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19 janeiro 2018
Missão dos Leigos
Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
"Na fonte do Concílio Vaticano II, vamos beber os ensinamentos que nos ajudam a aprofundar a reflexão neste Ano do Laicato. Diz a Constituição Dogmática sobre a Igreja: 'Cristo, o grande profeta, que pelo testemunho da vida e a força da palavra proclamou o reino do Pai, realiza a sua missão profética, não só por meio dos Pastores que ensinam em seu nome e com a sua autoridade, mas também por meio dos leigos e leigas; para isso os constituiu testemunhas, e lhes concedeu o sentido da fé e o dom da palavra a fim de que a força do Evangelho resplandeça na vida quotidiana, familiar e social. Nas estruturas da sociedade, os leigos cristãos manifestem a certeza de sua fé e a firmeza na esperança' (cf. LG 35).
O modo de evangelizar, próprio do laicato, proclamando a mensagem de Cristo com o testemunho da vida e com a palavra, adquire um caráter específico e uma particular eficácia por se realizar nas condições ordinárias da vida no mundo, nas várias circunstâncias, realidades e situações. Nesta obra, a vida matrimonial e familiar desempenha grande e importante papel. Aí se encontra uma admirável escola de apostolado dos leigos e leigas, se a religião penetrar toda a vida e transformar cada vez mais a realidade que envolve a família. Aí encontram os esposos a sua vocação própria, de ser um para o outro e para os filhos as testemunhas da fé e do amor de Cristo. A família cristã proclama as virtudes presentes do reino de Deus e a esperança na vida bem-aventurada. E deste modo, pelo exemplo e pelo testemunho, questiona o mundo com seus contra-valores e ilumina aqueles que buscam a verdade. Ocupados com os cuidados temporais, os leigos e leigas exercem valiosa ação para a evangelização e transformação do mundo (cf. LG 35).
Também por meio do laicato, o Senhor deseja dilatar o seu reino: reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz, no qual a própria criação será liberta da servidão da corrupção, alcançando a liberdade da glória dos filhos de Deus (cf. Rm. 8,21). Por conseguinte, devem os fiéis conhecer a natureza íntima e o valor de todas as criaturas e a sua ordenação para a glória de Deus, ajudando-se uns aos outros a levar uma vida mais santa, para que assim o mundo seja penetrado do espírito de Cristo e, na justiça, na caridade e na paz, atinja mais eficazmente o seu fim. Na realização plena deste dever, os leigos ocupam o lugar mais importante e têm aí o protagonismo: Com a sua competência nos diferentes campos da atividade e do conhecimento humano, o laicato contribui eficazmente para que os bens criados sejam valorizados pelo trabalho, pela técnica e pela cultura para utilidade de todo o gênero humano, sejam mais bem distribuídos e contribuam para o progresso de todos. Além disso, também pela união das próprias forças, devem os leigos e leigas sanear as estruturas e condições do mundo, se elas porventura propendem a levar ao pecado, de tal modo que todas se conformem às normas da justiça e antes ajudem ao exercício da prática do bem. Agindo assim, os leigos e leigas infundirão os valores morais na cultura e na atividade humana (cf. LG 36).
“Perante o mundo, cada cristão leigo deve ser uma testemunha da ressurreição e da vida do Senhor Jesus e um sinal do Deus vivo. Todos em conjunto, e cada um por sua parte, devem alimentar o mundo com frutos espirituais (cf. Gl. 5,22) e nele difundir aquele espírito que anima os pobres, mansos e pacíficos, que o Senhor no Evangelho proclamou bem-aventurados (cf. Mt 5, 3-9). Numa palavra, como disse Diogneto no século II, sejam os cristãos no mundo aquilo que a alma é no corpo” (LG 38).
Fonte: http://www.arqmariana.com.br/noticia/1386/ano-do-laicato-iv
18 janeiro 2018
A vocação dos Leigos
Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
"O Ano do Laicato que estamos celebrando em todo o Brasil tem como tema “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na Igreja em saída, a serviço do Reino” e como lema: “Sal da Terra e Luz do Mundo” (Mt 5,13-14). O objetivo do Ano do Laicato foi assim formulado: “como Igreja, Povo de Deus, queremos celebrar a presença e a organização dos cristãos leigos e leigas no Brasil; aprofundar a sua identidade, vocação, espiritualidade e missão; e testemunhar Jesus Cristo e seu Reino na sociedade”.
