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13 abril 2020

Livro Digital "Ofício das Leituras Anual do Tempo da Páscoa"




❓Você gostaria de rezar e meditar diariamente com os Salmos, um texto bíblico e um da Sagrada Tradição, dos Santos ou do Magistério em unidade com a Liturgia da Igreja inteira?❓❔

📖Conheça o Livro digital "OFÍCIO DAS LEITURAS ANUAL PARA O TEMPO DA PÁSCOA"📖

📙É um Livro digital com o Ofício das Leituras da Liturgia das Horas do ciclo anual do tempo da Páscoa. 
Ele está com o Ofício completo: contém os hinos, salmos, as leituras e as orações. O Ofício das Leituras é um livro de oração e meditação que pode ser rezado “a qualquer hora do dia, ou até no dia anterior, à noite, depois de recitadas as Vésperas”, conforme orienta a INSTRUÇÃO GERAL SOBRE A LITURGIA DAS HORAS.📚

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27 maio 2018

Liturgia das Horas brevíssima



Irmãos, a liturgia das horas é uma forma maravilhosa de manter o cristão em oração em vários horários do dia. É bem sabido que os leigos na correria da vida, na maioria das vezes, não tem tempo para se dedicar às várias orações e leituras dos salmos durante o dia. Eu mesmo tenho experimentado isso em minha vida apesar de sempre tentar fazê-lo, mas sem sucesso.

Devido a isso, estou tentando montar recursos brevíssimos para que possamos parar pelo menos alguns segundos para meditação durante o dia e se possível breves orações. Criamos uma sugestão abaixo que você pode seguir à risca ou adaptá-la de acordo com a sua realidade. Não importa, o que é importante é que você possa tentar manter a lembrança e meditação dos mistérios divinos durante o tempo diário, pois esta é a proposta da Liturgia das Horas.

Recomendo a leitura de um post mais antigo em que nós falamos sobre algumas coisas sobre nosso tempo católico, anual, mensal, semanal e diário: http://www.missaocefas.org/2017/10/ciclo-temporal-catolico.html.

Segue abaixo as sugestões por hora litúrgica e a explicação de cada hora:


  • Ofício das Leituras: Pode ser rezado em qualquer horário do dia, mas geralmente faz-se de manhã junto com a Laudes. Aqui temos leituras bíblicas e da Tradição, salmodia e algumas orações. Sugerimos aqui que você faça sua oração pessoal com Lectio Divinae. Eu fiz um vídeo sobre isso que você pode ver aqui: http://www.missaocefas.org/2016/02/oracao-pessoal-e-lectio-divinae.html.
  • Laudes: É a primeira oração do dia. Geralmente ao nascer do sol. Oração de louvor agradecendo a Deus mais um dia e começo do trabalho. Se não puder fazer a Laudes mesmo (o que seria o ideal) sugerimos aqui a contemplação do Santo Rosário.
  • Horas Médias: As horas médias são compostas de três horários distintos, às 9 da manhã, ao meio dia e às 15 horas da tarde. Para este período, que é o mais crítico, onde geralmente os leigos estão no trabalho, na correria do dia a dia, criamos três perfis de santos nas redes sociais que estarão publicando frases e textos breves para meditação nestes horários onde cada um pode configurar facilmente para receber notificação e ser avisado. A quem puder parar para ler, será bom, para quem puder parar, ler, meditar e fazer uma breve oração, será melhor ainda. Segue abaixo os horários médios com seus nomes específicos e a explicação de cada perfil que estará publicando: 
  1. Hora Terça que é rezada às 09:00h. Nesse horário selecionamos textos dos Padres da Igreja, o grande período Patrístico do início da nossa Igreja em que se guardou e solidificou o Sagrado Depósito pela Santa Tradição Apostólica. Para receber notificação você pode seguir tanto no Twitter quanto no Telegram acionando a notificação correspondente ao canal que preferir. O link para o Twitter dos Padres da Igreja é https://twitter.com/Patristico e o link para o Canal no Telegram é https://t.me/Patristico. Tentaremos manter diariamente um publicação às 9 da manhã dos Padres da Igreja. Acompanhe, medite e ore conosco.
  2. Hora Sexta que é rezada às 12:00h. Nesse horário selecionamos textos dos Padres do Deserto. Homens embriagados de Deus com grande conhecimento do ser humano que nos deixaram textos profundos e transformadores. O link para o Twitter dos Padres do Deserto é https://twitter.com/PadresdoDeserto e o link para o Canal no Telegram é https://t.me/padresdodeserto. Tentaremos manter diariamente um publicação ao meio dia. Acompanhe, medite e ore conosco. 
  3. Hora Nona ou Noa que é rezada às 15:00h, costumeiramente chamada hora da paixão. Nesse horário selecionamos textos de S. Tomás de Aquino, o Santo Doutor Mestre em Teologia. O estudo dos seus escritos é recomendado por vários papas e concílios. O link para o Twitter de S. Tomás de Aquino é https://twitter.com/STomasAquino e o Canal no Telegram é https://t.me/STomasAquino. Manteremos publicação todos os dias às 15 horas. Acompanhe, medite e ore conosco. 
  • Vésperas: São as orações do fim da tarde e início da noite, geralmente recomendada para o pôr do sol. Agradecimento pelo fim do dia. Se não puder fazer as Vésperas mesmo, faça uma oração de revisão sobre tudo o que ocorreu no dia e o que foi meditado, complementando a contemplação da Lectio Divinae feita pela manhã ou a meditação do Santo Rosário.
  • Completas: Para ser rezada à noite em preparação para dormir. Faz-se o ato de contrição entre outras orações. Aqui é importantíssimo fazer o exame de consciência diário recomendado e as orações junto à família antes de dormir.


É claro que o ideal seria se todos pudessem rezar o Ofício completo, mas aqui queremos não 'viciar' quem pode doar mais numa coisa 'menor', mas apenas compartilhar umas ferramentas que eu mesmo fiz para sanar minhas limitações. Faça parte desta busca por manter a oração em nossos lábios e a meditação em nossa mente durante todo o dia, santificando assim nosso trabalho e nossa vida diária. Que possamos nos unir buscando meios para minimizar as distâncias e facilitar o acesso ao Sagrado. Se você tiver outras idéias ou contribuições deixe seu comentário abaixo. Deus lhe abençoe. Shalom.


16 fevereiro 2018

O que são as horas canônicas




Felipe Aquino:

"Os judeus costumavam rezar três vezes por dia: de manhã, ao meio-dia, no fim do dia (cf. SI 55, 17s) Os cristãos herdaram esta prática; todavia não Ihes era estranha a oração noturna, da qual Jesus e os Apóstolos deixaram precioso testemunho; cf. Lc 6,12 (Jesus passou a noite em oração antes de escolher os doze Apóstolos) e At 16,25 (Paulo e Silas, à meia-noite, cantavam os louvores de Deus na prisão de Filipos).

No século III Tertuliano (􀀀 após 220) mencionava cinco momentos de oração: aurora, terça, sexta, nona e vésperas, ou seja, ao nascer do dia, às 9h, ao meio-dia, às 15h e ao pôr do sol. Esta prática se expandiu e recebeu dois acréscimos: o da hora primeira (Prima, 7h) e o de Completas (oração antes do sono da noite). Além disso, os cristãos estimavam também a oração durante a noite. Foram principalmente os monges que, dedicando-se especialmente à oração e ao trabalho manual, contribuíram para a formação do Ofício Divino com as suas oito Horas Canônicas: Laudes (na aurora), Prima, Terça, Sexta, Noa, Vésperas, Completas, além das Vigílias noturnas. Tal número foi observado durante séculos até o Concílio do Vaticano II, que suprimiu oficialmente o Ofício de Prima, por fazer duplicata, de certo modo, com o Ofício de Laudes; além disto, o Concilio não suprimiu as chamadas Horas Menores (Terça, Sexta e Noa), mas permitiu que se celebre uma só, escolhendo-se aquela mais adaptada ao momento em que se reza (a Terça, durante a manhã; a Sexta, por volta do meio-dia; a Noa, no decorrer da tarde).

