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24 novembro 2016

Imagem com textos para reflexão - Juízo Particular


Reflexão: Se hoje fosse o dia de seu juízo particular, você seria levado direto ao Céu? passaria um tempo no Purgatório para se purificar antes de ir para o Céu? 
ou iria para as profundezas do inferno?

Textos para meditar: 
Catecismo da Igreja Católica (CIC): 
"Juízo particular
§1021 A morte põe fim à vida do homem como tempo aberto ao acolhimento ou à recusa da graça divina manifestada em Cristo. 
O Novo Testamento fala do juízo principalmente na perspectiva do encontro final com Cristo na segunda vinda deste, mas repetidas vezes afirma também a retribuição, imediatamente depois da morte, de cada um em função de suas obras e de sua fé. 
A parábola do pobre Lázaro*e a palavra de Cristo na cruz ao bom ladrão*2 assim como outros textos do Novo Testamento, falam de um destino último da alma pode ser diferente para uns e outros.
§1022 Cada homem recebe em sua alma imortal a retribuição eterna a partir do momento da morte, num Juízo Particular que coloca sua vida em relação à vida de Cristo, seja por meio de uma purificação, seja para entrar de imediato na felicidade do céu, seja para condenar-se de imediato para sempre.".
Bíblia Sagrada: 

*1 Lucas 16, 19- 31
Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho finíssimo, e que todos os dias se banqueteava e se regalava. Havia também um mendigo, por nome Lázaro, todo coberto de chagas, que estava deitado à porta do rico. Ele avidamente desejava matar a fome com as migalhas que caíam da mesa do rico... Até os cães iam lamber-lhe as chagas. Ora, aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. E estando ele nos tormentos do inferno, levantou os olhos e viu, ao longe, Abraão e Lázaro no seu seio.
Gritou, então:
- Pai Abraão, compadece-te de mim e manda Lázaro que molhe em água a ponta de seu dedo, a fim de me refrescar a língua, pois sou cruelmente atormentado nestas chamas. 
Abraão, porém, replicou: 
- Filho, lembra-te de que recebeste teus bens em vida, mas Lázaro, males; por isso ele agora aqui é consolado, mas tu estás em tormento. Além de tudo, há entre nós e vós um grande abismo, de maneira que, os que querem passar daqui para vós, não o podem, nem os de lá passar para cá. 
O rico disse: 
- Rogo-te então, pai, que mandes Lázaro à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, para lhes testemunhar, que não aconteça virem também eles parar neste lugar de tormentos. 
Abraão respondeu:
- Eles lá têm Moisés e os profetas; ouçam-nos! 
O rico replicou: 
- Não, pai Abraão; mas se for a eles algum dos mortos, arrepender-se-ão. 
Abraão respondeu-lhe: 
- Se não ouvirem a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite algum dos mortos.

*2 Lucas  23, 33-43
Eram conduzidos ao mesmo tempo dois malfeitores para serem mortos com Jesus. Chegados que foram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, como também os ladrões, um à direita e outro à esquerda. E Jesus dizia: 
- Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem. 
Eles dividiram as suas vestes e as sortearam. A multidão conservava-se lá e observava. Os príncipes dos sacerdotes escarneciam de Jesus, dizendo: 
- Salvou a outros, que se salve a si próprio, se é o Cristo, o escolhido de Deus!
Do mesmo modo zombavam dele os soldados. Aproximavam-se dele, ofereciam-lhe vinagre e diziam:
- Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo.
Por cima de sua cabeça pendia esta inscrição: Este é o rei dos judeus. Um dos malfeitores, ali crucificados, blasfemava contra ele: 
- Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo e salva-nos a nós!
Mas o outro o repreendeu: 
- Nem sequer temes a Deus, tu que sofres no mesmo suplício?
- Para nós isto é justo: recebemos o que mereceram os nossos crimes, mas este não fez mal algum. E acrescentou: 
- Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino!
Jesus respondeu-lhe: 
- Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso.

"No entardecer de nossa vida, seremos julgados sobre o amor. "(CIC 1022). 
Pense Nisso!


Fonte:
1. Catecismo da Igreja Católica, índice analítico, J.6.7 Juízo particular. Disponível em: 
2. Bíblia Católica Ave Maria, Lucas 16. Disponível em: http://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/sao-lucas/16/

Obs.: a marcação em itálico colocado na citação do CIC é de minha autoria para realçar o conteúdo do que foi escrito.

16 novembro 2016

Aprendendo a orar como jesus - 9

Jesus sempre realçou a importância da fé.
"Tudo o que pedirdes com fé na oração, vós o alcançareis.(Mt 21,22)

São várias as passagens bíblicas em que Jesus associa a fé com a obtenção da graça: "Disse-lhe, então, Jesus: Ó mulher, grande é tua fé! Seja-te feito como desejas. E na mesma hora sua filha ficou curada." (Mt 15, 28); "Depois, dirigindo-se ao centurião, disse: Vai, seja-te feito conforme a tua fé. Na mesma hora o servo ficou curado." (Mt 8, 13); "Então ele tocou-lhes nos olhos, dizendo: Seja-vos feito segundo vossa fé." (Mt 9, 29). 

Quer na cura das enfermidades (Lc 18,42), quer no perdão dos pecados (Lc 7,50), Jesus responde sempre à oração que implora com fé: "tua fé te salvou!". "Tal é a força da oração: «tudo é possível a quem crê» (Mc 9, 23), com uma fé que não hesita (Mt 21, 21)""(CIC 2610)1

E, nos Evangelhos, constatamos que "Jesus ouve a oração de fé, expressa em palavras (o leproso, Jairo, a cananéia, o bom ladrão), ou em silêncio (os carregadores do paralítico, a hemorroíssa que lhe toca as vestes, as lágrimas e o perfume da pecadora). "(CIC 2616)1.