O Concílio Vaticano II nos recorda que os leigos e leigas têm por irmãos aqueles que, estabelecidos no sagrado ministério, apascentam a família de Deus ensinando, santificando e governando com a autoridade de Cristo. Desse modo, todos somos chamados a colocar em prática o mandamento do amor (cf. LG 32).
Unidos no Povo de Deus e constituídos no corpo único de Cristo sob uma só cabeça, os leigos e leigas, como membros vivos e atuantes, com todas as forças que receberam da bondade do Criador e por graça do Redentor, são chamados a contribuir para o crescimento da Igreja e sua contínua santificação. Com sua atuação, os leigos participam na própria missão salvadora da Igreja, à qual todos são destinados pelo Senhor, por meio do Batismo e da Confirmação. E os sacramentos, sobretudo a sagrada Eucaristia, comunicam e alimentam o amor para com Deus e os irmãos. Mas os leigos são especialmente chamados a tornar a Igreja presente e atuante nos locais e nas circunstâncias em que só por meio deles ela pode ser o sal da terra e a luz do mundo. Deste modo, todos os leigos e leigas, pelos dons que lhes foram concedidos, são ao mesmo tempo testemunhas e instrumentos vivos da missão da própria Igreja.
Além disso, os leigos e leigas, por diversos modos, podem também cooperar com os ministros ordenados em suas atividades específicas, à semelhança daqueles homens e mulheres que ajudavam o Apóstolo Paulo no serviço do Evangelho. De acordo com as necessidades da comunidade, eles podem ser chamados a exercer certos cargos e a assumir determinados ministérios e funções. Como acontece em muitos lugares, leigos e leigas podem ser instituídos ministros do Batismo, da Palavra, da distribuição da Comunhão Eucarística, assistentes leigos para o Matrimônio e outros serviços eclesiais.
Incumbe, portanto, a todos os leigos a magnífica tarefa de trabalhar para que o desígnio de salvação atinja cada vez mais os seres humanos de todos os tempos e lugares. Portanto, deve estar amplamente aberto o caminho, a fim de que, segundo as próprias capacidades e de acordo com as necessidades, os cristãos leigos e leigas possam participar com ardor na ação da Igreja (cf. LG 33).
Ensina ainda o Vaticano II que Jesus Cristo, supremo e eterno sacerdote, continua também por meio dos leigos sua ação salvadora no mundo. Por isso ele associou os cristãos leigos e leigas à sua própria vida e missão e lhes concedeu participação no seu múnus sacerdotal, a fim de que exerçam um culto espiritual, para glória de Deus e salvação do gênero humano. Por esta razão, os leigos, enquanto consagrados a Cristo e ungidos no Espírito Santo, têm uma vocação admirável e são dotados para que os frutos do Espírito se multipliquem neles cada vez mais abundantemente. Pois todos os seus trabalhos, orações e empreendimentos apostólicos, a vida conjugal e familiar, o trabalho de cada dia, o descanso do espírito e do corpo e os próprios incômodos da vida, suportados com paciência, se tornam em outros tantos sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo (cfr. 1 Ped. 2,5); sacrifícios estes que são oferecidos ao Pai, juntamente com a oblação do corpo do Senhor, na celebração da Eucaristia. E deste modo, os leigos e leigas, agindo em toda a parte santamente, consagram a Deus o próprio mundo (cf. LG 34)."
17 janeiro 2018
O que é o Leigo
Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
"Com toda a Igreja no Brasil, celebraremos o Ano do Laicato, que houve sua abertura no dia 26 de novembro de 2017 e será encerrado na Solenidade de Cristo Rei de 2018. Nas fontes do Concílio Vaticano II, queremos beber das águas cristalinas dos ensinamentos do Magistério da Igreja. O capítulo IV da Lumen Gentium é dedicado aos leigos e leigas. Os Pastores do Povo de Deus reconhecem “quanto os leigos contribuem para o bem de toda a Igreja” (LG 30). Mas, sempre surge a pergunta: O que se entende por leigo ou leiga? Muitas vezes, essa expressão é usada com sentido pejorativo. Por exemplo, quando alguém diz “eu sou leigo no assunto”, está afirmando sua falta de conhecimento. Então leigo é sinônimo de ignorante? De forma alguma! Diz o Vaticano II: Por leigos entendem-se todos os cristãos, isto é, os fiéis que, incorporados em Cristo pelo Batismo, constituídos em Povo de Deus e, a seu modo, tornados participantes da função sacerdotal, profética e real de Cristo, exercem, pela parte que lhes toca, a missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo (cf. LG 31).
