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06 abril 2021

A abissal diferença civilizacional entre a pandemia de 1918 e a de 2020/2021

 A Irmã Lúcia narra nas suas Memórias como foi a pandemia de 1918, a pneumônica ou gripe espanhola. A leitura dessa descrição mostra-nos a diferença civilizacional que existe quando vemos a reação do mundo à pandemia de C0V1D-19 ou vírus chinês. Comecemos pelo excerto das Memórias:


«A epidemia (pneumónica, de 1918) atingiu quase toda a gente. A mãe e minha irmã Glória andavam de casa em casa a tratar os doentes. Um dia, o ti Marto foi avisar o meu pai de que não deixasse a mãe nem as filhas andar por casa dos doentes a tratá-los, porque era uma epidemia que contagiava e podíamos, também nós, ficar doentes.


À noite, o pai, ao chegar a casa, proibiu a mãe e as filhas de irem às casas dos doentes para tratá-los. A mãe escutou, em silêncio, tudo o que o pai disse e depois respondeu:


– Olha, tu tens razão. É mesmo assim como tu dizes. Mas, olha lá, como podemos nós deixar morrer aquela gente, sem ter(em) quem lhe(s) chegue um copo de água? O melhor seria que viesses tu comigo e vias como as pessoas estão e se nós podemos deixá-los assim abandonados. E, apontando para uma grande panela que tinha pendurada na corrente da chaminé, sobre o braseiro da lareira, disse:


– Vês esta panela? Está cheia de galinhas. Algumas nem são nossas; trouxe-as de casa dos doentes, que as nossas não chegavam para tudo. Está a ferver, para fazer caldos, e já tenho aí as panelinhas que trouxe das suas casas, para lhos levar. Se tu quisesses vir comigo, ajudavas-me a levar as cestas com as panelas dos caldos e, ao mesmo tempo, vias e resolvíamos como se há de fazer.


O pai aceitou. Encheram as panelas de caldo e lá foram os dois, cada um com duas cestas, uma em cada mão. Daí a pouco, volta o pai com um bebé num bercinho e disse para a minha irmã Glória e para mim:


– Tomai conta deste menino. Os pais estão os dois de cama, com febre, e não podem olhar por ele.

Voltou a sair e, daí a pouco, regressou com mais duas crianças que já andavam, mas ainda não podiam valer-se, e disse:


– Tomai conta de mais estas duas, que não fazem senão chorar, à volta da cama dos pais, e eles estão com febre e não podem atendê-las.


E assim trouxe mais. Não me lembro quantas. No dia seguinte, vieram dizer que também em casa da tia Olímpia, estavam todos de cama com febre. Os meus pais lá foram também tratá-los. Aí, na ocasião, melhoraram todos, mas quatro ficaram sempre com algumas décimas de febre que os foram minando e, um após outro, em poucos anos, morreram quatro: o Francisco, a Jacinta, a Florinda e a Teresa.


Nesses dias, os meus pais não fizeram outra coisa mais que andar de casa em casa, a tratar dos doentes. O pai com o meu irmão Manuel tratavam também dos animais que estavam nos currais a gritar com fome, e tiravam o leite para se dar aos doentes e às crianças. (...) Foi tão grande a necessidade, que meus pais não hesitaram em deixar-me ir focar, algumas noites, em casa de uma viúva que vivia só com um filho que estava tuberculoso no último grau, para que ela pudesse descansar, sabendo que tinha ali uma criança de 11 anos, que chegasse ao filho um copo de água ou uma tigelinha de caldo, ou a chamasse, se ele precisasse de outa coisa. (...) Também advertiram o meu pai de que era temerário deixar-me ir a essa casa porque podia contagiar-me. O pai respondeu:


– Não há de Deus pagar-me com o mal o bem que eu faço por Ele!


E assim aconteceu! A confiança de meu pai não foi confundida, que tenho quase 82 anos e ainda não senti o mínimo de vestígio dessa doença!” (Memórias da Irmã Lúcia V, n.º 3, pp. 19-21)


O que vemos neste magnífico trecho? É muito simples: a Cristandade, isto é, a civilização cristã em ação exprimindo as suas virtudes: a caridade, amar o outro como a si mesmo, a heroicidade, a capacidade de sacrifício, a consciência de que estamos vivos e podemos morrer e de que morrer a fazer o bem é melhor do que viver covardemente encerrado em casa; e ainda, a confiança em Deus.


Um século volvido, temos a polícia a percorrer as estradas e altifalantes avisando: «Fique em casa»; e estamos proibidos «para nosso bem», naturalmente, de sair de casa, de ir trabalhar, de ir ajudar um vizinho, de ir ao hospital ver o nosso pai ou a nossa mãe pela última vez, ou de o ir buscar ao lar, ou de ir um funeral, etc., etc., etc..


Colocadas lado-a-lado, parecem duas civilizações diferentes. E são.


O que aconteceu, pois, entre as duas civilizações? Como chegámos a este ponto de extremo egoísmo e covardia? A resposta é simples: a Cristandade decaiu em Europa. Agora somos uma civilização sem esqueleto, sem dimensão vertical; em duas palavras: sem Deus.


Somos uma civilização que trocou as virtudes objectivas e universais, como as que enunciamos acima, por ‘valores’ subjetivos e individuais. E esta decadência civilizacional é incomparavelmente mais grave do que qualquer pandemia. Melhor dito: esta decadência civilizacional é muitíssimo mais contagiosa do que qualquer variante de C0V1D.


Pedro Sinde in Sol

Fonte: http://senzapagare.blogspot.com/2021/04/a-abissal-diferenca-civilizacional.html

17 junho 2018

Três coisas essenciais à salvação






«Três coisas são necessárias ao homem para a sua salvação:
A primeira é o conhecimento daquilo que se deve crer
a segunda, conhecer o que se deve desejar
a terceira, conhecer o que se deve realizar
O homem tem o primeiro desses conhecimentos no Símbolo dos Apóstolos (Credo); a Oração Dominical (Pai-nosso) o instrui sobre o que se deve desejar; e os dois preceitos da caridade e os dez mandamentos da lei mostram o que se deve pôr em prática».

S. Tomás de Aquino


Para um estudo profundo destes três itens, recomendo o Catecismo da Igreja Católica, pois todo ele é baseado nestes três pilares.

13 fevereiro 2018

Brava Quaresma





Irmãos, quero aqui fazer um convite aos homens nesta quaresma.
A equipe Bravus está com um plano quaresmal excelente para os homens viverem nesta quaresma de 2018. Acesse urgente o link abaixo e faça parte do grupo no facebook para viver este tempo forte de oração e penitência para nós, homens:




22 janeiro 2018

O que fazer quando somos tentados





"Jesus nos ensinou a enfrentar a tentação. Santo Agostinho disse que “Jesus poderia ter impedido o demônio de se aproximar dele; mas, se não fosse tentado, não te daria o exemplo de como vencer a tentação”.

Então, vamos examinar como Jesus venceu o Tentador. Antes de tudo Ele jejuou; o jejum fortalece a nossa vontade, faz com o que o nosso espírito comande o nosso corpo, e não nos deixa ser dominado pelas paixões. A Igreja recomenda que nas sextas-feiras o cristão faça um pouco de penitência. Pode ser rezar mais, cortar um pouco os alimentos, deixar uma diversão, fazer uma peregrinação a um santuário, participar da santa Missa; enfim, há muitas formas de fazer uma penitência.

Jesus orou no deserto; Ele estava acostumado a se retirar nas montanhas nas madrugadas para rezar. No horto das Oliveiras, quando os Apóstolos não conseguiram velar com Ele nem uma hora, naquele momento de sua angústia mortal, Ele lhes disse: “Vigiai e orai para não cair em tentação; o espírito é forte, mas a carne é fraca” (Mt 26,41). E Jesus lançou no rosto do demônio, por três vezes, a Palavra de Deus; e ele recuava, não pode resistir à força da Palavra de Deus. Ai está uma grande defesa nossa contra as tentações; recite o Salmo 90 e tantos outros.

É preciso rezar sempre; São Paulo recomenda “orai sem cessar” (1 Tes 5,16). Nosso espírito deve estar sempre em oração, conectado em Deus, mesmo durante o trabalho.

Reze sempre que não tiver nada para fazer: no ônibus, no volante do carro, no metrô, na fila do supermercado, na caminhada, na sala de espera do médico… Converse com Deus, espontaneamente, familiarmente; fale com Ele dos seus problemas, de suas fraquezas e tentações. Deus habita em nossa alma quando estamos em estado de graça. Muitas vezes nos esquecemos disso.

Na hora da tentação, reze mais ainda. Thomas de Kemphis, na “Imitação de Cristo”, recomenda “vencer a tentação no seu início”; não deixar o Tentador atravessar a porta da alma. Resistir no início, desvie do mau pensamento e das fantasias da imaginação, voltando a sua mente para Deus, de imediato. Não deixe que o prazer o domine, e nem os movimentos desordenados; e não consinta no mal com a vontade.

“Senhor ajudai-me e ajudai-me depressa!” Só essa oração bastará para nos fazer vencer os assaltos de todos os demônios do inferno, porque Deus é infinitamente mais forte do que todos eles (Sl 144,18)”, dizia Santo Afonso. Ele disse que: “Se a tentação é tão forte que nos vemos em grande perigo de consentir, é preciso redobrar o fervor na oração, recorrer ao Santíssimo Sacramento, ajoelhar-se diante de um crucifixo ou de Nossa Senhora e rezar com ardor, gemer e chorar pedindo ajuda”.

Santo Agostinho recomenda: “Fecha a porta para que não entre o tentador. Ele não deixa de chamar, mas se vê que a porta está fechada vai em frente. Só entra quando te esqueces de fechá-la ou não a fechas com segurança”.

São Paulo diz que “Deus é fiel” e nos socorre na hora da tentação. “Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus não permitirá que sejais tentados além de vossas forças, mas, com a tentação Ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela”. (1 Cor 10,13). Temos de confiar nisso e lutar. Acima de tudo é o amor a Jesus que deve ser nossa motivação principal para não ceder à tentação. Lembre-se Dele na cruz, padecendo por você, derramando Seu precioso sangue, para nos salvar.