Mas, "a oração de fé não consiste somente em dizer «Senhor, Senhor!», mas em preparar o coração para fazer a vontade do Pai (Mt 7, 21). Jesus exorta os seus discípulos a levar para a oração esta solicitude em cooperar com o desígnio de Deus (Mt 9, 38; Lc 10, 2; Jo 4, 34)" (CIC 2611)1. O próprio Jesus moldou-se à vontade de Deus - "Afastou-se pela segunda vez e orou, dizendo: Meu Pai, se não é possível que este cálice passe sem que eu o beba, faça-se a tua vontade!" (Mt 26, 42) "venha a nós o vosso Reino; seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu." (Mt 6, 10) 

Notas
1. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 2610, 2611, 2616. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap1_2566-2649_po.html

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Aprendendo a orar como Jesus - 8

O que pedir na oração?

Como vimos anteriormente, "O pedido de perdão é o primeiro movimento da oração de súplica (cf. o publicano: "Tem piedade de mim, pecador": Lc 18,13). É a condição prévia de uma oração justa e pura." (CIC 2631)1.

"A humildade confiante nos repõe na luz da comunhão com o Pai e seu Filho, Jesus Cristo, e uns com os outros: "Então tudo o que lhe pedimos recebemos dele" (1 Jo 3,22). O pedido de perdão é a condição prévia da liturgia eucarística, como da oração pessoal."(CIC 2631)1.

"A súplica cristã está centrada no desejo e na procura do Reino que vem, de acordo com o ensinamento de Jesus". Existe uma hierarquia nos pedidos: primeiro o Reino, depois o que é necessário para acolhê-lo e cooperar para sua vinda." (CIC 2632)1

Jesus ensina a pedir somente o necessário - dai-nos hoje o pão necessário ao nosso sustento (Lc 11,3). "O pão nosso de cada dia nos dai hoje." (Mt 6,11) "Hoje" é também uma expressão de confiança. (...) "hoje não é só o de nosso tempo mortal: é o Hoje de Deus."(CIC 2836)1. " De cada dia." Esta palavra, "epiousios" (pronuncie: epiússios), não é usada em nenhum outro lugar no Novo Testamento. Tomada em um sentido temporal, é uma retomada pedagógica de "hoje" para nos confirmar numa confiança "sem reserva". Tomada em sentido qualitativo, significa o necessário à vida, e, em sentido mais amplo, todo bem suficiente para a subsistência. Literalmente (epiousios: "supersubstancial"), designa diretamente o Pão de Vida, o Corpo de Cristo, "remédio de imortalidade", sem o qual não temos a Vida em nós. Enfim, ligado ao que precede, o sentido celeste é evidente: "este Dia" é o Dia do Senhor, o do Banquete do Reino, antecipado na Eucaristia que é já o antegozo do Reino que vem. Por isso convém que a Liturgia eucarística seja celebrada "cada dia. (CIC 2837)1

"Com audaciosa confiança, começamos a rezar a nosso Pai. Ao suplicar-lhe que seu nome seja santificado, lhe pedimos a graça de sempre mais sermos santificados. Embora revestidos da veste batismal, nós não deixamos de pecar, de desviar-nos de Deus. Agora, neste novo pedido, nós nos voltamos a ele, como o filho pródigo, e nos reconhecemos pecadores, diante dele, como o publicano. Nosso pedido começa por uma "confissão", na qual declaramos, ao mesmo tempo, nossa miséria e sua Misericórdia. Nossa esperança é firme, porque, em seu Filho, "temos a redenção, a remissão dos pecados" (Cl 1,14). Encontramos o sinal eficaz e indubitável de seu perdão nos sacramentos de sua Igreja." (CIC 2839)1.

"Ora, e isso é tremendo, este mar de misericórdia não pode penetrar em nosso coração enquanto não tivermos perdoado aos que nos ofenderam. O amor, como o Corpo de Cristo, é indivisível: não podemos amar o Deus que não vemos, se não amamos o irmão, a irmã, que vemos. Recusando-nos a perdoar nossos irmãos e irmãs, nosso coração se fecha, sua dureza o torna impermeável ao amor misericordioso do Pai confessando nosso pecado, nosso coração se abre à sua graça."(CIC 2840)1.

"Este pedido é tão importante que é o único ao qual o Senhor volta e que desenvolve no Sermão da Montanha. Esta exigência crucial do mistério da Aliança é impossível para o homem. Mas "tudo é possível a Deus" (Mt 19,26)." (CIC 2841)1.

Na oração do Pai Nosso, ao pedir que Deus Pai nos livre do Maligno, "pedimos igualmente que sejamos libertados de todos os males, presentes, passados e futuros, dos quais ele é autor ou instigador."(CIC 2854)1. Ao orarmos durante a Missa "a Igreja traz toda a miséria do mundo diante do Pai. Com a libertação dos males que oprimem a humanidade, ela implora o dom precioso da paz e a graça de esperar perseverantemente o retorno de Cristo (...):
Livrai-nos de todos os males, ó Pai, e dai-nos hoje a vossa paz. Ajudados por vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e protegidos de todos os perigos, enquanto, vivendo a esperança, aguardamos a vinda do Cristo Salvador." (CIC 2854)1.
Por fim, o Amém! - Essa expressão "encontra-se com freqüência no fim das orações do Novo Testamento. Também a Igreja conclui suas orações com o "amém".(CIC 1061) "Em hebraico, a palavra "amém" está ligada à mesma raiz da palavra "crer". Esta raiz exprime a solidez, a confiabilidade, a fidelidade. Assim, compreendemos por que o "amém" pode ser dito da fidelidade de Deus para conosco e de nossa confiança nele."(CIC 1062)1.

