Mostrando postagens com marcador Vida Intelectual. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vida Intelectual. Mostrar todas as postagens
17 junho 2018
Três coisas essenciais à salvação
«Três coisas são necessárias ao homem para a sua salvação:
A primeira é o conhecimento daquilo que se deve crer;
a segunda, conhecer o que se deve desejar e
a terceira, conhecer o que se deve realizar.
O homem tem o primeiro desses conhecimentos no Símbolo dos Apóstolos (Credo); a Oração Dominical (Pai-nosso) o instrui sobre o que se deve desejar; e os dois preceitos da caridade e os dez mandamentos da lei mostram o que se deve pôr em prática».
S. Tomás de Aquino
Para um estudo profundo destes três itens, recomendo o Catecismo da Igreja Católica, pois todo ele é baseado nestes três pilares.
Marcadores:
Conversão,
Formação,
Oração,
Vida Intelectual
25 janeiro 2018
Audiolivro "A Vida Intelectual"
Irmãos, achei esta leitura em áudio do maravilhoso livro do Padre Sertilanges "A Vida Intelectual" e não poderia deixar de compartilhar aqui esse ótimo trabalho.
Recomendo muitíssimo:
11 dezembro 2017
Links sobre a Vida Intelectual
Estou fazendo este post para melhor organizar e ordenar as publicações sobre a Vida Intelectual. Acompanhe e descubra a importância deste chamado:
- O Conhecimento da Verdade nos leva a tudo que precisamos
- O intelectual é um consagrado
- O intelectual não é um isolado, ele pertence a seu tempo
- Chamados à Vida Intelectual
- Sermão sobre o conhecimento e a ignorância
- Cursos de História
- Sobre São Tomás de Aquino
- Sobre estudar Teologia
- Vídeos sobre o livro "A Vida Intelectual"
26 outubro 2017
Formação Pessoal Intelectual
Nesta postagem gostaria de lançar um projeto. Projeto de Formação Pessoal Intelectual. Através deste projeto quero me colocar à disposição de quem deseje ajuda no campo da formação. É sabido que temos sérios problemas de formação em nosso país, e a busca pela formação e/ou vocação intelectual é algo muito necessário. Tenho entrado em contato com vários irmãozinhos que gostariam de iniciar um caminho de formação mas não sabem como fazer e por onde começar. Muitas vezes tomam decisões erradas, não baseadas na sua vocação, sem respeitar suas limitações e outras vezes começam pelo material errado e logo desanimam.
Tenho visto muitos sucumbirem ao passar pelos mesmos problemas que encontrei e, às vezes, até piores que os meus. E assim como eu, não encontraram onde se apoiarem ou pedirem ajuda. Diante disso, e de tudo o que Deus já fez por mim, sinto em meu coração o dever de não cruzar os braços e oferecer o pouco de ajuda que posso dar para auxiliar nesse caminho quem assim o desejar. Também estou neste caminho e creio que ele só terá fim no céu; e o que eu puder ajudar, quero me colocar à disposição. Tenho uma caminhada de mais de 24 anos de busca pelo conhecimento e espiritualidade. E há mais de 20 anos Deus acabou me conduzindo para trabalhar nessa área de formação com jovens e adultos. Ainda sou um aprendiz, mas sei que posso contribuir para minimizar o caos em que nos encontramos, que como nos diz o Senhor: "Meu povo se perde por falta de conhecimento" Oséias 4,6.
Sobre a importância da vocação intelectual, recomendo a leitura das postagens aqui neste blog sobre este temática tão importante. Este é o link para acessar especificarmente estes posts: http://www.missaocefas.org/2017/12/links-sobre-vida-intelectual.html
Deixamos claro que não se trata de direção espiritual. Isso é papel mais próprio aos sacerdotes. Até recomendamos veemente que cada um tenha um diretor espiritual para auxiliá-lo nas questões mais íntimas e espirituais. A proposta, como disse, é fornecer um auxílio, uma orientação para a pessoa trilhar um caminho de leitura, estudos e meditação nas principais áreas de interesse que um católico precisa. A formação será feita de forma pessoal, um a um, seja presencialmente, seja virtualmente.
Essa disposição da minha parte vem depois de muito tempo de discernimento. Se trata de vocação e não moda ou interesses pessoais. De uma certa forma, já tenho me dedicado a isso, mas de forma difusa e desorganizada, de acordo com o pedido das pessoas eventualmente. Para fazer algo direito e com frutos, precisamos organizar o projeto. Devido a isso me dedicarei com mais atenção a esse projeto e colocarei meus materiais à disposição dos que estiverem neste caminho. A partir de então não vou mais poder ficar emprestando livros a todos como antes, pois eles serão os principais instrumentos que usarei nesta formação pessoa a pessoa.
Está lançada a proposta. Quem desejar, entre em contato comigo.
Deus nos abençoe! Shalom.
29 agosto 2017
Literatura, cultura e a alma ocidental
No mundo atual, entrar na Ortodoxia é como se converter da mediocridade para a plenitude, da superficialidade para a profundidade, da impostura para uma realidade tão rica e tão vasta que, às vezes, ficamos na dúvida se é possível que a Igreja e o mundo “real” possam existir juntos e ao mesmo tempo.
Esta conversão ocorre não sem certo desconforto, pois a conciliação dos aspectos exteriores da vida moderna com o pensamento profundo e interior da Ortodoxia parece-nos algo impossível. A Ortodoxia se apresenta a nós como uma realidade muito mais intensa e transcendente. Esta impressão origina-se do fato de que quase sempre trazemos conosco uma parte da mediocridade, da superficialidade e da impostura da vida moderna. Esta superficialidade aos poucos corrói a vida espiritual -- a despeito de nossas boas intenções --, e em pouco tempo chegamos à conclusão de que há algo de muito errado conosco.
No entanto, quem acha que todas as coisas ocidentais são ruins está muito enganado. Viver pensando desse jeito é simplesmente impossível. Somos ocidentais: afinal, nossas almas foram forjadas pela psicologia e pela mentalidade ocidental. O esforço freqüentemente doloroso de conhecermos a nós mesmos só poderá ser bem-sucedido se compreendermos as forças que nos moldaram.
Ao invés de ficarmos fugindo de nossa própria cultura, ou de tentarmos negar o poder que ela exerce em nós, seria muito melhor se a encarássemos com honestidade e sinceridade a fim de compreendermos sua essência e origem. Este é o primeiro passo para a formação de uma cosmovisão ortodoxa, e esta é a tarefa número 1 que nos aguarda. Se lograrmos êxito nessa tarefa, então seremos capazes de distinguir aquilo que é culturalmente útil daquilo que é culturalmente desprezível. Talvez ainda mais importante do que isso, seremos capazes de alcançar o autoconhecimento, ou seja, de alcançarmos a profundidade de alma que nos permitirá vislumbrar o caminho para que nos tornemos bons cristãos.
