escrevendo acerca do purgatório, a santa recorda-nos uma verdade fundamental da fé, que se torna para nós um convite a rezar pelos defuntos, a fim de que eles possam chegar à visão beatífica de Deus na comunhão dos santos (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1032)."3.
Para Santa Catarina de Gênova:
"A alma que não deseja ser purificada na vida terrena e não encontra prazer na purificação, deverá sofrer uma purificação mais forte no Purgatório. Porque aqui na terra encontra complacência e consolação no Senhor.
As chamas com as quais a alma é purificada aqui na terra, são as chamas do amor divino, no Purgatório as chamas que queimam e purificam todos os nossos pecados não são chamas do amor divino por isto causam dor, angústia: não existe compaixão. E mesmo que o nosso amor pelo Senhor cresce, não tira nem diminui o tormento que se sente, mesmo quando se percebe os raios do Amor de Deus."4.
Por fim, encerro esta postagem contextualizando o purgatório em nosso Credo,com as palavras de Papa Paulo VI:
"28.Cremos na vida eterna. Cremos que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo - quer as que se devem ainda purificar no fogo do Purgatório, quer as que são recebidas por Jesus no Paraíso, logo que se separam do corpo, como sucedeu com o Bom Ladrão -, formam o Povo de Deus para além da morte, a qual será definitivamente vencida no dia da Ressurreição, em que estas almas se reunirão a seus corpos.

29.Cremos que a multidão das almas, que já estão reunidas com Jesus e Maria no Paraíso, constituem a Igreja do céu, onde gozando da felicidade eterna, vêem Deus como Ele é (cf. 1Jo 3,2) (33), e participam com os santos Anjos, naturalmente em grau e modo diverso, do governo divino exercido por Cristo glorioso, uma vez que intercedem por nós e ajudam muito a nossa fraqueza, com a sua solicitude fraterna
30.Cremos na comunhão de todos os fiéis de Cristo, a saber: dos que peregrinam sobre a terra, dos defuntos que ainda se purificam e dos que gozam da bem-aventurança do céu, formando todos juntos uma só Igreja. E cremos igualmente que nesta comunhão dispomos do amor misericordioso de Deus e dos seus Santos, que estão sempre atentos para ouvir as nossas orações, como Jesus nos garantiu: "Pedi e recebereis" (cf. Lc 11,9-10; Jo 16,24). Professando está fé e apoiados nesta esperança, nós aguardamos a ressurreição dos mortos e a vida do século futuro.
Bendito seja Deus: Santo, Santo, Santo! Amém."5.

Notas
1. Catecismo da Igreja Católica, índice analítico, P.98 Purgatório. Disponível em: http://catecismo-az.tripod.com/conteudo/a-z/p/p.html
2. Papa João Paulo II, Audiência: (4 de agosto de 1999). Disponível em: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/audiences/1999/documents/hf_jp-ii_aud_04081999.html
3. Papa Bento XVI, Audiência: Santa Catarina de Génova (12 de janeiro de 2011). Disponível em: https://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/audiences/2011/documents/hf_ben-xvi_aud_20110112.html 
4. Santa Catarina de GênovaArtigo N.º 9078 - Parte 3 - Visões de Santa Catarina de Genova – Jesus revela o Purgatório e o inferno. Disponível em: http://www.espacojames.com.br/?cat=112&id=9078
5. Papa Paulo VI, Homilia (30 de Junho de 1968). Disponível em: http://w2.vatican.va/content/paul-vi/pt/motu_proprio/documents/hf_p-vi_motu-proprio_19680630_credo.html


24 novembro 2016

Imagem com textos para reflexão - Juízo Particular


Reflexão: Se hoje fosse o dia de seu juízo particular, você seria levado direto ao Céu? passaria um tempo no Purgatório para se purificar antes de ir para o Céu? 
ou iria para as profundezas do inferno?

Textos para meditar: 
Catecismo da Igreja Católica (CIC): 
"Juízo particular
§1021 A morte põe fim à vida do homem como tempo aberto ao acolhimento ou à recusa da graça divina manifestada em Cristo. 
O Novo Testamento fala do juízo principalmente na perspectiva do encontro final com Cristo na segunda vinda deste, mas repetidas vezes afirma também a retribuição, imediatamente depois da morte, de cada um em função de suas obras e de sua fé. 
A parábola do pobre Lázaro*e a palavra de Cristo na cruz ao bom ladrão*2 assim como outros textos do Novo Testamento, falam de um destino último da alma pode ser diferente para uns e outros.
§1022 Cada homem recebe em sua alma imortal a retribuição eterna a partir do momento da morte, num Juízo Particular que coloca sua vida em relação à vida de Cristo, seja por meio de uma purificação, seja para entrar de imediato na felicidade do céu, seja para condenar-se de imediato para sempre.".
Bíblia Sagrada: 