Na hora da tentação, clame ao Senhor, peça a Sua ajuda. Santo Agostinho diz que “Adão caiu, porque não se recomendou a Deus na hora da tentação”.

É preciso também vigiar. As portas da alma são os nossos cinco sentidos, e são por eles que o Tentador penetra no coração. “O demônio não influência nem seduz ninguém se não encontra terreno propício. Quando o homem ambiciona uma coisa; sua concupiscência legitima as sugestões do demônio. Quando um homem teme algo, o medo abre uma brecha em sua alma pela qual se infiltram suas insinuações. Por essas duas portas, a concupiscência e o medo, o demônio se apodera do homem”, diz Santo Agostinho.

Então, é preciso expulsar a busca do prazer e o medo, com oração. O Salmista diz: “Apenas clamaram os justos o Senhor atendeu e os livrou de todas as suas angústias” (Sl 33,18). “Muitas são as provações do justo, mas de todas as livra o Senhor” (Sl 33,20).

Nas tentações é preciso ter paciência, confiança e abandono nas mãos de Deus. A tentação atinge muito o homem inconstante e que não se recomenda a Deus; pode ser comparado a um barco sem leme, que fica a deriva no meio das ondas do mar.

Mas o importante é também nunca desanimar; se houver uma queda, não ficar pisando na alma e se condenando; isso é refinado orgulho de quem não aceita a sua miséria. Temos que levantar, pedir perdão a Deus, e retomar a caminhada.

Não é porque somos tentados que perdemos a graça de Deus. Sentir não é pecado, mas sim consentir. Não são os maus pensamentos que fazem perder a Deus, mas sim os maus consentimentos. “Mesmo carregado de grandes e molestas tentações, o homem pode ir a Deus, desde que sua razão e vontade não consintam nelas”, disse São João da Cruz. Os santos sofreram muitas tentações, por isso podem nos ensinar.

São Francisco de Sales dizia: “Não vos aflijais com as tentações de blasfêmias. Deixai que o demônio as maquine à vontade, mas conservai bem fechadas as portas da alma, pois que lhe virá o cansaço ou será ele afinal, obrigado por Deus a levantar o cerco”.

O grande São Bernardo, doutor da Igreja, pregador do Papa, dizia: “Quem somos nós, ou qual é a nossa força para resistirmos a tantas tentações? Certamente era isso que Deus queria: que nós, vendo a nossa insuficiência e a falta de auxílio recorrêssemos com toda humildade à sua misericórdia. Quantas vezes vencemos as tentações, tantas vezes somos coroados”.

Prof. Felipe Aquino, aula 63 do Curso de Espiritualidade Católica da Escola da Fé Online



21 janeiro 2018

Os prejuízos espirituais dos pecados veniais





"O pecado venial deliberado e que fica sem arrependimento dispõe-nos pouco a pouco a cometer o pecado mortal.

A santa Mãe Igreja ensina que “aos olhos da fé, nenhum mal é mais grave que o pecado, e nada tem consequências piores para os próprios pecadores, para a Igreja e para o mundo inteiro”. (CIC, § 1488)

Sabemos que há pecados graves, que chamamos de “mortais”, porque matam a vida da graça em nossa alma, expulsam Deus do nosso coração, perde-se o “estado de graça”. É uma infração grave da lei de Deus; desvia o homem de Deus, que é seu fim último e sua bem-aventurança, preferindo um bem inferior. Fere principalmente os 10 Mandamentos, que são a base da Moral católica, conforme a resposta de Jesus ao jovem rico: "Não mates, não cometas adultério, não roubes, não levantes falso testemunho, não fraudes ninguém, honra teu pai e tua mãe" (Mc 10,19).

Para que um pecado, seja mortal são necessárias três condições ao mesmo tempo: "E pecado mortal todo pecado que tem como objeto uma matéria grave, e que é cometido com plena consciência e deliberadamente"(CIC, §1857). O pecado mortal requer pleno conhecimento e pleno consentimento. Pressupõe o conhecimento do caráter pecaminoso do ato, de sua oposição à lei de Deus. Mas a gravidade dos pecados é maior ou menor: um assassinato é mais grave que um roubo. A qualidade das pessoas lesadas é levada também em consideração. A violência contra os contra os pais é em mais grave que contra um estranho.

O Catecismo diz que “se o estado de graça não for recuperado mediante o arrependimento e o perdão de Deus, causa a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no inferno, já que nossa liberdade tem o poder de fazer opções para sempre, sem regresso”. (n.1861)

Há pecados menos graves, que não causam a perda do estado de graça, mas que são também muito prejudiciais à vida espiritual da pessoa. São os pecados veniais. "Não priva da graça santificante, da amizade com Deus, da caridade nem, por conseguinte, da bem-aventurança eterna" (Reconciliatio et Poenitentia,17). "Não priva da amizade com Deus, da caridade nem, por conseguinte, da bem-aventurança eterna" (CIC,§ 1863). Não chega a quebrar a aliança com Deus.

Comete-se um pecado venial quando não se observa, em matéria leve, a lei moral, ou então quando se desobedece à lei moral em matéria grave, mas sem pleno conhecimento ou sem pleno consentimento. Quando acontece uma falta, mas que não é contrário ao amor a Deus e ao próximo, tais pecados são veniais.

Mas a Igreja alerta-nos que o pecado venial enfraquece a caridade; mostra uma afeição desordenada pelos bens criados; impede o progresso da alma no exercício das virtudes e a prática do bem moral.

Santo Agostinho disse que: “O homem não pode, enquanto está na carne, evitar todos os pecados, pelo menos os pecados leves. Mas esses pecados que chamamos leves, não os consideras insignificantes: se os consideras insignificantes ao pesá-los, treme ao conta-los.

Um grande número de objetos leves faz uma grande massa; um grande número de gotas enche um rio; um grande número de grãos faz um montão. Qual é então nossa esperança? Antes de tudo, a confissão...” (Ep. João 1,6).

Podemos comparar o pecado venial àqueles matinhos que se juntam ao pé das plantas; não as matam, mas as impedem de se desenvolverem plenamente porque sugam a seiva da terra que deveria ser só da planta. É por isso que o bom agricultor tira frequentemente essas ervas daninhas, essas tiriricas, que crescem rapidamente e que têm raízes profundas. É fundamental que elas sejam retiradas com as raízes e não apenas cortadas, pois, é incrível a rapidez com que crescem. Diz um provérbio chinês que não é a erva daninha que mata a planta, mas a preguiça do lavrador.

Nossos pecados veniais são assim, como as tiriricas, pequenos, mas resistentes, e abundantes. São as palavras inconvenientes; as pequenas invejas, ciúmes, críticas, julgamentos leves, vaidades, pequenas iras, preguiças de fazer bem feito os trabalhos e orações, etc.. Os cometemos sem mesmo tomarmos conhecimento disso muitas vezes.

Esses pequenos vícios enraizados em nossa alma, sugam sua vitalidade espiritual, enfraquecem a prática da caridade, dificultam a prática das virtudes humanas (prudência, temperança, justiça), prejudicam a oração, o reto comportamento moral, e podem nos conduzir a pecados mortais.

Por isso, com a mesma frequência e cuidado com que o horticultor retira do canteiro das verduras as pequenas pragas, a cristão precisa estar atendo para dia a dia limpar o canteiro de sua alma desses pecados. Uma boa reflexão nos ajuda a descobrir quais são essas pragas que estão impedindo o nosso crescimento espiritual. E a Confissão é o bom remédio para eliminá-los.

Ao entrar na igreja, ao fazer o sinal da cruz com a água benta, peça a Deus o perdão desses pecados, a fim de participar dignamente do santo mistério da missa. O ato penitencial é outra maneira de se arrepender deles para poder participar fervorosamente da sagrada Eucaristia".

Prof. Felipe Aquino, aula 50 do Curso de Espiritualidade Católica



14 janeiro 2018

O grave cuidado com as vestes



Repasso aqui um excelente texto de um irmão, Marcelo Faria, que o publicou no facebook e pedi permissão para postar aqui:


"“Basta um olhar impuro para abrir as portas do inferno” (Santo Antão)

As mulheres, de um modo geral, parecem não mais se preocupar com a salvação dos homens. Claro, muitas são na ignorância, acham que o uso de uma calça jeans apertadíssima, um mini tudo (short, saia, vergonha), decotes escandalosos, não ofendem e nem causam mal algum. Mas o problema é que causa muito problema. Mesmo que um homem não chegue nem mesmo a te “xavecar” seduzido pela sua vestimenta, saiba que o homem te devora pelo pensamento. E aí está a porta do inferno aberta para este(s) homem(ens) que pecaram em seus corações. Acha exagero? O Senhor Jesus Cristo disse: “todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração.”(Mateus 5,28). E o pior é que se a mulher, mesmo sabendo que com suas vestes – ou falta de veste melhor dizendo – pode estar levando seus irmãos para o inferno, é tão orgulhosa de dizer “ah, pensou besteira porque quis, não tenho culpa, os tempos são outros, quem pensou besteira não fui eu”; tome cuidado, porque nosso Senhor Jesus Cristo disse à Santa Ângela de Foligno o seguinte: “Quando a morte te arrancar deste mundo, cheio de vaidades e luxos sem razão, e chegardes a Minha Presença para ser julgada... vendo os pecados que os homens cometeram ao olhar para o teu corpo escassamente coberto, tu própria ficarás envergonhada”. Que pretexto poderás então apresentar-Me? Ai de ti mulher pelos teus escândalos! Ai de ti que perdeste o pudor e a vergonha! Porque procedes assim? Porque me crucificas novamente com os cravos da tua imodéstia? Quando, de forma irrespeitosa, Me recebes na Comunhão, quanta amargura sinto ao entrar no teu corpo, que é motivo de tantos pecados nos homens e de mau exemplo para as poucas mulheres que tu, com desdém e desprezo, chamas “antiquadas”,!... Asseguro-te, que muitas destas “antiquadas” estão Comigo, enquanto muitas “modernas” sem pudor, como tu, estão “gozando” no inferno”. – Então, queridas irmãs, não é perseguição ou algo do tipo, mas é corrida ruma a salvação. Essas mensagens de Jesus à Santa Ângela são fortes, e veja que ela morreu em 1309. Imagine a imodéstia dela, que Jesus já repudiava tanto; compare com as vestimentas dos dias de hoje. Tanto mini, tanta imundície. Tem short que algumas mulheres usam que mais parece um cinto ou um tapa-sexo. Como acham que poderão se salvar e colaborar na salvação dos homens a sua volta?