Na verdade, não herdamos a cultura ocidental coisa nenhuma. Este é o grande problema. Nós fomos educados e aculturados nas ruínas dessa cultura. Não vivemos no Ocidente, mas na memória pálida e moribunda do Ocidente. A “cultura” contemporânea é uma cultura inexistente, um vácuo que contrai a alma e asfixia o espírito. Antes de tentar mergulhar o espírito nas águas profundas da Ortodoxia, o homem contemporâneo faria melhor se primeiro nutrisse sua alma, pois a má-nutrição paralisa toda e qualquer tentativa de desenvolvimento espiritual. O homem ocidental moderno é como uma planta de raízes superficiais: ela jamais conseguirá crescer de maneira vigorosa e sustentável. O espírito do homem moderno é incapaz de se elevar, pois um espírito elevado exige uma alma profunda, que tenha maturidade e sensibilidade suficientes para perceber a nobreza das coisas e para ser enobrecida por elas.
Os Padres sempre ensinaram que a parte mais elevada e espiritual da natureza humana funda-se sobre o primeiro nível da alma, que é justamente o nível que melhor responde aos estímulos produzidos pelas coisas virtuosas, nobres e belas. As capacidades humanas, distorcidas pela Queda, devem ser restauradas à sua normalidade, e somente depois que essa normalidade estiver restabelecida é que conseguiremos progredir nas coisas espirituais. A “percepção superior”, que São João Clímaco chamava de “atributo” da alma, é “esbofeteada” pelo pecado, e por isso temos de nos treinar melhor. O redirecionamento e a elevação da alma é a tarefa essencial de todos os cristãos ortodoxos.
Ao contemplar o belo e o nobre contidos nas obras de arte, o cristão terá a chance de restabelecer em si a sensibilidade para um tipo muito especial de ternura e de simpatia. A inclinação para o belo e para o nobre vem de Deus, mas essa capacidade foi obscurecida pela própria negligência humana. O crescimento espiritual autêntico só será possível depois que o primeiro nível da alma tiver sido elevado e purificado. Do contrário, será extremamente difícil atingir a sobriedade, a fertilidade, a autenticidade e a profundidade na vida espiritual. A alma incultivada raramente possui o discernimento e o equilíbrio para enxergar com clareza e honestidade, nem a sensibilidade para sentir com profundidade, nem a inspiração para esforçar-se intensamente, nem o idealismo para alcançar incondicionalmente o que há de melhor e mais verdadeiro. A sensibilidade e a intensidade não são em si atributos espirituais. No entanto, servem de prelúdio às coisas espirituais.
É psicologicamente impossível que, de uma hora para outra, nos tornemos “não-ocidentais”, mesmo que isso fosse uma coisa desejável. A rejeição pura e simples dos frutos de centenas de anos de cultura cristã, na esperança de escaparmos da mácula do “ocidentalismo”, é uma postura intelectualmente irresponsável. A recusa em nos nutrirmos daquilo que é edificante e elevado inevitavelmente implicará em nos nutrirmos daquilo que não é edificante nem elevado: a cultura pop americana, repleta de superficialidade e falsidade, infiltra-se dia após dia em nossos corações desprotegidos. Se não reagirmos, se recusarmos a escolher as coisas sublimes, então nossas almas serão inapelavelmente asfixiadas pelo artificialismo e pela baixeza. Seremos perpetuamente contaminados pela imundície mortal do mundo -- e por nossa própria imundície --, e jamais seremos capazes de tocar o fundo de nossos corações, nem responder as necessidades de nossos próximos.
Observe o exemplo da Igreja primitiva. Quando a Igreja denunciava a cultura pagã, ela denunciava somente os aspectos que se fundavam no demonismo da religião pagã e no hedonismo da arte pagã. No entanto, os aspectos da cultura helênica que eram úteis e saudáveis não foram rejeitados e denunciados pela Igreja, mas, pelo contrário, foram transmutados por ela em declarações missionárias profundamente convincentes.
Ontem como hoje, muitas pessoas negavam que a arte e a cultura seculares poderiam ser utilizadas como instrumentos para cultivar e educar a alma, e o faziam lançando mão da exortação do Apóstolo: “Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” (Colossenses 2:8).
Os Padres da Igreja, ao lidarem com esta questão, formularam a resposta que se tornaria a postura ortodoxa por excelência, a resposta registrada nas obras de homens como São Clemente de Alexandria, São Basílio e São João Damasceno.
Em seu Stromateis, São Clemente ensina que a exortação do Apóstolo aplica-se somente aos casos em que a pessoa abandona as coisas espirituais para abraçar as coisas do mundo, ou seja, quando ela abandona a verdade altíssima do Cristo para abraçar a verdade parcial da cultura secular, pois “a filosofia é extremamente rudimentar se comparada ao Cristianismo, e serve tão-somente de treino preparatório para a verdade”. (Stromateis, VI, 7).
É bem verdade que os estudos da poesia, da história, da arte e da ficção são “extremamente rudimentares”. Não são estudos espirituais. Mas nós, inseridos na realidade do mundo moderno, precisamos demais desses rudimentos; precisamos não apenas de vida espiritual, mas de humanidade pura e simples. O Apóstolo exorta-nos a não confundirmos a vida inferior da alma com a vida superior do espírito, e pede para que não abandonemos a plenitude do Cristo para abraçarmos a vacuidade do mundo. Porém, notem que ele não pede para ignorarmos o desenvolvimento da alma.
São Clemente não foi o único que percebeu a necessidade e a utilidade de coisas tão “mundanas” como a poesia. São Basílio, em seu “Discurso aos jovens sobre o uso correto da literatura grega”, demonstra claramente a relevância da cultura secular para a vida espiritual:
"Devemos depositar nossas esperanças nas coisas transcendentes; preparem-se para a vida eterna fazendo aquilo que nós fazemos. As Escrituras apontam para a vida eterna; elas ensinam com palavras divinas. Porém, na medida em que nossa imaturidade nos impede de entender seus [das Escrituras] pensamentos profundos, exercitemos nossas percepções espirituais com obras seculares, as quais não são completamente distintas [das Escrituras] e nas quais percebemos a verdade como em sombras e espelhos... Conseqüentemente, devemos conversar com os poetas, com os historiadores, com os oradores, em verdade, com todos os homens que possam auxiliar a salvação de nossas almas... [Devemos] preservar os recursos, sem deixar de revirar nenhuma pedra...de onde devemos extrair toda ajuda... A virtude é o único e verdadeiro tesouro, o tesouro que permanece conosco na vida e na morte, [e] já que temos de alcançar a vida futura mediante a virtude, nossa atenção deve apegar-se aos trechos das obras dos poetas, dos historiadores e especialmente dos filósofos nos quais a virtude é enaltecida, [pois] aqueles que foram instruídos nos exemplos pagãos não considerarão impraticáveis os preceitos cristãos... Portanto, nós devemos agir com sabedoria e extrair dos livros pagãos tudo aquilo que é benéfico e aliado da verdade, e ignorar o resto".