"O próprio Jesus Cristo é "o Amém" (Ap 3,14). Ele é o "Amém" definitivo do amor do Pai por nós; assume e consuma nosso "Amém" ao Pai: "todas as promessas de Deus, com efeito, têm nele (Cristo) seu sim; por isso, é por Ele que dizemos 'amém' a Deus para a glória de Deus" (2Cor 1,20):
Por Cristo, com Cristo, em Cristo,/ a vós, Deus Pai Todo-Poderoso,/ na unidade do Espírito Santo,/ toda honra e toda glória,/ agora e para sempre./ AMÉM" (CIC 1065)1.
Nota
1. Catecismo da Igreja Católica, índice analítico, O.15 Oração. Disponível em: http://catecismo-az.tripod.com/conteudo/a-z/m/oracao.html

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Aprendendo a orar como Jesus - 7

A trindade Santa: Pai, Filho e Espírito Santo estão presentes na oração ensinada por Jesus

Jesus nos ensinou a chamar Deus de Pai na oração: "Eis como deveis rezar: Pai Nosso, que estais no céu, santificado seja o vosso nome" (Mt 6,6); "Quando orardes, dizei: Pai" (Lc 11, 2). E, além de estimular a confiança no Pai, incentivou também a haver uma audácia filial: "Tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o alcançastes" (Mc 11, 24). "Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto"(Mt 7,7).

Jesus também ensinou a orar em Nome dEle - "tudo o que pedirdes ao Pai em meu Nome, vo-lo farei, para que o Pai seja glorificado no Filho."(João 14, 13); "Até agora não pedistes nada em meu nome. Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja perfeita."(João 16, 24).

"Em Jesus, «o Reino de Deus está perto»"(CIC 2612)1. "O Filho bem-amado nos franqueia o acesso até junto do Pai. Ele pode pedir-nos que «procuremos» e «batamos à porta», porque Ele próprio é a porta e o caminho (Mt 7, 7-11.13-14)."(CIC 2609)1.

Os discípulos de Jesus oravam diretamente a Ele, como constatamos com Estêvão ("E apedrejavam Estêvão, que orava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito." - Atos 7,59); com Paulo ("Voltou-se para ela e disse ao espírito: Ordeno-te em nome de Jesus Cristo que saias dela. E na mesma hora ele saiu." - Atos 16,18) e com João ("Vem, Senhor Jesus!" - Apoc 22:20). "Em comunhão com o Mestre, a oração dos discípulos é um combate"(CIC 2612)1.

Jesus também ensinou a pedir o Espirito Santo: "Se um filho pedir um pão, qual o pai entre vós que lhe dará uma pedra? Se ele pedir um peixe, acaso lhe dará uma serpente? Ou se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á porventura um escorpião? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que lho pedirem."(Lc 11, 9-13).

Segundo o Catecismo da Igreja Católica (CIC 2670)2, "Cada vez que começamos a orar a Jesus, é o Espírito Santo que, por sua graça proveniente, nos atrai ao caminho da oração. Se Ele nos ensina a orar recordando-nos Cristo, como não orar a Ele mesmo? Por isso, a Igreja nos convida a implorar cada dia o Espírito Santo, sobretudo no início e no fim de toda ação importante".

"A forma tradicional para pedir a vinda do Espírito Santo é invocar o Pai por Cristo, nosso Senhor, para que nos dê o Espírito Consolador. Jesus insiste nesse pedido em seu nome exatamente no momento em que promete o dom do Espírito de Verdade. Mas a oração mais simples e mais direta é também tradicional: "Vinde, Espírito Santo", e cada tradição litúrgica a desenvolveu em antífonas e hinos: 
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações de vossos fiéis e acendei neles o fogo de vosso amor.

Rei celeste, Espírito Consolador, Espírito de Verdade, presente em toda parte e plenificando tudo, tesouro de todo bem e fonte da Vida, vinde, habitai em nós, purificai-nos e salvai-nos, ó Vós, que sois bom!" (CIC 2671)2
Ainda segundo o CIC, a prece pode ser repetitiva - "Deixou-os e foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras." (Mt 26, 44) O pedido insistente dos cegos: "Filho de Davi, tem compaixão de nós" (Mt 9,27)ou "Filho de Davi, tem compaixão de mim" (Mc 10,47) foi retomado na tradição da Oração a Jesus: "Jesus Cristo, Filho de Deus, Senhor, tem piedade de mim, pecador!"(CIC 2616)1. 

Nota

1. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 2609, 2612. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap1_2566-2649_po.html
2. Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 2670. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap2_2650-2696_po.html

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Aprendendo a orar como Jesus - 6

Jesus nos  ensinou que pedir perdão e o perdoar fazem parte da oração: "quando vos puserdes de pé para orar, perdoai, se tiverdes algum ressentimento contra alguém, para que também vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe os vossos pecados."(São Marcos 11, 25). Assim, percebemos que a primeira atitude de quem vai orar é a de pedir perdão, de perdoar. "O pedido de perdão é o primeiro movimento da oração de súplica (cf. o publicano: "Tem piedade de mim, pecador": Lc 18,13). É a condição prévia de uma oração justa e pura. (...) O pedido de perdão é a condição prévia tanto "da liturgia eucarística, como da oração pessoal." (CIC 2631)1.

O perdão é importante porque dá "testemunho de que, em nosso mundo, o amor é mais forte que o pecado" (CIC 2844)2. "E o próprio Senhor nos ensinou a rezar: «Perdoai-nos as nossas ofensas» (Lc 11, 4 ), relacionando o perdão mútuo das nossas ofensas com o perdão que Deus concederá aos nossos pecados.(CIC 1425)3.

É o perdão que possibilita a conversão do coração. Jesus insiste nessa conversão do coração "desde o sermão da montanha: a reconciliação com o irmão antes de apresentar a oferta no altar (Mt 5, 23-24); o amor dos inimigos e a oração pelos perseguidores (Mt 5, 44-45) (...) perdoar do fundo do coração na oração (Mt 6, 14-15)"(CIC 2608)1. "O coração, assim decidido a converter-se, aprende a orar na fé." (CIC 2609)1.

