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30 novembro 2016

Advento: tempo de purificação

No domingo passado, dia 27 de novembro, começamos o Ano Novo Litúrgico da Igreja Católica, no qual as quatro semanas antes do Natal formam o tempo do Advento. E é nessa época do advento que nos preparamos para comemorar a primeira vinda de Jesus, na expectativa da segunda vinda do Senhor.

E, como em toda comemoração, esse tempo antes do Natal exige preparativos tanto conosco como com o que cerca o evento. E mais do que se preocupar com a ceia, os presentes, as roupas, cabelo, a decoração dos ambientes, devemos pensar primeiro em agradar o Aniversariante (Jesus), em querer estar perto dEle.

Mas, como fazer isso? fazendo penitência.

Sim. É isso mesmo. A penitência é agradável a Deus. "O próprio Jesus não inicia o seu ministério com a imediata revelação das sublimes verdades da fé, e sim com o convite a purificar a mente e o coração de tudo o que pudesse impedir o frutuoso acolhimento da boa-nova"1.

Jesus começou a pregar dizendo: "Fazei penitência, pois o Reino dos céus está próximo."(Mt 4,17)3.

Comecemos também o Advento atendendo a este chamado de Jesus, fazendo a penitência interior com "o arrependimento e a purificação dos próprios pecados, o que especialmente se obtém com uma boa confissão e comunhão (...) Vãs seriam, com efeito, as obras exteriores de penitência se não fossem acompanhadas da limpeza interior da alma e do sincero arrependimento dos próprios pecados."1. 

Pelo Sacramento da Penitencia, ficamos bem próximos a Jesus pois se "obtêm da misericórdia de Deus o perdão da ofensa a Ele"(CIC 1422)2, e se "realiza sacramentalmente o apelo de Jesus à conversão (Cf. Mc 1, 15) e o esforço de regressar à casa do Pai (Cf. Lc 15, 18) da qual o pecador se afastou pelo pecado."(CIC 1423)2.

Mas, além desse aproximar de Jesus pelo Sacramento, podemos agradá-lo também  através dos atos de penitência do jejum, da oração e da esmola, que, segundo o Catecismo da igreja Católica (CIC 1434)2, exprimem a conversão, em relação a si mesmo, a Deus e aos outros" respectivamente. 

Vejamos cada um deles separadamente, com o propósito de praticá-lo:

Oração
Recomendação de Jesus: "Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca." (Mt 26,41). "Quando orardes, não façais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á. Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras. Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós lho peçais." (Mt 6, 5-8).
Ações a praticar:
  • Fazer uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento. 
  • Assistir à Missa com atenção.
  • Fazer pequenas orações durante o dia: ao acordar; às refeições; no inicio e no término de cada trabalho ou estudo; ao dormir. 
  • Louvar e agradecer a Deus por tudo.
  • Rezar o Terço Mariano ou o Terço da Misericórdia
  • Ler a Bíblia e meditar sobre o que leu. 
 Jejum
Recomendação de Jesus: "Quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hipócritas, que mostram um semblante abatido para manifestar aos homens que jejuam. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. Quando jejuares, perfuma a tua cabeça e lava o teu rosto. Assim, não parecerá aos homens que jejuas, mas somente a teu Pai que está presente ao oculto; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á." (Mt 6,16-18).
Ações a praticar: 
  • Retirar da alimentação os alimentos que dão prazer como: sobremesas, frituras, assados, sanduíches, vinho, cerveja, café, etc. 
  • Alimentar-se de frutas, legumes, verduras, cereais, vegetais, hortaliças. 
  • Beber água ao invés de suco ou refrigerante. 
  • Fazer refeições sem exageros.
 Esmolas
Recomendação de Jesus: "Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu. Quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa.Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direita. Assim, a tua esmola se fará em segredo; e teu Pai, que vê o escondido, recompensar-te-á. (...)Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam. Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam. Porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração." (Mt 6,1-4 e 19-21).
Ações a praticar
  • Ajudar os pedintes. 
  • Doar roupas, sapatos e objetos que não se usa há mais de um ano. Essa doação pode ser entregue ao grupo dos Vicentinos das paróquias. 
  • Doar alimentos para asilos e creches.
  • Pegar uma cartinha nos Correios e realizar um sonho de uma criança neste Natal.