Similarmente, São João Damasceno, na Exposição da Fé Ortodoxa, exorta aos cristãos ortodoxos que têm “sede de conhecimento” a “deleitarem-se” nas Escrituras, “pois [elas] contêm a graça que jamais se exaure. Porém, se somos capazes de lucrar com outras fontes, então isto não nos será proibido. Sejamos, pois, bons banqueiros: coletemos o ouro puro e genuíno e rejeitemos o que é espúrio. Aceitemos as boas doutrinas, mas atiremos aos cães os deuses ridículos e as fábulas insanas, pois daquelas extrairemos grande força contra estas”. (Iv. 17)
Adotando, pois, esta postura, a Igreja batizou a cultura pagã; os dejetos foram expurgados e o restante foi elevado. Essa cultura batizada era precisamente a cultura ocidental. Por onde a Igreja passou na Europa, ela sempre adotou esta mesma postura. Na Irlanda ou na Gália, na Bretanha ou na Espanha, a Igreja preservou tudo o que era bom e verdadeiro nas artes e na literatura popular, na natureza e na sociedade. A cultura pagã da Europa pré-cristã encontrou no Cristo a realização para suas mais sublimes aspirações, e foi assim que a Europa floresceu.
Por conseguinte, gerações de homens e mulheres desenvolveram suas mais profundas aspirações construindo, cantando, criando e vivendo. Eles regozijaram-se em Deus, nas maravilhas de Suas obras e de Seu mundo, e o legado que nos deixaram manifestam essa alegria. Eles criaram uma época cujas maravilhas e belezas estão praticamente esquecidas, onde a poesia corria solta no sangue e a castidade não era vergonhosa, mas corajosa, onde o escárnio e a superficialidade não eram sinais de fortaleza e as lágrimas não eram sinônimo de fraqueza, um mundo gentil e cortês, honrado e preciso, nobre e íntegro.
Este era o nosso mundo. A imundície da publicidade e das novelas nem sempre fez parte do mundo. Houve um tempo em que o júbilo, a nobreza e a alegria faziam parte do mundo ocidental. Se formos incapazes de enxergar esses aspectos, então jamais conheceremos a nós mesmos. Se não enxergarmos a objetividade bela e cristalina da mente medieval -- por exemplo, a visão profunda e humilde que tinham do cosmo como um grande baile real --, e tivermos olhos tão-somente para as provas de Anselmo e para a auto-exaltação papal, daremos a demonstração mais cabal possível do entorpecimento de nossos corações. O homem medieval contemplava o céu noturno e chorava, sentindo-se enclausurado nas duplas trevas da separação física e moral de Deus. Mas ele também acreditava que as estrelas eram buracos no chão do céu: aqueles pontos de luz vinham de um mundo onde o dia era perpétuo e onde todas as coisas dançavam jubilando-se pela criação e brilhando na luz imutável de Deus.
O homem medieval valorizava a hierarquia porque, para ele, a hierarquia era uma lembrança de Deus. O mundo inteiro era como que um desvelamento incessante, uma alegoria intrincada da majestade e do amor de Deus. Ele exultava-se em júbilo na obediência e caminhava temeroso na humildade da autoridade, porque ambas eram imagens de profundas realidade espirituais. Ele alegrava-se pelas cores e pela beleza do mundo físico, porque elas eram prenúncios dos esplendores ainda maiores do Reino de Deus.
Ele poderia empenhar sua vida inteira na construção de uma catedral, e jamais se esquecer da transiência do mundo temporal. A literatura, a didática, a moral, tudo o fazia lembrar da beleza da virtude e da nobreza e da brevidade da vida. A poesia entoava o esplendor do mundo criado e o temor de Deus. A sociedade lhe ensinava a sentir a realidade e a proximidade do reino espiritual de maneira quase tão intensa quanto o mundo físico. As igrejas – resplandecentes, delicadas, formosas – elevavam a alma e o espírito a grandes alturas.
O ímpeto apostólico impulsionou este mundo por quase mil anos. O alimento fornecido por mil anos de Ortodoxia formaram a base espiritual sobre a qual cresceram tudo o que há de melhor na arte e na cultura ocidentais. Esse ímpeto permaneceu praticamente intacto até o Iluminismo, mas foi intensamente corroído durante a Era Romântica e, por fim, ruiu inteiramente em nossa época. O que de melhor foi feito, foi feito neste espírito e vem deste mundo. A comunidade de sentimentos e intenções que marcam os melhores escritores, artistas e músicos vem desta fonte. A despeito das mudanças sociais, políticas e religiosas, Shakespeare e Dickens, Bach e Mozart, Donne e Hugo compartilham deste mundo, e é para este mundo que os cristãos ortodoxos devem se voltar a fim de moldarem suas almas. Há lições que temos de aprender com o passado antes que possamos alimentar esperanças quanto ao futuro.
Os Padres recomendavam o estudo das artes e letras pagãs como instrumentos para treinar a alma. Nós, que temos a nosso dispor os produtos da cultura ocidental fundados no Cristianismo, não apenas não devemos temer o uso destes produtos, mas não temos desculpas para ignorá-los. Pensar que tudo o que é ocidental é ipso factosuspeito revela uma profunda insegurança, um legalismo mais rígido do que qualquer seita, um escolasticismo mais árido do que qualquer summa.
Temos de recuperar os sentimentos e sensibilidades que outrora fizeram parte de todos os povos civilizados. As obras de arte, a literatura e a música pré-modernas portam valores essenciais para nós. Elas podem nos ensinar coisas que nada do que se produz hoje poderia nos ensinar: o que é nobreza, o que é virtude, o que é honra, o que é pureza, o que são sacrifício e lealdade, o que é digno e o que não é. Poesia, música, arte, ficção: nada disso é alimento espiritual, mas tudo isso é leite e pão de que precisamos a fim de ganharmos força para vivermos da carne do espírito.
A visão, o som e a sensação do sublime são coisas que perdemos. Para recuperá-las, devemos retornar a um tempo onde a moral nebulosa e arenosa ainda não havia dominado o mundo: um tempo onde a visão do homem ainda era suficientemente clara e sua alma suficientemente apurada. Se não dominarmos os planaltos da alma, dificilmente conseguiremos alcançar os píncaros do espírito. Embrutecidos pelo zunido e pela cacofonia moral do mundo, os corações permanecem frios e as consciências entorpecidas. Estamos insensíveis à piedade, à honra, à nobreza, à pureza, porque quase nunca as vemos. Até mesmo pela beleza não somos mais movidos, uma vez que já nem mais sabemos o que é beleza. Assim como a maioria dos termos de valor, “beleza” tornou-se uma palavra vazia, sem conteúdo, desprovida de sentido absoluto. Hoje em dia, beleza é aquilo que nós gostamos, ou o que quer que nos digam que é bonito. A arte passou a ser aquilo que decidimos que é arte. Já não podemos mais dizer que um monte de calotas enferrujadas e canos retorcidos não é “arte” da mesma maneira que Rembrandt é “arte”.
A apreciação artística tornou-se algo inteiramente pessoal apenas recentemente. A beleza, assim como os demais aspectos da arte, era outrora um aspecto da Verdade absoluta, que era Deus. Portanto, uma coisa era bela proporcionalmente à fidelidade com que refletia alguma parte da imagem e da verdade de Deus. Ora, como o coneito de Verdade está totalmente perdido, não mais somos capazes de expressas o conceito verdadeiro de Beleza, e nutrimo-nos de mediocridade, feiúra, de anti-beleza, anti-heroísmo, anti-arte, daquilo que zomba Deus e o homem.
