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07 janeiro 2018

Renúncia a si no "Imitação de Cristo"





Segue abaixo três capítulos marcantes do livro “Imitação de Cristo” sobre a renúncia de si mesmo:



Da consideração de si mesmo

1. Não devemos confiar demasiado em nós mesmos, porque muitas vezes nos faltam a graça e o discernimento.
Pouca luz há em nós, e esse pouco perdemos depressa, por nosso descuido.
Muitas vezes não conhecemos como cegos estamos na alma.
Muitas vezes também agimos mal, e, ainda pior, nos desculpamos.
Às vezes somos levados pela paixão, e julgamos que é o zelo.
Repreendemos nos outros as faltas pequenas e desculpamos as nossas, mesmo as mais graves.
Muito depressa sentimos e nos magoamos com o que sofremos dos outros; mas não pensamos muito em quanto os outros sofrem por causa de nós.
O que bem e retamente examinar suas ações não terá que julgar severamente as alheias.

2. O homem de vida interior antepõe o cuidado de si mesmo a todos os outros cuidados; e com zelo atende a si; com facilidade, se abstém de falar dos outros.
Nunca será homem de vida interior e devoto, se não calar dos outros e tiver especial cuidado de si.
Caso se ocupe totalmente com Deus e contigo, pouco o abalará o que vir à sua vida.
Onde está, quando não está consigo? Qual foi o proveito lembrar-se de tudo, se de você se esqueceu?
Se quiser ter paz e união verdadeira com Deus, deve desprezar tudo o mais, para cuidar de si só.

3. Adiantará, portanto, muito, caso se conserve livre de toda a preocupação temporal; mas muito atrasará, se tiver em estima alguma coisa temporal.
Nada se parecerá grande, elevado, agradável ou digno de aceitação, a não ser somente Deus o u o que a ele se refere.
Tem por vazio qualquer consolação que te vier da criatura.
A alma que deveras ama a Deus despreza tudo o que não é de Deus.
Só Deus, eterno, imenso e que tudo enche, é a consolação da alma, e a verdadeira alegria do coração.

É preciso deixar toda a criatura para poder encontrar o Criador

1. O Discípulo – Senhor, ainda me é necessário muita graça para chegar ao estado em que nenhuma criatura possa me impedir.
Porque, enquanto alguma coisa me prender, não poderei livremente voar a vós.
Aspirava a esta liberdade o profeta quando dizia: “Quem me dera asas como a pomba, para que pudesse voar e descansar?” (Sl 54,7).
Que descanso mais completo que o do homem que só pensa em vós? E quem mais livre que o que nada deseja na terra?
É necessário, pois, que a alma se eleve acima das criaturas, se desapegue totalmente de si mesma para que, assim, arrebatada fora de si, compreenda que vós sois o Criador de todas as coisas e que nenhuma semelhança tendes com as criaturas.
Quando não se desprender assim das criaturas não poderá ocupar-se livremente das
coisas de Deus.
A causa por que hoje há tão poucas pessoas contemplativas é porque são raros os que sabem desapegar-se inteiramente das criaturas e dos bens transitórios.

2. Para isto é necessário uma graça poderosa que levante a alma e a transporte acima de si mesma.
Enquanto não for o homem assim elevado em espírito, desapegado de toda a criatura e perfeitamente unido a Deus, de pouca valia é quanto sabe e quanto possui.
Quem não ama só o único, imenso e eterno bem permanecerá muito tempo no seu estado imperfeito.
Tudo o que não é de Deus é nada, e por nada se deve contar.
Há grande diferença entre a sabedoria do homem iluminado e devoto, e a ciência que o doutor adquire pelo estudo.
Muito mais nobre é a doutrina que flui da influência da graça, que a que se adquire pelo trabalho e esforço do engenho humano.

3. Há muitos que desejam elevar-se à contemplação, mas que não trabalham por adquiri-la.
O que nos impede de chegar a um estado tão ditoso é contemplarem as coisas exteriores e sensíveis, tratando pouco de mortificar o espírito e o coração.
Não sei o que é, nem que espírito nos leva, nem que pretendemos em passar por espirituais, quando empregamos tanto trabalho e cuidado nas coisas indignas e transitórias, e apenas ou quase nunca nos recolhendo de todo a considerar nosso inferior.

4. Grande desventura! Ainda bem não temos entrado em nosso coração já saímos dele para nos ocuparmos em coisas externas, sem fazemos um rigoroso exame sobre as nossas obras!
Não consideramos até onde descem nossos afetos, nem choramos vendo que tudo em nós é impuro.
“Toda a carne tinha corrompido o seu caminho”; eis porque veio o dilúvio (Gn 6,12).
Quando, pois, os nossos afetos interiores estão corrompidos, corrompem necessariamente nossas ações e descobrem assim toda a fraqueza de nossa alma.
Os frutos da boa vida não brotam senão de um coração puro.

5. Pergunta-se de um homem: o que faz ele? Mas não se atende se o fez por virtude.
Averígua-se com cuidado se é valente, rico, formoso, sábio, se é bom escritor, se canta bem, se é hábil em sua profissão; porém pouco se fala se é humilde, manso, paciente, devoto e recolhido.
A natureza não considera senão o exterior do homem; a graça, porém, penetra no seu interior. Aquela muitas vezes se engana, esta espera em Deus para não ser enganada.

Da abnegação de si mesmo e do desapego de toda a cobiça

1. Jesus Cristo – Filho, não pode gozar de perfeita liberdade sem que renuncie inteiramente a você mesmo.
Em escravidão vivem todos os que se amam e buscam a si mesmo. Andam inquietos, ávidos, curiosos, buscando sempre o que ajuda os sentidos e não o que me agrada, nutrindo-se de ilusões e formando mil projetos, que se dissipam.
Tudo que não vem de Deus não pode ser firme e permanente.
Imprima em sua alma esta breve, mas perfeitíssima máxima: “Deixe tudo e achará tudo”. Renuncie a seus apetites e terá sossego.
Medite bem este preceito; e quando o tiver cumprido, saberá tudo.

2. O Discípulo – Senhor, uma piedade tão pura não é obra de um dia, nem brincadeira de meninos; neste breve ditado se encama toda a perfeição da vida religiosa.

3. Jesus Cristo – Filho, não deve fraquejar nem logo perder o ânimo, quando te mostram o caminho dos homens perfeitos; mas antes esforçar-se por chegar a esse estado sublime ou pelo menos aspirar a ele com o desejo.
Oh! Se tivesse chegado a tanto que não amasse a si mesmo, submisso inteiramente à minha vontade e ao prelado que te dei! Então me agradaria sobremaneira e toda a sua vida passaria alegre e sossegada.
Ainda tem muito que deixar: e se não renunciar a tudo por amor a mim não alcançará o que pede.
Para que seja rico, aconselho “que me compre este ouro purificado no fogo”, quero dizer, a sabedoria celestial que pisa aos pés todas as coisas terrenas (Ap 3,18).
Para a possuir, renuncie à sabedoria terrena e a toda a falsa complacência de você mesmo.

4. Já te disse que as coisas mais desprezíveis ao parecer humano se devem comprar com as mais preciosas e altas.
Pois que esta sabedoria celestial, que nenhuma estimação faz de si mesma nem deseja que os outros a estimem, está hoje no último desprezo e quase no esquecimento de todos os homens; e se muitos a honram com a boca, a combatem ao mesmo tempo com as suas obras. Contudo, ela é “aquela pérola preciosa” a tantos escondida (Mt 13,46).

Texto retirado do livro: Imitação de Cristo; Tomás de Kempis; Editora AveMaria.