Cada uma dessas Horas Canônicas tem sua motivação e sua ambientação espirituais, como passamos a ver: As Laudes e as Vésperas, como preces da manha e da tarde, são tidas como as Horas principais.

1) As Laudes (Louvores) têm por motivo inspirador o renascer da luz do dia após as trevas da noite. Esta Hora Canônica celebra, pois, a Ressurreição de Jesus, "luz verdadeira que ilumina todo homem" (Jo 1,9) e "Sol de Justiça, que nasce do alto" (Lc 1,78); por isto uma das tônicas dessa oração é a glorificação do Senhor, que obteve a vitória sobre a morte (daí a inserção do Cântico de Zacarias no final; cf. Lc 1,6879).

As Laudes, em resposta ao dom de Deus, tencionam consagrar ao Senhor o dia do cristão, dia de trabalho e esperanças. É São Basílio (􀀀 379) quem nos diz: "A oração da manhã tem por finalidade consagrar a Deus os primeiros movimentos de nossa alma e de nossa mente e, antes de nos ocuparmos com qualquer outra coisa, deixar que nosso coração se regozije pensando em Deus, segundo está escrito: 'Dei-me conta de Deus e me alegrei' (SI 77,4), pois o corpo não se deve entregar ao trabalho sem que antes tenhamos cumprido o que disse a Escritura: 'É a Vós que invoco, Senhor, desde a manhã, escutai-me, porque desde o raiar do dia Vos apresento minha súplica e espero' (SI 5,4s)" (Regulae fusius tractatae 37,3).

S. Cipriano (􀀀 258) observa ainda: "Deve-se rezar de manhã para que, pela oração matinal, seja celebrada a ressurreição do Senhor" (De oratione dominica 35).

2) As Vésperas tiram seu nome de Véspero (= Vênus), o astro luminoso que começa a brilhar logo que caem as trevas da noite. São, por isto, a oração que conclui o dia e dá início à noite. Entre as suas finalidades, está a de dar graças a Deus pelos benefícios recebidos pelo cristão durante o dia; além disto, as Vésperas comemoram a última Ceia do Senhor e a sua morte na Cruz, ambas ocorridas em hora vespertina. Mais elas devem avivar no orante a esperança da vinda consumada do Reino de Deus, que se dará no fim da jornada deste mundo, trazendo a luz sem ocaso. São palavras de S. Cipriano "Pedimos que venha de novo a nós a luz; rogamos pela vinda gloriosa de Cristo, que nos trará a graça da luz eterna" (De oratione dominica 35).

Os cristãos rezam as Vésperas como os operários da vinha da Igreja, que, no fim do seu dia de trabalho, se encontram com o Divino Patrão para receber o dom do seu amor. Como recompensa da labuta prestada (cf. Mt 20, 116). Ou ainda: o cristão, ao fim da caminhada de um dia, diz ao Senhor como os discípulos de Emaús: "Fica conosco, Senhor, porque o dia vai declinando" (Lc 24,29).

Consciente destes elementos, o orante procurará colocar o Ofício de Vésperas precisamente naquele horário que mais lhe possibilite conceber em si tais atitudes interiores.

3) Ofício das Leituras é o nome que tem atualmente o Antigo Ofício de Vigílias Pode ser celebrado a qualquer hora desde o anoitecer até o fim do dia seguinte; quando é recitado no coro, deve conservar a índole de louvor noturno. Este Ofício tenciona proporcionar ao povo de Deus um contato substancioso com a S Escritura e com as mais belas páginas dos autores de espiritual idade antigos e modernos Os textos bíblicos são selecionados de modo que se lêem no Ofício Divino as secções que não são lidas na Liturgia Eucarística; assim o cristão encontra na celebração da Liturgia o alimento correspondente à época do ano em curso (Advento, Natal, Epifania, Quaresma, Páscoa...). Nas festas dos santos foram retiradas do Lecionário todas as leituras cuja veracidade histórica era discutida; de preferência, lêem-se então os escritos dos santos celebrados.

A ausculta da palavra, tão característica do Ofício de Leituras, não deve levar a esquecer a nota de louvor que é típica da Liturgia das Horas. Por isto tal Ofício consta também de salmos, hino, oração e outras fórmulas. A prece de louvor ou de súplica é a resposta da criatura a Deus que lhe fala.

 Observa a Instrução da Congregação para o Culto Divino sobre a Liturgia das Horas: "Os Padres e os autores espirituais exortaram muitas vezes os fiéis... à oração noturna pela qual se expressa e excita a espera do Senhor, que há de voltar: 'Á meia-noite ouviu-se em grande clamor: eis que chega o esposo, saí ao seu encontro' (Mt 25,6).

'Vela;' pois não sabeis quando chegará o Senhor da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã; vindo de repente, não vos encontre dormindo' (Mc 13,35s). São, portanto, dignos de louvor todos os que mantêm o caráter noturno do Ofício de leituras" (n° 72).

 4) Terça, Sexta, Noa. Situadas às 9h, às 12h, às 15h, estas três Horas Canônicas colocam-se ao longo do dia de trabalho para santifica-lo.

Cada qual evoca algum acontecimento do Evangelho ou dos Atos dos Apóstolos Com efeito, Terça recorda a vinda do Espírito Santo sobre os discípulos e Maria SS, reunidos no Cenáculo "à hora terceira do dia" (At 2,15). Por isto o hino de Terça comemora o dom do Espírito e pede-o para a Igreja contemporânea. A mesma hora terceira está associada à crucifixão de Jesus, conforme Mc 15,25.

Sexta é a hora em que Pedro rezava no terraço de uma casa e teve importante visão que o levaria a batizar o centurião Cornélio sem lhe impor a circuncisão (At 10,9). É também, conforme Mt 27,45, a hora da agonia de Cristo na Cruz. O hino de Sexta faz alusão ao calor que muitas vezes se faz sentir ao meio-dia e pede ao Senhor queira extinguir o fogo das paixões, que em plena labuta pode arder nos corações dos homens.

Noa lembra a oração de Pedra e João no Templo, onde Pedro curou o paralítico, conforme At 3,1; evoca também a morte de Jesus na Cruz, segundo Mt 27,46. O hino desta Hora pede "seja a tarde luminosa numa vida permanente; e da santa morte o prêmio nos dê glória eternamente".

5) Completas é a oração que se deve dizer antes do repouso da noite, mesmo que este comece após a meia-noite.

Tem, antes do mais, caráter penitencial, pois se inicia com um exame de consciência (o cristão tem interesse em se julgar tão lucidamente quanto Deus o julga, enquanto lhe é dado usufruir do perdão e da misericórdia divina); faz-se um ato penitencial pelas faltas do dia, ato que, se conscientemente realizado, obtém o perdão dos pecados leves cometidos durante a jornada."


112ª aula do Curso de Espiritualidade Católica da Escola da Fé Online do Professor Felipe Aquino.


15 fevereiro 2018

O que é o Ofício Divino





Professor Felipe Aquino:

"O Ofício Divino consta de Horas Canônicas. Cada Hora Canônica é um modelo de oração, que compreende um hino, salmos e cânticos, leituras bíblicas, versículos e uma coleta final. O conteúdo desse modelo é adaptado às sucessivas horas do dia e da noite, a fim de facilitar a elevação da mente do cristão a Deus em todos os momentos da sua vida.

O Ofício Divino, portanto, traduz a consciência que a Igreja tem, de que todos os instantes da história são santos, ou são o cenário no qual Cristo desenvolve a obra da Redenção; por conseguinte, devem ser pela Igreja consagrados na medida em que vão ocorrendo.