Uma mulher má vestida, indecente, imoral, imodesta, ela atrai multidões a si. Mas não multidões de homens. Porque homens querem mulheres de verdade, que se vestem como mulheres. Uma mulher vulgar, quando se veste da forma descrita, ela está se jogando numa lavagem, “se veste de esterco”, e o que ela atrai não são homens de verdade, mas porcos. Só o que você atrai, mulher, que veste de forma vulgar, são porcos que querem se lambuzar na lama do pecado. Pergunte para qualquer homem sério, se ele gostaria de casar – matrimônio verdadeiramente – com uma funkeira, ou qualquer outra mulher vulgar. Repito: se ele queria casar, e não transar em uma noite qualquer. Porque isso, até eu quando era um porco já desejei.

O homem tem que se precaver de uma forma tremenda, é difícil, mas devemos lutar. A luta pela castidade é uma eterna fuga. Quem não fugir das ocasiões de pecado, perderá. É comum sair da confissão e ao sair da Igreja ver mulheres com os citados “tapa-sexo” e aí temos que desviar o olhar e pedir a Virgem Maria para nos ajudar a preservar nossa pureza. Já tive a experiência de ir para a Santa Missa, e, de repente, ver garotas imodestas na rua, então, decido mortificar meu olhar, ou seja, mudar o caminho até a Igreja, e, quando viro, lá vem outra imodesta. É uma eterna luta/fuga. O mais triste é quando eu tento me socorrer na Igreja e lá encontro a causa do meu pecado: IMODÉSTIA! Acho se as mulheres não mudarem o jeito de se vestir, cada vez mais teremos ou homens caídos, ou homens corcundas de tanto ficar olhando para o chão (risos).

O homem ele deve fugir das ocasiões SEMPRE! Perdoe-me os rapazes que gostam de academia, mas, diga a verdade, no horário que você malha, tem muita mulher, certo? E quando você vê essas mulheres malhando com roupas mais justas que tudo, que desenha o órgão genital, e em posições que alimentam com lavagem a mente masculina, o que você faz? Ou melhor: o que você pensa? Por acaso você pensa: “Ô lá em casa rezando comigo o Rosário, ia ser só a unção poderosa de Deus”? Porque eu sou homem, e pela minha concupiscência eu pensaria coisas que seria imoral falar aqui. Então é melhor entrar no Reino dos Céus magrelo do que ser “bombado” e ter muito músculo queimando nos quintos dos infernos. É uma questão de escolha. São Domingos Sávio dizia “antes morrer do que pecar”. E se não me engano foi o mesmo jovem Santo, que ao andar com a cabeça baixa, perguntaram o motivo, e ele disse que era porque queria ver a Virgem Maria no Céu. Ou seja, preservar a pureza no olhar, para que não olhando as porcas na terra e pensando pecado, pudesse contemplar a toda pura e bela Virgem Maria Mãe de Deus no Céu. Isso é belo, e você, vai trocar a contemplação da Mãe de Deus e da própria face de Deus para ficar cometendo a impureza em seus pensamentos? “Se teu olho direito é para ti causa de queda, arranca-o e lança-o longe de ti, porque te é preferível perder-se um só dos teus membros a que o teu corpo todo seja lançado na geena.” (Mateus 5,28)

Mas, como disse, muitas mulheres são ignorantes neste ponto. Mas isso é algo que é da natureza feminina. Aliás, os dois lados: o pensamento do homem e a mulher mostrar seu corpo, ambos são consequências do pecado original. “Multiplicarei os sofrimentos de teu parto; darás a luz com dores, teus desejos te impelirão para o teu marido e tu estarás sob o seu domínio”(Gênesis 3,16). Por causa do pecado original que temos manchados em nossa alma, temos essa consequência terrível. Os desejos da mulher impelirão para o homem. É como se o homem e a mulher tivesse imãs: o homem tem o imã que faz a mulher querer se impelir, se “mostrar” para o homem; e a mulher, usando deste desejo de se mostrar que é consequência do pecado original, faz disso um imã, que atrai o homem para si, principalmente pelo olhar. Tanto é, que Deus não quis deixar Adão e Eva entregues a imodéstia: “O Senhor Deus fez para Adão e sua mulher umas vestes de peles, e os vestiu”(Gênesis 3,21) – O problema é que Deus vê mancha até nos anjos, e tem mulher que acha que é imaculada e que toda a humanidade é imaculada (A única Imaculada que conheço é a Santíssima Virgem Maria); tem mulher que não se espelha na Virgem Maria, mas em Eva: Não vive a modéstia mariana, mas quer viver pelada como Eva vivia antes do pecado original. E essa desordem está acabando com a humanidade. A mulher tem que ver que ela é uma potência, ela é um dom de Deus, para termos a vida Deus usa a mulher, o ventre da mulher. Quando Deus veio ao mundo encarnado na Pessoa de Jesus Cristo, Ele veio no ventre de uma Mulher. Por isso a mulher deve compreender a beleza feminina e não a cultura das porcas.

Lembro-me de São Padre Pio de Pietrelcina que expulsava da Igreja mulheres vestidas imodestamente. O santo dizia: “saiam daqui suas porcas, as carnes desnudas vão queimar no inferno”. Ele ainda chorando dizia que temia que não houvesse lugar no inferno para esta geração (São Pio era do século passado e se referia a nossa geração). Nossa Senhora em Fátima, em revelação à Beata Jacinta, disse que viriam modas que ofenderiam muito a Nosso Senhor, que as pessoas que servem a Deus não deviam andar com as modas. Aí eu te pergunto meus irmãos e minhas irmãs: O que inventaram de 1917 até os dias de hoje? Inventaram os vestidos, saias longas, véu, etc? Ou inventaram calças para mulheres que são apertadíssimas, inclusive a calça jeans que é terrível não só pela imodéstia em si, mas porque tira a feminilidade da mulher. Ou inventaram também as mini saias, mini shorts (cintos/tapa-sexo), decotões, etc.? É, ninguém deu importância a esta mensagem de Nossa Senhora porque a 100 anos atrás era quase impossível imaginar nas modas que estariam por vir. E, como sempre, minha Mãe Maria Santíssima estava certa. Sejamos sinceros: hoje as mulheres se vestem piores que as prostitutas à alguns anos atrás. E parece que se vestir como uma prostituta virou motivo de comemoração. Afinal, movimentos feministas se manifestam tirando a roupa. Um policial em um país disse que existia muito estupro porque as mulheres se vestiam como “vadias”, ai as mulheres feministas mostraram toda a sua dignidade inventando a “macha das vadias” aonde as porcas se lambuzam em seus estrumes de cada dia.

E, vale lembrar, que a imodéstia não existe apenas do lado feminino. Rapazes que entravam com camisetas regata na Igreja de São Pio de Pietrelcina, ele bradava a mesma coisa “as carnes desnudas irão queimar...” É um show de horror ver homens até mesmo dentro da Igreja de bermuda, shortinho, chinelo, camiseta todo marombado, seduzindo as “novinha”. Deixemos de ser este covil de impuros, exalemos a santidade da Virgem Maria! Se espelhem na Virgem Maria e não nas prostitutas!

Por isso, vos suplico, mortifiquem o olhar. É difícil. Até mesmo nos dias de hoje em que se acessa muito as redes sociais, e sempre tem uma pervertida ou um jovem insano postando foto pornográfica. Precisamos fugir dessas ocasiões. São Basílio nos ensina que para ser casto é preciso se impor muitos sacrifícios e fazer- se uma grande violência. Santa Potamiena, ao defender sua castidade, sendo condenada a morte por não ceder aos convites para pecar, disse: “Ao menos mandai, diz-lhe ela, que eu seja lançada vestida” (Ela foi jogada na caldeira). Veja que exemplo, esta santa se preocupou não com as dores, com a terrível morte que sofreria, mas preocupou-se em ser lançada para o martírio vestida. Queria preservar a pureza, e preservar os homens também deste pecado.

Gostaria de finalizar este post com um trecho de um sermão de São João Maria Vianney sobre a pureza: “Ó DEUS, QUANTAS ALMAS ESTE PECADO ARRASTA PARA O INFERNO!... Não, meus irmãos, esta bela virtude não é conhecida por estas moças mundanas e corrompidas que tomam tantas precauções e cuidados para atraírem sobre si os olhos do mundo; que por seus enfeites exagerados e indecentes, anunciam publicamente que são infames instrumentos de que o inferno se serve para perder as almas; estas almas que custaram tantos trabalhos, lágrimas e tormentos a Jesus Cristo! ... Vede estas infelizes, e vós vereis que mil demônios circundam sua cabeça e seu coração. Ó meu Deus, como a terra pode suportar tais sequazes do inferno? Coisa mais espantosa ainda, como mães as suportam num estado indigno de uma cristã! Se eu não temesse ir longe demais, eu diria a estas mães que elas valem o mesmo que suas filhas. Ai, este infeliz coração e estes olhos impuros não são mais que uma fonte envenenada que dá a morte a qualquer que os olha e os escuta. Como tais monstros ousam se apresentar diante de um Deus santo e tão inimigo da impureza! Ai! A vida deles não é mais que uma acumulação de banha que eles estão juntando para inflamar o fogo do inferno por toda a eternidade.”