*1 Lucas 16, 19- 31
Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho finíssimo, e que todos os dias se banqueteava e se regalava. Havia também um mendigo, por nome Lázaro, todo coberto de chagas, que estava deitado à porta do rico. Ele avidamente desejava matar a fome com as migalhas que caíam da mesa do rico... Até os cães iam lamber-lhe as chagas. Ora, aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. E estando ele nos tormentos do inferno, levantou os olhos e viu, ao longe, Abraão e Lázaro no seu seio.
Gritou, então:
- Pai Abraão, compadece-te de mim e manda Lázaro que molhe em água a ponta de seu dedo, a fim de me refrescar a língua, pois sou cruelmente atormentado nestas chamas. 
Abraão, porém, replicou: 
- Filho, lembra-te de que recebeste teus bens em vida, mas Lázaro, males; por isso ele agora aqui é consolado, mas tu estás em tormento. Além de tudo, há entre nós e vós um grande abismo, de maneira que, os que querem passar daqui para vós, não o podem, nem os de lá passar para cá. 
O rico disse: 
- Rogo-te então, pai, que mandes Lázaro à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, para lhes testemunhar, que não aconteça virem também eles parar neste lugar de tormentos. 
Abraão respondeu:
- Eles lá têm Moisés e os profetas; ouçam-nos! 
O rico replicou: 
- Não, pai Abraão; mas se for a eles algum dos mortos, arrepender-se-ão. 
Abraão respondeu-lhe: 
- Se não ouvirem a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite algum dos mortos.

*2 Lucas  23, 33-43
Eram conduzidos ao mesmo tempo dois malfeitores para serem mortos com Jesus. Chegados que foram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, como também os ladrões, um à direita e outro à esquerda. E Jesus dizia: 
- Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem. 
Eles dividiram as suas vestes e as sortearam. A multidão conservava-se lá e observava. Os príncipes dos sacerdotes escarneciam de Jesus, dizendo: 
- Salvou a outros, que se salve a si próprio, se é o Cristo, o escolhido de Deus!
Do mesmo modo zombavam dele os soldados. Aproximavam-se dele, ofereciam-lhe vinagre e diziam:
- Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo.
Por cima de sua cabeça pendia esta inscrição: Este é o rei dos judeus. Um dos malfeitores, ali crucificados, blasfemava contra ele: 
- Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo e salva-nos a nós!
Mas o outro o repreendeu: 
- Nem sequer temes a Deus, tu que sofres no mesmo suplício?
- Para nós isto é justo: recebemos o que mereceram os nossos crimes, mas este não fez mal algum. E acrescentou: 
- Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino!
Jesus respondeu-lhe: 
- Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso.

"No entardecer de nossa vida, seremos julgados sobre o amor. "(CIC 1022). 
Pense Nisso!


Fonte:
1. Catecismo da Igreja Católica, índice analítico, J.6.7 Juízo particular. Disponível em: 
2. Bíblia Católica Ave Maria, Lucas 16. Disponível em: http://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/sao-lucas/16/

Obs.: a marcação em itálico colocado na citação do CIC é de minha autoria para realçar o conteúdo do que foi escrito.

16 novembro 2016

Aprendendo a orar como jesus - 9

Jesus sempre realçou a importância da fé.
"Tudo o que pedirdes com fé na oração, vós o alcançareis.(Mt 21,22)

São várias as passagens bíblicas em que Jesus associa a fé com a obtenção da graça: "Disse-lhe, então, Jesus: Ó mulher, grande é tua fé! Seja-te feito como desejas. E na mesma hora sua filha ficou curada." (Mt 15, 28); "Depois, dirigindo-se ao centurião, disse: Vai, seja-te feito conforme a tua fé. Na mesma hora o servo ficou curado." (Mt 8, 13); "Então ele tocou-lhes nos olhos, dizendo: Seja-vos feito segundo vossa fé." (Mt 9, 29). 

Quer na cura das enfermidades (Lc 18,42), quer no perdão dos pecados (Lc 7,50), Jesus responde sempre à oração que implora com fé: "tua fé te salvou!". "Tal é a força da oração: «tudo é possível a quem crê» (Mc 9, 23), com uma fé que não hesita (Mt 21, 21)""(CIC 2610)1

E, nos Evangelhos, constatamos que "Jesus ouve a oração de fé, expressa em palavras (o leproso, Jairo, a cananéia, o bom ladrão), ou em silêncio (os carregadores do paralítico, a hemorroíssa que lhe toca as vestes, as lágrimas e o perfume da pecadora). "(CIC 2616)1.