Eis o que ensina a Constituição Sacrosanctum Concilium: "Por antiga tradição cristã o Ofício Divino está constituído de tal modo que todo o curso do dia e da noite seja consagrado pelo louvor de Deus. Quando, pois, os sacerdotes e as outras pessoas delegadas por vontade da Igreja para esse fim, ou os fiéis em união com o sacerdote executam religiosamente aquele admirável cântico de louvor, rezando em forma aprovada, então verdadeiramente é a voz da própria Esposa que fala com o Esposo ou, melhor, é a oração de Cristo com seu Corpo dirigida ao Pai" (n" 84)
"A santificação do dia é a finalidade do Offcio" (n" 88).
Retomando estes conceitos, a Instrução Geral sobre a Oração do Povo de Deus publicada pela Congregação para o Culto Divino em 1971 esclarece: "Tendo Cristo estabelecido que é preciso orar em todo tempo e não desfalecer (Lc 18,1), a Igreja, atendendo fielmente a esta exortação, nunca cessa de elevar suas preces e nos exorta com estas palavras: 'Por meio dele [Jesus] ofereçamos continuamente a Deus o sacrifício de louvor'(Hb 13,15). Este preceito se cumpre não apenas pela celebração da Eucaristia, mas também por outros modos, entre os quais sobressai a Liturgia das Horas, que, segundo a antiga tradição cristã, se caracteriza, entre as demais ações litúrgicas, porque por ela se consagra todo o curso do dia e da noite" (n" 10).

As Horas do Ofício Divino são ditas "canónicas" porque estão no cânon ou no padrão dos livros oficiais da Igreja Constituem a oração que a Igreja, a Esposa de Cristo, de modo especial, diz ser "sua oração" e que, com a Eucaristia, os sacramentos e os sacramentais, integra o culto oficial da Igreja. Levando-se em conta a sucessão dos fusos horários, pode-se dizer que tal oração vem a ser um louvor perene, oferecido a Deus Pai por Cristo com sua Igreja, porque a todo momento do dia e da noite deve haver um grupo de cristãos que esteja a rezá-la sobre a face da terra.

Valorizando de tal maneira o Oficio Divino, a Igreja não tenciona depreciar as demais formas de oração, derivadas da ação do Espirito em comunidades ou nos indivíduos; ao contrario, recomenda-as, mas subordina-as, quanto à dignidade, à oração oficial. São palavras da Constituição Sacrosanctum Concilium: "Os piedosos exercícios do povo cristão, conquanto conformes às leis e normas da Igreja, são encarecidamente recomendados, sobretudo quando realizados por ordem da Sé Apostólica... Assim, pois, considerando os tempos litúrgicos, estes exercícios devem ser organizados de tal maneira que condigam com a Sagrada Liturgia, dela de alguma forma se derivem, para ela encaminhem o povo, pois a Liturgia, por sua natureza, em muito os supera" (n" 13).

Tais piedosos exercícios são o Rosário, a Via Sacra, as devoções dos meses de Maio (N. Senhora), Junho (S. Coração de Jesus), Outubro (Rosário), as ladainhas, as procissões. São válido alimento para a piedade, mas nunca devem criar conflito com a S. Liturgia (Ladainhas durante a Missa, terço durante a Hora de Vésperas...).

Em nossos dias, todos os fiéis são exortados a que rezem diariamente o Ofício Divino, ao menos em parte, de acordo com as suas possibilidades pessoais E, para que nunca venha a desfalecer essa voz oficial da Igreja junto a Deus, o Direito Canônico confia o seu desempenho a determinados cristãos: "Cânon 276, § 2, n° 3: Os sacerdotes e os diáconos que aspiram ao presbiterado, são obrigados a rezar todos os dias a Liturgia das Horas, de acordo com os livros litúrgicos próprios e aprovados; os diáconos permanentes, porém, rezem a parte determinada pela Conferência dos Bispos.

Cânon 1174, § 1. Têm obrigação de rezar a Liturgia das Horas os clérigos, de acordo com o cânon 276, § 2, n" 3, e, conforme suas Constituições, os membros de Institutos de vida consagrada e Sociedades de vida apostólica.
§2. Também os outros fiéis são vivamente convidados, de acordo com as circunstancias, a participarem da Liturgia das Horas, já que é ação da Igreja.
Cânon 1175. Para se rezar a Liturgia das Horas, observe-se, na medida do possível, o tempo que de fato corresponde a cada Hora".

111ª aula do Curso de Espiritualidade Católica da Escola da Fé Online do Professor Felipe Aquino


09 outubro 2017

Ciclo Temporal Católico



Irmãos, poucos sabem mas o católico possui um ciclo temporal de meditação, vivência e oração. Esse ciclo varia entre ciclos anuais, mensais, semanais e até em horas do dia. O tempo da Graça, o Kairós, deve ser vivido de forma atenta. Descuidar do tempo é enterrar o principal talento que Deus nos deu. O tempo é o talento que deve ser posto em ação para gerar mais frutos e é dele que prestaremos contas no julgamento particular.

Devido a essa importância, venho listar aqui algumas informações sobre o ciclo temporal de vivência de um católico.



ANUAL/MENSAL

A primeira observação é com relação ao ciclo de três anos em que nossa liturgia percorre para leitura de todos os livros da Bíblia: ANO A, ANO B e ANO C. 2017 é um ano predominantemente no ciclo ANO A, 2018 ANO B, 2019 ANO C, 2020 volta para o ANO A e assim sucessivamente...

Temos os tempos litúrgicos que são tempos fortes de mergulho nos mistérios da nossa salvação. Abaixo segue uma figura que resume de forma bem simples o ano litúrgico:


Junto ao ano litúrgico, popularmente, foi-se construindo temáticas mensais para meditação e reflexão popular. Abaixo eu listo algumas temáticas que reuni e que será muito útil para quem deseja viver tempos fortes de reflexão e oração nos principais temas cristãos:






SEMANAL/DIÁRIO

Também popularmente houve uma certa cultura popular que unida à algumas recomendações da Igreja, definiu-se temáticas semanais para sua devoção particular. Abaixo segue um quadro sobre os dias da semana:




HORAS DO DIA

Durante ao longo do dia também nos é proposto algumas horas específicas para oração. A liturgia das horas é uma fonte rica de oração baseada em textos oriundos da Sagrada Tradição e das Sagradas Escrituras, especialmente os Salmos. Abaixo segue uma descrição dos horários e o nome específico de cada:


  • Ofício das Leituras: Pode ser rezado em qualquer horário do dia, mas geralmente faz-se de manhã junto com a Laudes. Aqui temos leituras bíblicas e da Tradição, salmodia e algumas orações.
  • Laudes: É a primeira oração do dia. Geralmente ao nascer do sol. Oração de louvor agradecendo a Deus mais um dia e começo do trabalho.
  • Horas Médias: As horas médias são compostas de três horários distintos com seus nomes específicos: 1)Hora Terça que é rezada às 09:00h; 2) Hora Sexta que é rezada às 12:00h; e 3)Hora Nona ou Noa que é rezada às 15:00h, costumeiramente chamada hora da paixão.
  • Vésperas: São as orações do fim da tarde e início da noite, geralmente recomendada para o pôr do sol. Agradecimento pelo fim do dia.
  • Completas: Para ser rezada à noite em preparação para dormir. Faz-se o ato de contrição entre outras orações.



Temos alguns sites e aplicativos de celular que disponibilizam a liturgia das horas para consulta os quais vou colocar os links no final deste post. Quero focar aqui em dois canais que te será muito útil para te notificar para as horas de oração, lembretes para os temas da semana e os temas mensais:



  • Twitter Liturgia das Horas: https://twitter.com/OficiodasHoras; Perfil no Twitter onde você pode seguir e acionar o sininho das notificações para ser avisado em cada publicação para não perder as horas de oração, as principais orações das horas em mp3, liturgia do dia, santo do dia e lembretes dos temas diários e mensais para meditação.

  • Bot "Orações Diárias" no Telegram: https://telegram.me/orar_bot; Ferramenta privada no Telegram para você receber as mesmas notificações do perfil do Twitter mencionado acima e ainda você pode solicitar o terço em latim e outras coisas mais que vamos implementando devagar.