E lembre-se: roupa não define caráter, mas me ajuda a distinguir uma mulher de Deus de uma porca.
Salve Maria Imaculada! A Mulher que Deus colocou para que você mulher imitar".

11 janeiro 2018

Os santos souberam fazer a Vontade de Deus





Texto da aula 41 do curso "Espiritualidade Católica" do professor Felipe Aquino:


“O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente” (1Jo 2,17).

Os santos ensinam, com unanimidade, que o caminho da santidade é “fazer a vontade de Deus”. Isto nos santifica porque nos conforma com Jesus, o modelo da santidade, que, acima de tudo queria fazer a vontade de Deus em todo tempo.

A Encarnação foi a maneira que Jesus encontrou para, como homem, fazer perfeitamente a vontade de Deus, que Adão não quis fazer.

A primeira coisa que temos de compreender, e aceitar na fé, é que a vontade de Deus nem sempre, ou quase sempre, não coincide com a nossa. E aí está o primeiro passo para amar a Jesus: abdicar do que nós queremos, para fazer o que Ele quer. É o que São Paulo chamava de “a obediência da fé” (Rm 1,5) sem o quê é “impossível agradar a Deus” (Hb 11,6) já que o “justo vive pela fé” (Hab 2,4; Rm 1,17).

O profeta Isaías disse: “Meus pensamentos não são os vossos, e vosso modo de agir não é o meu, diz o Senhor, mas tanto quanto o céu domina a terra, tanto é superior à vossa a minha conduta e meus pensamentos ultrapassam os vossos.” (Is 55, 89)

A lógica de Deus é diferente da nossa porque Ele vê todas as coisas perfeitamente, enquanto a nossa visão é míope e limitada. É como se olhássemos a vida como um belo tapete persa, só que pelo lado do avesso.

Não podemos duvidar de que a vontade de Deus para nós seja “a melhor possível”, mesmo que nos seja incompreensível no momento.

O que mais agrada a Deus é trocarmos, consciente e livremente, a nossa vontade pela Dele, porque isto é prova de muita fé, concreta. Quando damos esse passo, Ele substitui a nossa miséria pelo seu poder. Portanto, é preciso a cada dia, a cada passo, em cada acontecimento da vida, fazer esse exercício contínuo de aceitar a vontade do Senhor, que sabe o que faz.

São Bernardo disse que “se os homens fizessem guerra à vontade própria, ninguém se condenaria”. Este é o segredo para se abandonar aos desígnios de Deus: ele é Pai, ele nos ama, ele quer só o nosso bem, por mais adversas e incompreensíveis que seja a situação que vivemos. Ele está no leme do barco da nossa vida. É preciso confiar!

Deus é o maquinista do trem da nossa vida, por isso não precisamos nos preocupar para onde ele nos leva. O salmista diz: “Confia ao Senhor a tua sorte, espera Nele: Ele agirá.” (Sl 36,5)

“Mas eu Senhor, em vós confio (…) meu destino está em vossas mãos.” (Sl 30,1516)

São Paulo insistia nisso; dar graças a Deus em tudo é o que alegra ao Senhor, pois é o melhor testemunho de fé que lhe damos. Esta atitude consciente elimina a tristeza, arranca o mau humor, a impaciência, a grosseria com os outros e a perigosa lamentação.

É nessa perspectiva que São Paulo dizia: “Ficai sempre alegres, orai sem cessar. Por tudo dar graças (…) (1Ts 5,16).

Não seremos felizes de verdade e não teremos paz duradoura, sustentada, enquanto não nos rendermos à santa e perfeita vontade de Deus.
“Alegrai-vos sempre no Senhor! Repito: alegrai-vos! (…). O Senhor está próximo! Não vos inquieteis com nada; mas apresentai a Deus todas as vossas necessidades pela oração e pela súplica, em ação de graças. Então a paz de Deus, que excede toda a compreensão, guardará os vossos corações e pensamentos em Cristo Jesus.” (Fl 4, 47)

O santo vive na paz e na perene alegria, embora caminhando sobre brasas muitas vezes. São João Bosco dizia que “um santo triste é um triste santo”, e o seu discípulo, São Domingos Sávio, dizia que a santidade consiste em “cumprir bem o próprio dever e ser alegre”.

São Paulo perguntava: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8,31). E o Apóstolo explicava a razão dessa esperança: “Aquele que não poupou o seu próprio Filho (…) como não nos dará com Ele todas as coisas?” (Rm 8,32)

É nessa mesma fé e esperança que o santo vive; a cada instante repetindo para si mesmo aquela palavra do Senhor: “Não vos preocupeis por vossa vida (…). Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? (…). São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso.” (Mt 6,2532)
Jesus ensina o que é essencial: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua Justiça” (Mt 6,33), isto é, fazer a vontade de Deus. Também conosco será assim; é nos momentos mais difíceis da vida, nas crises de toda espécie, que temos a oportunidade de fazer a vontade de Deus da melhor maneira; especialmente quando Deus nos pede beber o cálice da amargura. O que fazer? Correr, fugir?

A vontade do Pai deve ser perfeitamente realizada na terra como é no céu. Quando isto acontecer, então o Reino dos céus acontecerá na terra plenamente.

Na última Ceia Jesus disse a seus Apóstolos: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos.” (Jo 14,15)

Quem não luta para guardar os Mandamentos de Deus, não ama a Deus. É por amor a Jesus que devemos amar os Mandamentos e não pecar. Eles são o caminho da conduta moral que nos leva à perfeição querida por Deus.

Infelizmente, em nossos dias, os homens querem fazer a própria moral e não mais viver a moral que Deus nos deu. É o que nos tem dito o papa Bento XVI, “a ditadura do relativismo”: cada um faz a moral e a doutrina que quer; como se Deus não existisse e não tivesse revelado suas leis; e quem não aceita esta “nova mentalidade” é, então, taxado de retrógrado, obscurantista e atrasado. É uma verdadeira ditadura do homem contra Deus. É como se a verdade não existisse e o bem fosse igual ao mal.
Ninguém como os santos viveram bem a vontade de Deus; então, vamos aprender com eles. Selecionamos alguns pensamentos de alguns santos doutores.



Ensinamentos dos santos doutores

• Santa Teresa de Ávila (†1582):
“É evidente que a absoluta perfeição não consiste nas alegrias interiores, nem nos grandes êxtases, visões, nem no espírito da profecia. Consiste em tornar nossa vontade de tal modo conforme a de Deus, que abracemos de todo o coração o que cremos querido por ele e que aceitemos com a mesma alegria o que é amargo e o que é doce, desde que compreendamos que Sua Majestade o quer.” (Fundações, cap. 5, n.10)

• São Bernardo (†1153)
“Quando se vê uma pessoa perturbada, a causa da preocupação não é outra coisa senão a incapacidade de realizar a própria vontade.”

• Santa Catarina de Sena (†1380) – dos Diálogos com Deus:
“O que faz o homem sofrer é a vontade própria.”
“Meus servidores não sofrem, porque se despojaram da vontade própria e se revestiram da Minha.”
“Venham de onde vierem as adversidades são instrumentos Meus que fazem meus servidores padecerem no corpo; perseguidos pelo mundo nada sofrem no espírito. Identificaram-se com a Minha vontade e até se alegram em tolerar males por Mim.”
“É indispensável que considereis como elemento básico de vosso aperfeiçoamento a eliminação da vontade própria; submetendo-a a Mim, fareis um ato de desejo agradável, inflamado, infinito para Minha honra e para a salvação dos homens.”
“O homem conformado à Minha vontade é desapegado de si mesmo, vence o mundo, o demônio e a carne; ao chegar o momento da morte, seu falecimento acontece na paz.”
“Mais sofria o rico epulão com suas posses, que o pobre Lázaro com sua lepra. No rico estava acordada a vontade própria; donde procede toda a infelicidade, enquanto que em Lázaro ela morrera.”


10 janeiro 2018

10 frases de S. Afonso de Ligório sobre o cumprimento da Vontade de Deus






Santo Afonso de Ligório, Doutor da Igreja, fundador da Congregação dos Padres Redentoristas, nos deixou vários ensinamentos sobre como fazer a vontade de Deus e sobre a importância de estarmos unidos a Ele em todas as situações:

1. Se estivermos unidos à vontade divina em todas as tributações, é certo, vamos nos tornar santos e seremos os mais felizes do mundo.

2. Quem vive inteiramente unido e abandonado à vontade de Deus, não fica orgulhoso com seus sucessos, nem fica desanimado com os fracassos, pois sabe que tudo vem da mesma mão de Deus.

3. O segredo da santidade é: “Fazer o que Deus quer e querer o que Deus faz”.

 4. Não se preocupe em fazer muitas coisas mas procura realizar perfeitamente aquilo que ache ser da vontade de Deus.

5. Coloque as menores obrigações de seu estado antes das ações mais grandiosas e gloriosas, porque nessas pode haver lugar para o amor próprio, enquanto que naquelas se encontra certamente a vontade de Deus.

6. O verdadeiro amor consiste em nos conformarmos em tudo, com a vontade de Deus, em renunciar a nós mesmos e em preferir o que mais agrada a Deus, somente porque ele o merece.

7. Quem ama de verdade a Jesus Cristo, ama só o que lhe agrada e só porque lhe agrada, quando, onde e como ele quer; seja em trabalhos importantes ou em ocupações simples, numa vida distinta no mundo ou escondida e desprezada.

8. A santidade consiste: primeiro, numa verdadeira renúncia de si mesmo; segundo, numa total mortificação das próprias paixões; terceiro, numa perfeita conformidade com a vontade de Deus.

9. É melhor colocar como finalidade das nossas ações a vontade de Deus, do que a sua glória. Pois, fazendo a sua vontade, buscamos também a sua glória. Mas, propondo-nos a glória de Deus, muitas vezes nos enganamos fazendo a nossa vontade, com o pretexto da glória de Deus.