Mas, "a oração de fé não consiste somente em dizer «Senhor, Senhor!», mas em preparar o coração para fazer a vontade do Pai (Mt 7, 21). Jesus exorta os seus discípulos a levar para a oração esta solicitude em cooperar com o desígnio de Deus (Mt 9, 38; Lc 10, 2; Jo 4, 34)" (CIC 2611)1. O próprio Jesus moldou-se à vontade de Deus - "Afastou-se pela segunda vez e orou, dizendo: Meu Pai, se não é possível que este cálice passe sem que eu o beba, faça-se a tua vontade!" (Mt 26, 42) "venha a nós o vosso Reino; seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu." (Mt 6, 10) 

Notas
1. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 2610, 2611, 2616. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap1_2566-2649_po.html

8<

Aprendendo a orar como Jesus - 8

O que pedir na oração?

Como vimos anteriormente, "O pedido de perdão é o primeiro movimento da oração de súplica (cf. o publicano: "Tem piedade de mim, pecador": Lc 18,13). É a condição prévia de uma oração justa e pura." (CIC 2631)1.

"A humildade confiante nos repõe na luz da comunhão com o Pai e seu Filho, Jesus Cristo, e uns com os outros: "Então tudo o que lhe pedimos recebemos dele" (1 Jo 3,22). O pedido de perdão é a condição prévia da liturgia eucarística, como da oração pessoal."(CIC 2631)1.

"A súplica cristã está centrada no desejo e na procura do Reino que vem, de acordo com o ensinamento de Jesus". Existe uma hierarquia nos pedidos: primeiro o Reino, depois o que é necessário para acolhê-lo e cooperar para sua vinda." (CIC 2632)1

Jesus ensina a pedir somente o necessário - dai-nos hoje o pão necessário ao nosso sustento (Lc 11,3). "O pão nosso de cada dia nos dai hoje." (Mt 6,11) "Hoje" é também uma expressão de confiança. (...) "hoje não é só o de nosso tempo mortal: é o Hoje de Deus."(CIC 2836)1. " De cada dia." Esta palavra, "epiousios" (pronuncie: epiússios), não é usada em nenhum outro lugar no Novo Testamento. Tomada em um sentido temporal, é uma retomada pedagógica de "hoje" para nos confirmar numa confiança "sem reserva". Tomada em sentido qualitativo, significa o necessário à vida, e, em sentido mais amplo, todo bem suficiente para a subsistência. Literalmente (epiousios: "supersubstancial"), designa diretamente o Pão de Vida, o Corpo de Cristo, "remédio de imortalidade", sem o qual não temos a Vida em nós. Enfim, ligado ao que precede, o sentido celeste é evidente: "este Dia" é o Dia do Senhor, o do Banquete do Reino, antecipado na Eucaristia que é já o antegozo do Reino que vem. Por isso convém que a Liturgia eucarística seja celebrada "cada dia. (CIC 2837)1

"Com audaciosa confiança, começamos a rezar a nosso Pai. Ao suplicar-lhe que seu nome seja santificado, lhe pedimos a graça de sempre mais sermos santificados. Embora revestidos da veste batismal, nós não deixamos de pecar, de desviar-nos de Deus. Agora, neste novo pedido, nós nos voltamos a ele, como o filho pródigo, e nos reconhecemos pecadores, diante dele, como o publicano. Nosso pedido começa por uma "confissão", na qual declaramos, ao mesmo tempo, nossa miséria e sua Misericórdia. Nossa esperança é firme, porque, em seu Filho, "temos a redenção, a remissão dos pecados" (Cl 1,14). Encontramos o sinal eficaz e indubitável de seu perdão nos sacramentos de sua Igreja." (CIC 2839)1.

"Ora, e isso é tremendo, este mar de misericórdia não pode penetrar em nosso coração enquanto não tivermos perdoado aos que nos ofenderam. O amor, como o Corpo de Cristo, é indivisível: não podemos amar o Deus que não vemos, se não amamos o irmão, a irmã, que vemos. Recusando-nos a perdoar nossos irmãos e irmãs, nosso coração se fecha, sua dureza o torna impermeável ao amor misericordioso do Pai confessando nosso pecado, nosso coração se abre à sua graça."(CIC 2840)1.

"Este pedido é tão importante que é o único ao qual o Senhor volta e que desenvolve no Sermão da Montanha. Esta exigência crucial do mistério da Aliança é impossível para o homem. Mas "tudo é possível a Deus" (Mt 19,26)." (CIC 2841)1.