16 novembro 2016

Aprendendo a orar como jesus - 9

Jesus sempre realçou a importância da fé.
"Tudo o que pedirdes com fé na oração, vós o alcançareis.(Mt 21,22)

São várias as passagens bíblicas em que Jesus associa a fé com a obtenção da graça: "Disse-lhe, então, Jesus: Ó mulher, grande é tua fé! Seja-te feito como desejas. E na mesma hora sua filha ficou curada." (Mt 15, 28); "Depois, dirigindo-se ao centurião, disse: Vai, seja-te feito conforme a tua fé. Na mesma hora o servo ficou curado." (Mt 8, 13); "Então ele tocou-lhes nos olhos, dizendo: Seja-vos feito segundo vossa fé." (Mt 9, 29). 

Quer na cura das enfermidades (Lc 18,42), quer no perdão dos pecados (Lc 7,50), Jesus responde sempre à oração que implora com fé: "tua fé te salvou!". "Tal é a força da oração: «tudo é possível a quem crê» (Mc 9, 23), com uma fé que não hesita (Mt 21, 21)""(CIC 2610)1

E, nos Evangelhos, constatamos que "Jesus ouve a oração de fé, expressa em palavras (o leproso, Jairo, a cananéia, o bom ladrão), ou em silêncio (os carregadores do paralítico, a hemorroíssa que lhe toca as vestes, as lágrimas e o perfume da pecadora). "(CIC 2616)1.

Mas, "a oração de fé não consiste somente em dizer «Senhor, Senhor!», mas em preparar o coração para fazer a vontade do Pai (Mt 7, 21). Jesus exorta os seus discípulos a levar para a oração esta solicitude em cooperar com o desígnio de Deus (Mt 9, 38; Lc 10, 2; Jo 4, 34)" (CIC 2611)1. O próprio Jesus moldou-se à vontade de Deus - "Afastou-se pela segunda vez e orou, dizendo: Meu Pai, se não é possível que este cálice passe sem que eu o beba, faça-se a tua vontade!" (Mt 26, 42) "venha a nós o vosso Reino; seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu." (Mt 6, 10) 

Notas
1. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 2610, 2611, 2616. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap1_2566-2649_po.html

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Aprendendo a orar como Jesus - 8

O que pedir na oração?

Como vimos anteriormente, "O pedido de perdão é o primeiro movimento da oração de súplica (cf. o publicano: "Tem piedade de mim, pecador": Lc 18,13). É a condição prévia de uma oração justa e pura." (CIC 2631)1.

"A humildade confiante nos repõe na luz da comunhão com o Pai e seu Filho, Jesus Cristo, e uns com os outros: "Então tudo o que lhe pedimos recebemos dele" (1 Jo 3,22). O pedido de perdão é a condição prévia da liturgia eucarística, como da oração pessoal."(CIC 2631)1.

"A súplica cristã está centrada no desejo e na procura do Reino que vem, de acordo com o ensinamento de Jesus". Existe uma hierarquia nos pedidos: primeiro o Reino, depois o que é necessário para acolhê-lo e cooperar para sua vinda." (CIC 2632)1

Jesus ensina a pedir somente o necessário - dai-nos hoje o pão necessário ao nosso sustento (Lc 11,3). "O pão nosso de cada dia nos dai hoje." (Mt 6,11) "Hoje" é também uma expressão de confiança. (...) "hoje não é só o de nosso tempo mortal: é o Hoje de Deus."(CIC 2836)1. " De cada dia." Esta palavra, "epiousios" (pronuncie: epiússios), não é usada em nenhum outro lugar no Novo Testamento. Tomada em um sentido temporal, é uma retomada pedagógica de "hoje" para nos confirmar numa confiança "sem reserva". Tomada em sentido qualitativo, significa o necessário à vida, e, em sentido mais amplo, todo bem suficiente para a subsistência. Literalmente (epiousios: "supersubstancial"), designa diretamente o Pão de Vida, o Corpo de Cristo, "remédio de imortalidade", sem o qual não temos a Vida em nós. Enfim, ligado ao que precede, o sentido celeste é evidente: "este Dia" é o Dia do Senhor, o do Banquete do Reino, antecipado na Eucaristia que é já o antegozo do Reino que vem. Por isso convém que a Liturgia eucarística seja celebrada "cada dia. (CIC 2837)1

"Com audaciosa confiança, começamos a rezar a nosso Pai. Ao suplicar-lhe que seu nome seja santificado, lhe pedimos a graça de sempre mais sermos santificados. Embora revestidos da veste batismal, nós não deixamos de pecar, de desviar-nos de Deus. Agora, neste novo pedido, nós nos voltamos a ele, como o filho pródigo, e nos reconhecemos pecadores, diante dele, como o publicano. Nosso pedido começa por uma "confissão", na qual declaramos, ao mesmo tempo, nossa miséria e sua Misericórdia. Nossa esperança é firme, porque, em seu Filho, "temos a redenção, a remissão dos pecados" (Cl 1,14). Encontramos o sinal eficaz e indubitável de seu perdão nos sacramentos de sua Igreja." (CIC 2839)1.

"Ora, e isso é tremendo, este mar de misericórdia não pode penetrar em nosso coração enquanto não tivermos perdoado aos que nos ofenderam. O amor, como o Corpo de Cristo, é indivisível: não podemos amar o Deus que não vemos, se não amamos o irmão, a irmã, que vemos. Recusando-nos a perdoar nossos irmãos e irmãs, nosso coração se fecha, sua dureza o torna impermeável ao amor misericordioso do Pai confessando nosso pecado, nosso coração se abre à sua graça."(CIC 2840)1.

"Este pedido é tão importante que é o único ao qual o Senhor volta e que desenvolve no Sermão da Montanha. Esta exigência crucial do mistério da Aliança é impossível para o homem. Mas "tudo é possível a Deus" (Mt 19,26)." (CIC 2841)1.

Na oração do Pai Nosso, ao pedir que Deus Pai nos livre do Maligno, "pedimos igualmente que sejamos libertados de todos os males, presentes, passados e futuros, dos quais ele é autor ou instigador."(CIC 2854)1. Ao orarmos durante a Missa "a Igreja traz toda a miséria do mundo diante do Pai. Com a libertação dos males que oprimem a humanidade, ela implora o dom precioso da paz e a graça de esperar perseverantemente o retorno de Cristo (...):
Livrai-nos de todos os males, ó Pai, e dai-nos hoje a vossa paz. Ajudados por vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e protegidos de todos os perigos, enquanto, vivendo a esperança, aguardamos a vinda do Cristo Salvador." (CIC 2854)1.
Por fim, o Amém! - Essa expressão "encontra-se com freqüência no fim das orações do Novo Testamento. Também a Igreja conclui suas orações com o "amém".(CIC 1061) "Em hebraico, a palavra "amém" está ligada à mesma raiz da palavra "crer". Esta raiz exprime a solidez, a confiabilidade, a fidelidade. Assim, compreendemos por que o "amém" pode ser dito da fidelidade de Deus para conosco e de nossa confiança nele."(CIC 1062)1.

"O próprio Jesus Cristo é "o Amém" (Ap 3,14). Ele é o "Amém" definitivo do amor do Pai por nós; assume e consuma nosso "Amém" ao Pai: "todas as promessas de Deus, com efeito, têm nele (Cristo) seu sim; por isso, é por Ele que dizemos 'amém' a Deus para a glória de Deus" (2Cor 1,20):
Por Cristo, com Cristo, em Cristo,/ a vós, Deus Pai Todo-Poderoso,/ na unidade do Espírito Santo,/ toda honra e toda glória,/ agora e para sempre./ AMÉM" (CIC 1065)1.
Nota
1. Catecismo da Igreja Católica, índice analítico, O.15 Oração. Disponível em: http://catecismo-az.tripod.com/conteudo/a-z/m/oracao.html

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Aprendendo a orar como Jesus - 7

A trindade Santa: Pai, Filho e Espírito Santo estão presentes na oração ensinada por Jesus

Jesus nos ensinou a chamar Deus de Pai na oração: "Eis como deveis rezar: Pai Nosso, que estais no céu, santificado seja o vosso nome" (Mt 6,6); "Quando orardes, dizei: Pai" (Lc 11, 2). E, além de estimular a confiança no Pai, incentivou também a haver uma audácia filial: "Tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o alcançastes" (Mc 11, 24). "Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto"(Mt 7,7).