10. Não podemos ter maior garantia de agradarmos a Deus, do que aceitando de boa vontade as cruzes mandadas por Ele.



09 janeiro 2018

Como Fazer a Vontade de Deus



Textos retirado do livro: "Como Fazer a Vontade de Deus" do Professor Felipe Aquino


"O cristão precisa aprender o que significa renúncia, não se revoltar contra as provações que, na sua sabedoria, Deus sabe serem necessárias para purificar a nossa alma. O Evangelho é uma escola de mortificação, ensina a “tomar a cruz a cada dia” e seguir Jesus.

“Em seguida, dirigiu­se a todos: Se alguém quer vir após mim, renegue­se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga­me. Porque, quem quiser salvar a sua vida, perdê­la­á; mas quem sacrificar a sua vida por amor de mim, salvá­la­á. Pois quem aproveitar ao homem ganhar o mundo inteiro, se vem perder­se a si mesmo e se causa a sua própria ruína?” (Lc 9,23­26)

Há cristãos que só querem as consolações de Deus e as doçuras espirituais. Deus muitas vezes nos dá as suas consolações, conforta e anima a nossa pobre alma; mas muitas vezes também permite as tribulações da vida, e é durante esse tempo que lhe mostramos a nossa fidelidade. Precisamos buscar mais o Deus das consolações do que as consolações de Deus, senão não seremos verdadeiros filhos fiéis.

Não nos esqueçamos jamais que o Filho amado de Deu veio a esse mundo como um menino pobre, numa manjedoura, tremendo de frio numa gruta pobre, para realizar o grande projeto redentor traçado pelo Pai; e depois abraçou livremente a cruz por amor a cada um de nós.

O Sim radical de Jesus ao Pai, à sua obra salvadora, deve ser a referência para todos os que desejam se salvar, agradar a Deus, fazendo a sua santa vontade. Infelizmente hoje o mundo quer o contrário; deseja que Deus se acomode aos caprichos humanos. Seja feita a “minha” vontade!

Amar a Deus e querer fazer a Sua Vontade é o caminho diário da santificação. “Seja feita a Vossa Vontade assim na terra como no Céu”, dizemos todos os dias.

(...)

É preciso nos convencermos, de uma vez por todas, sem a mínima desconfiança, que tudo que Ele permite que nos aconteça é para o nosso bem, principalmente para a nossa santificação. Jesus deixou isto muito claro quando disse que o Pai não nos dá pedra quando Lhe pedimos um pão, não nos dá uma cobra quando Lhe pedimos um peixe, e não nos dá um escorpião quando Lhe pedimos um ovo (cf Lc 11,9­13).

Frei Pascoal, um capuchinho que guia peregrinos na Terra Santa, costuma dizer­lhes: “Tudo o que nos acontece nos favorece, se a gente não se aborrece e ainda agradece”. Isso não é comodismo mórbido, não, é uma ação na fé. “Se vós, pois, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai do Céu dará coisas boas aos que Lhe pedirem.” (Mt 7,11)

Também as provações que nos atingem são “coisas boas” para a nossa santificação e é, também, por amor a Deus que devemos acolhê­las. Esta é a maior prova do nosso amor: acolher a Vontade de Deus, qualquer que ela seja.

Quando aprendemos, de fato, a aceitar, incondicionalmente, a Vontade de Deus, em todas as circunstâncias da vida, então – ensinam os santos – nada poderá perturbar a nossa vida.

Somente com esta “reta intenção”, de tudo fazer só por Deus, e nada mais, é que conseguiremos vencer todos os obstáculos do apostolado e todas as dificuldades da vida.

Há um versículo que aparece pelo menos quatro vezes na Sagrada Escritura: “O justo vive pela fé” (Hab 2,4; Rm 1,17; Gl 3,11; Hb 10,36).

A palavra fé na Bíblia é também traduzida como “fidelidade” a Deus. É a atitude daquele que crê e que obedece ao Senhor. Neste sentido, São Paulo fala aos romanos da “obediência da fé” (Rm 1,5).

A fé é um ato de adesão a Deus; isto é, submissão que implica obediência à Sua santa e perfeita vontade. A fraqueza da nossa natureza humana impede muitas vezes que a nossa fé seja coerente; quer dizer, às vezes os nossos atos não estão conforme as exigências da fé. Portanto, não basta crer, é preciso obedecer.

(...)

A obediência sempre foi e sempre será a prova e a garantia da fidelidade. Foi por ela que Jesus salvou a humanidade, porque fez exatamente o que o primeiro Adão recusara fazer. Na obediência radical a Deus o Cristo “desatou o nó da desobediência de Adão” e nos reconciliou com o Pai. Da mesma forma, ensinam os santos padres, pela obediência da Virgem, ela desatou o laço da desobediência de Eva que lançou a humanidade na danação.

A partir daí, a obediência a Deus passou a ser a marca principal daquele que crê. Ela é o melhor remédio para os males que o pecado original deixou em nossa natureza: orgulho, vaidade, presunção, autossuficiência, exibicionismo, etc.

O profeta afirma que: “A obediência é melhor do que o sacrifício” (1Sm 15,22).

(...)

Como agrada a Deus o filho fiel! O profeta diz: “Iahweh guarda os passo dos que lhe são fiéis” (2Sm 22,26) e o Senhor Jesus disse: “Muito bem servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar­te com o teu Senhor” (Mt 25,21) tudo o que recebemos de Deus nesta vida, é este “pouco” sobre o qual é testada a nossa fidelidade a Deus.

Ser fiel a Deus é ser obediente às suas leis, à sua vontade e servir­lhe com toda a alma.

Santo Inácio de Loyola afirmava que viver bem é “amar e servir a Deus nesta vida”.

Jesus disse aos Apóstolos na última Ceia: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14,15) portanto, amar a Deus, mais do que um sentimento, é uma “decisão”: guardar os seus mandamentos, cumprir a sua vontade.

(...)

A fidelidade está muito ligada à perseverança e a paciência. Santo Agostinho disse: “Os que perseveram em vossas companhias sejam vossos modelos. E os que vão ficando pelas calçadas, aumentem vossa vigilância.”

E o grande São João da Cruz ensinava que: “A constância de ânimo, com paz e tranquilidade, não só enriquece a pessoa, como a ajuda muito a julgar melhor as adversidades, dando­lhes a solução conveniente.”

Mas, para que haja serviço a Deus, perseverante e alegre, e para que possamos amar e cumprir os seus mandamentos é preciso uma vida de piedade, vigilância e oração, sem o quê, a alma esfria. Sabemos que “mosca não assenta em prato quente”; quando a alma esfria, os demônios se aproximam dela para vencê­la pela tentação.

Não seremos julgados pela nossa capacidade intelectual e nem pela grandeza das nossas obras, mas, como disseram os santos, pela pureza do nosso amor a Deus e pela perseverança nesta vivência. Jesus garantiu que diante de todas as adversidades que virão, “quem perseverar até o fim será salvo” (Mt 24,13).




08 janeiro 2018

Sobre a mortificação das paixões



Segue abaixo algumas frases dos santos doutores sobre a mortificação das paixões. No final um link para um texto maravilhoso a respeito.


1 - É mister dar mais importância às virtudes que à mortificação. Esta última será um meio para aumentar as virtudes e será feita de acordo com a necessidade, na exata medida das forças pessoais.
(Santa Catarina)

2 – Não desprezo a penitência. Ela é útil para reprimir o corpo, quando ele se opõe ao espírito. Mas, filha querida, não a deves impor como norma. Nem todos os corpos são iguais, nem todos possuem a mesma resistência física.
(Santa Catarina)

3 – Para atingir o estado sublime de união com Deus, é indispensável atravessar a noite escura da mortificação dos desejos desregrados e da renúncia a todos os prazeres deste mundo.
(São João da Cruz)

4 – Desde  que me trato com menos cuidado e delicadeza, passo muito melhor.
(Santa Teresa)

5 – Prazer  e oração não se toleram.
(Santa Teresa)

6 – As melhores mortificações não são as que nós escolhemos, mas as que Deus escolhe para nós.
(São Fco Sales)

7 – As mortificações que nos vem de Deus ou dos homens, por permissão divina, são sempre mais preciosas do que aquelas que são filhas da nossa vontade.
(São Fco Sales)

8 - O que tem menos de nossa escolha, é o mais agradável a Deus e proveitoso para nossa alma.
(São Fco Sales)
9 – Os que procuram as mortificações voluntárias, caminham a pé sob o estandarte de Cristo. Aceitar, porém, as cruzes que Deus nos envia e pacientemente suportá-las, é andar a cavalo.
(São Fco Sales)
10 – As melhores mortificações não são as que nós escolhemos, mas as que Deus escolhe.
(São Fco Sales)

11 – O justo trata o seu corpo como um escravo. Mas como é feliz um homem, quando esse escravo lhe é de tal modo submisso que faz tudo o que lhe for ordenado!
(Santo Antonio)


Quero recomendar aqui este excelente artigo do site do Padre Paulo Ricardo com o tema "A mortificação, escada para subir ao céu":



07 janeiro 2018

Renúncia a si no "Imitação de Cristo"





Segue abaixo três capítulos marcantes do livro “Imitação de Cristo” sobre a renúncia de si mesmo:



Da consideração de si mesmo

1. Não devemos confiar demasiado em nós mesmos, porque muitas vezes nos faltam a graça e o discernimento.
Pouca luz há em nós, e esse pouco perdemos depressa, por nosso descuido.
Muitas vezes não conhecemos como cegos estamos na alma.
Muitas vezes também agimos mal, e, ainda pior, nos desculpamos.
Às vezes somos levados pela paixão, e julgamos que é o zelo.
Repreendemos nos outros as faltas pequenas e desculpamos as nossas, mesmo as mais graves.
Muito depressa sentimos e nos magoamos com o que sofremos dos outros; mas não pensamos muito em quanto os outros sofrem por causa de nós.
O que bem e retamente examinar suas ações não terá que julgar severamente as alheias.