Na oração do Pai Nosso, ao pedir que Deus Pai nos livre do Maligno, "pedimos igualmente que sejamos libertados de todos os males, presentes, passados e futuros, dos quais ele é autor ou instigador."(CIC 2854)1. Ao orarmos durante a Missa "a Igreja traz toda a miséria do mundo diante do Pai. Com a libertação dos males que oprimem a humanidade, ela implora o dom precioso da paz e a graça de esperar perseverantemente o retorno de Cristo (...):
Livrai-nos de todos os males, ó Pai, e dai-nos hoje a vossa paz. Ajudados por vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e protegidos de todos os perigos, enquanto, vivendo a esperança, aguardamos a vinda do Cristo Salvador." (CIC 2854)1.
Por fim, o Amém! - Essa expressão "encontra-se com freqüência no fim das orações do Novo Testamento. Também a Igreja conclui suas orações com o "amém".(CIC 1061) "Em hebraico, a palavra "amém" está ligada à mesma raiz da palavra "crer". Esta raiz exprime a solidez, a confiabilidade, a fidelidade. Assim, compreendemos por que o "amém" pode ser dito da fidelidade de Deus para conosco e de nossa confiança nele."(CIC 1062)1.

"O próprio Jesus Cristo é "o Amém" (Ap 3,14). Ele é o "Amém" definitivo do amor do Pai por nós; assume e consuma nosso "Amém" ao Pai: "todas as promessas de Deus, com efeito, têm nele (Cristo) seu sim; por isso, é por Ele que dizemos 'amém' a Deus para a glória de Deus" (2Cor 1,20):
Por Cristo, com Cristo, em Cristo,/ a vós, Deus Pai Todo-Poderoso,/ na unidade do Espírito Santo,/ toda honra e toda glória,/ agora e para sempre./ AMÉM" (CIC 1065)1.
Nota
1. Catecismo da Igreja Católica, índice analítico, O.15 Oração. Disponível em: http://catecismo-az.tripod.com/conteudo/a-z/m/oracao.html

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Aprendendo a orar como Jesus - 7

A trindade Santa: Pai, Filho e Espírito Santo estão presentes na oração ensinada por Jesus

Jesus nos ensinou a chamar Deus de Pai na oração: "Eis como deveis rezar: Pai Nosso, que estais no céu, santificado seja o vosso nome" (Mt 6,6); "Quando orardes, dizei: Pai" (Lc 11, 2). E, além de estimular a confiança no Pai, incentivou também a haver uma audácia filial: "Tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o alcançastes" (Mc 11, 24). "Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto"(Mt 7,7).

Jesus também ensinou a orar em Nome dEle - "tudo o que pedirdes ao Pai em meu Nome, vo-lo farei, para que o Pai seja glorificado no Filho."(João 14, 13); "Até agora não pedistes nada em meu nome. Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja perfeita."(João 16, 24).

"Em Jesus, «o Reino de Deus está perto»"(CIC 2612)1. "O Filho bem-amado nos franqueia o acesso até junto do Pai. Ele pode pedir-nos que «procuremos» e «batamos à porta», porque Ele próprio é a porta e o caminho (Mt 7, 7-11.13-14)."(CIC 2609)1.

Os discípulos de Jesus oravam diretamente a Ele, como constatamos com Estêvão ("E apedrejavam Estêvão, que orava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito." - Atos 7,59); com Paulo ("Voltou-se para ela e disse ao espírito: Ordeno-te em nome de Jesus Cristo que saias dela. E na mesma hora ele saiu." - Atos 16,18) e com João ("Vem, Senhor Jesus!" - Apoc 22:20). "Em comunhão com o Mestre, a oração dos discípulos é um combate"(CIC 2612)1.

Jesus também ensinou a pedir o Espirito Santo: "Se um filho pedir um pão, qual o pai entre vós que lhe dará uma pedra? Se ele pedir um peixe, acaso lhe dará uma serpente? Ou se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á porventura um escorpião? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que lho pedirem."(Lc 11, 9-13).

Segundo o Catecismo da Igreja Católica (CIC 2670)2, "Cada vez que começamos a orar a Jesus, é o Espírito Santo que, por sua graça proveniente, nos atrai ao caminho da oração. Se Ele nos ensina a orar recordando-nos Cristo, como não orar a Ele mesmo? Por isso, a Igreja nos convida a implorar cada dia o Espírito Santo, sobretudo no início e no fim de toda ação importante".

"A forma tradicional para pedir a vinda do Espírito Santo é invocar o Pai por Cristo, nosso Senhor, para que nos dê o Espírito Consolador. Jesus insiste nesse pedido em seu nome exatamente no momento em que promete o dom do Espírito de Verdade. Mas a oração mais simples e mais direta é também tradicional: "Vinde, Espírito Santo", e cada tradição litúrgica a desenvolveu em antífonas e hinos: 
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações de vossos fiéis e acendei neles o fogo de vosso amor.