Temos de reaprender o que é beleza. Temos de aprender a sermos arrebatados pelo furor de uma fuga, a sermos enebriados pela loucura de Lear, a sermos consumidos pela sanidade de Quixote. Temos de ser renovados pela saúde e caridade de Dickens, iluminados pela clareza e pela percepção de Hugo, fortalecidos pela gravidade sóbria e pela esperteza oblíqua de Johnson, tocados pelo fogo de Donne, tranquilizados pela flora primaveril de Chaucer.
Temos de sentir de novo a dor da saudade, a alegria amarga de quase tocar, mas nunca apreender, de quase ouvir, mas nunca compreender Aquele cuja Beleza torna a arte bela. Em seu sentido mais profundo e verdadeiro, é exatamente isto o que a arte faz: precisamos dela precisamente porque ela nunca sacia. Ela sempre estimula a sede, ela sempre nos lembra da fome que nunca é saciada. Ela nos leva aos pontos mais altos da experiência humana, para depois nos deixar com saudades não sabemos exatamente do quê. Neste ponto, o espírito estará pronto para prosseguir, para encontrar seu verdadeiro lar em Deus. A alma inculta, informe, não sentirá a verdadeira profundeza e dor da saudade, nem saberá como remediá-la. Se quisermos sentir fome e sede suficientes para buscar a Deus com diligência e comprometimento, temos de moldar a alma com cuidado e persistência.
E temos de moldar as almas de nossos filhos. A criança que nasce e cresce nos dias de hoje encontra-se em desvantagem ainda maior do que seus pais. Sem o esforço e a preocupação constantes, os pais não conseguirão evitar que seus filhos cresçam aleijados de alma e atrofiados de espírito. É importante que os adultos lutem pela elevação e pela pureza de suas almas; ainda mais urgente é instilar o idealismo, a agilidade espiritual, a simplicidade e a amabilidade nas almas das crianças. As crianças que são criadas em meio à boa música, boa leitura e boa arte desenvolverão a genuinidade instintiva, a acuidade do ouvido espiritual, as quais serão valiosíssimas para suas vidas. Elas não serão enganadas pela futilidade, e jamais se esquecerão das imagens de pureza, cavalheirismo, integridade e beleza que ganharam quando leram e ouviram aquilo que de melhor o coração e a mente humana puderam produzir. Quando suas almas forem bem formadas, elas serão capazes de resistir às muitas ilusões e divertimentos tolos que os aguardam pelo mundo afora.
Se quisermos servir a Deus de todo o coração e mente e alma, temos de garantir que nossas almas sejam verdadeiras e retas, que sejam bem treinadas para pelo menos reconhecer a nobreza e a integridade, mesmo que a debilidade da carne impeça que as pratiquemos. Portanto, é o ensinamento ortodoxo das necessidades da alma que demonstra a utilidade espiritual da cultura e da literatura.
_________________________________________________
FONTE:
St. Xenia Skete, The Orthodox Word, Vol. 19, nº 1 e 2, 1983, St. Herman of Alaska Brotherhood, Platina, CA, EUA.
Extraído de: «The Intellectual Life» e https://www.ecclesia.com.br/biblioteca/fe_crista_ortodoxa/literatura-cultura-e-a-alma-ocidental.html e http://avidaintelectual.blogspot.com.br/2010/06/literatura-cultura-e-alma-ocidental.html
27 janeiro 2017
Cursos de História em áudio e vídeo
Como esse ano vou me dedicar ao estudar o básico em história, fiz uma seleção de cursos sobre o tema.
Recomendamos aqui alguns cursos de história para quem precisa conhecer o básico da história geral, história da igreja entre outros temas:
1 - Revelação e Fé - Padre Paulo Ricardo
2 - Curso Bíblico Antigo Testamento - Pf Felipe Aquino
3 - História Antiga - Landmark
4 - Curso Bíblico Novo Testamento - Pf Felipe Aquino
5 - História Essencial da Filosofia - Olavo de Carvalho
6 - História da Igreja - Idade Antiga - Pf Felipe Aquino
7 - História da Igreja Antiga - Padre Paulo Ricardo
8 - História da Igreja - Idade Média - Pf Felipe Aquino
9 - História da Igreja Medieval - Padre Paulo Ricardo
10 - Templários - Padre Paulo Ricardo
11 - Inquisição - Padre Paulo Ricardo
12 - História da Igreja - Idade Moderna e Contemporânea - Pf Felipe Aquino
13 - A Igreja e o Mundo Moderno - Padre Paulo Ricardo
14 - História Européia - Landmark
15 - História da Igreja - Landmark
16 - História dos EUA - Landmark
17 - O Brasil não foi colônia - IMUB
18 - História do Brasil - Landmark
Marcadores:
Downloads,
Formação,
História da Igreja,
Vida Intelectual
26 setembro 2016
SERMÃO SOBRE O CONHECIMENTO E A IGNORÂNCIA
SERMÃO SOBRE O CONHECIMENTO
E A IGNORÂNCIA
(Sermão 36 sobre o Cântico dos Cânticos)
De São Bernardo de Claraval
(trad. Jean Lauand)
O CONHECIMENTO DAS LETRAS É BOM PARA A INSTRUÇÃO, MAS O CONHECIMENTO DA PRÓPRIA FRAQUEZA É MAIS ÚTIL PARA A SALVAÇÃO
I
Aqui estou para cumprir o que vos prometi; aqui estou para satisfazer vosso desejo; aqui estou, também, obrigado pela dívida que tenho para com Deus, a Quem sirvo.
Como vedes, três são as razões que me impelem a pregar: o compromisso assumido, o amor fraterno e o temor a Deus.
Se me abstivesse de falar, pela minha boca condenar-me-ia. Mas o que acontece se eu falar? Também neste caso, corro o mesmo risco, o de ser condenado pela minha própria boca: por pregar e não praticar o que prego. Ajudai-me, pois, com vossas orações, para que eu possa sempre falar o que é necessário e, com minha conduta, praticar o que prego.
Tinha vos anunciado o tema do sermão de hoje: a ignorância, ou melhor, as ignorâncias, porque, como lembrais, há duas ignorâncias: a de nós próprios e a de Deus. E vos aconselhava a evitar uma e outra, pois ambas são perdição.
Hoje, procuraremos esclarecer melhor esse assunto. Antes, porém, discutiremos se toda ignorância é condenável. Parece-me que não, pois nem toda ignorância produz perdição: há muitas e mesmo inúmeras coisas que se podem ignorar sem problema algum para a salvação.
Se alguém, por exemplo, desconhece artes mecânicas, como a carpintaria, a arte de edificação e outras que são exercidas para a utilidade da vida neste mundo, acaso tal ignorância constitui obstáculo para a salvação?
Também muitos são os que se salvaram e agradaram a Deus pela sua conduta e com seus atos sem as artes liberais (e, certamente, são úteis e moralmente bons esses estudos). Quantos não enumera a Epístola aos Hebreus (cap. 11), que se tornaram agradáveis a Deus não com erudição, "mas com consciência pura e fé sincera" (I Tim 1,5). E agradaram a Deus com os méritos de sua vida e não com os de seu saber. Cristo não foi buscar Pedro, André, os filhos de Zebedeu e todos os outros discípulos, entre filósofos; nem em escola de retórica e, no entanto, valeu-se deles para realizar a salvação na terra.