2. O homem de vida interior antepõe o cuidado de si mesmo a todos os outros cuidados; e com zelo atende a si; com facilidade, se abstém de falar dos outros.
Nunca será homem de vida interior e devoto, se não calar dos outros e tiver especial cuidado de si.
Caso se ocupe totalmente com Deus e contigo, pouco o abalará o que vir à sua vida.
Onde está, quando não está consigo? Qual foi o proveito lembrar-se de tudo, se de você se esqueceu?
Se quiser ter paz e união verdadeira com Deus, deve desprezar tudo o mais, para cuidar de si só.

3. Adiantará, portanto, muito, caso se conserve livre de toda a preocupação temporal; mas muito atrasará, se tiver em estima alguma coisa temporal.
Nada se parecerá grande, elevado, agradável ou digno de aceitação, a não ser somente Deus o u o que a ele se refere.
Tem por vazio qualquer consolação que te vier da criatura.
A alma que deveras ama a Deus despreza tudo o que não é de Deus.
Só Deus, eterno, imenso e que tudo enche, é a consolação da alma, e a verdadeira alegria do coração.

É preciso deixar toda a criatura para poder encontrar o Criador

1. O Discípulo – Senhor, ainda me é necessário muita graça para chegar ao estado em que nenhuma criatura possa me impedir.
Porque, enquanto alguma coisa me prender, não poderei livremente voar a vós.
Aspirava a esta liberdade o profeta quando dizia: “Quem me dera asas como a pomba, para que pudesse voar e descansar?” (Sl 54,7).
Que descanso mais completo que o do homem que só pensa em vós? E quem mais livre que o que nada deseja na terra?
É necessário, pois, que a alma se eleve acima das criaturas, se desapegue totalmente de si mesma para que, assim, arrebatada fora de si, compreenda que vós sois o Criador de todas as coisas e que nenhuma semelhança tendes com as criaturas.
Quando não se desprender assim das criaturas não poderá ocupar-se livremente das
coisas de Deus.
A causa por que hoje há tão poucas pessoas contemplativas é porque são raros os que sabem desapegar-se inteiramente das criaturas e dos bens transitórios.

2. Para isto é necessário uma graça poderosa que levante a alma e a transporte acima de si mesma.
Enquanto não for o homem assim elevado em espírito, desapegado de toda a criatura e perfeitamente unido a Deus, de pouca valia é quanto sabe e quanto possui.
Quem não ama só o único, imenso e eterno bem permanecerá muito tempo no seu estado imperfeito.
Tudo o que não é de Deus é nada, e por nada se deve contar.
Há grande diferença entre a sabedoria do homem iluminado e devoto, e a ciência que o doutor adquire pelo estudo.
Muito mais nobre é a doutrina que flui da influência da graça, que a que se adquire pelo trabalho e esforço do engenho humano.

3. Há muitos que desejam elevar-se à contemplação, mas que não trabalham por adquiri-la.
O que nos impede de chegar a um estado tão ditoso é contemplarem as coisas exteriores e sensíveis, tratando pouco de mortificar o espírito e o coração.
Não sei o que é, nem que espírito nos leva, nem que pretendemos em passar por espirituais, quando empregamos tanto trabalho e cuidado nas coisas indignas e transitórias, e apenas ou quase nunca nos recolhendo de todo a considerar nosso inferior.

4. Grande desventura! Ainda bem não temos entrado em nosso coração já saímos dele para nos ocuparmos em coisas externas, sem fazemos um rigoroso exame sobre as nossas obras!
Não consideramos até onde descem nossos afetos, nem choramos vendo que tudo em nós é impuro.
“Toda a carne tinha corrompido o seu caminho”; eis porque veio o dilúvio (Gn 6,12).
Quando, pois, os nossos afetos interiores estão corrompidos, corrompem necessariamente nossas ações e descobrem assim toda a fraqueza de nossa alma.
Os frutos da boa vida não brotam senão de um coração puro.

5. Pergunta-se de um homem: o que faz ele? Mas não se atende se o fez por virtude.
Averígua-se com cuidado se é valente, rico, formoso, sábio, se é bom escritor, se canta bem, se é hábil em sua profissão; porém pouco se fala se é humilde, manso, paciente, devoto e recolhido.
A natureza não considera senão o exterior do homem; a graça, porém, penetra no seu interior. Aquela muitas vezes se engana, esta espera em Deus para não ser enganada.

Da abnegação de si mesmo e do desapego de toda a cobiça

1. Jesus Cristo – Filho, não pode gozar de perfeita liberdade sem que renuncie inteiramente a você mesmo.
Em escravidão vivem todos os que se amam e buscam a si mesmo. Andam inquietos, ávidos, curiosos, buscando sempre o que ajuda os sentidos e não o que me agrada, nutrindo-se de ilusões e formando mil projetos, que se dissipam.
Tudo que não vem de Deus não pode ser firme e permanente.
Imprima em sua alma esta breve, mas perfeitíssima máxima: “Deixe tudo e achará tudo”. Renuncie a seus apetites e terá sossego.
Medite bem este preceito; e quando o tiver cumprido, saberá tudo.

2. O Discípulo – Senhor, uma piedade tão pura não é obra de um dia, nem brincadeira de meninos; neste breve ditado se encama toda a perfeição da vida religiosa.

3. Jesus Cristo – Filho, não deve fraquejar nem logo perder o ânimo, quando te mostram o caminho dos homens perfeitos; mas antes esforçar-se por chegar a esse estado sublime ou pelo menos aspirar a ele com o desejo.
Oh! Se tivesse chegado a tanto que não amasse a si mesmo, submisso inteiramente à minha vontade e ao prelado que te dei! Então me agradaria sobremaneira e toda a sua vida passaria alegre e sossegada.
Ainda tem muito que deixar: e se não renunciar a tudo por amor a mim não alcançará o que pede.
Para que seja rico, aconselho “que me compre este ouro purificado no fogo”, quero dizer, a sabedoria celestial que pisa aos pés todas as coisas terrenas (Ap 3,18).
Para a possuir, renuncie à sabedoria terrena e a toda a falsa complacência de você mesmo.

4. Já te disse que as coisas mais desprezíveis ao parecer humano se devem comprar com as mais preciosas e altas.
Pois que esta sabedoria celestial, que nenhuma estimação faz de si mesma nem deseja que os outros a estimem, está hoje no último desprezo e quase no esquecimento de todos os homens; e se muitos a honram com a boca, a combatem ao mesmo tempo com as suas obras. Contudo, ela é “aquela pérola preciosa” a tantos escondida (Mt 13,46).

Texto retirado do livro: Imitação de Cristo; Tomás de Kempis; Editora AveMaria.



05 janeiro 2018

Sobre a renúncia a si mesmo




Mas, o que é renunciar a si mesmo?
Certa vez alguém me disse: “Penso que renunciar a mim mesmo é algo mais difícil do que carregar a cruz. Renunciar a si mesmo é querer, de coração, deixar de fazer, ser,crer, o que queremos para nós, para nossa vida...e por amor a Deus, fazer o que Ele nos pede. Talvez com uma resignação mais intensa que a dos pais pelos filhos. É saber ser humilde, desprendido, é crer com o coração que Deus nos basta”. É uma boa reflexão.

"Fazer a vontade de Deus é, em primeiro lugar, fugir de todo pecado; é uma luta contra nós mesmos; por isso Jesus disse que “o Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam”. (Mt 11, 12). Os violentos consigo mesmos; não com os outros. E isso é possível, com a graça de Deus, basta olhar a vida dos santos. É difícil renunciar a si mesmo; mas se Jesus manda isso, então, não pode nos negar a graça necessária.

Santo Agostinho lembra­nos que “o que é impossível à natureza, é possível à graça de Deus”. Por nós mesmos não conseguimos nos renunciar; Jesus avisou: “Sem Mim nada podeis fazer” (Jo 15,5). Então, a primeira providência é pedir ao Senhor: “Tem compaixão de mim; não sou capaz de abandonar o que eu quero para fazer o que Tu queres! Socorre­me com Tua graça”. É preciso ser mendigo de Deus para ser atendido por Ele. Só damos uma esmola a quem de fato não tem nada.

Jesus disse aos Apóstolos na Santa Ceia: “Se me amais guardareis os meus mandamentos” (Jo 14,15); isto é fazer o que Deus quer. Os 10 Mandamentos são a base da Moral católica; quem quiser “renunciar a si mesmo”, comece por obedece-­los.

Podemos também examinar a nossa conduta à luz dos pecados originais que a Igreja nos ensina que são os piores (soberba, ganância, luxúria, gula, ira, inveja e preguiça).

Renunciar a si mesmo é também não gastar o tempo e a vida com futilidades. João Paulo II dizia que “o cristão não pode viver uma vida na mediocridade”. Não podemos perder tempo com programas fúteis, vazios, que não deixam um crescimento para nós e para os outros. Jesus manda “buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça” (Mt 6,33). Jesus diz que “quem sacrificar a sua vida por amor de mim, salvá­-la­-á”. É um “sacrifício” mesmo, de nossa vontade, para fazer a Dele. Perder a vida para ganhá-­la."

"A ordem de Jesus de “renunciar a si mesmo” pode parecer a princípio um contrassenso, mas é exatamente o que precisamos, é uma grande sabedoria.

“Renunciar a si mesmo”, não quer dizer se desvalorizar ou jogar a vida fora, ao contrário, é deixar Deus ser o guia da sua vida, e não você. É desocupar o trono de onde partem as ordens para a sua vida, e deixar Deus sentar na cadeira de comando.

Ora, afinal, quem é mais capaz, você ou Deus, para dirigir a sua vida? Se é Ele, por que então resistir? Quando Jesus diz: “... e siga­me”, Ele está mandando que você obedeça as suas leis, a Sua vontade, a doutrina que a Igreja ensina, e não, viver segundo a “sua” moral e a “sua” lei. Não queira você fazer as leis; obedeça as que Deus fez."