Jesus também ensinou a orar em Nome dEle - "tudo o que pedirdes ao Pai em meu Nome, vo-lo farei, para que o Pai seja glorificado no Filho."(João 14, 13); "Até agora não pedistes nada em meu nome. Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja perfeita."(João 16, 24).

"Em Jesus, «o Reino de Deus está perto»"(CIC 2612)1. "O Filho bem-amado nos franqueia o acesso até junto do Pai. Ele pode pedir-nos que «procuremos» e «batamos à porta», porque Ele próprio é a porta e o caminho (Mt 7, 7-11.13-14)."(CIC 2609)1.

Os discípulos de Jesus oravam diretamente a Ele, como constatamos com Estêvão ("E apedrejavam Estêvão, que orava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito." - Atos 7,59); com Paulo ("Voltou-se para ela e disse ao espírito: Ordeno-te em nome de Jesus Cristo que saias dela. E na mesma hora ele saiu." - Atos 16,18) e com João ("Vem, Senhor Jesus!" - Apoc 22:20). "Em comunhão com o Mestre, a oração dos discípulos é um combate"(CIC 2612)1.

Jesus também ensinou a pedir o Espirito Santo: "Se um filho pedir um pão, qual o pai entre vós que lhe dará uma pedra? Se ele pedir um peixe, acaso lhe dará uma serpente? Ou se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á porventura um escorpião? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que lho pedirem."(Lc 11, 9-13).

Segundo o Catecismo da Igreja Católica (CIC 2670)2, "Cada vez que começamos a orar a Jesus, é o Espírito Santo que, por sua graça proveniente, nos atrai ao caminho da oração. Se Ele nos ensina a orar recordando-nos Cristo, como não orar a Ele mesmo? Por isso, a Igreja nos convida a implorar cada dia o Espírito Santo, sobretudo no início e no fim de toda ação importante".

"A forma tradicional para pedir a vinda do Espírito Santo é invocar o Pai por Cristo, nosso Senhor, para que nos dê o Espírito Consolador. Jesus insiste nesse pedido em seu nome exatamente no momento em que promete o dom do Espírito de Verdade. Mas a oração mais simples e mais direta é também tradicional: "Vinde, Espírito Santo", e cada tradição litúrgica a desenvolveu em antífonas e hinos: 
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações de vossos fiéis e acendei neles o fogo de vosso amor.

Rei celeste, Espírito Consolador, Espírito de Verdade, presente em toda parte e plenificando tudo, tesouro de todo bem e fonte da Vida, vinde, habitai em nós, purificai-nos e salvai-nos, ó Vós, que sois bom!" (CIC 2671)2
Ainda segundo o CIC, a prece pode ser repetitiva - "Deixou-os e foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras." (Mt 26, 44) O pedido insistente dos cegos: "Filho de Davi, tem compaixão de nós" (Mt 9,27)ou "Filho de Davi, tem compaixão de mim" (Mc 10,47) foi retomado na tradição da Oração a Jesus: "Jesus Cristo, Filho de Deus, Senhor, tem piedade de mim, pecador!"(CIC 2616)1. 

Nota

1. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 2609, 2612. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap1_2566-2649_po.html
2. Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 2670. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap2_2650-2696_po.html

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Aprendendo a orar como Jesus - 6

Jesus nos  ensinou que pedir perdão e o perdoar fazem parte da oração: "quando vos puserdes de pé para orar, perdoai, se tiverdes algum ressentimento contra alguém, para que também vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe os vossos pecados."(São Marcos 11, 25). Assim, percebemos que a primeira atitude de quem vai orar é a de pedir perdão, de perdoar. "O pedido de perdão é o primeiro movimento da oração de súplica (cf. o publicano: "Tem piedade de mim, pecador": Lc 18,13). É a condição prévia de uma oração justa e pura. (...) O pedido de perdão é a condição prévia tanto "da liturgia eucarística, como da oração pessoal." (CIC 2631)1.

O perdão é importante porque dá "testemunho de que, em nosso mundo, o amor é mais forte que o pecado" (CIC 2844)2. "E o próprio Senhor nos ensinou a rezar: «Perdoai-nos as nossas ofensas» (Lc 11, 4 ), relacionando o perdão mútuo das nossas ofensas com o perdão que Deus concederá aos nossos pecados.(CIC 1425)3.

É o perdão que possibilita a conversão do coração. Jesus insiste nessa conversão do coração "desde o sermão da montanha: a reconciliação com o irmão antes de apresentar a oferta no altar (Mt 5, 23-24); o amor dos inimigos e a oração pelos perseguidores (Mt 5, 44-45) (...) perdoar do fundo do coração na oração (Mt 6, 14-15)"(CIC 2608)1. "O coração, assim decidido a converter-se, aprende a orar na fé." (CIC 2609)1.

Nota

1. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 2608, 2609, 2631. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap1_2566-2649_po.html
2. Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 2844. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s2_2759-2865_po.html
3. Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 1425. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p2s2cap1_1420-1532_po.html

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Aprendendo a orar como Jesus - 5

Jesus também ensina que a oração pode ser feita tanto para si mesmo quanto para o próximo, seja sozinho ou em grupo.

Oração para si mesmo - Jesus fez oração de petição, suplicando para si mesmo. E fez isso de dois modos diferentes: 
I - exprimindo sua sensibilidade

Segundo Santo Agostinho apud 1: "Cristo, enquanto homem, mostra uma certa vontade particularmente humana, quando diz:  — Passe de mim este cálice; pois, essa era uma vontade humana, a querer uma causa propriamente particular. Mas como quer, com coração reto, ser homem e ser dirigido para Deus, acrescenta — Contudo, não se faça a minha vontade, senão a tua; como se dissesse — considera-te em mim pois, posso querer algo como próprio, embora Deus queira de outro modo.".
Para São Tomás de Aquino 1, " Cristo orou mediante a sua sensibilidade(...) para assim nos dar uma tríplice instrução:
  1. Primeiro, para mostrar que assumiu verdadeiramente a natureza humana, com todos os seus afetos naturais.
  2. Segundo, para mostrar que é lícito ao homem, pelo seu afeto natural, querer o que Deus não quer.
  3. Terceiro, para mostrar que o homem deve sujeitar o seu afeto próprio à vontade divina.".
II - exprimindo-se racionalmente

Um exemplo dessa petição de Jesus é "quando pediu a glória da ressurreição"2 "Pai, é chegada a hora. Glorifica teu Filho, para que teu Filho glorifique a ti; e para que, pelo poder que lhe conferiste sobre toda criatura, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe entregaste." (João 17, 1-2).
"Cristo quis recorrer ao Pai, na sua oração, para nos dar o exemplo de orar e para nos mostrar, que o seu Pai é o autor de que eternamente procede"2 
Oração pelo próximo - Jesus também orou intercedendo por outras pessoas. Na sua oração humana "partilha tudo quanto vivem os «seus irmãos» (Heb 2, 12); e compadece-Se das suas fraquezas para os livrar delas (Heb 2, 15; 4, 15). Foi para isso que o Pai O enviou. As suas palavras e as suas obras aparecem então como a manifestação visível da sua oração «no segredo»."(CIC 2602)3.