Rei celeste, Espírito Consolador, Espírito de Verdade, presente em toda parte e plenificando tudo, tesouro de todo bem e fonte da Vida, vinde, habitai em nós, purificai-nos e salvai-nos, ó Vós, que sois bom!" (CIC 2671)2
Ainda segundo o CIC, a prece pode ser repetitiva - "Deixou-os e foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras." (Mt 26, 44) O pedido insistente dos cegos: "Filho de Davi, tem compaixão de nós" (Mt 9,27)ou "Filho de Davi, tem compaixão de mim" (Mc 10,47) foi retomado na tradição da Oração a Jesus: "Jesus Cristo, Filho de Deus, Senhor, tem piedade de mim, pecador!"(CIC 2616)1. 

Nota

1. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 2609, 2612. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap1_2566-2649_po.html
2. Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 2670. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap2_2650-2696_po.html

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Aprendendo a orar como Jesus - 6

Jesus nos  ensinou que pedir perdão e o perdoar fazem parte da oração: "quando vos puserdes de pé para orar, perdoai, se tiverdes algum ressentimento contra alguém, para que também vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe os vossos pecados."(São Marcos 11, 25). Assim, percebemos que a primeira atitude de quem vai orar é a de pedir perdão, de perdoar. "O pedido de perdão é o primeiro movimento da oração de súplica (cf. o publicano: "Tem piedade de mim, pecador": Lc 18,13). É a condição prévia de uma oração justa e pura. (...) O pedido de perdão é a condição prévia tanto "da liturgia eucarística, como da oração pessoal." (CIC 2631)1.

O perdão é importante porque dá "testemunho de que, em nosso mundo, o amor é mais forte que o pecado" (CIC 2844)2. "E o próprio Senhor nos ensinou a rezar: «Perdoai-nos as nossas ofensas» (Lc 11, 4 ), relacionando o perdão mútuo das nossas ofensas com o perdão que Deus concederá aos nossos pecados.(CIC 1425)3.

É o perdão que possibilita a conversão do coração. Jesus insiste nessa conversão do coração "desde o sermão da montanha: a reconciliação com o irmão antes de apresentar a oferta no altar (Mt 5, 23-24); o amor dos inimigos e a oração pelos perseguidores (Mt 5, 44-45) (...) perdoar do fundo do coração na oração (Mt 6, 14-15)"(CIC 2608)1. "O coração, assim decidido a converter-se, aprende a orar na fé." (CIC 2609)1.

Nota

1. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 2608, 2609, 2631. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap1_2566-2649_po.html
2. Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 2844. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s2_2759-2865_po.html
3. Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 1425. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p2s2cap1_1420-1532_po.html

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Aprendendo a orar como Jesus - 5

Jesus também ensina que a oração pode ser feita tanto para si mesmo quanto para o próximo, seja sozinho ou em grupo.

Oração para si mesmo - Jesus fez oração de petição, suplicando para si mesmo. E fez isso de dois modos diferentes: 
I - exprimindo sua sensibilidade

Segundo Santo Agostinho apud 1: "Cristo, enquanto homem, mostra uma certa vontade particularmente humana, quando diz:  — Passe de mim este cálice; pois, essa era uma vontade humana, a querer uma causa propriamente particular. Mas como quer, com coração reto, ser homem e ser dirigido para Deus, acrescenta — Contudo, não se faça a minha vontade, senão a tua; como se dissesse — considera-te em mim pois, posso querer algo como próprio, embora Deus queira de outro modo.".
Para São Tomás de Aquino 1, " Cristo orou mediante a sua sensibilidade(...) para assim nos dar uma tríplice instrução:
  1. Primeiro, para mostrar que assumiu verdadeiramente a natureza humana, com todos os seus afetos naturais.
  2. Segundo, para mostrar que é lícito ao homem, pelo seu afeto natural, querer o que Deus não quer.
  3. Terceiro, para mostrar que o homem deve sujeitar o seu afeto próprio à vontade divina.".
II - exprimindo-se racionalmente

Um exemplo dessa petição de Jesus é "quando pediu a glória da ressurreição"2 "Pai, é chegada a hora. Glorifica teu Filho, para que teu Filho glorifique a ti; e para que, pelo poder que lhe conferiste sobre toda criatura, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe entregaste." (João 17, 1-2).
"Cristo quis recorrer ao Pai, na sua oração, para nos dar o exemplo de orar e para nos mostrar, que o seu Pai é o autor de que eternamente procede"2 
Oração pelo próximo - Jesus também orou intercedendo por outras pessoas. Na sua oração humana "partilha tudo quanto vivem os «seus irmãos» (Heb 2, 12); e compadece-Se das suas fraquezas para os livrar delas (Heb 2, 15; 4, 15). Foi para isso que o Pai O enviou. As suas palavras e as suas obras aparecem então como a manifestação visível da sua oração «no segredo»."(CIC 2602)3.