A prática da penitencia além de ser uma forma de agradar a Deus, contribui para o desenvolvimento de virtudes como temperança (que promove o autocontrole), fortaleza (que faz resistir diante das dificuldades), justiça (que promove a paz e dá a cada um conforme o que lhe é devido), prudência ( que evita erros e perigos), humildade (que permite reconhecer as próprias fraquezas), paciência (que promove autocontrole emocional), perseverança ( que faz ter constância nas ações e não desistir diante das dificuldades), esperança (que faz acreditar que algo vai acontecer) e fé (ter certeza do que se espera), as quais nos tornam pessoas melhores e mais felizes. 

Ao sairmos do egocentrismo para o Cristocentrismo, possibilitamos a existência não somente de um Advento cheio de graças e de um Natal feliz com Jesus mas também de um Ano Todo de bênçãos.

Feliz Advento! Feliz Natal!

Notas
1.Papa João XXIII, Carta encíclica Paenitentiam Agere (1º de julho de 1962). Disponível em: https://w2.vatican.va/content/john-xxiii/pt/encyclicals/documents/hf_j-xxiii_enc_01071962_paenitentiam.html
2. Catecismo da Igreja católica (CIC), parágrafos 1422, 1423 e 1434. Disponível em:  http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p2s2cap1_1420-1532_po.html
3. Bíblia Sagrada, Evangelho de São Mateus, capítulos 1,4, 6, 22 e 26. Disponível em: http://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/sao-mateus/









20 maio 2011

INGLESES RECUPERAM PRÁTICA DE ABSTINÊNCIA ÀS SEXTAS-FEIRAS

ZP11051705 - 17-05-2011
Permalink: http://www.zenit.org/article-27986?l=portuguese


Destacam que a penitência identifica os católicos com Cristo na cruz

LONDRES, terça-feira, 17 de maio de 2011 (ZENIT.org) - Os bispos da Inglaterra e do País de Gales estão recuperando a prática de abster-se de carne às sextas-feiras, como penitência para identificar-se com Cristo na cruz.
Nas resoluções divulgadas após a assembleia plenária da primavera, que terminou na última quinta-feira, os bispos anunciaram o restabelecimento desta prática, que entrará em vigor em 16 de setembro.
"Todas as sextas-feiras são consideradas pela Igreja como dias de penitência, por ser este o dia da morte do Nosso Senhor", recorda a declaração com as resoluções da assembleia. "A lei da Igreja exige que os católicos se abstenham de carne às sextas-feiras, ou de algum outro tipo de alimento, ou que observem qualquer outro tipo de penitência indicada pela conferência episcopal."
"Os bispos desejam restabelecer a prática da penitência das sextas-feiras na vida dos fiéis como uma marca clara e distintiva de sua identidade católica", anunciou a declaração.
Os prelados acrescentaram que "é importante que todos os fiéis se unam na comum celebração da penitência às sextas-feiras".
"Respeitando isso, e de acordo com o pensamento da Igreja inteira, a Conferência Episcopal deseja recordar a todos os católicos da Inglaterra e do País de Gales a obrigação da penitência das sextas-feiras. Os bispos decidiram restabelecer a prática de abster-se de carne", declara a resolução.
Os bispos disseram que aqueles que não costumam comer carne habitualmente devem abster-se de outro tipo de alimento às sextas-feiras.
A data de restabelecimento das sextas-feiras sem carne coincidirá com o aniversário da visita de Bento XVI ao Reino Unido, realizada no ano passado.
"Muitos podem desejar ir além desse simples ato de testemunho comum e dedicar toda sexta-feira à oração e ao sacrifício. Dessa maneira, unimos nossos sacrifícios ao sacrifício de Cristo, que entregou sua vida pela nossa salvação", conclui a declaração dos bispos.
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11 março 2011