Prof Felipe Aquino

02 janeiro 2018

A Ascese




"A verdadeira ascese, mais do que um caminho em direção a si mesmo, comporta uma luta em direção aos outros. Faz­-se ascese como forma de consagração e amor. A pessoa se purifica para viver mais desimpedidamente pelos outros. Renuncia a coisas válidas para ser mais irmã e companheira...

Há outras formas de ascese. Na ascese da fé, a pessoa se aceita com seus dolorosos e insuperáveis limites, fraquezas e misérias, dor e desenganos da vida, e com o desfecho da morte, aparentemente o absurdo e total fracasso da vida. Na ascese moral, a pessoa diz sim ao bem e não ao mal, abraçando e renunciando ao mesmo tempo. Na ascese escatológica, a pessoa alimenta uma constante disposição para a partida e uma iluminada vigilância diante da vida em Deus. Para quem é cristão, existe ainda a ascese da cruz, que consiste em abraçar o escândalo do calvário, identificando­-se com o Cristo que não afastou o cálice da dor nem fugiu da 'idiotice' da cruz, fazendo­-se obediente à vontade do Pai.

Em conseqüência, parece claro que fazer ascese não consiste em mortificar simplesmente o corpo, mas em morti­ficar (fazer morrer) o velho Adão ou o animal que é egoísta, guloso, violento, preguiçoso e cruel em nós. Fazer ascese consiste em renunciar ao eu não intencionado por Deus e não em tentar ser, simplesmente, mais e melhor.

A verdadeira ascese visa a fazer­nos mais livres, levando­nos a viver mais plenamente.

Não procura arrancar qualquer erva daninha em nosso jardim espiritual, mas cultivar os frutos e as flores que ele pode, com a graça de Deus, com a ajuda dos irmãos e com a coragem pessoal, produzir."

Frei Neylor José Tonin
(Comunidade Shalom)


30 agosto 2017

A verdade em ser Igreja





PAPA SÃO JOÃO PAULO II


São João Paulo II: “Devemos defender a verdade a todo custo, mesmo que voltemos a ser somente doze.”




PAPA BENTO XVI


Jornalista: "O senhor está preocupado com a perda de fiéis pela Igreja nos últimos anos?”

Papa Bento XVI: “A Igreja não perdeu nenhum fiel. Aqueles que se foram nunca foram fiéis católicos realmente. Não se pode perder o que nunca se teve. Os que deixaram a Igreja eram indecisos, curiosos ou pessoas que estavam apenas ‘cumprindo uma obrigação’ passada por seus pais ou avós. Os que vêm e vão não pertencem ao Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja na Terra. Da mesma maneira, os que são católicos mas ainda não estão na Igreja, infalivelmente chegarão ou retornarão a ela no devido tempo. A Igreja, Casa e Família de Deus, surgiu como um pequeno grupo; não importa a quantidade, e sim a qualidade dos seus filhos, como cristãos conscientes e santificados.”






24 julho 2017

Seleção de vídeos e áudios sobre os Santos




Irmãos, o site do Padre Paulo Ricardo é uma fonte maravilhosa de muitos vídeos e áudios sobre a vida dos santos. Como ele mesmo nos disse, e já publicamos AQUI, a primeira etapa da evangelização do cristão católico deve ser o estudo da vida dos santos conforme é atestado no modo em que ocorriam as catequeses na história da Igreja.

Devido a isso resolvi listar alguns materiais do seu site sobre a vida de vários santos. Trago abaixo uma seleção do 'Programa Ao Vivo Com Padre Paulo Ricardo' com conteúdos relacionados, onde você terá um robusto material para crescer na fé e santidade que Deus nos pede e um instrumento útil para evangelizar os irmãos, levando a eles uma formação sólida, pois a vida dos santos é o melhor meio de formar para a vida em Cristo.


3. A vida de São Pio de Pietrelcina

20. São Felipe Neri: "Prefiro o paraíso"

30. Os Mártires de Hoje

59. A Quaresma de São Miguel e o auxílio dos anjos

70. Maria e o Vaticano II

74. A história de uma alma

84. São José de Anchieta

85. A Divina Misericórdia

86. A Mãe do Salvador e a Nossa Vida Interior

91. A Espiritualidade Carmelitana e a Virgem Maria

93. A vida extraordinária de São Charbel Makhluf

95. O santo sacerdócio de João Maria Vianney

99. A oração da “Ave Maria”

102. Na presença dos anjos!

116. O glorioso São José

117. A vida de Santa Teresa d'Ávila

128. A vida de São Felipe Neri

130. A paixão do Padre Pio de Pietrelcina

131. Santa Teresinha: Doutora de Vida

134. A Medalha Milagrosa

135. Beato Miguel Pro, sacerdote e mártir

136. A vida de São João da Cruz

138. Projeto Segunda Morada

143. A vida de São Luís Gonzaga

144. Santa Zélia Martin

145. São Luís Martin

146. A Oração, de Santo Afonso de Ligório

147. Aprenda a rezar rezando, com Padre Paulo Ricardo

148. Maria e a nossa vida de oração

151. Projeto Terceira Morada

152. Santa Elisabete da Trindade

153. A conversão de Santa Teresa d'Ávila

156. As deploráveis Terceiras Moradas

155. Aprenda a rezar o Terço

159. O Ano da Virgem Maria

169. A Paixão de Cristo e a Compaixão da Virgem

172. As santas crianças de Nossa Senhora de Fátima

173. O milagre dos Pastorinhos

174. O Imaculado Coração triunfará!

176. Maria depois de Pentecostes

180. Nascemos do sangue dos mártires

181. O Segredo do Rosário

182. Santo Inácio: o desentortador de vidas

184. A Quaresma de São Miguel e o Apocalipse

186. As conversões de Santo Agostinho

188. O Santo, o Pecador... e o Mundano

189. Santa Teresinha, Lutero e a Misericórdia

25 novembro 2016

O que é o Purgatório?

Nós, Católicos,  acreditamos na existência do Purgatório. Mas, muita gente não sabe o que ele realmente significa. Então compartilho aqui o ensinamento de três Papas sobre esse assunto. Antes, porém, vejamos o que o Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz sobre o assunto:
"§1030 Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida sua salvação eterna, passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu.


§1031 A Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos, que é completamente distinta do castigo dos condenados.
A Igreja formulou a doutrina da fé relativa ao Purgatório sobretudo no Concílio de Florença e de Trento. Fazendo referência a certos textos da Escritura, a tradição da Igreja fala de um fogo purificador.
§1032 Este ensinamento apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, da qual já a Sagrada Escritura fala: "Eis por que ele [Judas Macabeu) mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos de seu pecado" (2Mc 12,46).
Desde os primeiros tempos a Igreja honrou a memória dos defuntos e ofereceu sufrágios em seu favor, em especial o sacrifício eucarístico, a fim de que, purificados, eles possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos:
Levemo-lhes socorro e celebremos sua memória. Se os filhos de Jó foram purificados pelo sacrifício de seu pai que deveríamos duvidar de que nossas oferendas em favor dos mortos lhes levem alguma consolação? Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer nossas orações por eles.
§1472 As Penas do Pecado - Para compreender esta doutrina e esta prática da Igreja, é preciso admitir que o pecado tem uma dupla conseqüência. O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, consequentemente, nos toma incapazes da vida eterna; esta privação se chama "pena eterna" do pecado. Por outro lado, todo pecado, mesmo venial, acarreta um apego prejudicial às criaturas que exige purificação, quer aqui na terra, quer depois da morte, no estado chamado "purgatório". Esta purificação liberta da chamada "pena temporal" do pecado. Essas duas penas não devem ser concebidas como uma espécie de vingança infligida por Deus do exterior, mas, antes, como uma conseqüência da própria natureza do pecado. Uma conversão que procede de uma ardente caridade pode chegar à total purificação do pecador, de tal modo que não haja mais nenhuma pena."1.
Assim, vejamos os ensinamentos dos Papas João Paulo II, Bento XVI e  Paulo VI.

São João Paulo II deixou-nos uma profunda explicação sobre o tema na audiência "O purgatório: necessária purificação para o encontro com Deus"2. Vejamo-na:
"2. Na Sagrada Escritura podem-se captar alguns elementos que ajudam a compreender o sentido desta doutrina, embora ela não seja enunciada de modo formal. Eles exprimem a convicção de que não se pode aceder a Deus sem passar através de alguma purificação.
Segundo a legislação religiosa do Antigo Testamento, aquilo que é destinado a Deus deve ser perfeito. Por conseguinte, a integridade também física é particularmente necessária para as realidades que entram em contacto com Deus no plano sacrifical, como por exemplo os animais a serem imolados (cf. Lv 22, 22), ou institucional, como no caso dos sacerdotes, ministros do culto (cf. Lv 21, 17-23). A esta integridade física deve corresponder uma dedicação total, dos indivíduos e da colectividade (cf. 1 Rs 8, 61) ao Deus da aliança, segundo os grandes ensinamentos do Deuteronômio (cf. 6, 5). Trata-se de amar a Deus com todo o próprio ser, com pureza de coração e testemunho de obras (cf. ibid., 10, 12 s.).

A exigência de integridade impõe-se evidentemente depois da morte, para o ingresso na comunhão perfeita e definitiva com Deus. Quem não tem esta integridade deve passar pela purificação. É um texto de São Paulo que o sugere. O Apóstolo fala do valor da obra de cada um, que será revelada no dia do juízo, e diz: «Se a obra construída subsistir, o construtor receberá a paga. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá a perda. Ele, porém, será salvo, como que através do fogo» (1 Cor 3, 14-15).

3. Para alcançar um estado de perfeita integridade, às vezes é necessária a intercessão ou a mediação de uma pessoa. Por exemplo, Moisés obtém o perdão do povo com uma oração, na qual evoca a obra salvífica realizada por Deus no passado e invoca a sua fidelidade ao juramento feito aos antepassados (cf. Êx 32, 30 e vv. 11-13). A figura do Servo do Senhor, delineada pelo Livro de Isaías, caracteriza-se também pela função de interceder e de expiar a favor de muitos; no final dos seus sofrimentos ele «verá a luz» e «justificará muitos», tomando sobre si as suas iniquidades (cf. Is 52, 13-53, v. 12, especialmente 53, 11).