Não é porque fossem mais sábios do que todos os homens - como diz de si mesmo o Eclesiastes (1, 16) -, mas, por causa de sua fé e de sua benignidade, o Senhor os salvou e fez deles santos e mestres. Pois os Apóstolos mostraram ao mundo o caminho da vida, não com sublimidade de discurso, nem com palavras eloquentes de sabedoria humana, mas pelo modo como aprouve a Deus: pela estultícia de sua pregação, aprouve a Deus salvar os que creem, porquanto o mundo com sua sabedoria não O conheceu (I Cor 2, 1; 1, 17-21).
II
Posso estar dando a impressão de querer lançar em descrédito o saber, de repreender os doutos, de proibir o estudo das letras. Longe de mim, tal atitude! Conheço muito bem o inestimável serviço que os homens doutos têm prestado à Igreja: seja refutando os adversários dela, seja na instrução dos simples.
Com efeito, o que li na Sagrada Escritura foi: "Como rejeitaste o saber, também Eu te rejeitarei, para que não exerças Meu sacerdócio" (Os 4, 6). E mais: "Os doutos resplandecerão com o brilho do firmamento, e os que tiverem ensinado a muitos a justiça, brilharão como estrelas em perpétuo resplendor" (Dn 12, 3).
Mas, por outro lado, li também: "O saber incha" (I Cor 8, 1) (Scientia inflat).
E, finalmente: "No acúmulo de saber, acumula-se a dor" (Ecl 1, 18).
Vede que há saberes e saberes: há um saber que produz o inchaço e há um saber que contrista. Quero que sejais capazes de distinguir qual deles é útil e necessário para a salvação: o que incha ou o que dói? E não duvido que prefiras o que aflige ao que incha, porque, se a saúde (salvação) pela inchação é aparentada, pela aflição é procurada (A palavra latina salus significa tanto saúde como salvação).
Ora, quem procura, acaba encontrando, pois "quem pede, recebe" (Lc 11,10). E é certo que Aquele que cura os que têm o coração contrito abomina o inchaço dos orgulhosos, pois a Sabedoria diz: "Deus resiste aos soberbos e dá Sua graça aos humildes" (Tg 4,6) (ver I Pe 5, 5 e Pr 3, 34). E o Apóstolo diz: "Exorto-vos, em virtude do ministério que pela graça me foi dado, a não pretender saber mais do que convém, mas saber com sobriedade" (Rom 12,3).
O Apóstolo não proíbe saber, mas sim saber mais do que convém. E o que é saber com sobriedade? É cuidar de aplicar-se prioritariamente ao que mais interessa saber, pois o tempo é breve (I Cor 7,29). Ora, ainda que todo saber, desde que submetido à verdade, seja bom, tu, que buscas com temor e tremor a salvação e a buscas apressadamente, dada a brevidade do tempo, deves aplicar-te a saber, antes e acima de tudo, o que conduz mais diretamente à salvação (ver 2 Cor 7,15 e Fil 2,12).
Acaso não dizem os médicos do corpo que parte da medicina é precisamente determinar a ordem dos alimentos: qual deve ser ingerido antes, qual depois e o modo de os ingerir? Ora, mesmo sendo bons os alimentos que Deus criou, tu os tornas nocivos se não observas o modo e a ordem ao ingeri-los. Aplica, pois, aos saberes, o que dissemos dos alimentos.
III
Mas o melhor é encaminhar-vos ao Mestre. Não é nossa esta sentença, mas dEle; ou antes, é nossa porque a aprendemos dAquele que é a Verdade. E diz: "Se alguém pensa que sabe alguma coisa, ainda não sabe como deveria saber" (I Cor 8,2).
Vede como não é aprovado o saber muitas coisas se se ignora o modo de saber. Vede como o fruto e a utilidade do saber consiste no modo de saber.
Mas o que é este modo de saber? O que, senão saber segundo a ordem, o amor e o fim devidos?
Segundo a ordem, isto é, priorizando o que é mais necessário para a salvação; segundo o amor¹, isto é, voltando-nos mais ardentemente para o que mais nos impele a amar; segundo o fim: não por vaidade ou curiosidade ou objetivos semelhantes, mas somente pela tua própria edificação e pela de teu próximo.
Há quem busque o saber por si mesmo, conhecer por conhecer: é uma indigna curiosidade.
Há quem busque o saber só para poder exibir-se: é uma indigna vaidade. Estes não escapam à mordaz sátira que diz: "Teu saber nada é, se não há outro que saiba que sabes" (Persius, Satyra 1, 27).
Há quem busque o saber para vendê-lo por dinheiro ou por honras: é um indigno tráfico.
Mas há quem busque o saber para edificar, e isto é amor. E há quem busque o saber para se edificar, e isto é prudência.
IV
De todos estes que buscam o conhecimento, só os dois últimos não incorrem em abuso do saber, já que o buscam para praticar o bem. Deles é que fala o salmo: "O saber é bom para quem o põe em prática" (Sl 111, 10). Os demais devem ouvir a Escritura: "Quem conhece o bem e não o pratica, comete pecado" (Tg 4, 17).
É como se, numa comparação, disséssemos: tomar alimento e não digeri-lo faz mal. Um alimento indigesto, mal cozinhado, produz maus humores e, em vez de nutrir o corpo, corrompe-o. Assim também pode dar-se o caso de o estômago da alma, que é a memória, ingerir muitos conhecimentos que não foram cozinhados pelo fogo do amor e nem passaram para ser elaborados pelo aparelho digestivo da alma (no caso, os atos e costumes), a fim de que a alma se torne boa pelo bom conhecimento (o que pode ser atestado pela vida e pelos costumes). E acaso um tal saber indigesto não deve ser considerado pecado, tal como um alimento que se transforma em humores maus e nocivos? E os maus humores do corpo não equivalem aos maus costumes da alma? E não virá a sofrer de inchaços e cólicas de consciência quem conhece o bem e não o pratica?
Acaso não se lhe aplicará a sentença de morte e condenação, toda vez que lhe vier à mente a palavra de Deus: "O servo, que conhece a vontade de seu senhor e não a pratica, torna-se digno de muitos açoites" (Lc 12,47) ?
E não será em nome desta alma, o pranto do profeta (Jer 4,19): "Doem-me as entranhas, doem-me as entranhas"? Gemidos geminados que - salvo outra interpretação - apontam para o que dizíamos: o profeta fala de si mesmo, pois estava pleno de saber, inflamado de amor e, desejando intensamente transmitir esse saber, não encontrou quem se interessasse por ouvir e teve de arcar sozinho com o peso de um saber que não pôde comunicar. Chorou, pois, o zeloso doutor da Igreja, tanto por aqueles que menosprezam a busca do saber que dirige o bem viver, como pelos que, embora sabendo, no entanto, vivem mal. E, por isso, o profeta repete seu lamento.
V
Compreendes agora quão verdadeira é a sentença do Apóstolo: "O saber incha"? Por isso, convém que a alma antes se conheça a si mesma, coisa que é requerida pela ordem e pela utilidade.