Fizemos também um post com propostas para a vivência da Liturgia das Horas de forma breve para quem não tem tanto tempo para fazer a oficial: http://www.missaocefas.org/2018/05/liturgia-das-horas-brevissima.html

Qualquer dúvida, crítica ou sugestão podem entrar em contato comigo no Telegram: https://telegram.me/alessandroger.

Deus te abençoe! Shalom!







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Obs.: Segue abaixo alguns canais para a liturgia das horas:
Ibreviary
Arquivos em pdf
Comunidade Liturgia das Horas
Festas Litúrgicas
Oração de Hora fixa
Sobre o Ofício Divino
O tempo de uma vida em pedaços





13 novembro 2016

Conheça as Normas na distribuição da Sagrada Comunhão


A Instrução Redemptionis Sacramentum, "sobre algumas coisas que se devem observar e evitar acerca da Santíssima Eucaristia", "preparada por mandato do Sumo Pontífice João Paulo II pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, em colaboração com a Congregação para a Doutrina da Fé" e aprovada pelo mesmo Pontífice no dia 19 do mês de março de 2004, dispõe que na "distribuição da Sagrada Comunhão",

"[88.] Os fiéis, habitualmente, recebam a Comunhão sacramental da Eucaristia na mesma Missa e no momento prescrito pelo mesmo rito da celebração, isto é, imediatamente depois da Comunhão do sacerdote celebrante.[Cf. Conc. Ecumênico Vaticano II, Const. sobre a S. Liturgia, Sacrosanctum Concilium, n. 55] É de responsabilidade do sacerdote celebrante distribuir a Comunhão, se é o caso, ajudado pelos outros sacerdotes e diáconos; e este não deve prosseguir a Missa até que haja terminado a Comunhão dos fiéis. Só aonde a necessidade o requeira, os ministros extraordinários podem ajudar ao sacerdote celebrante, de acordo com as normas do direito.[Cf. S. Congr. Ritos, Instr., Eucharisticum mysterium, n. 31: AAS 59 (1967) p. 558; Pont. Comis. para a Interpr. Aut. do Código de Direito Canônico, Respuesta ad propositum dubium, 1 de junho de 1988: AAS 80 (1988) p. 1373].


[89.] Para que também, «pelos sinais, apareça melhor que a Comunhão é participação no Sacrifício que se está celebrando»,[Missale Romanum, Institutio Generalis, n. 85] é desejável que os fiéis possam receber as hóstias consagradas na mesma Missa.[Cf. Conc. Ecumênico Vaticano II, Const. sobre a S. Liturgia, Sacrosanctum Concilium, n. 55; S Congr. Ritos, Instr., Eucharisticum mysterium, n. 31: AAS 59 (1967) p. 558; Missale Romanum, Institutio Generalis, nn. 85, 157, 243].

[90.] «Os fiéis comunguem de joelhos ou de pé, de acordo com o que estabelece a Conferência de Bispos», com a confirmação da Sé apostólica. «Quando comungarem de pé, recomenda-se fazer, antes de receber o Sacramento, a devida reverência, que devem estabelecer as mesmas normas».[Cf. Missale Romanum, Institutio Generalis, n. 160].
[91.] Na distribuição da sagrada Comunhão se deve recordar que «os ministros sagrados não podem negar os sacramentos a quem os pedem de modo oportuno, e estejam bem dispostos e que não lhes seja proibido o direito de receber».[Código de Direito Canônico, c. 843 § 1; cf. c. 915]. Por conseguinte, qualquer batizado católico, a quem o direito não o proíba, deve ser admitido à sagrada Comunhão. Assim pois, não é lícito negar a sagrada Comunhão a um fiel, por exemplo, só pelo fato de querer receber a Eucaristia ajoelhado ou de pé.
[92.] Todo fiel tem sempre direito a escolher se deseja receber a sagrada Comunhão na boca[Cf. Missale Romanum, Institutio Generalis, n. 161] ou se, o que vai comungar, quer receber na mão o Sacramento. Nos lugares aonde Conferência de Bispos o haja permitido, com a confirmação da Sé apostólica, deve-se lhe administrar a sagrada hóstia. Sem dúvida, ponha-se especial cuidado em que o comungante consuma imediatamente a hóstia, na frente do ministro, e ninguém se desloque (retorne) tendo na mão as espécies eucarísticas. Se existe perigo de profanação, não se distribua aos fiéis a Comunhão na mão.[Congr. para o Culto Divino e a Disc. dos Sacramentos, Dubium: Notitiae 35 (1999) pp. 160-161].
[93.] A bandeja para a Comunhão dos fiéis se deve manter, para evitar o perigo de que caia a hóstia sagrada ou algum fragmento.[Cf. Missale Romanum, Institutio Generalis, n. 118].
[94.] Não está permitido que os fiéis tomem a hóstia consagrada nem o cálice sagrado «por si mesmos, nem muito menos que se passem entre si de mão em mão».[Ibidem, n. 160]. Nesta matéria, Além disso, deve-se suprimir o abuso de que os esposos, na Missa nupcial, administrem-se de modo recíproco a sagrada Comunhão.
[95.] O fiel leigo «que já tendo recebido a Santíssima Eucaristia, pode receber outra vez no mesmo dia somente dentro da celebração eucarística na qual participe, quando a salvo o que prescreve o cânon 921 § 2».[Código de Direito Canônico, c. 917; cf. Pont. Comis. para a Interpr. Aut. do Código de Direito Canônico, Responsio ad propositum dubium,   11 de julio de 1984: AAS 76 (1984) p. 746]."

Fonte: 
Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, INSTRUÇÃO REDEMPTIONIS SACRAMENTUM: Sobre algumas coisas que se devem observar e evitar acerca da Santíssima Eucaristia (25 de março do 2004). Disponível emhttp://www.vatican.va/roman_curia/congregations/ccdds/documents/rc_con_ccdds_doc_20040423_redemptionis-sacramentum_po.html

24 novembro 2015

O dia, a semana e o mês do Católico




O dia do Católico tem seu próprio ritmo. E cada dia da semana e cada mês tem uma ênfase devocional especial, tradicionalmente falando.

Dia
As horas do dia são divididas nas horas canônicas, na qual os sacerdotes, religiosos e alguns leigos piedosos rezam o Liturgia da Horas. Ás seis da manhã, ao meio-dia e seis horas da tarde é costume rezar o Angelus ou Regina Caeli.
Alguns católicos em vez ou além do acima exposto, fazem a Oração da  manhã e Oração antes de dormir que normalmente inclui um exame de consciência à noite. Muitas famílias meditam juntos na Sagrada Escritura, rezam o Terço de Nossa Senhora e, ou o Terço da Divina Misericórdia.

Semana
Sextas-feiras são dias de penitência e católicos devem manter em mente o sofrimento de Cristo e sacrificar algo em prol da penitência e disciplina. A Igreja pede que se abstenha de carne ou que substitua por um outro sacrifício ou ato de caridade.

Sábados, tradicionalmente, os católicos vão à Confissão em preparação para receber a Eucaristia no Domingo. Alguns católicos possuem o hábito de ir à confissão aos sábados outros preferem ir no Domingo antes da Santa Missa (quando oferecido).

Domingos, naturalmente, é o "Dia do Senhor". Neste dia nós cumprimos o Terceiro Mandamento de Deus.  "Lembrar o dia e para santificá-lo." E dever abster-se de trabalho servil desnecessário e cumprir o preceito de assistir Missa. É bom lembrar que o Domingo é o dia de "Festa primordial" por ser celebrado o Mistério Pascal.