Na intercessão, aquele que ora "não procura seus próprios interesses, mas pensa sobretudo nos dos outros" (Fl 2,4) e reza por aqueles que lhe fazem mal."(CIC 2635)3. Foi assim que Jesus fez. Até pregado na cruz, intercedeu: "Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem."(Lc 23, 34). 

Ao pedir pelas pessoas, Jesus nos mostra que "Ele é o único Intercessor junto do Pai em favor de todos os homens, dos pecadores, sobretudo. Ele é "capaz de salvar de modo definitivo aqueles que por meio dele se aproximam de Deus, visto que Ele vive para sempre para interceder por eles" (Hb 7,25)" (CIC 2634)3. "No tempo da Igreja, a intercessão cristã participa da de Cristo; é a expressão da comunhão dos santos. " (CIC 2635)3.

É importante salientar que oração de petição e de intercessão estão intimamente relacionadas. Segundo São Tomás de Aquino, "A glória mesma que Cristo pedia nas suas orações, era pertinente à salvação dos outros, segundo aquilo do Apóstolo: Ressuscitou para nossa justificação. E por isso, as orações que fazia, por si, de certo modo também redundavam para os outros. Assim como quando pedimos um bem a Deus para o empregarmos em benefício alheio, oramos não só por nós mesmos mas também pelos outros."2

Oração individual e em grupo

A sós com Deus - Em várias passagens dos Evangelhos, Jesus mostra que se deve ter um momento a sós para falar com o Pai: "subiu à montanha para orar na solidão. E, chegando a noite, estava lá sozinho" (Mateus 14, 23); "retirou-se Jesus com eles para um lugar chamado Getsêmani e disse-lhes: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar" (Mateus 26, 36).

Em grupo - A oração comunitária também é valorizada por Jesus: "Num dia em que ele estava a orar a sós com os discípulos" (Lc 9, 18) "Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e subiu ao monte para orar." (Lc 9, 28).

Nesse orar, Jesus deixa um alerta: "Quando orardes, não façais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa." (Mt 6, 5). 

Notas

1.São Tomás de Aquino, Suma Teológica, parte III, Tratado do Verbo Encarnado, questão 21 artigo 2. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/3688
2. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, parte III, Tratado do Verbo Encarnado, questão 21 artigo 3. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/3689 
3. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 2602, 2635. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap1_2566-2649_po.html 
4. Catecismo da Igreja Católica, índice analítico, I.49.9 Oração de intercessão. Disponível em: http://catecismo-az.tripod.com/conteudo/a-z/h/intercessao.html

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Aprendendo a orar como Jesus - 4





A oração deve estar presente nos momentos decisivos, nos eventos importantes da vida - E esta oração tanto poder acontecer antes como durante ou depois dos acontecimentos. Assim Jesus fez:

Antes de momentos decisivos da sua missão
"A oração de Jesus antes dos acontecimentos da salvação de que o Pai O encarrega, é uma entrega humilde e confiante da sua vontade à vontade amorosa do Pai."(CIC 2600)1. Jesus ora em Seu batismo antes de o Pai dar testemunho d'Ele ( Lc 3, 21); Ora antes de sua Paixão (Lc 22, 41-44).

Jesus ora também antes dos momentos decisivos que vão determinar a missão dos seus Apóstolos: ora "antes de escolher e chamar os Doze (Lc 6, 12), antes de Pedro O confessar como o «Cristo de Deus» (Lc 9, 18-20) e para que a fé do chefe dos Apóstolos não desfaleça na tentação (Lc 22, 32)."(CIC 2600)1

Durante os eventos importantes de sua vida - Jesus orou durante a transfiguração ("Enquanto orava, transformou-se o seu rosto e as suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura" - Lc 9,29); enquanto ressuscitava Lázaro ("Levantando Jesus os olhos ao alto, disse: Pai, rendo-te graças, porque me ouviste. Eu bem sei que sempre me ouves, mas falo assim por causa do povo que está em roda, para que creiam que tu me enviaste. Depois destas palavras, exclamou em alta voz: Lázaro, vem para fora!" - Jo 11, 41-43); na hora da Sua angústia ("Ele entrou em agonia e orava ainda com mais instância, e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra" - Lc 22,44); na hora da Sua morte ("Jesus deu então um grande brado e disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, dizendo isso, expirou" - Lc 23,46).