Pela ordem, porque, para nós, o primeiro conhecimento deve ser o do que somos; pela utilidade, porque tal conhecimento não incha, mas humilha e serve de fundação para a edificação. Pois o edifício espiritual que não tem seu fundamento na humildade, não se aguenta em pé.
E para aprender a humildade, a alma não encontra nada mais convincente do que descobrir-se a si mesma na verdade. Deve-se, portanto, evitar a dissimulação, o auto-engano doloso, deve o homem encarar-se de frente, evitando fugir de si mesmo.
Pois, defrontando-se a alma com a límpida luz da verdade, encontrar-se-á muito diferente do que julgava ser e, suspirando em sua miséria - uma miséria que já não pode esconder porque é verdadeira e manifesta -, clamará com o salmista ao Senhor: "Em Tua verdade me humilhaste" (Sl 119, 75). Como não se humilhará neste verdadeiro conhecimento de si, ao dar-se conta da carga de seus pecados, sob o peso deste corpo mortal, ao ver-se imersa em preocupações terrenas, infectada pelos desejos carnais, cega, curvada, fraca, envolta em mil pavores, angustiada ante mil dificuldades, sufocada ante mil dúvidas, indigente de mil necessidades, inclinada ao vício, impotente para as virtudes?
Onde está agora o olhar arrogante? Onde, a cabeça orgulhosamente erguida? Não será ela ainda mais arremessada em sua desolação, trespassada por espinhos? (Sl 32, 4). Que ela - diz o salmista - derrame lágrimas, que chore e gema, que se volte para o Senhor e clame em sua humildade: "Cura, Senhor, minha alma, pois pequei contra Ti" (Sl 41,5).
Se ela se voltar para o Senhor, encontrará consolo, pois Ele é o Pai das misericórdias e o Deus de toda consolação.
VI
Eu, quando olho para mim mesmo, fico imerso em amargura; logo, porém, que alço a vista para o auxílio da misericórdia divina, suaviza-se meu amargor com a alegria da visão de Deus e Lhe digo: "Minha alma está conturbada interiormente, por isso me lembro de Ti" (Sl 42,7).
Basta um pouco de conhecimento de Deus para experimentar que Ele é piedoso e solícito, pois, na verdade, Ele é um Deus de bondade e misericórdia, que perdoa a maldade (Joel 2,13); Sua natureza é a bondade e é próprio dEle perdoar e ter misericórdia sempre.
Deus se dá a conhecer nesta experiência e desta maneira salutar, a partir do momento em que o homem se reconheça indigente e clame ao Senhor; e Ele o ouvirá e dir-lhe-á: "Eu te libertarei e tu Me glorificarás" (Sl 50,15).
Assim, o conhecimento próprio é um passo para o conhecimento de Deus. Vê-lO-ás em Sua imagem, que em ti se forma, na medida em que tu, desarmado pela humildade, com confiança, irás refletindo a glória do Senhor e, levado pelo Espírito de Deus, de claridade em claridade, irás te transformando nessa imagem.
VII
Reparai, pois, como ambos conhecimentos são necessários para a salvação, de tal modo que não pode faltar nenhum dos dois. Pois, se desconheces a ti mesmo, não terás temor de Deus em ti, nem humildade. Por acaso pensas que podes alcançar a salvação sem temor de Deus e sem humildade?
(Neste momento, o auditório murmura: "Não, não!").
Fizestes bem de indicar-me o "não" absoluto de vosso juízo, ou antes, que não estais desprovidos de juízo... Nem vale a pena continuar falando sobre o óbvio.
Mas, prestai atenção a um outro ponto...
Ou será melhor parar, por causa dos que já estão pestanejando? Eu pretendia, em um só sermão, dar conta do que tinha prometido: falar da dupla ignorância, e fá-lo-ia se não me parecesse que este discurso já está demasiadamente longo para os que o acham cansativo. E vejo alguns bocejando e outros dormitando. E não é de admirar, pois a longuíssima vigília de oração que tivemos hoje os desculpa.
O que direi, porém, daqueles que dormem agora, mas dormiram também enquanto rezávamos os ofícios? Não quero, porém, levar isto adiante e envergonhá-los, baste ter mencionado o fato... Penso que de hoje em diante cuidarão de estar atentos, advertidos que foram pela nossa correção.
Com esta esperança e em atenção a eles, em vez de continuar, partamos, suspendendo por clemência o discurso, e demos-lhe fim, embora não tenha atingido seu fim. Eles, por sua vez, tendo sido objeto de nossa compreensão, associem-se a nós em glorificar o Esposo da Igreja, Nosso Senhor Jesus Cristo, que está acima de todas as coisas, Deus bendito pelos séculos. Amém.
__________
1 - Studio, no original. Como se sabe, a palavra latina studium significa também diligência, amor que move a agir
18 agosto 2016
Sobre São Tomás de Aquino
Irmãos, gostaria de partilhar hoje sobre a vida e obra de um dos grandes santos da nossa Igreja: São Tomás de Aquino, santo doutor e filósofo.
Não quero escrever na a respeito, mas apenas reunir neste post uma série de fontes, cursos e materiais a respeito do mesmo. Há muito conteúdo riquíssimo a este respeito.
Se quiserem propor mais fontes e materiais deixe no final, no espaço dos comentários, sua mensagem.
Segue as descrições e os links recomendados:
Resumo da vida de São Tomás de Aquino pelo site dos Arautos
A vida de oração de São Tomás de Aquino
Livro "São Tomás de Aquino" - Chesterton
Livro "As grandes teses da filosofia tomista" - Antonin Gilbert Sertillanges
Livro "O rapto do santo - um encontro com São Tomás de Aquino" - João César das Neves
(Site do livro)
Livro "Estudos Tomistas - Opúsculos" - Carlos Nougué
Curso "Introdução a Santo Tomás de Aquino" - Padre Paulo Ricardo
Cursos Tomistas do professor Carlos Nougué
Ebooks sobre São Tomás de Aquino (Alexandria católica)
Ebooks sobre São Tomás de Aquino (Obras católicas)
Ebooks sobre São Tomás de Aquino (Documenta Catholica Omnia)
Suma Teológica
Obras de São Tomás de Aquino
Site de introdução ao cristianismo segundo a obra de Santo Tomás de Aquino e Hugo de São Vitor
Tese de doutorado: "Amor, desejo e amizade: Um estudo sobre a natureza do amor na Suma Teológica de São Tomás de Aquino"
Associação Cultural Santo Tomás
Blogs sobre São Tomás:
Suma Teologica
Estudos Tomistas
Grupo de estudos no Facebook
OUTROS MATERIAIS GERAIS DE ESTUDO
Ordem dos vídeos do Allan sobre o Tomismo:
1. INTRODUÇÃO GERAL: http://youtu.be/qB43fPuYMRk
2. Parte II - Método de estudo: http://youtu.be/32WMluwTCfU
3. Parte III - Lógica: http://sacerdotibus.blogspot.com.br/2012/06/logica-tomista.html
4. Estudos básicos de tomismo - Lógica IV: http://youtu.be/2b_WBa34XMw
5. Estudos Básicos do tomismo - V (Lógica): http://www.youtube.com/watch?v=K3l5ZDD5w90
6. Estudos Básicos do tomismo - VI (Lógica): http://www.youtube.com/watch?v=L0xFVSFsuno
INTRODUCCIÓN A LA FILOSOFÍA
TRADUÇÃO DE "DE INTERPRETATIONE" DE ARISTÓTELES
Trechos das palestras de lançamento do livro "A POLÍTICA EM ARISTÓTELES E SANTO TOMÁS" (editora Sétimo Selo), de Jorge Martínez Barrera (decano da Faculdade de Filosofia da PUC de Santiago do Chile), no Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB, em dezembro de 2007.