Dia da semana                   Dedicado a: 
Domingo                         Ressurreição de Cristo - Santíssima Trindade
Segunda-feira                  Espírito Santo - Almas do Purgatório
Terça-feira                      Santos - Anjos
Quarta-feira                    São José
Quinta-feira                    O Santíssimo Sacramento
Sexta-feira                      Paixão de Cristo - Sagrado Coração de Jesus
Sábado                           Nossa Senhora - Imaculado Coração de Maria

Mês                               Dedicado a: 
Janeiro                          Santo Nome de Jesus e Infância de Jesus
Fevereiro                      A Sagrada Família
Março                          São José
Abril                             Santíssimo Sacramento
Maio                            Santíssima Virgem Maria
Junho                           Sagrado Coração de Jesus
Julho                            Preciosíssimo Sangue de Jesus
Agosto                         Imaculado Coração de Maria
Setembro                     As sete dores de Maria
Outubro                       Santo Rosário (menos formal -Santos Anjos)
Novembro                   Almas do Purgatório
Dezembro                    Imaculada Conceição

Notas:
- Terça-feira também é dia para homenagear a Santa Face e, não oficialmente, em honra à Santo Antônio de Pádua. Na terça-feira depois da morte de Santo Antônio, no dia em que seu cortejo fúnebre levava o seu corpo para a igreja, muitos milagres aconteceram. Alguns católicos rezam uma novena a Santo Antônio neste dia ou por nove terças-feiras consecutivas ou perpetuamente.

- Às quartas-feiras, muitos católicos fazem uma especial devoção a São José, indo à missa na primeira quarta-feira do mês durante sete meses consecutivos e oferecendo a Comunhão em sua honra e salvação daqueles que estão a beira da morte. O sete meses relembra as sete agonias e as sete alegrias de São José.

- Às quintas-feiras, muitos católicos fazem "Hora Santa", ou seja, eles dispensam uma hora de adoração do Santíssimo Sacramento como um aspecto da devoção ao Sagrado Coração de Jesus.

- Às sextas-feiras, é costume fazer o que é conhecido como a "Devoção das Primeiras Sextas-feiras", em honra ao Sagrado Coração de Jesus. Isto implica ir à missa e receber a Comunhão para reparação ao Sagrado Coração de Jesus na primeira sexta-feira do mês durante nove meses consecutivos.

- Aos sábados, é costume fazer o que é chamado de "Devoção dos Primeiros Sábados", que implica em ir à missa, receber a Comunhão no primeiro sábado do mês e meditar nos mistérios do Rosário durante cinco meses consecutivos em reparação ao Imaculado Coração de Maria. Pedido de Nossa Senhora de Fátima.

Fonte: http://www.fisheaters.com/

29 março 2013

Sexta-feira da Paixão


Significado:

A Sexta-feira da Paixão, dia da Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, é o único dia em que não há Santa Missa no calendário cristão. Os fiéis são convidados a refletir o sacrifício do Senhor – que foi morto por causa de nossos pecados. Silêncio, jejum e oração marcam este dia, em que a Igreja lembra a paixão e morte de Jesus.

A Celebração:

Divide-se em três partes: a proclamação da Palavra de Deus, apresentação e adoração da cruz e a comunhão. A Comunhão na Sexta-feira Santa foi introduzida com a reforma litúrgica de Pio XII, em 1955. No mais, conservou a maior parte dos costumes anteriores.

Mais tarde, com o Concílio Vaticano II aconteceram profundas modificações na liturgia. A celebração já fora fixada para a parte da tarde (na hora em que se acredita que Jesus tenha morrido). Havia também a possibilidade de se fazer a liturgia da Palavra na parte da manhã, deixando para tarde a veneração da cruz e a comunhão. Os motivos pastorais, no entanto, exigiram que se fizesse uma só cerimônia, para não obrigar as pessoas a reunirem-se duas vezes no mesmo dia.

A Liturgia da Palavra:

Tem um dos elementos mais antigos da Sexta-feira Santa, que é a grande Oração Universal, com dez intenções que procuram abranger todas as necessidades e todas as realidades da humanidade.

15 fevereiro 2013

40 dias e 40 noites com Jesus Cristo: Quaresma



Quaresma é o período de 40 dias de penitência que precedem a festa da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Como 40 dias se, contando, medeiam 46 entre a Quarta-feira de Cinzas e a Páscoa? Simplesmente porque os domingos não podem ser dias de penitência, de modo que são excluídos da contagem. Cada domingo é uma pequena Páscoa, “dia em que, por tradição apostólica, celebra-se o mistério pascal” (cânon 1.246 do Código de Direito Canônico), devendo ser evitada qualquer atitude que exprima tristeza. Assim, descontados os domingos entre a Quarta-feira de Cinzas e a Páscoa da Ressurreição medeiam 40 dias.

Segundo São Roberto Belarmino e Cornélio a Lápide, foram os próprios apóstolos quem instituíram a Quaresma, para nos prepararmos dignamente a fim de celebrar a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, a máxima festa do Cristianismo.

Os 40 dias da observância quaresmal são carregados de simbolismo. 40 dias e 40 noites Nosso Senhor passou em rigoroso jejum no deserto (cf. Mt 4,1-2; Mc 1,12-13; Lc 4,1-2). Também por 40 anos o povo de Israel errou pelo deserto, antes de entrar na Terra Prometida (cf. Dt 8,2). 40 é o número das virtudes cardeais (quatro: castidade, paciência, justiça e prudência) e dos evangelistas, multiplicado pelo número dos Dez Mandamentos. A Quaresma é, finalmente, um grande símbolo de nossa vida terrena que, no fim das contas, não passa de uma preparação para a nossa própria Páscoa – «Memento, homo, quia pulvis es, et in pulverem reverteris» (Gn 3,19): "Lembra-te, homem, que és pó, e em pó te hás de tornar".

Assim, a Quaresma é um tempo favorável à prática penitencial da Igreja. Conforme ensina o Catecismo da Igreja Católica (CIC), «esses tempos são particularmente apropriados aos exercícios espirituais, às liturgias penitenciais, às peregrinações em sinal de penitência, às privações voluntárias como o jejum e à esmola, à partilha fraterna (obras de caridade e missionárias)» (CIC, número 1.438). É um tempo de renascimento espiritual e de renovação na fé, no qual se pede aos fiéis maior interesse pelas coisas divinas, uma frequência mais assídua à Santa Missa e aos ofícios litúrgicos, maior correção nas próprias ações e um treinamento no controle de suas próprias paixões e sentimentos.

Lamentavelmente, hoje em dia a palavra “penitência” provoca mal-estar em muita gente. Entretanto, se consultarmos os Evangelhos, veremos que Jesus começou a Sua pregação nos exortando à penitência: «Poenitentiam agite: appropinquavit enim Regnum caelorum» (Mt 4,17) – “Fazei penitência, porque está próximo o Reino dos céus”. Rejeitar a penitência é rejeitar a pregação de Cristo desde o princípio.

A palavra “penitência” significa simultaneamente duas coisas que, embora distintas, estão indissociavelmente ligadas: uma virtude e um sacramento, a virtude da penitência e o sacramento da penitência. Sobre o sacramento da penitência e reconciliação, falaremos em outra oportunidade, se assim Deus o quiser. Pretendemos, hoje, dizer algumas palavras sobre a penitência como virtude, ilustrando o significado do tempo quaresmal.

Quando se fala de penitência, as pessoas logo imaginam práticas exteriores ou pior: coisas como autoflagelação, numa visão totalmente distorcida. Na verdade, a essência da penitência é interior e não se confunde com práticas exteriores como o jejum, a esmola e a mortificação. As práticas exteriores pouco ou nada valem sem a penitência interior. «Rasgai os vossos corações e não os vossos vestidos, convertei-vos ao Senhor vosso Deus, porque Ele é benigno e compassivo» (Jl 2,13). Tampouco a virtude da penitência pode ser confundida com um desejo mórbido de infligir sofrimento a si mesmo. 

A virtude da penitência é uma disposição moral que inclina o pecador a destruir e reparar os seus próprios pecados por constituírem ofensas a Deus. A penitência é uma dor espiritual, interior: é o sofrimento por haver pecado. É um querer não ter pecado, é um querer não ter querido o mal que se quis no passado. O pecado é um ato da vontade humana e só pode ser destruído por um novo ato da vontade que o revogue. É por isso que a virtude da penitência está indissociavelmente ligado ao sacramento de mesmo nome: a validade deste depende da sinceridade daquele. Mas não basta o arrependimento.