Após os acontecimentos - Jesus subiu ao monte para orar depois que despediu o povo que tinha presenciado a multiplicação dos pães e dos peixes; orou quando sua obra terminou ("Eu te glorifiquei na terra. Terminei a obra que me deste para fazer" - João 17,4).

Nota
1. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 2599. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap1_2566-2649_po.html

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Aprendendo a orar como Jesus - 3


Agora, vamos ver como deve ser praticada a oração à exemplo de Jesus.


Ore continuamente - Em Lc 18,1, Jesus propõe uma parábola "para mostrar que é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo. E em Mc 14,38, diz: "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. Pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca.".

"Cristo, que tudo assumiu para resgatar tudo, é glorificado pelos pedidos que oferecemos ao Pai em seu Nome. E com essa garantia que Tiago e Paulo nos exortam a orar em todo tempo. (CIC 2633).


Segundo são Tomás de Aquino, esse orar sempre pode ser encarado "à dupla luz: em si mesma e na sua causa"1:

Na sua causa, o orar deve ser contínuo, pois a virtude do orar "permanece em tudo o que fazemos por caridade, porque, como diz o Apóstolo, elevemos fazer tudo para a glória de Deus. E, assim, a oração deve ser contínua.".
Considerada em si mesma, porém, a oração não pode ser contínua, porque temos ele nos ocupar com outras obras. Mas, no mesmo lugar, Agostinho diz o seguinte: Rogamos a Deus por certos intervalos de horas e de tempos, para por meio desses sinais sensíveis, nos advertirmos a nós mesmos; darmos a conhecer a nós mesmos quanto progredimos nesse desejo e nos excitarmos a nós próprios, mais fortemente, a continuar no mesmo caminho."
Jesus tinha um horário para orar diariamente - Jesus ora "preferentemente de noite" (CIC 2602)2
Sua oração à tarde e pela manhã são vistas nos versículos: "Após a multiplicação dos pães e dos peixes, Jesus "forçou seus discípulos a embarcarem (...) foi à montanha para orar. Ao cair da tarde, o barco estava no meio do mar"(Mc 6, 46-47); "De manhã, tendo-se levantado muito antes do amanhecer, ele saiu e foi para um lugar deserto, e ali se pôs em oração" (Mc 1,35).

E quanto à duração da oração?
Ela é proporcional ao fervor do espírito. 

"Este fervor incansável só pode vir do amor. "(CIC 2742)3. São Tomás de Aquino lembra que: 

"convém à oração durar tanto quanto for útil para despertar o fervor do desejo interno. E quando exceder essa medida, de modo a não poder durar sem nos causar tédio, não devemos protrai–la. Por isso, nota Agostinho: Disse que os padres no Egito fazem orações frequentes, mas, brevíssimas e em forma de rápidas jaculatórias; a fim de que aquela contenção de espírito, que devemos manter com vigilância e é tão necessária a quem ora, não se desvaneça pela duração muito prolongada e nem se embote. E por aí também mostram suficientemente que, se não podemos forçar essa contenção quando ela não vinga perdurar, também não devemos interrompê–la inopinadamente, enquanto perdura. E se temos de proceder assim, em se tratando da nossa oração particular, relativamente à nossa contenção de espírito, o mesmo se há de fazer na oração em comum relativamente à devoção do povo."1.
Segundo Santo Agostinho:
"orar longamente não consiste em pronunciar muitas palavras. Uma coisa é o multilóquio e outra o perdurar do afeto. Pois, do próprio Senhor foi escrito que pernoitou na oração e orou mais prolongadamente para nos dar o exemplo. E em seguida acrescenta: Que não haja na oração muitas palavras, mas oremos tanto quanto durar a nossa fervorosa contenção de espírito. Pois, orar usando de muitas palavras é fazer o necessário com palavras supérfluas. Porque, muitas vezes, esse ato nós o praticamos mais com gemidos de que com palavras."apud 1.
São Tomás de Aquino também afirma que: "A longura da oração não consiste em pedirmos muitas coisas mas, na continuidade do afeto, desejando um só objeto."1.

E, na hora do sofrimento, a oração deve ser mais intensa pois é ela que trará a fortaleza. "Ele entrou em agonia e orava ainda com mais instância, e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra." (Lc 22, 44).

Por fim, "a Tradição da Igreja propõe aos fiéis ritmos de oração destinados a alimentar a oração contínua. Alguns são quotidianos: a oração da manhã e da noite, antes e depois das refeições, a Liturgia das Horas. O Domingo, centrado na Eucaristia, é santificado principalmente pela oração. O ciclo do ano litúrgico e as suas grandes festas constituem os ritmos fundamentais da vida de oração dos cristãos."(CIC 2698)3.