Nota

1. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 2608, 2609, 2631. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap1_2566-2649_po.html
2. Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 2844. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s2_2759-2865_po.html
3. Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 1425. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p2s2cap1_1420-1532_po.html

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Aprendendo a orar como Jesus - 5

Jesus também ensina que a oração pode ser feita tanto para si mesmo quanto para o próximo, seja sozinho ou em grupo.

Oração para si mesmo - Jesus fez oração de petição, suplicando para si mesmo. E fez isso de dois modos diferentes: 
I - exprimindo sua sensibilidade

Segundo Santo Agostinho apud 1: "Cristo, enquanto homem, mostra uma certa vontade particularmente humana, quando diz:  — Passe de mim este cálice; pois, essa era uma vontade humana, a querer uma causa propriamente particular. Mas como quer, com coração reto, ser homem e ser dirigido para Deus, acrescenta — Contudo, não se faça a minha vontade, senão a tua; como se dissesse — considera-te em mim pois, posso querer algo como próprio, embora Deus queira de outro modo.".
Para São Tomás de Aquino 1, " Cristo orou mediante a sua sensibilidade(...) para assim nos dar uma tríplice instrução:
  1. Primeiro, para mostrar que assumiu verdadeiramente a natureza humana, com todos os seus afetos naturais.
  2. Segundo, para mostrar que é lícito ao homem, pelo seu afeto natural, querer o que Deus não quer.
  3. Terceiro, para mostrar que o homem deve sujeitar o seu afeto próprio à vontade divina.".
II - exprimindo-se racionalmente

Um exemplo dessa petição de Jesus é "quando pediu a glória da ressurreição"2 "Pai, é chegada a hora. Glorifica teu Filho, para que teu Filho glorifique a ti; e para que, pelo poder que lhe conferiste sobre toda criatura, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe entregaste." (João 17, 1-2).
"Cristo quis recorrer ao Pai, na sua oração, para nos dar o exemplo de orar e para nos mostrar, que o seu Pai é o autor de que eternamente procede"2 
Oração pelo próximo - Jesus também orou intercedendo por outras pessoas. Na sua oração humana "partilha tudo quanto vivem os «seus irmãos» (Heb 2, 12); e compadece-Se das suas fraquezas para os livrar delas (Heb 2, 15; 4, 15). Foi para isso que o Pai O enviou. As suas palavras e as suas obras aparecem então como a manifestação visível da sua oração «no segredo»."(CIC 2602)3.

Na intercessão, aquele que ora "não procura seus próprios interesses, mas pensa sobretudo nos dos outros" (Fl 2,4) e reza por aqueles que lhe fazem mal."(CIC 2635)3. Foi assim que Jesus fez. Até pregado na cruz, intercedeu: "Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem."(Lc 23, 34). 

Ao pedir pelas pessoas, Jesus nos mostra que "Ele é o único Intercessor junto do Pai em favor de todos os homens, dos pecadores, sobretudo. Ele é "capaz de salvar de modo definitivo aqueles que por meio dele se aproximam de Deus, visto que Ele vive para sempre para interceder por eles" (Hb 7,25)" (CIC 2634)3. "No tempo da Igreja, a intercessão cristã participa da de Cristo; é a expressão da comunhão dos santos. " (CIC 2635)3.

É importante salientar que oração de petição e de intercessão estão intimamente relacionadas. Segundo São Tomás de Aquino, "A glória mesma que Cristo pedia nas suas orações, era pertinente à salvação dos outros, segundo aquilo do Apóstolo: Ressuscitou para nossa justificação. E por isso, as orações que fazia, por si, de certo modo também redundavam para os outros. Assim como quando pedimos um bem a Deus para o empregarmos em benefício alheio, oramos não só por nós mesmos mas também pelos outros."2

Oração individual e em grupo

A sós com Deus - Em várias passagens dos Evangelhos, Jesus mostra que se deve ter um momento a sós para falar com o Pai: "subiu à montanha para orar na solidão. E, chegando a noite, estava lá sozinho" (Mateus 14, 23); "retirou-se Jesus com eles para um lugar chamado Getsêmani e disse-lhes: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar" (Mateus 26, 36).

Em grupo - A oração comunitária também é valorizada por Jesus: "Num dia em que ele estava a orar a sós com os discípulos" (Lc 9, 18) "Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e subiu ao monte para orar." (Lc 9, 28).

Nesse orar, Jesus deixa um alerta: "Quando orardes, não façais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa." (Mt 6, 5). 

Notas

1.São Tomás de Aquino, Suma Teológica, parte III, Tratado do Verbo Encarnado, questão 21 artigo 2. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/3688
2. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, parte III, Tratado do Verbo Encarnado, questão 21 artigo 3. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/3689 
3. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 2602, 2635. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap1_2566-2649_po.html 
4. Catecismo da Igreja Católica, índice analítico, I.49.9 Oração de intercessão. Disponível em: http://catecismo-az.tripod.com/conteudo/a-z/h/intercessao.html

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Aprendendo a orar como Jesus - 4





A oração deve estar presente nos momentos decisivos, nos eventos importantes da vida - E esta oração tanto poder acontecer antes como durante ou depois dos acontecimentos. Assim Jesus fez:

Antes de momentos decisivos da sua missão
"A oração de Jesus antes dos acontecimentos da salvação de que o Pai O encarrega, é uma entrega humilde e confiante da sua vontade à vontade amorosa do Pai."(CIC 2600)1. Jesus ora em Seu batismo antes de o Pai dar testemunho d'Ele ( Lc 3, 21); Ora antes de sua Paixão (Lc 22, 41-44).