Quatro excelentes vídeos sobre POLÍTICA em Santo Tomás de Aquino:
- A tábua das proposições: http://goo.gl/HgtThH
- "A POLÍTICA EM ARISTÓTELES E SANTO TOMÁS":http://goo.gl/cBHKNo
Marcadores:
Apologética,
Filosofia,
Formação,
Santos,
Vida Intelectual
29 julho 2016
Chamados à Vida Intelectual
IMPORTÂNCIA
Irmãos, hoje, mais do que nunca, a necessidade de sabedoria neste mundo louco é urgente. Já diz as Sagradas Escrituras: "meu povo se perde por falta de conhecimento" (Oséias 4,6). O conhecimento da Verdade é uma busca fundamental da vida cristã. Sobre essa verdade essencial que todo cristão deve buscar sugiro ler o post "O Conhecimento da Verdade nos leva a tudo que precisamos".
Após eu ter descoberto a importância espiritual e mental da Vida Intelectual através do livro do Padre Sertillanges, grande estudioso de São Tomás de Aquino, e mais: que a Vida Intelectual é um chamado, uma vocação, confesso que meus olhos se abriram para muitas coisas que antes não enxergava devido a minha ignorância e conceitos tortos aprendidos desta sociedade pagã...
Chamo a todos pregadores, formadores e líderes que também se sentem chamados, mesmo que ainda veladamente, ainda que não entendam este chamado de forma plena, pois eu também não, pois estou ainda na busca e descoberta, convido a todos que comecem a empreender desde já uma busca sobre o que é essa tal 'Vida Intelectual', que é tão valorizada por muitos santos, doutores da igreja, filósofos, místicos e incentivada pelas Sagradas Escrituras.
Para isso quero compartilhar aqui uma série de informações essenciais aos que querem entender melhor tudo isso e aos que já se sentem chamados à vocação sublime da Vida Intelectual.
ATAQUES MALICIOSOS
Mas antes vou fazer um pequeno comentário introdutório a respeito do atual ataque àqueles que se esforçam sincera e diligentemente pela busca ao verdadeiro conhecimento:
Infelizmente a Vida Intelectual é muitas vezes "criminalizada" no Brasil.
Exagero? Me explico: quantas vezes ouvi dentro das igrejas críticas constantes e gratuitas às pessoas que possuem alguma bagagem de conhecimento... São muitas vezes rotuladas como pessoas isoladas ou soberbas sem nenhuma prova concreta de tais vícios... Como se o conhecimento fosse sinônimo de orgulho e prepotência. Nada mais mentiroso. Aprendi com Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino e Albert Einstein que quanto mais conhecimento, mais há Deus e mais humildade, por se reconhecer a miséria que somos diante de tanto conhecimento disponível. E quanto menos conhecimento, estudo parco, mais há soberba e menos Deus...
As Sagradas Escrituras se expressam diversas vezes da importância do estudo, da sabedoria, do conhecimento, da ciência. Recomendo ver a série de textos selecionados que fiz aqui no blog sobre a Sabedoria no livro do Eclesiástico parte 1, 2 e 3.
Concordo que há sim pessoas que ao adquirirem algum conhecimento podem se achar superior a outras, mas isso é totalmente relativo e perigoso de se julgar. Como sabemos das intenções secretas do coração de uma pessoa? Como sabemos que ela se acha superior? Só por ter expressado um conhecimento que alguns ao redor dele não possui? Isso é soberba? Ou a verdadeira soberba não estaria nos que não possuem tal conhecimento, e ao invés de se colocarem em atitude de aprendizado, se fecham na sua arrogância invejosa e acusam o outro de não ser melhor que ele? Quem é melhor que alguém? Conhecimento define isso? O conhecimento é para ser partilhado ou oculto por medo de me acharem soberbo?
Lembremos que entre as obras de misericórdia espirituais, muito incentivadas pela Igreja neste ano da Misericórdia, estão estas três primeiras:
1)Ensinar os ignorantes
2) Dar bom conselho
3) Corrigir os que erram
Lembro que fui ensinado no início da minha caminhada sobre a importância da "exortação", que São Paulo insiste em citar nas suas cartas. Foi me ensinado que é obrigação por zelo de ajudar o irmão o fato de corrigi-lo quando ele erra e principalmente quando ele acha que está certo, quando na verdade está indo contra o que ensinou o Senhor. Aprendi que temos que exortar, mesmo que o irmão não aceite. Que é melhor sofrermos por alertar da verdade do que carregar o pecado da omissão ou cumplicidade no mal. Mas hoje o "politicamente correto" tão entranhado nas igrejas nos impedem de ir contra os erros que se espalham em nosso meio.
Orgulho, prepotência, soberba são coisas bem diferentes de conhecimento, sabedoria, ciência e intelectualidade. A primeira família é composta de vícios capitais e são pecados, enquanto a outra família é composta por dons do alto, dons do Espírito Santo.
Na verdade estas críticas, infelizmente, vem muitas vezes de pessoas preguiçosas de dedicação ao estudo ou invejosas de quem o pode ou paga o preço pela busca da sabedoria, como nos diz a Sagrada Escritura. Há outras pessoas que simplesmente não são chamadas a esta vocação intelectual e tenho certeza que não precisam se prestar a criticar quem a tem, mas admiram e incentivam tal dom nos seus irmãos. Às vezes concordo com o que Tom Jobim dizia: "No Brasil, sucesso é ofensa pessoal".
PROPOSTAS PARA CONHECER O QUE É A VIDA INTELECTUAL
Mas passado este comentário introdutório, vamos ao objetivo desta postagem. Gostaria de colocar aqui uma lista de materiais que acho imprescindível que chegue ao conhecimento de quem se sente chamado a desbravar a busca pela sabedoria e conhecimento, quem se sente chamado à pregação, à formação própria e de outros.
Tenho pesquisado bastante e o que vou listar aqui é só um começo, peço que quem tem outros links e materiais a propor que me passe para eu acrescentar nesta lista.
A primeira e fundamental orientação que quero propor é a leitura e estudo da magnânima obra do Padre Antonin Dalmace Sertillanges, o livro "A Vida Intelectual". Eu fiz um resumo da obra e publiquei dois textos do livro aqui neste blog: "O intelectual é um consagrado" e "O intelectual não é um isolado, ele pertence a seu tempo".
Recomendo a leitura destes excelentes artigos da Bruna Luiza:
Como iniciar sua vida intelectual
Vida intelectual: o que é, e por que buscá-la?