QUARESMA ORTODOXA

RÚSSIA: TEM INÍCIO O GRANDE JEJUM
◊   Moscou, 11 mar (RV) - “Não vamos substituir o trabalho com o ócio que não alimenta a alma. A ociosidade é um passatempo vazio”. Com estas palavras, o Patriarca de Moscou e de todas as Rússias, Kirill, abriu na última segunda-feira na Catedral da Santíssima Trindade, no Mosteiro de São Daniel, em Moscou, o “Grande Jejum” ortodoxo, o equivalente à Quaresma católica. “A alma de um homem preguiçoso”, prosseguiu o patriarca, “é uma coisa perigosa para a sua vida física e espiritual”, enquanto a ociosidade muitas vezes gera ódio contra o gênero humano.

“O trabalho é uma das maiores virtudes cristãs e é um instrumento também para trabalhar sobre si mesmo, enquanto uma pessoa ociosa é também uma pessoa desarmada que não tem armas para combater o mal”.

No mesmo dia, refere a agência de notícias AsiaNews, o líder da Igreja Ortodoxa russa falou sobre a importância da esperança, ”o mais impressionante fruto da fé”. “A esperança em Deus”, advertiu Kirill, “não exime a pessoa de assumir as suas responsabilidades. A fé nos dá a força para resolver qualquer problema, enquanto aqueles que negam a fé e a esperança são propensos a cair no desânimo, que é uma força negativa que destrói a vida humana”.

O Grande Jejum recorda os 40 dias de Jesus no deserto depois de seu batismo. Trata-se, como para os católicos, de sete semanas de oração, arrependimento e abstinência. Este é o período do ano litúrgico mais rigoroso para os fiéis: proibida a carne, ovos, peixe, lacticínios e álcool. O longo período de preparação de corpo e a alma à Ressurreição, culmina com o domingo de Páscoa, festa central do calendário ortodoxo e que este ano coincide com a Páscoa da Igreja Católica, 24 de abril. (SP)

Jejum

Fonte: Canção Nova

Em todo o período quaresmal renovam-se os apelos à conversão, ao abandono do pecado, à renovação da fé, à produção de frutos de justiça e caridade, ao avanço no conhecimento de Jesus Cristo e à correspondência ao Seu amor, visando uma vida santa.

Durante esse tempo, a Igreja exorta todos os cristãos a realizarem os exercícios quaresmais, entre eles, o jejum. Naturalmente, essa prática deve fazer parte da vida do cristão ao longo de todo o ano, mas, na Quaresma, deve ser exercida mais intensamente, também como forma de penitência. 


Pelo jejum recorda-se que "não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que vem da boca de Deus" (Mt 4,4). Por meio dessa penitência, o cristão é estimulado a desapegar o coração de todos os bens que acaso o impeça de amar e servir a Deus acima de todas as coisas. Praticar, retamente, a abstinência de alimentos o faz sentir a precariedade e a fugacidade da vida neste mundo e o ajuda a ordenar a existência para Deus. O jejum corporal faz parte das práticas espirituais de quase todas as religiões, dando-lhes um significado sagrado. 

O jejum no tempo quaresmal também expressa nossa solidariedade a Cristo, preso, torturado, flagelado, coroado de espinhos, condenado à morte, crucificado e morto.

Ao jejuar, o cristão deve concentrar-se não somente na abstenção de alimentos ou de bebidas como também no significado mais profundo dessa prática. O alimento e as bebidas são indispensáveis para o homem viver, disso se serve e deve servir-se, mas não lhe é lícito abusar seja da forma que for. O jejum tem como finalidade nos levar a um equilíbrio necessário e ao desprendimento daquilo que podemos chamar de “atitude consumista”, característica da nossa civilização. 