Na intercessão, aquele que ora "não procura seus próprios interesses, mas pensa sobretudo nos dos outros" (Fl 2,4) e reza por aqueles que lhe fazem mal."(CIC 2635)3. Foi assim que Jesus fez. Até pregado na cruz, intercedeu: "Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem."(Lc 23, 34). 

Ao pedir pelas pessoas, Jesus nos mostra que "Ele é o único Intercessor junto do Pai em favor de todos os homens, dos pecadores, sobretudo. Ele é "capaz de salvar de modo definitivo aqueles que por meio dele se aproximam de Deus, visto que Ele vive para sempre para interceder por eles" (Hb 7,25)" (CIC 2634)3. "No tempo da Igreja, a intercessão cristã participa da de Cristo; é a expressão da comunhão dos santos. " (CIC 2635)3.

É importante salientar que oração de petição e de intercessão estão intimamente relacionadas. Segundo São Tomás de Aquino, "A glória mesma que Cristo pedia nas suas orações, era pertinente à salvação dos outros, segundo aquilo do Apóstolo: Ressuscitou para nossa justificação. E por isso, as orações que fazia, por si, de certo modo também redundavam para os outros. Assim como quando pedimos um bem a Deus para o empregarmos em benefício alheio, oramos não só por nós mesmos mas também pelos outros."2

Oração individual e em grupo

A sós com Deus - Em várias passagens dos Evangelhos, Jesus mostra que se deve ter um momento a sós para falar com o Pai: "subiu à montanha para orar na solidão. E, chegando a noite, estava lá sozinho" (Mateus 14, 23); "retirou-se Jesus com eles para um lugar chamado Getsêmani e disse-lhes: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar" (Mateus 26, 36).

Em grupo - A oração comunitária também é valorizada por Jesus: "Num dia em que ele estava a orar a sós com os discípulos" (Lc 9, 18) "Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e subiu ao monte para orar." (Lc 9, 28).

Nesse orar, Jesus deixa um alerta: "Quando orardes, não façais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa." (Mt 6, 5). 

Notas

1.São Tomás de Aquino, Suma Teológica, parte III, Tratado do Verbo Encarnado, questão 21 artigo 2. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/3688
2. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, parte III, Tratado do Verbo Encarnado, questão 21 artigo 3. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/3689 
3. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 2602, 2635. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap1_2566-2649_po.html 
4. Catecismo da Igreja Católica, índice analítico, I.49.9 Oração de intercessão. Disponível em: http://catecismo-az.tripod.com/conteudo/a-z/h/intercessao.html

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Aprendendo a orar como Jesus - 4





A oração deve estar presente nos momentos decisivos, nos eventos importantes da vida - E esta oração tanto poder acontecer antes como durante ou depois dos acontecimentos. Assim Jesus fez:

Antes de momentos decisivos da sua missão
"A oração de Jesus antes dos acontecimentos da salvação de que o Pai O encarrega, é uma entrega humilde e confiante da sua vontade à vontade amorosa do Pai."(CIC 2600)1. Jesus ora em Seu batismo antes de o Pai dar testemunho d'Ele ( Lc 3, 21); Ora antes de sua Paixão (Lc 22, 41-44).

Jesus ora também antes dos momentos decisivos que vão determinar a missão dos seus Apóstolos: ora "antes de escolher e chamar os Doze (Lc 6, 12), antes de Pedro O confessar como o «Cristo de Deus» (Lc 9, 18-20) e para que a fé do chefe dos Apóstolos não desfaleça na tentação (Lc 22, 32)."(CIC 2600)1

Durante os eventos importantes de sua vida - Jesus orou durante a transfiguração ("Enquanto orava, transformou-se o seu rosto e as suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura" - Lc 9,29); enquanto ressuscitava Lázaro ("Levantando Jesus os olhos ao alto, disse: Pai, rendo-te graças, porque me ouviste. Eu bem sei que sempre me ouves, mas falo assim por causa do povo que está em roda, para que creiam que tu me enviaste. Depois destas palavras, exclamou em alta voz: Lázaro, vem para fora!" - Jo 11, 41-43); na hora da Sua angústia ("Ele entrou em agonia e orava ainda com mais instância, e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra" - Lc 22,44); na hora da Sua morte ("Jesus deu então um grande brado e disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, dizendo isso, expirou" - Lc 23,46).

Após os acontecimentos - Jesus subiu ao monte para orar depois que despediu o povo que tinha presenciado a multiplicação dos pães e dos peixes; orou quando sua obra terminou ("Eu te glorifiquei na terra. Terminei a obra que me deste para fazer" - João 17,4).

Nota
1. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 2599. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap1_2566-2649_po.html

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Aprendendo a orar como Jesus - 3


Agora, vamos ver como deve ser praticada a oração à exemplo de Jesus.


Ore continuamente - Em Lc 18,1, Jesus propõe uma parábola "para mostrar que é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo. E em Mc 14,38, diz: "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. Pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca.".

"Cristo, que tudo assumiu para resgatar tudo, é glorificado pelos pedidos que oferecemos ao Pai em seu Nome. E com essa garantia que Tiago e Paulo nos exortam a orar em todo tempo. (CIC 2633).


Segundo são Tomás de Aquino, esse orar sempre pode ser encarado "à dupla luz: em si mesma e na sua causa"1:

Na sua causa, o orar deve ser contínuo, pois a virtude do orar "permanece em tudo o que fazemos por caridade, porque, como diz o Apóstolo, elevemos fazer tudo para a glória de Deus. E, assim, a oração deve ser contínua.".
Considerada em si mesma, porém, a oração não pode ser contínua, porque temos ele nos ocupar com outras obras. Mas, no mesmo lugar, Agostinho diz o seguinte: Rogamos a Deus por certos intervalos de horas e de tempos, para por meio desses sinais sensíveis, nos advertirmos a nós mesmos; darmos a conhecer a nós mesmos quanto progredimos nesse desejo e nos excitarmos a nós próprios, mais fortemente, a continuar no mesmo caminho."
Jesus tinha um horário para orar diariamente - Jesus ora "preferentemente de noite" (CIC 2602)2
Sua oração à tarde e pela manhã são vistas nos versículos: "Após a multiplicação dos pães e dos peixes, Jesus "forçou seus discípulos a embarcarem (...) foi à montanha para orar. Ao cair da tarde, o barco estava no meio do mar"(Mc 6, 46-47); "De manhã, tendo-se levantado muito antes do amanhecer, ele saiu e foi para um lugar deserto, e ali se pôs em oração" (Mc 1,35).

E quanto à duração da oração?
Ela é proporcional ao fervor do espírito. 

"Este fervor incansável só pode vir do amor. "(CIC 2742)3. São Tomás de Aquino lembra que: 

"convém à oração durar tanto quanto for útil para despertar o fervor do desejo interno. E quando exceder essa medida, de modo a não poder durar sem nos causar tédio, não devemos protrai–la. Por isso, nota Agostinho: Disse que os padres no Egito fazem orações frequentes, mas, brevíssimas e em forma de rápidas jaculatórias; a fim de que aquela contenção de espírito, que devemos manter com vigilância e é tão necessária a quem ora, não se desvaneça pela duração muito prolongada e nem se embote. E por aí também mostram suficientemente que, se não podemos forçar essa contenção quando ela não vinga perdurar, também não devemos interrompê–la inopinadamente, enquanto perdura. E se temos de proceder assim, em se tratando da nossa oração particular, relativamente à nossa contenção de espírito, o mesmo se há de fazer na oração em comum relativamente à devoção do povo."1.
Segundo Santo Agostinho:
"orar longamente não consiste em pronunciar muitas palavras. Uma coisa é o multilóquio e outra o perdurar do afeto. Pois, do próprio Senhor foi escrito que pernoitou na oração e orou mais prolongadamente para nos dar o exemplo. E em seguida acrescenta: Que não haja na oração muitas palavras, mas oremos tanto quanto durar a nossa fervorosa contenção de espírito. Pois, orar usando de muitas palavras é fazer o necessário com palavras supérfluas. Porque, muitas vezes, esse ato nós o praticamos mais com gemidos de que com palavras."apud 1.
São Tomás de Aquino também afirma que: "A longura da oração não consiste em pedirmos muitas coisas mas, na continuidade do afeto, desejando um só objeto."1.