Jesus ora também antes dos momentos decisivos que vão determinar a missão dos seus Apóstolos: ora "antes de escolher e chamar os Doze (Lc 6, 12), antes de Pedro O confessar como o «Cristo de Deus» (Lc 9, 18-20) e para que a fé do chefe dos Apóstolos não desfaleça na tentação (Lc 22, 32)."(CIC 2600)1

Durante os eventos importantes de sua vida - Jesus orou durante a transfiguração ("Enquanto orava, transformou-se o seu rosto e as suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura" - Lc 9,29); enquanto ressuscitava Lázaro ("Levantando Jesus os olhos ao alto, disse: Pai, rendo-te graças, porque me ouviste. Eu bem sei que sempre me ouves, mas falo assim por causa do povo que está em roda, para que creiam que tu me enviaste. Depois destas palavras, exclamou em alta voz: Lázaro, vem para fora!" - Jo 11, 41-43); na hora da Sua angústia ("Ele entrou em agonia e orava ainda com mais instância, e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra" - Lc 22,44); na hora da Sua morte ("Jesus deu então um grande brado e disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, dizendo isso, expirou" - Lc 23,46).

Após os acontecimentos - Jesus subiu ao monte para orar depois que despediu o povo que tinha presenciado a multiplicação dos pães e dos peixes; orou quando sua obra terminou ("Eu te glorifiquei na terra. Terminei a obra que me deste para fazer" - João 17,4).

Nota
1. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 2599. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap1_2566-2649_po.html

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Aprendendo a orar como Jesus - 3


Agora, vamos ver como deve ser praticada a oração à exemplo de Jesus.


Ore continuamente - Em Lc 18,1, Jesus propõe uma parábola "para mostrar que é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo. E em Mc 14,38, diz: "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. Pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca.".

"Cristo, que tudo assumiu para resgatar tudo, é glorificado pelos pedidos que oferecemos ao Pai em seu Nome. E com essa garantia que Tiago e Paulo nos exortam a orar em todo tempo. (CIC 2633).


Segundo são Tomás de Aquino, esse orar sempre pode ser encarado "à dupla luz: em si mesma e na sua causa"1:

Na sua causa, o orar deve ser contínuo, pois a virtude do orar "permanece em tudo o que fazemos por caridade, porque, como diz o Apóstolo, elevemos fazer tudo para a glória de Deus. E, assim, a oração deve ser contínua.".
Considerada em si mesma, porém, a oração não pode ser contínua, porque temos ele nos ocupar com outras obras. Mas, no mesmo lugar, Agostinho diz o seguinte: Rogamos a Deus por certos intervalos de horas e de tempos, para por meio desses sinais sensíveis, nos advertirmos a nós mesmos; darmos a conhecer a nós mesmos quanto progredimos nesse desejo e nos excitarmos a nós próprios, mais fortemente, a continuar no mesmo caminho."
Jesus tinha um horário para orar diariamente - Jesus ora "preferentemente de noite" (CIC 2602)2
Sua oração à tarde e pela manhã são vistas nos versículos: "Após a multiplicação dos pães e dos peixes, Jesus "forçou seus discípulos a embarcarem (...) foi à montanha para orar. Ao cair da tarde, o barco estava no meio do mar"(Mc 6, 46-47); "De manhã, tendo-se levantado muito antes do amanhecer, ele saiu e foi para um lugar deserto, e ali se pôs em oração" (Mc 1,35).

E quanto à duração da oração?
Ela é proporcional ao fervor do espírito. 

"Este fervor incansável só pode vir do amor. "(CIC 2742)3. São Tomás de Aquino lembra que: 

"convém à oração durar tanto quanto for útil para despertar o fervor do desejo interno. E quando exceder essa medida, de modo a não poder durar sem nos causar tédio, não devemos protrai–la. Por isso, nota Agostinho: Disse que os padres no Egito fazem orações frequentes, mas, brevíssimas e em forma de rápidas jaculatórias; a fim de que aquela contenção de espírito, que devemos manter com vigilância e é tão necessária a quem ora, não se desvaneça pela duração muito prolongada e nem se embote. E por aí também mostram suficientemente que, se não podemos forçar essa contenção quando ela não vinga perdurar, também não devemos interrompê–la inopinadamente, enquanto perdura. E se temos de proceder assim, em se tratando da nossa oração particular, relativamente à nossa contenção de espírito, o mesmo se há de fazer na oração em comum relativamente à devoção do povo."1.
Segundo Santo Agostinho:
"orar longamente não consiste em pronunciar muitas palavras. Uma coisa é o multilóquio e outra o perdurar do afeto. Pois, do próprio Senhor foi escrito que pernoitou na oração e orou mais prolongadamente para nos dar o exemplo. E em seguida acrescenta: Que não haja na oração muitas palavras, mas oremos tanto quanto durar a nossa fervorosa contenção de espírito. Pois, orar usando de muitas palavras é fazer o necessário com palavras supérfluas. Porque, muitas vezes, esse ato nós o praticamos mais com gemidos de que com palavras."apud 1.
São Tomás de Aquino também afirma que: "A longura da oração não consiste em pedirmos muitas coisas mas, na continuidade do afeto, desejando um só objeto."1.

E, na hora do sofrimento, a oração deve ser mais intensa pois é ela que trará a fortaleza. "Ele entrou em agonia e orava ainda com mais instância, e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra." (Lc 22, 44).

Por fim, "a Tradição da Igreja propõe aos fiéis ritmos de oração destinados a alimentar a oração contínua. Alguns são quotidianos: a oração da manhã e da noite, antes e depois das refeições, a Liturgia das Horas. O Domingo, centrado na Eucaristia, é santificado principalmente pela oração. O ciclo do ano litúrgico e as suas grandes festas constituem os ritmos fundamentais da vida de oração dos cristãos."(CIC 2698)3.

Notas
1. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, Parte IIa IIae, Tratado sobre a Justiça, questão 83, artigo 14. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/3984
2. Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 2602. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap1_2566-2649_po.html
3. Catecismo da Igreja Católica, capítulos 2698, 2742. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap3_2697-2758_po.html

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Aprendendo a orar como Jesus - 2

Vejamos o que Jesus nos ensinou sobre o local específico para orar.