Notas
1. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, Parte IIa IIae, Tratado sobre a Justiça, questão 83, artigo 14. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/3984
2. Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 2602. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap1_2566-2649_po.html
3. Catecismo da Igreja Católica, capítulos 2698, 2742. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap3_2697-2758_po.html

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Aprendendo a orar como Jesus - 2

Vejamos o que Jesus nos ensinou sobre o local específico para orar.


Nos Evangelhos, temos algumas passagens que nos mostram que Jesus gostava de fazer Suas orações "em segredo " se retirando para "lugares solitários para orar"(Lucas 5, 16); "ao monte para orar" (Marcos 6, 46); "à montanha para orar na solidão. (Mt 14,23). Ele também falou sobre isso: "Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo" (Mt 6,6).


Além do lugar reservado a sós para orar, Jesus também " ora com as palavras e nos ritmos da oração do seu povo"(CIC 2599)1, na sinagoga e no Templo:
Sinagoga - A presença de Jesus nas sinagogas é vista em várias passagens dos quatro Evangelhos, por exemplo: "Jesus pregava nas sinagogas da Judéia" (Lc4,44); "Dirigiu-se a Nazaré, onde se havia criado. Entrou na sinagoga em dia de sábado, segundo o seu costume, e levantou-se para ler." (São Lucas 4, 16)"; "Jesus voltou para a Galiléia (...) Ensinava em suas sinagogas e era glorificado por todos." (Lc 4, 14-15); "e foi por toda a Galiléia, pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios" (Mc 1, 39); ensinava aos sábados em Cafarnaum, cidade da Galiléia. (Lc 4, 31; Mc 1,21); "Tal foi o ensinamento de Jesus na sinagoga de Cafarnaum." (Jo 6, 59).

Templo - Jesus "professou pelo templo de Jerusalém o mais profundo respeito. Ali foi apresentado por José e Maria, quarenta dias depois do seu nascimento (Lc 2, 22-39). Na idade de doze anos, decidiu ficar no templo para lembrar aos seus pais que tinha de Se ocupar das coisas de seu Pai (Lc 2, 46-49). Ao templo subiu todos os anos, ao menos pela Páscoa, durante a vida oculta (Lc 2, 41). O seu próprio ministério público foi ritmado pelas peregrinações a Jerusalém nas grandes festas judaicas (Jo 2, 13-14; 5, 1.14; 7, 1.10.14; 8, 2; 10, 22-23)."(CIC 583)2. " Jesus subiu ao templo como quem sobe ao lugar privilegiado de encontro com Deus. O templo é para Ele a casa do seu Pai, uma casa de oração, e indigna-Se com o facto de o átrio exterior se ter tornado lugar de negócio (Mt 21, 13)"(CIC 584)2. Nos últimos dias de Jesus, "durante o dia Ele ensinava no Templo, mas passava as noites ao relento, no monte chamado das Oliveiras. E todo o povo madrugava junto com Ele no Templo, para ouvi-Lo." (Lc 21,37-38).
A Igreja Católica também ensina quais são os lugareis favoráveis à oração (CIC 2691)3:

"A Igreja, casa de Deus, é o lugar próprio para a oração litúrgica da comunidade paroquial. E também o lugar privilegiado da adoração da presença real de Cristo no Santíssimo Sacramento. (...)
- para a oração pessoal, pode ser um "recanto de oração", com as Sagradas Escrituras e imagens sagradas, para aí estar "no segredo" diante do Pai. Numa família cristã, essa espécie de peque no oratório favorece a oração em comum; 
- nas regiões onde existem mosteiros, a vocação dessas comunidades é favorecer a partilha da Oração das Horas com os fiéis e permitir a solidão necessária a uma oração pessoal mais intensa; 
- as peregrinações evocam nossa caminhada pela terra em direção ao céu. São tradicionalmente tempos fortes de renovação da oração. Os santuários são para os peregrinos, em busca de suas fontes vivas, lugares excepcionais para viver "como Igreja" as formas da oração cristã.". 

Notas:

1. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 2599. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap1_2566-2649_po.html
2. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 583, 584. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s2cap2_422-682_po.html
3. Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 2691. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap2_2650-2696_po.html
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"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12
CEFAS, oriundo do nome de São Pedro apóstolo, significa também um Acróstico: Comunhão para Evangelização, Formação e Anúncio do Senhor. É um humilde projeto de evangelização através da internet, buscando levar formação católica doutrinal e espiritual.