A virtude da penitência exige também o propósito de reparar o mal cometido e de não mais tornar a pecar no futuro. Assim, a penitência se projeta nos sentidos do tempo: para o passado, o arrependimento; para o presente, a reparação; e para o futuro, o propósito de emenda. Os hereges protestantes pregam que não é necessário aos que se arrependem reparar o mal que fizeram no passado de sua vida. O fulano mata, rouba, estupra e acha que basta “aceitar Jesus” para ficar com a "ficha limpa". Por isso os protestantes escarnecem da necessidade de penitência. Ora, isso é uma distorção do Evangelho, pois é preciso reparar: quem roubava, deve restituir o que roubou; quem professava publicamente uma falsa doutrina, deve também se retratar em público. 

Tenhamos todos, então, uma boa e santa Quaresma. «Desde então começou Jesus a pregar e a dizer: “Fazei penitência, porque está próximo o Reino dos céus”» (Mt 4,17). E se está próximo, é porque não está distante: «O Senhor está perto de toda pessoa que o invoca» (Sl 144,18). 

Rodrigo R. Pedroso
Fonte:http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?id=&e=13072

02 abril 2012

Significados da Semana Santa


Domingo de Ramos

Jesus é recebido em Jerusalém como um rei, mas os mesmos que o receberam com festa o condenaram à morte. Jesus é recebido com ramos de palmeiras. Nesse dia, são comuns procissões em que os fiéis levam consigo ramos de oliveira ou palmeira, o que originou o nome da celebração. Segundo os evangelhos, Jesus foi para Jerusalém para celebrar a Páscoa Judaica com os discípulos e entrou na cidade como um rei, mas sentado num jumentinho - o símbolo da humildade - e foi aclamado pela população como o Messias, o rei de Israel. A multidão o aclamava: "Hosana ao Filho de Davi!" Isto aconteceu alguns dias antes da sua Paixão, Morte e Ressurreição. A Páscoa Cristã celebra então a Ressurreição de Jesus Cristo.

Segunda-Feira Santa

É o segundo dia da Semana Santa, cujo começo tem lugar no Domingo de Ramos, e durante a qual os cristãos comemoram a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus.
Em alguns lugares é conhecida como segunda - feira de trevas. Nesse dia realiza-se a o ofício de trevas.

Terça-Feira Santa

É o terceiro dia da Semana Santa, onde são celebradas as Sete dores de Nossa Senhora Virgem Maria. E muito comum também por ser o dia de penitência no qual os cristãos cumprem promessas de vários tipos.

Quarta-Feira Santa

É o quarto dia da Semana Santa. Em algumas igrejas celebra-se neste dia a piedosa procissão do encontro de Nosso Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores. Ainda há igrejas que neste dia celebram o Ofício das Trevas, lembrando que o mundo já está em trevas devido à proximidade da Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Quinta-Feira da Ceia

É o quinto dia da Semana Santa e na manhã deste dia, nas catedrais das dioceses, o bispo se reúne com o seu clero para celebrar a Celebração do Crisma, na qual são abençoados os óleos que serão usados na administração dos sacramentos do Batismo, Crisma e Unção dos Enfermos. Com essa celebração se encerra a Quaresma.
Neste mesmo dia, à noite, são relembrados os três gestos de Jesus durante a Última Ceia: a Instituição da Eucaristia, o exemplo do Lava-pés com a instituição do mandamento novo e a instituição do sacerdócio. É neste momento que Judas Iscariotes sai para entregar Jesus por trinta moedas de prata. E é nesta noite em que Jesus é preso, interrogado e, no amanhecer da sexta-feira, açoitado e condenado.
A igreja fica em vigília ao Santíssimo, relembrando os sofrimentos de Jesus, que tiveram início nesta noite. A igreja já se reveste de luto e tristeza, desnudando os altares (quando são retirados todos os enfeites, toalhas, flores e velas), tudo para simbolizar que Jesus já está preso e consciente do que vai acontecer. Também se cobrem todas as imagens existentes no templo.

Sexta-Feira Santa ou Sexta-Feira da Paixão

É quando a Igreja recorda a Morte do Salvador. É celebrada a Solene Ação Litúrgica, Paixão e Adoração da Cruz. A recordação da morte do Senhor consiste em quatro momentos: A Liturgia da Palavra, Oração Universal, Adoração da Cruz e Rito da Comunhão. Presidida por presbítero ou bispo, os paramentos para a celebração são de cor vermelha.
Sábado Santo ou Sábado de Aleluia
É o dia da espera. Os cristãos junto ao sepulcro de Jesus aguardam sua ressurreição. No final deste dia é celebrada a Solene Vigília Pascal, a mãe de todas as vigílias, como disse Santo Agostinho, que se inicia com a Bênção do Fogo Novo e também do Círio Pascal; proclama-se a Páscoa através do canto do Exultet e faz-se a leitura de 8 passagens da Bíblia (4 leituras e 4 salmos) percorrendo-se toda história da salvação, desde Adão até o relato dos primeiros cristãos. Entoa-se o Glória e o Aleluia, que foram omitidos durante todo o período quaresmal. Há também o batismo daqueles adultos que se prepararam durante toda a quaresma. A celebração se encerra com a Liturgia Eucarística, o ápice de todas as Missas.


Domingo de Páscoa

Páscoa significa a passagem da “morte para a vida”, das “trevas para a luz”. A Páscoa é a festa mais importante para a Igreja Católica, pois nela se celebra o mistério da salvação. Onde os cristãos celebram a ressurreição, após a morte e crucificação, de Jesus Cristo.

Muito antes de ser considerada a festa da ressurreição de Cristo, a Páscoa anunciava o fim do inverno e a chegada da primavera. A palavra "Páscoa" – do hebreu "peschad"– significa "passagem". Sempre representou a passagem de um tempo de trevas para outro de luzes, isso muito antes de ser considerada uma das principais festas da cristandade.

A Páscoa cristã celebra a ressurreição de Jesus Cristo, que de acordo com a Bíblia ocorreu três dias após a Sua crucificação. É comum em todas as Igrejas cristãs, o domingo ser um dia destinado à comemoração da ressurreição de Cristo, realizada pela Eucaristia, contudo, o Domingo de Páscoa é diferenciado dos outros, neste é celebrado o aniversário da ressurreição de Cristo, a festa da vida.

Essa festa faz referência à última Ceia de Jesus com os discípulos, Sua prisão, julgamento, condenação, crucificação e ressurreição. A celebração inicia-se no Domingo de Ramos e termina no Domingo de Páscoa, período compreendido como Semana Santa. É uma das festas mais antigas existentes, e a principal festa do ano litúrgico cristão.

Símbolos da Páscoa

As luzes, velas e fogueiras são uma marca das celebrações pascais. Em certos países, os católicos apagam todas as luzes de suas igrejas na Sexta-feira da Paixão. Na véspera da Páscoa, fazem um novo fogo para acender o principal círio pascal e o utilizam para reacender todas as velas da igreja. Então acendem suas próprias velas no grande círio pascal e as levam para casa a fim de utilizá-las em ocasiões especiais. O círio é a grande vela acesa na Aleluia, simbolizando a luz dos povos, em Cristo. Alfa e Ômega nela gravadas querem dizer: "Deus é o princípio e o fim de tudo". Ainda temos como símbolos:

Cordeiro - que simboliza Cristo, sacrificado em favor do seu rebanho;

Cruz - que mistifica todo o significado da Páscoa, na ressurreição e também no sofrimento de Cristo;

Pão e Vinho - simbolizando a vida eterna, o corpo e o sangue de Jesus, oferecido aos seus discípulos.


Significado dos ovos de Páscoa

O ovo representa nascimento e vida. Presentear pessoas com ovos é um costume de épocas remotas. Porém, os ovos (de verdade) foram substituídos por ovos de chocolate.