E, na hora do sofrimento, a oração deve ser mais intensa pois é ela que trará a fortaleza. "Ele entrou em agonia e orava ainda com mais instância, e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra." (Lc 22, 44).

Por fim, "a Tradição da Igreja propõe aos fiéis ritmos de oração destinados a alimentar a oração contínua. Alguns são quotidianos: a oração da manhã e da noite, antes e depois das refeições, a Liturgia das Horas. O Domingo, centrado na Eucaristia, é santificado principalmente pela oração. O ciclo do ano litúrgico e as suas grandes festas constituem os ritmos fundamentais da vida de oração dos cristãos."(CIC 2698)3.

Notas
1. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, Parte IIa IIae, Tratado sobre a Justiça, questão 83, artigo 14. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/3984
2. Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 2602. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap1_2566-2649_po.html
3. Catecismo da Igreja Católica, capítulos 2698, 2742. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap3_2697-2758_po.html

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Aprendendo a orar como Jesus - 2

Vejamos o que Jesus nos ensinou sobre o local específico para orar.


Nos Evangelhos, temos algumas passagens que nos mostram que Jesus gostava de fazer Suas orações "em segredo " se retirando para "lugares solitários para orar"(Lucas 5, 16); "ao monte para orar" (Marcos 6, 46); "à montanha para orar na solidão. (Mt 14,23). Ele também falou sobre isso: "Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo" (Mt 6,6).


Além do lugar reservado a sós para orar, Jesus também " ora com as palavras e nos ritmos da oração do seu povo"(CIC 2599)1, na sinagoga e no Templo:
Sinagoga - A presença de Jesus nas sinagogas é vista em várias passagens dos quatro Evangelhos, por exemplo: "Jesus pregava nas sinagogas da Judéia" (Lc4,44); "Dirigiu-se a Nazaré, onde se havia criado. Entrou na sinagoga em dia de sábado, segundo o seu costume, e levantou-se para ler." (São Lucas 4, 16)"; "Jesus voltou para a Galiléia (...) Ensinava em suas sinagogas e era glorificado por todos." (Lc 4, 14-15); "e foi por toda a Galiléia, pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios" (Mc 1, 39); ensinava aos sábados em Cafarnaum, cidade da Galiléia. (Lc 4, 31; Mc 1,21); "Tal foi o ensinamento de Jesus na sinagoga de Cafarnaum." (Jo 6, 59).

Templo - Jesus "professou pelo templo de Jerusalém o mais profundo respeito. Ali foi apresentado por José e Maria, quarenta dias depois do seu nascimento (Lc 2, 22-39). Na idade de doze anos, decidiu ficar no templo para lembrar aos seus pais que tinha de Se ocupar das coisas de seu Pai (Lc 2, 46-49). Ao templo subiu todos os anos, ao menos pela Páscoa, durante a vida oculta (Lc 2, 41). O seu próprio ministério público foi ritmado pelas peregrinações a Jerusalém nas grandes festas judaicas (Jo 2, 13-14; 5, 1.14; 7, 1.10.14; 8, 2; 10, 22-23)."(CIC 583)2. " Jesus subiu ao templo como quem sobe ao lugar privilegiado de encontro com Deus. O templo é para Ele a casa do seu Pai, uma casa de oração, e indigna-Se com o facto de o átrio exterior se ter tornado lugar de negócio (Mt 21, 13)"(CIC 584)2. Nos últimos dias de Jesus, "durante o dia Ele ensinava no Templo, mas passava as noites ao relento, no monte chamado das Oliveiras. E todo o povo madrugava junto com Ele no Templo, para ouvi-Lo." (Lc 21,37-38).
A Igreja Católica também ensina quais são os lugareis favoráveis à oração (CIC 2691)3:

"A Igreja, casa de Deus, é o lugar próprio para a oração litúrgica da comunidade paroquial. E também o lugar privilegiado da adoração da presença real de Cristo no Santíssimo Sacramento. (...)
- para a oração pessoal, pode ser um "recanto de oração", com as Sagradas Escrituras e imagens sagradas, para aí estar "no segredo" diante do Pai. Numa família cristã, essa espécie de peque no oratório favorece a oração em comum; 
- nas regiões onde existem mosteiros, a vocação dessas comunidades é favorecer a partilha da Oração das Horas com os fiéis e permitir a solidão necessária a uma oração pessoal mais intensa; 
- as peregrinações evocam nossa caminhada pela terra em direção ao céu. São tradicionalmente tempos fortes de renovação da oração. Os santuários são para os peregrinos, em busca de suas fontes vivas, lugares excepcionais para viver "como Igreja" as formas da oração cristã.". 

Notas:

1. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 2599. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap1_2566-2649_po.html
2. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 583, 584. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s2cap2_422-682_po.html
3. Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 2691. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap2_2650-2696_po.html
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12 novembro 2016

Aprendendo a orar como Jesus - 1


O Catecismo da Igreja Católica (CIC) nos ensina que "Quando ora, Jesus já nos ensina a orar." (CIC 2607)1 e é "contemplando e escutando o Filho que os filhos aprendem a orar ao Pai."(CIC 2601)1. Sendo assim, prestemos atenção no modo como Ele orava e no que Ele disse, para que possamos nos comunicar melhor com Deus. 

Antes, vamos entender o porquê de Jesus orar. Segundo São Tomás de Aquino, Jesus quis, "mesmo como homem e Deus, fazer oração ao Pai, " por dois motivos:

I-.para nossa instrução, para nos dar o exemplo da oração. "E por isso diz Ambrósio : Não escuteis com ouvidos enganosos, pensando que o Filho de Deus orava, por fraqueza, pedindo se realizar o que não podia ele realizar. Mas, como fonte de todo poder, como mestre da obediência, ensina-nos, com o seu exemplo, os preceitos da virtude. Daí o dizer Agostinho: O Senhor podia, sob a forma de servo, e se o fosse necessário, orar em silêncio; mas quis se apresentar ao Pai como pecador, para lembrar que era o nosso Mestre."2.

II- para nos mostrar que vinha do Pai 2 "E por isso ele mesmo dizia: Eu bem sabia que tu sempre me ouves; mas falei assim por atender a este povo que está à roda de mim, para que eles creiam que tu me enviaste"3.

Notas

1. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 2599, 2601, 2607. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap1_2566-2649_po.html
2. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, parte III, Tratado do Verbo Encarnado, questão 21 artigo 1. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/3687
3. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, parte III, Tratado do Verbo Encarnado, questão 21 artigo 3. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/3689

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08 novembro 2016

Humanidade de Jesus e humanismo

Malachi Martin,  eminente teólogo, ex-assistente do Cardeal Bea durante o pontificado de João XXIII e um dos poucos que tiveram o privilégio de conhecer o Terceiro Segredo de Fátima, nos deixou um sábio ensinamento sobre o humanismo em um capítulo do seu livro " Reféns do Diabo". E, por considerar instrutivo esse capítulo, eu compartilho aqui alguns trechos dele.