O Concílio ensina que é própria e peculiar dos leigos a característica secular, isto é, sua missão no mundo. “Por vocação própria, compete aos leigos procurar o Reino de Deus tratando das realidades temporais e ordenando-as segundo Deus. Vivem no mundo, isto é, em toda e qualquer ocupação e atividade terrena, e nas condições ordinárias da vida familiar e social, com as quais é como que tecida a sua existência. Os leigos e leigas são chamados por Deus para que, exercendo o seu próprio ofício, guiados pelo espírito evangélico, concorram para a santificação do mundo a partir de dentro, como o fermento, e deste modo manifestem Cristo aos outros, antes de mais nada pelo testemunho da própria vida, pela irradiação da sua fé, esperança e caridade. Portanto, especialmente a eles compete iluminar e ordenar de tal modo as realidades temporais a que estão estreitamente ligados, que elas sejam sempre feitas segundo Cristo, progridam e glorifiquem o Criador e Redentor” (cf. LG 31). Assim, o ensinamento do Vaticano II nos remete às palavras de Cristo: “Vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo” (Mt 5, 13-14).
Na riqueza dos dons, na diversidade dos ministérios e na variedade dos carismas, todos devem contribuir para a unidade da Igreja. Unidade não é sinônimo de uniformidade. Constrói-se a unidade na diversidade. Aliás, tanto a unidade como a diversidade são dons do Espírito Santo. «Assim como num mesmo corpo temos muitos membros, e nem todos têm a mesma função, de modo análogo, nós somos muitos e formamos um só corpo em Cristo, sendo membros uns dos outros» (Rom. 12, 4-5).
Do mesmo modo como a expressão “Igreja” não se refere unicamente aos pastores, também a expressão “Povo de Deus” não se aplica somente aos fiéis leigos. Pastores e fiéis leigos formamos a Igreja, Povo de Deus. “Um só é, pois, o Povo de Deus: “um só Senhor, uma só fé, um só Batismo” (Ef. 4,5); comum é a dignidade dos membros, pela regeneração em Cristo; comum a graça de filhos; comum a vocação à perfeição; uma só salvação, uma só esperança e uma caridade indivisa. Portanto, não pode haver nenhuma desigualdade em Cristo e na Igreja, por motivo de raça ou de nação, de condição social ou de sexo. A diversidade de funções não deve levar a oposições. É preciso superar a contraposição entre ministros ordenados e cristãos leigos. “Ainda que, por vontade de Cristo, alguns são constituídos dispensadores dos mistérios e pastores em favor dos demais, reina, porém, igualdade entre todos quanto à dignidade e quanto à atuação, comum a todos os fiéis, em favor da edificação do corpo de Cristo” que é a Igreja (cf. LG 32).
Fonte:
http://www.arqmariana.com.br/noticia/1250/ano-do-laicato-ii
16 janeiro 2018
Objetivo do Ano do Laicato
"O Ano do Laicato, que teve início na Solenidade de Cristo Rei de 2017 e será encerrado na Solenidade de Cristo Rei de 2018. Essa coincidência nos permite aprofundar a reflexão sobre o Povo de Deus. Diz o Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática sobre a Igreja: “O sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial, embora se diferenciem essencialmente, e não apenas em grau, ordenam-se um ao outro; pois um e outro participam, a seu modo, do único sacerdócio de Cristo. Com efeito, o sacerdote ministerial, pelo seu poder sagrado, forma e conduz o povo sacerdotal, realiza o sacrifício eucarístico fazendo as vezes de Cristo, e oferece-o a Deus em nome de todo o povo; os fiéis concorrem para a oblação da Eucaristia em virtude do seu sacerdócio real, que exercem na recepção dos sacramentos, na oração e ação de graças, no testemunho da santidade de vida, na abnegação e na caridade operosa” (cf. LG 10).
O objetivo do Ano do Laicato é “como Igreja, Povo de Deus, celebrar a presença e a organização dos cristãos leigos e leigas no Brasil; aprofundar a sua identidade, vocação, espiritualidade e missão; e testemunhar Jesus Cristo e seu Reino na sociedade”.
O tema do Ano do Laicato é: “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na Igreja em saída, a serviço do Reino” e o lema: “Sal da Terra e Luz do Mundo” (Mt 5,13-14). Assim, queremos oferecer aos leigos e leigas a oportunidade de aprofundar sua reflexão em vista de alimentar ainda mais o desejo de seguir Jesus Cristo como seus discípulos(as) e missionários(as)".
Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Fonte:
http://www.arqmariana.com.br/dom-geraldo-lyrio-rocha
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