Nos Evangelhos, temos algumas passagens que nos mostram que Jesus gostava de fazer Suas orações "em segredo " se retirando para "lugares solitários para orar"(Lucas 5, 16); "ao monte para orar" (Marcos 6, 46); "à montanha para orar na solidão. (Mt 14,23). Ele também falou sobre isso: "Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo" (Mt 6,6).


Além do lugar reservado a sós para orar, Jesus também " ora com as palavras e nos ritmos da oração do seu povo"(CIC 2599)1, na sinagoga e no Templo:
Sinagoga - A presença de Jesus nas sinagogas é vista em várias passagens dos quatro Evangelhos, por exemplo: "Jesus pregava nas sinagogas da Judéia" (Lc4,44); "Dirigiu-se a Nazaré, onde se havia criado. Entrou na sinagoga em dia de sábado, segundo o seu costume, e levantou-se para ler." (São Lucas 4, 16)"; "Jesus voltou para a Galiléia (...) Ensinava em suas sinagogas e era glorificado por todos." (Lc 4, 14-15); "e foi por toda a Galiléia, pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios" (Mc 1, 39); ensinava aos sábados em Cafarnaum, cidade da Galiléia. (Lc 4, 31; Mc 1,21); "Tal foi o ensinamento de Jesus na sinagoga de Cafarnaum." (Jo 6, 59).

Templo - Jesus "professou pelo templo de Jerusalém o mais profundo respeito. Ali foi apresentado por José e Maria, quarenta dias depois do seu nascimento (Lc 2, 22-39). Na idade de doze anos, decidiu ficar no templo para lembrar aos seus pais que tinha de Se ocupar das coisas de seu Pai (Lc 2, 46-49). Ao templo subiu todos os anos, ao menos pela Páscoa, durante a vida oculta (Lc 2, 41). O seu próprio ministério público foi ritmado pelas peregrinações a Jerusalém nas grandes festas judaicas (Jo 2, 13-14; 5, 1.14; 7, 1.10.14; 8, 2; 10, 22-23)."(CIC 583)2. " Jesus subiu ao templo como quem sobe ao lugar privilegiado de encontro com Deus. O templo é para Ele a casa do seu Pai, uma casa de oração, e indigna-Se com o facto de o átrio exterior se ter tornado lugar de negócio (Mt 21, 13)"(CIC 584)2. Nos últimos dias de Jesus, "durante o dia Ele ensinava no Templo, mas passava as noites ao relento, no monte chamado das Oliveiras. E todo o povo madrugava junto com Ele no Templo, para ouvi-Lo." (Lc 21,37-38).
A Igreja Católica também ensina quais são os lugareis favoráveis à oração (CIC 2691)3:

"A Igreja, casa de Deus, é o lugar próprio para a oração litúrgica da comunidade paroquial. E também o lugar privilegiado da adoração da presença real de Cristo no Santíssimo Sacramento. (...)
- para a oração pessoal, pode ser um "recanto de oração", com as Sagradas Escrituras e imagens sagradas, para aí estar "no segredo" diante do Pai. Numa família cristã, essa espécie de peque no oratório favorece a oração em comum; 
- nas regiões onde existem mosteiros, a vocação dessas comunidades é favorecer a partilha da Oração das Horas com os fiéis e permitir a solidão necessária a uma oração pessoal mais intensa; 
- as peregrinações evocam nossa caminhada pela terra em direção ao céu. São tradicionalmente tempos fortes de renovação da oração. Os santuários são para os peregrinos, em busca de suas fontes vivas, lugares excepcionais para viver "como Igreja" as formas da oração cristã.". 

Notas:

1. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 2599. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap1_2566-2649_po.html
2. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 583, 584. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s2cap2_422-682_po.html
3. Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 2691. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap2_2650-2696_po.html
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14 novembro 2016

Por que não se recebe logo o pedido feito na oração?




Jesus falou "Pedi e recebereis", mas muita gente fala que custou a receber o que pediu ou até que nem recebeu.

Por que isso acontece?

Não tem uma única resposta para isso. Mas várias.

Abaixo, coloquei algumas dessas respostas em vermelho, com seus versículo bíblicos correspondentes em azul.


Vejamos, primeiro algumas causas da demora em receber o que se pede:
Porque Deus quer mostrar a Sua glória.
Jo 11, 4 "disse-lhes Jesus: Esta enfermidade não causará a morte, mas tem por finalidade a glória de Deus. Por ela será glorificado o Filho de Deus."
Porque quem ora não está em estado de graça. É a graça santificante que nos torna justos e faz a oração ter o resultado pretendido.
Tiago 5,16 "Confessai os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros para serdes curados. A oração do justo tem grande eficácia.".
Porque não se ora com fervor.
Tiago 5, 17-18 ".Elias era um homem pobre como nós e orou com fervor para que não chovesse sobre a terra, e por três anos e seis meses não choveu. Orou de novo, e o céu deu chuva, e a terra deu o seu fruto."
Porque não se confia totalmente em Deus.
Salmos 9,10 "Os que conhecem o teu nome confiam em ti, pois tu, Senhor, jamais abandonas os que te buscam. 
Porque Deus quer dar algo muito melhor.
Lucas 1,13 "Mas o anjo disse-lhe: Não temas, Zacarias, porque foi ouvida a tua oração: Isabel, tua mulher, dar-te-á um filho, e chamá-lo-ás João." e
Lucas 7,28 "Pois vos digo: entre os nascidos de mulher não há maior que João."
Agora, alguns motivos de não se receber o pedido feito:
Porque a intenção ao rezar é ser admirado(a) pelos outros. Assim, ganha a admiração mas não se recebe a graça pedida.
Mt 6, 5"Quando orardes, não façais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa."
Porque o pedido é para satisfazer suas próprias paixões.
Tiago 4,3 "Pedis e não recebeis, porque pedis mal, com o fim de satisfazerdes as vossas paixões."
Porque quem ora é inconstante na fé.Tiago 1, 6-8: "Mas peça-a com fé, sem nenhuma vacilação, porque o homem que vacila assemelha-se à onda do mar, levantada pelo vento e agitada de um lado para o outro. Não pense, portanto, tal homem que alcançará alguma coisa do Senhor, pois é um homem irresoluto, inconstante em todo o seu proceder.". 
Assim, se você comete alguns dos erros acima, é só corrigi-los e já começar a louvar e agradecer a Deus.