Inicialmente, Malachi Martin conceitua humanismo não como "condição física nem psicofísica"[p.411] e sim como "uma capacidade espiritual possuída por cada homem, mulher e criança."[p.411] devido a qual "somos aptos de crer em Deus e de atingir a felicidade infinita em nossa condição após a morte. Devido apenas a ela [capacidade de espírito] podemos perceber a beleza e a verdade neste universo humano. E, assim, percebendo-as, podemos reproduzi-las em nossas ações." [p.411]

Segundo Martin, essa capacidade espiritual é devida a Jesus de Nazaré.  Foi pela vida mortal de Jesus que tomamos conhecimento deste humanismo. "Como homem , ele viveu por não mais de 50 anos, o mais próximo que podemos calcular. Mas todas as suas realizações foram de um Deus feito homem."[p.411]. Jesus tornou possível a todos terem esta capacidade de espirito. "Todos, portanto, são capazes de humanismo.".

E todo esse humanismo depende da trilogia "desamparo, amor e morte":  
"À medida que as nossas próprias vidas continuam, sabemos apenas que. por nós mesmos, nos tomamos cada vez mais desamparados* de todas os modos, que o nosso amor* humano que tanto desejamos parece se tomar vão e fraco; e que todos nós, com todas as nossas aspirações e esperanças, devemos terminar na escuridão silenciosa e no segredo emudecido da morte*. Jesus superou o desamparo. Aceitou o amor humano. Morreu vitoriosamente." [p.411].
Para Martin, "sem nenhuma dúvida Jesus passou toda sua vida alcançando a perfeição do seu humanismo." [p.412]. Mas foi nas últimas semanas de sua vida que "vemos que os passos finais da consecução do humanismo de Jesus".

Vejamos com mais detalhes como foi essa plenitude do humanismo de Jesus em cada um dos elementos dessa trilogia:

1º - Vitória sobre o desamparo: ressurreição de Lázaro [p. 412-413]
"Durante toda a sua vida tal como descrita nos anais, Jesus demonstrou um domínio constante sobre as pessoas, acontecimentos e coisas. Nunca houve qualquer vacilação ou hesitação em suas ações. Agiu em seu próprio nome com uma autoridade nunca impregnada de autoritarismo ou arrogância, mas ao mesmo tempo não tolerou nenhuma recusa. "Amém! Amém! Eu digo a vocês." Tudo foi decisivo. Dava ordens aos homens e mulheres, espíritos malignos, amigos, inimigos e elementos. Lidando com pessoas ou autoridades públicas, mantinha sempre o mesmo comportamento: Não reconhecia ninguém como superior a ele próprio: elogiava, censurava e condenava como achava conveniente, nunca recuou diante de qualquer outro homem como seu senhor ou tão grande quanto ele próprio.
Sempre que fazia milagres ou ordenava que fizessem alguma coisa, suas instruções e ordens eram claras, concisas, supremamente confiantes e diretas: "Saia deste homem." "Fique limpo! " "Levante-se e ande! " "Vá se apresentar aos sacerdotes! " "Fique curado! " "Levante-se e ande! " "Ouça! " Foi apenas na ressurreição de Lázaro que Jesus demonstrou uma dependência, uma hesitação demorada, uma dúvida - e que ele reconheceu o seu desamparo.
É evidente pelo Evangelho que no túmulo de Lázaro, Jesus sentiu uma onda de desamparo. Na verdade, o seu comportamento, desde o momento em que as duas irmãs de Lázaro, Marta e Maria, mandaram chamá-lo, foi tão pouco característico que se pode chamar de indeciso. Como se ele estivesse passando por um momento de espera, um período de desconhecimento e apreensão que nós humanos chamamos de dúvida. Primeiramente, declarou que , "o fun da doença de Lázaro não é a morte". Depois, "O nosso amigo Lázaro está dormindo. Mas irei lá e o acordarei". Finalmente: "Lázaro está morto." Ele retardou sua partida por dois dias. Depois passou mais dois dias viajando.
Quando Jesus chegou a Betania, onde Lázaro, Marta e Maria tinham suas propriedades, Lázaro havia sido enterrado. Desde o momento da sua chegada o comportamento de Jesus foi peculiar e invulgar. Quando encontrou as irmãs chorando, ficou perturbado, suspirou e chorou abertamente. No túmulo propriamente dito declarou publicamente sua confiança pessoal em Deus e sua dependência dele - aparentemente uma necessidade que acabara de sentir naquele momento.
Olhando para o céu , disse em voz alta:
- Pai! Agradeço-vos por escutar a minha súplica. Eu próprio sei que vós sempre me escutais. Mas estou falando por causa das pessoas de pé à minha volta, para que elas acreditem que vós me mandastes.
Podemos apenas imaginar, comparando com a nossa própria condição, a aflição que Jesus sentiu . Ele, que nunca hesitara, hesitou. Ele que ordenou pessoalmente, em seu próprio nome, teve que esperar pela aprovação antes de ordenar. Nos anos anteriores da vida de Jesus pode ter havido outros momentos desses. Mas esta experiência no túmulo de Lázaro é a única registrada na qual o exercício do poder divino de Jesus dentro da ordem humana foi conseguido apenas após uma experiência curta, mas intensa, de desamparo.

Sem diminuição da sua divindade, e só para que o seu humanismo fosse alcançado, ofereceram a Jesus, nessa ressurreição de Lázaro, a aresta humana de receios e probabilidades. Ele teve as mesmas alternativas, nesse momento, que todos nós temos em certos instantes decisivos durante todas as nossas vidas. Uma alternativa diz : "Fique com os seus receios. Com as probabilidades. Com as suas impotências. Aceite-as. É assim que são as coisas. Essa é a vida." Outra alternativa diz : "Declare-se impotente e incapaz, e peça ajuda para transcender todo o seu desamparo e impotências. Diz: 'Estou desamparado. Aju de-me! Incerto como estou, ajude-me a ter certeza! '."
Para Malachi, "a vitória sobre o desamparo só é possível pela fé, confiando no poder de Deus, depositando suas esperanças em alguma coisa fora do seu âmbito humano. "[p.415].

2º - Aceitação do amor humano: Família de Betânia [p. 413-414]

Segundo Malachi Martin, é o amor humano, com sua aceitação, doçura sentida, sua celebração e concessao, que é "o segundo elemento chave da plenitude do humanismo alcançado por Jesus, e portanto garantido como uma capacidade em cada um de nós se escolhermos" [p.413].
"À primeira vista pode parecer que não existe ninguém que não possa amar humanamente, que fazer isso constitui uma "segunda natureza". Contudo, a experiência sempre ensinou aos homens e mulheres que é tão difícil amar como ser amado. Porque o amor humano nunca é uma questão de conceitos lógicos ou de combinação de dados. Ele não implica nenhum uso de intencionalidade. Não é nunca um processo dirigido de quid pro quod. Aqueles que se amam, são envolvidos pelo exercício de seu amor numa atmosfera transcedental na qual permanecem distintos, mas nenhuma ênfase é atribuída a um indivíduo sobre o outro ." [p.413]

"A nossa dificuldade é que não podemos imaginar um amor íntimo e pessoal entre um homem e uma mulher que não tenha o sexo por base e seja expresso finalmente através dele. Mas esta é uma limitação da nossa concepção, não uma deficiência de Jesus." [p.414]
"Jesus , sendo Deus, não precisa do veículo da sexualidade, como não precisam aqueles que o amam. No entanto quem pode duvidar do amor palpável e apaixonado daquela Maria que derramou uma "libra de puro perfume de espicanardo" sobre os seus pés e depois enxugou-os com os seus longos cabelos? Seu próprio gesto sugeria uma tenra afeição por Jesus, juntamente com uma presunção confiante de que o que ela fez ele compreendeu, aceitou e, à sua própria maneira, retribuiu. Cheia do poder que o amor confere, ela manteve cativos os convidados reunidos em volta com a solenidade do amor expresso, tão certamente como a exalação daquele perfume encheu "toda a casa", como nos conta o Evangelho.
Esta é a única ocasião registrada em que foi oferecida a Jesus a beleza e a doçura íntima do amor humano por uma mulher, e Jesus insistiu que fosse dele. "Deixe-a em paz! " - disse ele a Judas Iscariotes que murmurava. Jesus sabia que a beleza e o amor humanos eram sua própria santificação, porque eram bênçãos tangíveis só concedidas por Deus. (...)
Os Evangelhos deixam claro que durante os últimos dias, quando Jesus estava esperando pela festa da Páscoa, esteve freqüentemente em Betânia perto da família de Lázaro, Marta e Maria. Compete à nossa imaginação retratar suas horas de companheirismo com esta família, a felicidade de estar entre amigos e ser amado; as conversas tranquilas e penetrantes que tiveram, a proximidade, o carinho, a celebração da unidade de coração, e a doçura da aceitação total. Ao provar esse amor, assim ensina o Cristianismo, Jesus tomou-o possível para cada um de nós. Humanamente. Se preferirmos."[p.414].