Vida intelectual: aprendendo a gostar de estudar
Vida intelectual: guia de organização para iniciantes
Interessante esta coletânea de frases:
Frases marcantes do livro "A Vida Intelectual"
Sugiro também os artigos do Eduardo Costa:
Meu modelo de estudos para a autoeducação
Minuciando meu modelo de estudos (parte 1)
Minuciando meu modelo de estudos (parte 2)
Sugiro os seguintes artigos do Filósofo Olavo de Carvalho:
O poder de conhecer
Educação ao contrário
Espírito e personalidade
Acho um tesouro o curso "Princípios e métodos da auto-educação":
Princípios e métodos da auto-educação
Sugiro estes dois links com vários vídeos que publiquei neste blog mesmo:
Vídeos sobre o livro "A Vida Intelectual"
Dicas para leitores
E aqui algumas dicas sobre a leitura de livros:
Os quatro níveis de leitura e a maneira ideal de ler um livro, segundo Mortimer Adler
A leitura analítica e as 15 regras para ler um livro, segundo Mortimer Adler
Esses materiais todos são de uma riqueza enorme. Guarde este post nos seus favoritos e se organize para ler e estudar todos estes materiais, pois são essenciais para introdução na Vida Intelectual. Espero, com este post, ter ajudado alguém que está iniciando, conhecendo este caminho abençoado da busca pela verdade e o desejo de aprofundar no conhecimento dela.
Marcadores:
Formação,
Livros,
Sabedoria,
Vida Intelectual
27 julho 2016
O Conhecimento da Verdade nos leva a tudo que precisamos
Irmãos, poucos se põe a meditar na importância do Conhecimento da Verdade e do conhecimento de Deus. Tal matéria é a essência da Vida Eterna, como o próprio Jesus nos diz e vamos ver abaixo. É a essência do nosso relacionamento com Deus.
A palavra "conhecimento" na bíblia significa uma intimidade profunda, um conhecimento íntimo, uma união de conhecimento mútuo e amor partilhado.
Deus é a verdade. O próprio Jesus insistiu que Ele é a Verdade e que sua missão é dar testemunho dela:
"Jesus lhe respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim."
João 14,6
Jesus nos disse sobre sua missão e quais são os que o ouvem:
"Sim, Eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz."
João 18,37
Infelizmente muitos cristãos ignoram ou rejeitam a importância da Verdade nos dias atuais. Falam muito de amor e caridade, mas se esquecem que o fundamento do verdadeiro amor tem que ser construído na verdade. Qualquer amor que for fundamentado na mentira não será mais verdadeiro amor, mas corrupção de toda espécie. Portanto o filtro da verdade é essencial para viver e experimentar a genuína Misericórdia, o genuíno amor. Nesta ditadura do relativismo no qual estamos absorvidos a verdade tem sido cada vez mais "caçada" como algo proibido.
Claríssimo é a conclusão de São Paulo:
"Isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade."
1 Timóteo 2,3-4
Buscando a Deus encontraremos a verdade. Mas o contrário também é verdadeiro: buscando a verdade, encontraremos Deus.
Veja o que nos diz a Santa Edith Stein, (Santa Benedita da Cruz), Filosofa e padroeira da Europa:
"Quem procura a verdade, consciente ou inconscientemente, procura a Deus"
Conhecer a verdade é conhecer a Deus...
E conhecer a verdade, conhecer a Deus é o nosso fim último, nossa vida eterna...
Isso é tão, tão, tão verdade irmãos, que veja o que mais nos diz o próprio Jesus em oração ao Pai:
"Dei-lhes a tua palavra, mas o mundo os odeia, porque eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas sim que os preserves do mal. Eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo. Santifica-os pela verdade. A tua palavra é a verdade."
João 17,14-17
"Ora, a vida eterna consiste em que conheçam a ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste."
João 17,3
E o livro de Sabedoria explica numa oração tudo isso de forma simples e clarissimamente:
"Porque conhecer-vos é a perfeita justiça, e conhecer vosso poder é a raiz da imortalidade."
Sabedoria 15,3
O mundo se perde por falta de conhecimento e por esquecimento dos ensinamentos do Senhor:
"Ouvi a palavra do Senhor, filhos de Israel! Porque o Senhor está em litígio com os habitantes da terra. Não há sinceridade nem bondade, nem conhecimento de Deus na terra. Juram falso, assassinam, roubam, cometem adultério, usam de violência e acumulam homicídio sobre homicídio. Por isso, a terra está de luto e todos os seus habitantes perecem; os animais selvagens, as aves do céu, e até mesmo os peixes do mar desaparecem. Entretanto, ninguém poderá acusar (o povo), nem o repreender, mas eu censuro a ti, ó sacerdote. Tu tropeçarás em pleno dia, assim como o profeta durante a noite. Far-te-ei perecer, porque meu povo se perde por falta de conhecimento; por teres rejeitado a instrução, excluir-te-ei de meu sacerdócio; já que esqueceste a lei de teu Deus, também eu me esquecerei dos teus filhos."
Oséias 4,1-6
O mais importante para Deus é o conhecimento Dele:
"...eu quero o amor mais que os sacrifícios, e o conhecimento de Deus mais que os holocaustos."
Oséias 6,6
O Senhor prometeu há centenas de anos antes que, em Jesus, nos prepararia o coração para melhor conhecê-lo:
"Dar-lhes-ei um coração capaz de conhecer-me e de saber que sou eu o Senhor. Eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus porque de todo o coração se voltarão a mim."
Jeremias 24,7
E quem O conhece não se engana:
"Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem a mim, como meu Pai me conhece e eu conheço o Pai."
João 10,14-15
Para terminar cito aqui este versículo em que fica claramente exposto que a missão de Jesus foi nos colocar predispostos para conhecer a verdade e que nisto se resume a vida eterna e o verdadeiro Deus:
"Sabemos que somos de Deus, e que o mundo todo jaz sob o Maligno. Sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento para conhecermos o Verdadeiro. E estamos no Verdadeiro, nós que estamos em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna."
1 João 5,19-20
Hoje mais do que nunca precisamos de Guerreiros da Verdade neste mundo mal e mentiroso...
Marcadores:
Apologética,
Escrituras Sagradas,
Formação,
Oração,
Santidade,
Vida Intelectual
20 julho 2016
Modo de Vida Intelectual
25 junho 2016
Dicas para leitores
O canal no Youtube "As Travessias" do Bruno Magalhães traz várias dicas sobre leituras. Quero listar aqui os vídeos que encontrei a respeito em seu canal. Segue:
Para quê você estuda? Dicas práticas de estudo #1
Literatura e Filosofia: a criação artística e o delírio das musas
A escolha dos livros. Dicas práticas dos livros #2
Como aproveitar melhor a leitura. Dicas práticas de estudo #3
Assinar:
Postagens (Atom)
CEFAS, oriundo do nome de São Pedro apóstolo, significa também um Acróstico: Comunhão para Evangelização, Formação e Anúncio do Senhor. É um humilde projeto de evangelização através da internet, buscando levar formação católica doutrinal e espiritual.




