Segundo a perspectiva do Antigo Testamento, o Salmo 51 pode ser considerado uma síntese do processo de reintegração: o pecador confessa e reconhece a própria culpa (cf. v. 6), pede insistentemente que seja purificado ou «lavado» (cf. vv. 4.9.12 e 16) para poder proclamar o louvor divino (cf. v. 17).

4. No Novo Testamento Cristo é apresentado como o intercessor, que assume as funções do sumo sacerdote no dia da expiação (cf. Hb 5, 7; 7, 25). Mas n'Ele o sacerdócio apresenta uma configuração nova e definitiva. Ele entra uma só vez no santuário celeste, com a finalidade de interceder diante de Deus em nosso favor (cf. Hb 9, 23-26, especialmente v. 24). Ele é Sacerdote e ao mesmo tempo «vítima de expiação» pelos pecados de todo o mundo (cf. 1 Jo 2, 2).

Jesus, como o grande intercessor que nos expia, revelar-Se-à plenamente no final da nossa vida, quando Se expressar com a oferta da misericórdia mas também com o inevitável juízo sobre aquele que rejeita o amor e o perdão do Pai.

A oferta da misericórdia não exclui o dever de nos apresentarmos puros e íntegros diante de Deus, ricos daquela caridade, que por Paulo é chamada «vínculo de perfeição» (Cl 3, 14).

5. Durante a nossa vida terrena, seguindo a exortação evangélica a sermos perfeitos como o Pai celeste (cf. Mt 5, 48), somos chamados a crescer no amor para nos encontrarmos firmes e irrepreensíveis diante de Deus Pai, «por ocasião da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, com todos os seus santos» (1 Ts 3, 12 s.).
Por outro lado, somos convidados a «purificar-nos de toda a imundície da carne e do espírito» (2 Cor 7, 1; cf. 1 Jo 3, 3), porque o encontro com Deus requer uma pureza absoluta.

Todo o vestígio de apego ao mal deve ser eliminado; toda a deformidade da alma há-de ser corrigida. A purificação deve ser completa, e é precisamente assim que a doutrina da Igreja entende o purgatório. "2.

O Papa Bento XVI fala do purgatório, segundo Santa Catarina de Gênova: 
"O pensamento de Catarina sobre o purgatório, pelo qual ela é particularmente conhecida, está condensado nas últimas duas partes do livro citado no início: o Tratado sobre o purgatório e o Diálogo entre a alma e o corpo. É importante observar que, na sua experiência mística, Catarina jamais tem revelações específicas sobre o purgatório ou sobre as almas que ali estão a purificar-se. Todavia, nos escritos inspirados pela nossa santa, é um elemento central, e o modo de o descrever tem características originais em relação à sua época.
O primeiro traço original diz respeito ao «lugar» da purificação das almas. No seu tempo, ele era representado principalmente com o recurso a imagens ligadas ao espaço: pensava-se num certo espaço, onde se encontraria o purgatório. Em Catarina, ao contrário, o purgatório não é apresentado como um elemento da paisagem das vísceras da terra: é um fogo não exterior, mas interior. Este é o purgatório, um fogo interior. A santa fala do caminho de purificação da alma, rumo à plena comunhão com Deus, a partir da própria experiência de profunda dor pelos pecados cometidos, em relação ao amor infinito de Deus (cf. Vida admirável, 171v). Ouvimos sobre o momento da conversão, quando Catarina sente repentinamente a bondade de Deus, a distância infinita da própria vida desta bondade e um fogo ardente no interior de si mesma. E este é o fogo que purifica, é o fogo interior do purgatório.
Também aqui há um traço original em relação ao pensamento do tempo. Com efeito, não se começa a partir do além para narrar os tormentos do purgatório — como era habitual naquela época e talvez ainda hoje — e depois indicar o caminho para a purificação ou a conversão, mas a nossa santa começa a partir da própria experiência interior da sua vida a caminho da eternidade.
A alma — diz Catarina — apresenta-se a Deus ainda vinculada aos desejos e à pena que derivam do pecado, e isto torna-lhe impossível regozijar com a visão beatífica de Deus.
Catarina afirma que Deus é tão puro e santo que a alma com as manchas do pecado não pode encontrar-se na presença da majestade divina (cf. Vida admirável, 177r). E também nós sentimos como estamos distantes, como estamos repletos de tantas coisas, a ponto de não podermos ver Deus. A alma está consciente do imenso amor e da justiça perfeita de Deus e, por conseguinte, sofre por não ter correspondido de modo correto e perfeito a tal amor, e precisamente o amor a Deus torna-se chama, é o próprio amor que a purifica das suas escórias de pecado.
Em Catarina entrevê-se a presença de fontes teológicas e místicas das quais era normal haurir na sua época. Em particular, encontra-se uma imagem típica de Dionísio, o Areopagita, ou seja, aquela do fio de ouro que liga o coração humano ao próprio Deus. Quando Deus purifica o homem, liga-o com um fio de ouro extremamente fino, que é o seu amor, e atrai-o a si com um afeto tão forte, que o homem permanece como que «superado, vencido e totalmente fora de si». Assim, o coração do homem é invadido pelo amor de Deus, que se torna o único guia, o único motor da sua existência (cf. Vida admirável, 246rv). Esta situação de elevação a Deus e de abandono à sua vontade, expressa na imagem do fio, é utilizada por Catarina para manifestar a obra da luz divina nas almas do purgatório, luz que as purifica e eleva aos esplendores dos raios fúlgidos de Deus (cf. Vida admirável,179r).

Queridos amigos, na sua experiência de união com Deus os santos alcançam um «saber» tão profundo dos mistérios divinos, no qual o amor e o conhecimento se compenetram, a ponto de ajudarem os próprios teólogos no seu compromisso de estudo, de intelligentia fidei, de intelligentia dos mistérios da fé, de aprofundamento real dos mistérios, por exemplo daquilo que é o purgatório.
Com a sua vida, santa Catarina ensina-nos que quanto mais amamos a Deus e entramos em intimidade com Ele na oração, tanto mais Ele se faz conhecer e acende o nosso coração com o seu amor. Escrevendo acerca do purgatório, a santa recorda-nos uma verdade fundamental da fé, que se torna para nós um convite a rezar pelos defuntos, a fim de que eles possam chegar à visão beatífica de Deus na comunhão dos santos (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1032)."3.
Para Santa Catarina de Gênova:
"A alma que não deseja ser purificada na vida terrena e não encontra prazer na purificação, deverá sofrer uma purificação mais forte no Purgatório. Porque aqui na terra encontra complacência e consolação no Senhor.
As chamas com as quais a alma é purificada aqui na terra, são as chamas do amor divino, no Purgatório as chamas que queimam e purificam todos os nossos pecados não são chamas do amor divino por isto causam dor, angústia: não existe compaixão. E mesmo que o nosso amor pelo Senhor cresce, não tira nem diminui o tormento que se sente, mesmo quando se percebe os raios do Amor de Deus."4.
Por fim, encerro esta postagem contextualizando o purgatório em nosso Credo,com as palavras de Papa Paulo VI:
"28.Cremos na vida eterna. Cremos que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo - quer as que se devem ainda purificar no fogo do Purgatório, quer as que são recebidas por Jesus no Paraíso, logo que se separam do corpo, como sucedeu com o Bom Ladrão -, formam o Povo de Deus para além da morte, a qual será definitivamente vencida no dia da Ressurreição, em que estas almas se reunirão a seus corpos.

29.Cremos que a multidão das almas, que já estão reunidas com Jesus e Maria no Paraíso, constituem a Igreja do céu, onde gozando da felicidade eterna, vêem Deus como Ele é (cf. 1Jo 3,2) (33), e participam com os santos Anjos, naturalmente em grau e modo diverso, do governo divino exercido por Cristo glorioso, uma vez que intercedem por nós e ajudam muito a nossa fraqueza, com a sua solicitude fraterna
30.Cremos na comunhão de todos os fiéis de Cristo, a saber: dos que peregrinam sobre a terra, dos defuntos que ainda se purificam e dos que gozam da bem-aventurança do céu, formando todos juntos uma só Igreja. E cremos igualmente que nesta comunhão dispomos do amor misericordioso de Deus e dos seus Santos, que estão sempre atentos para ouvir as nossas orações, como Jesus nos garantiu: "Pedi e recebereis" (cf. Lc 11,9-10; Jo 16,24). Professando está fé e apoiados nesta esperança, nós aguardamos a ressurreição dos mortos e a vida do século futuro.
Bendito seja Deus: Santo, Santo, Santo! Amém."5.

Notas
1. Catecismo da Igreja Católica, índice analítico, P.98 Purgatório. Disponível em: http://catecismo-az.tripod.com/conteudo/a-z/p/p.html
2. Papa João Paulo II, Audiência: (4 de agosto de 1999). Disponível em: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/audiences/1999/documents/hf_jp-ii_aud_04081999.html
3. Papa Bento XVI, Audiência: Santa Catarina de Génova (12 de janeiro de 2011). Disponível em: https://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/audiences/2011/documents/hf_ben-xvi_aud_20110112.html 
4. Santa Catarina de GênovaArtigo N.º 9078 - Parte 3 - Visões de Santa Catarina de Genova – Jesus revela o Purgatório e o inferno. Disponível em: http://www.espacojames.com.br/?cat=112&id=9078
5. Papa Paulo VI, Homilia (30 de Junho de 1968). Disponível em: http://w2.vatican.va/content/paul-vi/pt/motu_proprio/documents/hf_p-vi_motu-proprio_19680630_credo.html



"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12
CEFAS, oriundo do nome de São Pedro apóstolo, significa também um Acróstico: Comunhão para Evangelização, Formação e Anúncio do Senhor. É um humilde projeto de evangelização através da internet, buscando levar formação católica doutrinal e espiritual.