Para Malachi, "o consentimento de amar e ser amado só foi tornado possível porque ele reconheceu e aceitou a garantia de Deus de que todo o amor humano - apesar do seu pathos e fraqueza -- podia ser tornado eterno e divino."[p.415].


3º - Vitoria sobre a morte [p.415- 416]

Conforme o autor, a superação do desamparo humano e a aceitação do amor humano estavam preparando a alma de Jesus para a vitória, "não sobre morrer simplesmente, mas sobre a morte."
"A experiência de morrer de Jesus foi colorida por dois opostos. Por um lado sua retração natural de morrer e da morte como o mal sumário , com o que terminava a sua integridade humana. Por outro lado, sua dedicação ao propósito de toda a sua vida, que só podia ser alcançado através da morte.
Misteriosamente, Jesus teve que passar pelo mesmo medo torturante c natural da morte que todos os seres humanos têm. Ainda distante da hora da sua morte, a idéia de morrer deixou-O triste, quase lamentando. Um de vocês vai me trair, revelou ele aos seus discípulos durante a ceia íntima. - Vocês não podem ficar acordados comigo uma hora? - queixou-se com seus três companheiros que haviam dormido. Livre-me desta provação! - orou ele no Jardim de Getsemani enquanto se contorcia c suava no chão de pura apreensão e aversão pela morte.
Sempre que Ele se defrontou com Judas, seus captores, Caifás, Pilatos, Herodes, o Bom Ladrão, as Mulheres de Jerusalém, Pedro, sua mãe, ele dominou. Sua compreensão era clara. Sua missão era firme.
Foi só a mão negra da morte e suas perturbações impiedosas que o assustaram. Porque ele tinha que realizar sua missão em su a identidade como homem a fim de irromper além dos laços da simples humanidade . - Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste! - Esta n ão foi nenhuma queixa interrogativa. Foi simplesmente uma exclamação humana, no auge agudo da sua tortura física. Pela primeira vez, nuvens de en torpecimento estavam enegrecendo e embotando todos os seus atos psicofísicos. Ele n ão podia mais ver e ouvir muito bem. Seu controle da imaginação estava fugindo. Sua memória funcionava em ímpetos rápidos, depois ficava vazia. 
Contudo ele passou através desta morte e deixou toda a existência física, preservando sua esperança e confiança: - Pai! Em su as mãos entrego meu espírito. - Nesse único momento todas as suas faculdades psíquicas - memória, imaginação, sensações, sentimentos - foram reunidas numa bola dura de dor. Ele não podia mais respirar. Seu coração doeu com o esforço, depois parou de bater. Seu cérebro não tinha mais sangue. Esse rápido deslocamento o qual chamamos sucintamente por um dissílabo inerte - morte - apoderou-se dele.
Jesus não nos falou da agonia física nesse deslocamento sobressaltado, quando deixou de ouvir, ver e provar, e num clarão traumático o eu humano que ele costumava ser, passou à nova dimensão onde tudo era claro, onde não havia mais dúvidas, onde Ele não podia mais ser atormentado por males materiais, e onde Sua alma humana existia na harmonia imperturbável de Deus. Havia morrido. Como todos os seres humanos devem morrer. Ele sobreviveu em espírito, como todos os seres humanos podem fazer agora, devido à agonia e morte de Jesus.
Como o primeiro ser humano a sofrer a agonia e a morte perfeitamente, Jesus teve que ressurgir dos mortos. Teve que viver outra vez como ser humano. A morte do seu corpo e sua vida outra vez no corpo são duas fases de um ato integral . Daí, o que os Cristãos sempre chamaram de sua Ressurreição não implica apenas viver outra vez: mas também morrer e sobreviver a essa morte física.
A mensagem de Jesus nos relatos dos Evangelhos da Ressurreição é clara: Não aceitem simplesmente que eu tenha sobrevivido à morte. Porque esta não é uma ideia Cristã. Mas sim : Creiam que eu transformei a sua agonia e a sua morte, tomando-as um meio de ressurreição e ascensão e uma entrada no Reino de Deus para todos os homens e mulheres.
Por essa razão as testemunhas da sua Ressurreição não estavam preocupadas com sua aparência ou características corporais após a morte, quando ressurgiu, mas com a sua pessoa, sua identidade e sua presença.
Uma salvação verdadeira do pathos de sermos simplesmente humano, portanto, significa tomar possível para nós viver para sempre, assim como conhecer e perseguir este objetivo de uma forma que nos permita escapar dos limites do tempo e do espaço. Precisamos conhecer com certeza absoluta. Esse conhecimento chama-se fé.
Jesus fez com que o nosso ato de fé nos desse conhecimento dele e da nossa salvação ; e, por esse ato de fé , escapamos dos limites do nosso mundo material e da nossa própria consciência. Após o primeiro consentimento da fé, temos o fluxo tranqüilo da certeza sobre cada pessoa, como homem, como mulher e sobre Deus como pai, salvador e alegria eterna."

Assim, vimos nessas três circunstâncias que Jesus foi vitorioso humanamente porque confiou "no mais do que humano"[p.415]. 

"Devido ao fato de Jesus haver consumado completamente seu humanismo em relação ao desamparo, ao amor e à morte, cada um de nós é capaz de superar o próprio desamparo; de alcançar o amor genuíno: e de viver para sempre. Esta é a capacidade que Jesus obteve para nós."[p. 416].


Nota
* Italico é meu, para realçar o conteúdo do que o autor disse.
Desconheço o autor das imagens.

Referência Bibliográfica

Martin, Malachi. Reféns do Diabo: o mais impressionante relato de possessão e exorcismo e seu significado nos novos tempos. Tradução de Marina Leão Teixeira e Viriato de Medeiros. RJ, Editora Novo Tempo Edições Ltda. Capítulo: O Espírito Humano e Jesus

27 setembro 2016

Salmos: escola de oração

Você está querendo aprender a orar? Então leia os Salmos.

O livro dos Salmos é uma "escola de oração"1Nele, aprendemos "continuamente a orar."(CIC 2587)4. Nele, "a Palavra de Deus se torna oração do homem"(CIC 2587)4.