"Aquele que adora a Deus na alegria será bem recebido, e sua oração se elevará até as nuvens." (Eclesiástico 35, 20).

O Verdadeiro Amor

"O verdadeiro amor é amar e deixar-me amar. É mais difícil deixar-me amar do que amar. Por isso é tão difícil chegar ao perfeito amor de Deus, porque podemos amá-Lo, mas o importante é deixar-se amar por Ele. O verdadeiro amor é abrir-se a este amor que nos precede e gera surpresa. Se tudo o que possuís é informação, toda a informação, estais fechados às surpresas; o amor abre-te às surpresas: o amor é sempre uma surpresa, porque pressupõe um diálogo a dois. Entre quem ama e quem é amado. E nós dizemos que Deus é o Deus das surpresas, porque Ele nos amou primeiro e espera-nos com uma surpresa. Deus surpreende-nos... Deixemo-nos surpreender por Deus! E não tenhamos a psicologia do computador: crer que sabe tudo. Isto que quer dizer? Um átimo e o computador dá-te todas as respostas, nenhuma surpresa. No desafio do amor, Deus manifesta-Se com surpresas. Pensemos em São Mateus… Era um bom homem de negócios; mas traía a sua pátria porque recolhia os impostos dos judeus para os dar aos romanos. Enfim, estava cheio de dinheiro e recebia os impostos. Passa Jesus, fixa-o e diz-lhe: «Segue-Me!» Aqueles que estavam com Jesus, dizem: Chama este que é um traidor, um vilão? Ele vive agarrado ao dinheiro... Mas a surpresa de ser amado vence-o e ele segue Jesus. Naquela manhã, quando se despedia da esposa, nunca teria pensado que iria voltar sem dinheiro e com pressa para dizer à sua esposa que preparasse um banquete. O banquete para Aquele que o tinha amado primeiro; que o havia surpreendido com algo mais importante do que todo o dinheiro que ele tinha.

Deixa-te surpreender pelo amor de Deus! Não tenhas medo das surpresas, que te agitam, põem em crise, mas de novo te colocam em caminho. O verdadeiro amor impele-te a gastar a vida, mesmo a risco de ficares com as mãos vazias. Pensemos em São Francisco: deixou tudo, morreu com as mãos vazias, mas com o coração cheio.


Estais de acordo? Não jovens de museu, mas jovens sapientes. Para ser sapientes, usai as três linguagens: pensar bem, sentir bem e fazer bem. E para ser sapientes, deixai-vos surpreender pelo amor de Deus!" ( Papa Francisco)1





Nota
1.Papa Francisco, Encontro com jovens na Universidade de São Tomás, Manila (18 de Janeiro de 2015). Disponível 
em: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2015/january/documents/papa-francesco_20150118_srilanka-filippine-incontro-giovani.html


13 novembro 2016

29 setembro 2016

Oração aos Arcanjos São Gabriel, São Miguel e São Rafael

Hoje, a Igreja Católica festeja a memória dos arcanjos São Gabriel, São Miguel e São Rafael. Eles são expressamente nomeados na Bíblia:
Gabriel está presente no Evangelho2 de São Lucas 1, 19, quando faz o anúncio do nascimento de João Baptista: "...Eu sou Gabriel; assisto diante de Deus e fui enviado para anunciar-te essa boa nova" bem como está presente em Lucas 1,26-28: "o anjo Gabriel foi enviado por Deus (...) a uma virgem (...) e o nome da virgem era Maria. Entrando onde ela estava, disse-lhe: "Alegra-te, cheia de graça, o Senhor é contigo". "A saudação do anjo Gabriel abre a oração da Ave-Maria. É o próprio Deus que, por intermédio de seu anjo, saúda Maria."(CIC 2676).1
Na Bíblia2, em Daniel 10,13, Miguel é denominado "príncipe". Em Daniel 12, 1 está escrito que ele se conserva "junto dos filhos do teu povo"; Em Judas 1,9, disputa o corpo de Moisés com o diabo e Em Apo 12,7-9, luta com seus anjos contra o diabo e os anjos maus e os vence.
Rafael se revela no livro de Tobias 12,15 "Eu sou Rafael., um dos sete anjos que estão sempre presentes e têm acesso junto à Glória do Senhor"2.

Ao vermos a terceira hierarquia dos anjos, já conhecemos um pouco mais destes arcanjos. Então, hoje compartilho com você a oração de cada um deles:

Oração a São Rafael Arcanjo
"Glorioso Arcanjo São Rafael, que vos dignastes tornar a aparência de um simples viajante para vos fazer o protetor do jovem Tobias. Ensinai-nos a viver sobrenaturalmente elevando sem cessar nossas almas, acima das coisas terrenas.
Vinde em nosso socorro no momento das tentações e ajudai-nos a afastar de nossas almas e de nossos trabalhos todas as influências do inferno.
Ensinai-nos a viver neste espírito de fé que sabe reconhecer a misericórdia Divina em todas as provações e as utilizar para a salvação de nossas almas.
Obtende-nos a graça de uma inteira conformidade à vontade Divina, seja que ela nos conceda a cura dos nossos males ou que recuse o que lhe pedimos.
São Rafael guia protetor e companheiro de Tobias, dirigi-nos no caminho da salvação, preservai-nos de todo perigo e conduzi-nos ao Céu.
Assim seja."