As origens exatas do ovo de chocolate são incertas. Alguns associam à proibição da ingestão de alimentos de origem animal no período da quaresma, havendo sua substituição pelo chocolate e outros acreditam que está ligado ao surgimento e crescimento da própria indústria de chocolate no século XIX. Atualmente, presentear com ovos de chocolate na páscoa já faz parte das tradições comemorativas de vários povos pelo mundo nesse período.

O que não se pode esquecer é que mais do que as toneladas de chocolate, o centro de nossa fé será sempre Cristo que morreu e ressuscitou para nos mostrar que o Reino de Deus pregado por Ele está presente e vivo entre nós. Esse sim é o verdadeiro sentido da páscoa.


30 março 2012

Domingo de Ramos



Evangelho: (Mc 11,1-10)


O Domingo de Ramos é o dia que nos introduz na Semana da Paixão do Senhor. A Liturgia  deste dia   nos oferece dois evangelhos de Marcos; um para a bênção dos ramos e outro para a Liturgia da Palavra. Para nossa meditação, vamos nos ater ao evangelho da bênção dos ramos (Mc 11,1-10) que relata a entrada triunfal de Jesus em Belém.

Ao entrar em Jerusalém, Jesus é aclamado Rei. No entanto, Jesus é um Rei diferente. Ao contrário dos outros reis que andavam em carros de guerra, Jesus é um Rei manso, humilde e pacífico.

Um Rei capaz de lavar os pés de seus súditos, sem perder sua majestade. Jesus faz justiça devolvendo vida ao povo. E o povo o reconhece como seu Rei, seu Salvador. Por isso, estende seus mantos à sua passagem.

Certamente, enquanto o povo gritava Hosana! “Salva-nos!” os poderosos ficaram preocupados e agitados. A presença de Jesus sempre preocupa e é uma ameaça para aqueles que vivem às custas do suor do povo. A simples presença de Jesus já é um bom motivo para sonharmos com a liberdade.

A Campanha da Fraternidade deste ano nos impulsiona a lutar incansavelmente para que a saúde se difunda sobre a terra. O direito à saúde não pode ser negado a ninguém e, muito menos, deve ser privilégio dos mais abastados.

Como sempre, a Campanha da Fraternidade aborda um tema atual e está em sintonia com os planos de Deus. Jesus sempre pregou igualdade, fraternidade, justiça e deixou transparecer sua grande preocupação para com os doentes. Jesus nos convida a segui-lo e por em prática suas Palavras quer ver-nos próximos do doente, do pobre e do marginalizado.

No entanto, as atividades libertadoras realizadas por Jesus, desafiam o poder opressor. A vinda do Rei-pobre exige muito de seus seguidores. Exige uma definição, ou o recusamos ou o aceitamos, não existe meio termo. Esse é o grande desafio para o cristão. Ficar com o verdadeiro ou com o falso. Ficar com o antigo ou aceitar a Nova Aliança.

Para ficar do lado de Jesus é preciso abrir mão do poder e assumir o serviço. É uma decisão difícil, que nos coloca numa posição incômoda. Não é fácil aceitar o convite do Salvador. Sua proposta de mudança é radical. Se trouxermos para os nossos dias, significa abrir mão dos grandes lucros e pensar com mais seriedade nos idosos, doentes, aposentados e desempregados.

O Rei é justo e exige preocupação com os dependentes químicos, com os enfermos e com os preços abusivos dos remédios. São mudanças que exigem desprendimento e renúncia; exigem solidariedade e amor ao próximo.

Paz é muito mais do que ausência de guerra. Por tudo isso, temos que ser fortes e assumir de verdade, para não permitir que se repita a mesma cena de dois mil anos atrás. É bom lembrar que os mesmos que exaltaram Jesus, também o condenaram. Exaltar Jesus é aderir ao seu Projeto.

Aderir ao Cristo significa mudar. Quem não muda e não assume o compromisso batismal, é como aquele que hoje estende o seu manto e grita “Hosanas!” e que, em menos de uma semana depois, se posiciona no meio da multidão para gritar: “Crucifica-o! Crucifica-o!”

Jesus espera ouvir-nos gritando Hosanas e apresentando-o ao mundo! Todos precisam conhecer o Verdadeiro Rei, conhecer a Boa Nova da sua presença entre nós. É hora de reconhecer o Rei na pessoa dos pequenos e sofredores. Jesus nos convoca a fazer parte de seu exército na luta contra os que fazem da morte o seu meio de vida.

O convite está feito. Recusar ou aceitá-lo é uma questão de livre escolha.

16 março 2012

Quaresma, tempo de conversão

A liturgia da Igreja é a celebração dos acontecimentos salvíficos do Cristianismo mais importantes, celebrados através de um rito anual. O Filósofo dinamarquês SörenKierkegaard disse certa vez “ou somos contemporâneos de Jesus ou é melhor deixar isso”. Celebrando fielmente os passos do Ano Litúrgico é acompanhar a vida de Jesus, é ser contemporâneo Dele. (Pergunta de número 185 do YouCat)

Imagine que um dia, a sua vida, desde seu nascimento, até sua morte, passando pelo seu casamento, por outras datas mais importantes, sejam divididos e a partir desde momento, sua família passa a lembrar de você. Em janeiro lembram-se do seu nascimento, em abril do seu casamento, em junho do nascimento do seu filho e aí por diante.
Esta sobreposição da vida de Jesus Cristo, em um calendário anual, é chamada do Ano Litúrgico. Este ano para a Igreja começa no Advento, com a espera do Senhor, tendo seu ponto alto no Natal. Outro ponto alto do Ano Litúrgico na celebração da Paixão, Morte e Ressureição, na Páscoa. E o tempo Pascal é finalizado com o Pentecostes, a descida do Espirito Santo sobre a Igreja. (Pergunta de número 186 do YouCat)

A Igreja se une anualmente a Cristo, durante os quarenta dias da grande Quaresma, ao mistério da tentação de Jesus no deserto. Os fortes dias da prática penitencial durante a Quaresma são em memória da morte do Senhor. São tempos particularmente apropriados à prática de exercícios espirituais, às liturgias penitenciais, às peregrinações em sinal de penitência, às privações voluntárias como o jejum e a esmola, à partilha fraterna, especialmente através de obras de caridade e missionarias. (Conforme números 540 e 1438 do Catecismo da Igreja Católica).
As Sagradas Escrituras e os padres insistem na penitência durante a quaresma especialmente de três formas: o jejum, a oração e a esmola, que representam a conversão em relação a si mesmo, a Deus e aos outros.

Desta forma, somos convidados a praticar o jejum, intensificarmos nossa oração pessoal, além de praticar a esmola, que pode ser traduzida não somente como o dinheiro, mas a preocupação, a atenção àqueles que mais necessitam.

Vivamos bem este tempo quaresmal proposto pela Igreja, assim como o caminho de dor da Paixão e Morte de Jesus Cristo, culminando na alegria da Vida Nova com o Ressuscitado.