O Papa Bento XVI1, em sua audiência "O povo de Deus que reza: os Salmos", nos ensina o valor dos Salmos na aprendizagem do orar:
"Os Salmos são dados ao fiel precisamente como texto de oração, que tem como única finalidade tornar-se a oração daqueles que os assumem e com eles se dirigem a Deus. Dado que são uma Palavra de Deus, quem recita os Salmos fala a Deus com as palavras que o próprio Deus nos concedeu, dirige-se a Ele com as palavras que Ele mesmo nos doa. Deste modo, recitando os Salmos aprendemos a rezar. Eles constituem uma escola de oração."
"Algo de análogo acontece quando a criança começa a falar, ou seja, a expressar as próprias sensações, emoções e necessidades, com palavras que não lhe pertencem de modo inato, mas que ele aprende dos seus pais e de que vive ao seu redor. Aquilo que a criança quer manifestar é a sua própria vivência, mas o instrumento expressivo pertence a outros; e ele apropria-se do mesmo gradualmente, as palavras recebidas dos pais tornam-se as suas palavras e através destas palavras aprende também um modo de pensar e de sentir, acede a um inteiro mundo de conceitos, e nele cresce, relaciona-se com a realidade, com os homens e com Deus. Finalmente, a língua dos seus pais tornou-se a sua língua, ele fala com palavras recebidas de outros, que já se tornaram as suas palavras. Assim acontece com a oração dos Salmos. Eles são-nos doados para que aprendamos a dirigir-nos a Deus, a comunicarmos com Ele, a falar-lhe de nós com as suas palavras, a encontrar uma linguagem para o encontro com Deus. E, através de tais palavras, será possível também conhecer e aceitar os critérios do seu agir, aproximar-se ao mistério dos seus pensamentos e dos seus caminhos (cf. Is 55, 8-9), de maneira a crescer cada vez mais na fé e no amor. Do mesmo modo como as nossas palavras não são apenas palavras, mas ensinam-nos um mundo real e conceitual, assim também estas preces nos ensinam o Coração de Deus, pelo que não só podemos falar com Deus, mas podemos aprender quem é Deus e, aprendendo a falar com Ele, aprendemos como ser homens, como sermos nós mesmos."
"Quer se trate de um hino, de uma oração de aflição ou de ação de graças, de uma súplica individual ou comunitária, de canto de aclamação ao rei ou de um cântico de peregrinação, ou ainda de uma meditação sapiencial, os Salmos são o espelho das maravilhas de Deus na história de seu povo e das situações humanas vividas pelo salmista."(CIC 2588)4.

"Um Salmo pode refletir um acontecimento do passado, mas é de uma sobriedade tão grande que pode ser rezado na verdade pelos homens de qualquer condição e em qualquer tempo."(CIC 2588)4.Com sua linguagem concreta e variada, nos ensinam a fixar nossa esperança em Deus: "Esperei ansiosamente pelo Senhor, Ele se inclinou para mim e ouviu o meu grito" (Sl ,2). "Que o Deus da esperança vos cumule de toda alegria e paz em vossa fé, a fim de que pela ação do Espírito Santo a vossa esperança transborde" (Rm 15,13)."(CIC 2657)4.

Papa Francisco2, ao falar do salmo 51, chamado Miserere, nos ensina como viver a Palavra de Deus contida nos Salmos:
"Trata-se de uma oração penitencial na qual o pedido de perdão é precedido pela confissão da culpa e na qual o orante, deixando-se purificar pelo amor do Senhor, se torna uma nova criatura, capaz de obediência, de firmeza e de louvor sincero.
O «título» que a antiga tradição judaica deu a este Salmo refere-se ao rei David e ao seu pecado com Betsabé, a esposa de Urias, o Hitita. Conhecemos bem a história. O rei David, chamado por Deus para apascentar o povo e para o guiar pelos caminhos da obediência à Lei divina, atraiçoa a própria missão e, depois de ter cometido adultério com Betsabé, manda matar o seu marido. Pecado horrível! O profeta Natan revela-lhe a sua culpa e ajuda-o a reconhecê-la. É o momento da reconciliação com Deus, na confissão do próprio pecado. E aqui David foi humilde, foi grande! Quem reza com este Salmo é convidado a ter os mesmos sentimentos de arrependimento e de confiança em Deus que David teve quando se arrependeu e, mesmo sendo rei, se humilhou sem ter receio de confessar a culpa e mostrar a própria miséria ao Senhor, convicto contudo da certeza da sua misericórdia. E não era um pecado de pouca importância, o que ele tinha cometido: um adultério e um assassínio!
O Salmo começa com estas palavras de súplica: «Tende piedade de mim, Senhor, / segundo a Vossa misericórdia, / segundo a vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados. / Lavai-me totalmente das minhas iniquidades» (vv. 3-4).
A invocação é dirigida ao Deus de misericórdia para que, movido por um amor grande como o de um pai ou de uma mãe, tenha piedade, isto é, conceda a graça, mostre o seu favor com benevolência e compreensão. É um apelo urgente a Deus, o único que pode libertar do pecado. São usadas imagens muito plásticas: cancela, lava-me, purifica-me. Manifesta-se, nesta oração, a verdadeira necessidade do homem: a única coisa da qual temos deveras necessidade na nossa vida é ser perdoados, libertados do mal e das suas consequências de morte. Infelizmente, a vida faz-nos experimentar muitas vezes estas situações; e antes de tudo devemos confiar na misericórdia. Deus é maior do que o nosso pecado. (...) E o seu amor é um oceano no qual nos podemos imergir sem receio de ser subjugados: para Deus, perdoar significa dar-nos a certeza de que Ele nunca nos abandona. Independentemente do que nos reprovemos, Ele é ainda e sempre maior do que tudo (cf. 1 Jo 3, 20), porque Deus é maior do que o nosso pecado.
Neste sentido, quem reza com este Salmo procura o perdão, confessa a própria culpa, mas reconhecendo-a celebra a justiça e a santidade de Deus. E depois pede ainda graça e misericórdia. O salmista confia na bondade de Deus, sabe que o perdão divino é sumamente eficaz, porque cria aquilo que diz. Não esconde o pecado, mas destrói-o e cancela-o; mas cancela-o precisamente pela raiz, não como fazem na lavandaria quando levamos uma veste e tiram uma nódoa. Não! Deus cancela o nosso pecado precisamente pela raiz, todo! Por isso o penitente volta a ser puro, toda a mancha é eliminada e agora ele está mais branco que a neve incontaminada. Todos nós somos pecadores. É verdade isto? Se algum de vós não se sente pecador que levante a mão... Ninguém! Todos o somos.
Nós, pecadores, com o perdão, tornamo-nos criaturas novas, repletas do espírito e cheias de alegria. Agora começa para nós uma nova realidade: um coração novo, um espírito novo, uma vida nova. Nós, pecadores perdoados, que acolhemos a graça divina, podemos até ensinar aos outros a não voltar a pecar.(...)
Diz o Salmista: «Ó Senhor, criai em mim um coração puro, / e renovai ao meu interior um espírito reto. [...] Então ensinarei aos iníquos os Vossos caminhos / e converter-se-ão a Vós os pecadores» (vv. 12. 15)."
"Tomemos portanto na nossa mão este livro santo, deixemo-nos ensinar por Deus a dirigir-nos a Ele, façamos do Saltério uma guia que nos ajude e nos acompanhe quotidianamente no caminho da oração." nos convida Papa Bento XVI.

Na próxima postagem da série sobre orações, veremos o poder da oração comunitária.

Nota:
1. Papa Bento XVI, Audiência Geral: O homem em oração (7): O povo de Deus que reza: os Salmos (22 de junho de 2011). Disponível em: https://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/audiences/2011/documents/hf_ben-xvi_aud_20110622.html
3. Desconheço a autoria da imagem.
4. Catecismo da Igreja Católica, índice analítico:S.13 Salmos. Disponível em: http://catecismo-az.tripod.com/conteudo/a-z/s/salmos.html

"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12
CEFAS, oriundo do nome de São Pedro apóstolo, significa também um Acróstico: Comunhão para Evangelização, Formação e Anúncio do Senhor. É um humilde projeto de evangelização através da internet, buscando levar formação católica doutrinal e espiritual.