Oração a São Gabriel Arcanjo


"Vós, Anjo da encarnação, mensageiro fiel de Deus, abri os nossos ouvidos para que possam captar até as mais suaves sugestões e apelos de graça emanados do coração amabilíssimo de Nosso Senhor. Nós vos pedimos que fiqueis sempre junto de nós para que, compreendendo bem a Palavra de Deus e Suas inspirações, saibamos obedecer-lhe, cumprindo docilmente aquilo que Deus quer de nós. Fazei que estejamos sempre disponíveis e vigilantes. Que o Senhor, quando vier, não nos encontre dormindo.
São Gabriel Arcanjo, rogai por nós. Amém."







Oração a São Miguel Arcanjo





"Glorioso Príncipe do Céu, protetor das almas, vos chamo para que me livre de toda adverside todo pecado, fazendo-me progredir no serviço de Deus conseguindo-me a graça da perseverança final, que me faça gozá-la na vida eterna.
Amém."









Notas
1.http://catecismo-az.tripod.com/conteudo/a-z/a/anjo.html 
2. Bíblia de Jerusalém SP, Paulus, 2012. 8ª impressão : Tobias 12,15 (pg 677); Daniel 10,13 (pg. 1574); Daniel 12,1(pg. 1578); Lucas 1,13 (pg. 1786); Lucas 1,26 (pg 1787); Judas 1,9 (pg. 2137) e Apo 12,7-9 (pg. 2154).
3. Site da Arquidiocese de Natal: Orações de São Miguel Arcanjo e São Rafael Arcanjo. Disponível em: http://arquidiocesedenatal.org.br/secoes/santos-e-anjos 
4. Portal Padre Reginaldo Manzotti: Oração de São Gabriel Arcanjo. Disponível em http://www.padrereginaldomanzotti.org.br/capela_virtual/oracao_conforto/oracoes/sao-gabriel-arcanjo.html

Veja também a "Oração a Cristo" de Papa Paulo VI; a "Oração à Virgem Imaculada" de Papa Pio XII; a "Oração a São Miguel Arcanjo", de Papa Leão XIII. E  como Jesus orou.

19 setembro 2016

Destino dos anjos caídos


Como visto na postagem anterior da série sobre anjos, alguns anjos pecaram, por vontade livre, e "Deus não poupou os anjos que pecaram, mas os precipitou nos abismos tenebrosos do inferno onde os reserva para o julgamento; (II São Pedro 2, 4)", bem como precipitou Satanás "na terra, e com ele os seus anjos" (Apoc. 12,9).


São Tomás de Aquino explica a razão desse duplo lugar de pena:
 "Os anjos, por natureza, são medianeiros entre Deus e os homens. Ora, está na ordem da divina providência, que o bem dos seres inferiores seja obtido pelos superiores. O bem do homem, porém, pode ser obtido duplamente pela divina providência. De um modo, diretamente; induzindo ao bem e retraindo do mal, o que convenientemente se faz pelos anjos bons. De outro modo, indiretamente: p. ex., quando alguém se exerce atacado pela impugnação de um contrário. E era conveniente que esta obtenção do bem humano se realizasse pelos maus anjos, afim de que não fossem eliminados totalmente, depois do pecado, da utilidade da ordem natural.
Assim, pois, duplo lugar de pena é devido aos demônios. Um, em razão da culpa, e esse é o inferno. Outro, porém, em razão da exercitação humana e, esse é o ar caliginoso. 
Mas, como a busca da salvação humana se prolongará até o dia do juízo, até então durará o ministério dos anjos e a exercitação causada pelos demônios. Por isso, até então, também os bons anjos nos serão para cá mandados, e os demônios hão-de exercitar-nos neste ar caliginoso; embora alguns destes estejam também agora no inferno, para atormentar os que induziram ao mal, assim como alguns bons anjos estão com as almas santas no céu. Mas depois do dia do juízo, todos os maus, homens e anjos, estarão no inferno; os bons, porém, no céu. "1
Padre José Antônio Fortea, teólogo espanhol,  também tem uma explicação para esse duplo destino dos anjos maus. É simples, mas esclarece bastante:
"A Sagrada Escritura ao falar dos demônios sempre os situa em dois lugares: ou no inferno(isto é, no que está embaixo, pois isso significa inferno) ou no ar.

Ao dizer que estão no ar, o que quer expressar é que podem estar em todas as partes, que não se deslocam como nós sobre a Terra, e sim que se movem com completa liberdade. São Paulo volta a mencionar isto ao chamar o diabo "príncipe das potestades do ar"(Ef 2,2). Ainda a esse versículo, cabe traduzí-lo também como " o dominador do poder do ar".
Quando a Sagrada Escritura diz que alguns não estão no inferno, está querendo dizer que não estão tentando os homens? Provavelmente, signifique isso. O que não parece é que tenha diferença de sofrimento entre esse "estar no inferno" e "estar entre os homens tentando".2
Esta última afirmação do teólogo espanhol está em sintonia com São Tomás de Aquino, pois o Doutor Angélico afirma que os demônios "levam consigo o fogo da Geena para onde quer que vão"1 pois "sabem que essa prisão lhes é devida"1 e mesmo estando no ar caliginoso " a pena não se lhes diminui."1 Para Agostinho, esse " ar caliginoso é um quase cárcere para os demônios, até o tempo do juízo." (apud 1)

Notas
1. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, Primeira Parte, Tratado dos Anjos, questão 64, artigo 4. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2515
2. José Antonio ForteaSumma Daemoniaca - SP, Editora Palavra e Prece, 2010 - página 99 (questão 72)

Veja também Lucífer x Virgem Maria

"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12
CEFAS, oriundo do nome de São Pedro apóstolo, significa também um Acróstico: Comunhão para Evangelização, Formação e Anúncio do Senhor. É um humilde projeto de evangelização através da internet, buscando levar formação católica doutrinal e espiritual.