Guilherme Pontes 
@semguipontes
Graduando em Filosofia e Seminarista da Arquidiocese de Florianópolis.
http://www.catecismojovem.com.br/ 

Fonte Site: http://www.sentinelasemsc.com.br/2012/02/quaresma-tempo-de-conversao.html

28 novembro 2011

INICIOU-SE ONTEM O ANO LITÚRGICO COM O INICIO DO ADVENTO



Latim ad-veniochegar.
Conforme o uso atual [1910], o Advento é um tempo litúrgico que começa no Domingo mais próximo à festa de Santo André Apóstolo (30 de Novembro) e abarca quatro Domingos. O primeiro Domingo pode ser adiantado até 27 de Novembro, e então o Advento tem vinte e oito dias, ou atrasar-se até o dia 3 de Dezembro, tendo somente vinte e um dias.
Com o Advento começa o ano eclesiástico nas Igrejas ocidentais. Durante este tempo, os fiéis são exortados a se prepararam dignamente para celebrar o aniversário da vinda do Senhor ao mundo como a encarnação do Deus de amor, de maneira que suas almas sejam moradas adequadas ao Redentor que vem através da Sagrada Comunhão e da graça, e em conseqüência estejam preparadas para sua vinda final como juiz, na morte e no fim do mundo.
Simbolismo
A Igreja prepara a Liturgia neste tempo para alcançar este fim. Na oração oficial, o Breviário, no Invitatório das Matinas, chama a seus ministros a adorar “ao Rei que vem, ao Senhor que se aproxima”, “ao Senhor que está próximo”, “ao que amanhã contemplareis sua glória”. Como Primeira Leitura do Ofício de Leitura introduz capítulos do profeta Isaías, que falam em termos depreciativos da gratidão da casa de Israel, o filho escolhido que abandonou e esqueceu seu Pai; que anunciam o Varão de Dores ferido pelos pecados de seu povo; que descrevem fielmente a paixão e morte do Redentor que vem e sua glória final; que anunciam a congregação dos Gentis em torno ao Monte Santo. As Segundas Leituras do Ofício de Leitura em três Domingos são tomadas da oitava homilia do Papa São Leão (440-461) sobre o jejum e a esmola, como preparação para a vinda do Senhor, e em um dos Domingos (o segundo) do comentário de São Jerônimo sobre Isaías 11,1, cujo texto ele interpreta referido a Santa Maria Virgem como “a renovação do tronco de Jessé”. Nos hinos do tempo encontramos louvores à vinda de Cristo como Redentor, o Criador do universo, combinados com súplicas ao juiz do mundo que vem para proteger-nos do inimigo. Similares idéias são expressadas nos últimos sete dias anteriores à Vigília de Natal nas antífonas do Magnificat. Nelas, a Igreja pede à Sabedoria Divina que nos mostre o caminho da salvação; à Chave de Davi que nos livre do cativeiro; ao Sol que nasce do alto que venha a iluminar nossas trevas e sombras de morte etc. Nas Missas é mostrada a intenção da Igreja na escolha das Epístolas e Evangelhos. Nas Epístolas é exortado ao fiel que, dada a proximidade do Redentor, deixe as atividades das trevas e se vista com as armas da luz; que se conduza como em pleno dia, com dignidade, e vestido do Senhor Jesus Cristo; mostra como as nações são chamadas a louvar o nome do Senhor; convida a estar alegres na proximidade do Senhor, de maneira que a paz de Deus, que ultrapassa todo juízo, custodie os corações e pensamentos em Cristo Jesus; exorte a não julgar, a deixar que venha o Senhor, que manifestará os segredos escondidos nos corações. Nos Evangelhos, a Igreja fala do Senhor, que vem em sua glória; dAquele no qual e através do qual as profecias são cumpridas; do Guia Eterno em meio aos Judeus; da voz no deserto, “Preparai o caminho do Senhor”. A Igreja em sua Liturgia nos devolve no espírito ao tempo anterior à encarnação do Filho de Deus, como se ainda não tivesse ocorrido. O Cardeal Wisemandisse:
Estamos não somente exortados a tirar proveito do bendito acontecimento, como também a suspirar diariamente como nossos antigos pais, “Gotejai, ó céus, lá do alto, derramem as nuvens a justiça, abra-se a terra e brote a salvação”. As Coletas nos três dos quatro Domingos deste tempo começam com as palavras, “Senhor, mostra teu poder e vem” – como se o temor a nossas iniqüidades previsse seu nascimento.
Duração e Ritual
Todos os dias de Advento devem ser celebrados no Ofício e Missa do Domingo ou Festa correspondente, ou ao menos deve ser feita uma Comemoração dos mesmos, independentemente do grau da festa celebrada. No Ofício Divino o Te Deum, jubiloso hino de louvor e ação de graças, se omite; na Missa o Glória in excelsis não se diz. O Alleluia, entretanto, se mantém. Durante este tempo não pode ser feita a solenização do matrimonio (Missa e Bênção Nupcial); incluindo na proibição a festa da Epifania. O celebrante e os ministros consagrados usam vestes violeta. O diácono e subdiácono na Missa, no lugar das túnicas usadas normalmente, levam casulas com pregas. O subdiácono a tira durante a leitura da Epístola, e o diácono a muda por outra, ou por uma estola mais larga, posta sobre o ombro esquerdo entre o canto do Evangelho e a Comunhão. Faz-se uma exceção no terceiro Domingo (Domingo Gaudete), no qual as vestes podem ser rosa, ou de um violeta enriquecido; os ministros consagrados podem neste Domingo vestir túnicas, que também podem ser usadas na Vigília do Natal, ainda que fosse no quarto Domingo de Advento. O Papa Inocêncio III (1198-1216) estabeleceu o negro como a cor a ser usada durante o Advento, mas o violeta já estava em uso ao final do século treze. Binterim diz que havia também uma lei pela qual as pinturas deviam ser cobertas durante o Advento. As flores e as relíquias de Santos não deviam ser colocadas sobre os altares durante o Ofício e as Missas deste tempo, exceto no terceiro Domingo; e a mesma proibição e exceção existia relacionada com o uso do órgão. A idéia popular de que as quatro semanas de Advento simbolizam os quatro mil anos de trevas nas quais o mundo estava envolvido antes da vinda de Cristo não encontra confirmação na Liturgia.
Origem Histórica
Não pode ser determinada com exatidão quando foi pela primeira vez introduzida na Igreja a celebração do Advento. A preparação para a festa de Natal não deve ser anterior à existência da própria festa, e desta não encontramos evidência antes do final do século quarto quando, de acordo com Duchesne [Christian Worship (London, 1904), 260], era celebrada em toda a Igreja, por alguns no dia 25 de Dezembro, por outros em 6 de Janeiro. De tal preparação lemos nas Atas de um sínodo de Zaragoza em 380, cujo quarto cânon prescreve que desde dezessete de Dezembro até a festa da Epifania ninguém devesse permitir a ausência da igreja. Temos duas homilias de São Máximo, Bispo de Turim (415-466), intituladas “In Adventu Domini”, mas não fazem referência a nenhum tempo especial. O título pode ser a adição de um copista. Existem algumas homilias, provavelmente a maior parte de São Cesáreo, Bispo de Arles (502-542), nas quais encontramos menção de uma preparação antes do Natal; todavia, a julgar pelo contexto, não parece que exista nenhuma lei geral sobre a matéria. Um sínodo desenvolvido (581) em Macon, na Gália, em seu nono cânon, ordena que desde o dia onze de Novembro até o Natal o Sacrifício seja oferecido de acordo ao rito Quaresmal nas Segundas, Quartas e Sextas-feiras da semana. O Sacramentário Gelasiano anota cinco domingos para o tempo; estes cinco eram reduzidos a quatro pelo Papa São Gregório VII (1073-85). A coleção de homilias de São Gregório o Grande (590-604) começa com um sermão para o segundo Domingo de Advento. No ano 650, o Advento era celebrado na Espanha com cinco Domingos. Vários sínodos fizeram cânones sobre os jejuns a observar durante este tempo, alguns começavam no dia onze de Novembro, outros no quinze, e outros com o equinócio de outono. Outros sínodos proibiam a celebração do matrimônio. Na Igreja Grega não encontramos documentos sobre a observância do Advento até o século oitavo. São Teodoro o Estudita (m. 826), que falou das festas e jejuns celebrados comumente pelos Gregos, não faz menção deste tempo. No século oitavo encontramos que, desde o dia 15 de Novembro até o Natal, é observado não como uma celebração litúrgica, mas como um tempo de jejum e abstinência que, de acordo com Goar, foi posteriormente reduzido a sete dias. Mas um concílio dos Rutenianos (1720) ordenava o jejum de acordo com a velha regra desde o quinze de Novembro. Esta é a regra ao menos para alguns dos Gregos. De maneira similar, os ritos Ambrosiano e Moçárabe não têm liturgia especial para o Advento, mas somente o jejum.
FONTE: http://www.acidigital.com/fiestas/advento/advento.htm
RELACINADOS:

"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12
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