É preciso entender que a renúncia às sensações, aos estímulos, aos prazeres e ainda ao alimento ou às bebidas, não é um fim em si mesmo, mas apenas um “meio” a fim de preparar o caminho para conquistas mais profundas. A renúncia do alimento deve servir para criar condições para a vivência dos valores transcendentais. Por isso, essa prática espiritual não pode ser algo triste, enfadonho, mas uma atividade feliz e libertartadora.



O jejum e a Palavra de Deus


A Bíblia recomenda muito o jejum tanto no Antigo como no Novo Testamento. Jesus o realizou por quarenta dias no deserto antes de enfrentar o demônio e começar a vida pública; e o recomendou por diversas ocasiões. “Quanto a esta espécie de demônio, só se pode expulsar à força de oração e de jejum” (Mt 17,20). “Boa coisa é a oração acompanhada de jejum, e a esmola é preferível aos tesouros de ouro escondidos” (Tb 12,8).

Na "palavra de ordem" supracitada no livro do profeta Joel (cf. Jl 2, 12-13), Deus diz que é muito mais necessário "rasgar o coração" do que as vestes. Esta Palavra se aplica muito bem ao jejum, porque muito mais do que ficar sem comer isso ou aquilo, deve-se repassar para os menos favorecidos tudo o que não é consumido e o que é excedente. O jejum bem feito também nos dá a possibilidade de reconhecer as nossas faltas e misérias, porque, por meio dele, vemos o quanto ainda somos egoístas e mesquinhos.

A Igreja chama o jejum de “remédio contra o pecado”; pois essa atividade ajuda a todos a vencer o maior mal deste mundo: o pecado. Essa prática fortalece o espírito contra as tentações da carne, liberta e abre o ser para os valores superiores da alma. 

A Igreja Católica Apostólica Romana coloca como preceito o jejum na Sexta-feira da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo e na Quarta-feira de Cinzas, no entanto, é possível e recomendável lançar mão dessa arma eficaz todas as sextas-feiras, como pede Nossa Senhora em suas aparições em Fátima, Portugal.

O jejum que agrada a Deus vai muito além das práticas de mortificação ou abstinência. O verdadeiro jejum deve partir do coração, provocar libertação e mudança de vida, ou seja, de comportamento. Senão, de nada vale, visto que a maior prova da vida de oração e jejum é o bem comum, cujo objetivo deve mudar o comportamento de quem o pratica com Deus e com os irmãos. De que adianta rezar muito e fazer exercícios espirituais se o comportamento de quem os pratica não muda?

Os santos sempre fizeram do jejum uma arma poderosa contra as forças malignas. A fé exige atos práticos e concretos, que revelem os resultados da conversão. 

Quem pode fazer jejum

Todos podem jejuar. Sejam idosos ou estejam cansados ou doentes; sejam gestantes, mães que amamentam, jovens ou adultos. Todos podem praticá-lo sem que isso lhes faça mal. Muitas pessoas não jejuam, porque não sabem fazê-lo. Imaginam que seja uma coisa muito difícil e dolorosa, que não vão conseguir fazer.

É muito importante dizer que o jejum não existe para que as pessoas passem fome. Muitas delas, nesses dias [de jejum], acabam pecando mais do que em outros dias, porque não levam em conta seus limites físicos, biológicos, e não se alimentando corretamente, ficam mal-humoradas, colhendo deste dia de "jejum" somente frutos de mal-estar, brigas e indisposição para rezar. Um erro muito comum é jejuar sem tomar café da manhã. Ao agir dessa forma, na verdade, começa-se a jejuar a partir da última refeição feita, na véspera, e não pela manhã.

Essas pessoas, mal-informadas, acabam passando mal e ficando com dor de cabeça, que em geral começa bem cedo. Ora, mal-estar não é o objetivo do jejum. Além disso, trata-se de uma coisa que deixa a pessoa indisposta o resto do dia, que a torna irritadiça e sempre pronta a perder a paciência. E isso é totalmente oposto ao que se espera conseguir jejuando.

Existem várias modalidades de jejum. No entanto, serão apresentados somente os quatro tipos mais comuns que poderão ser de grande proveito.

Deus abençoe o seu jejum!

01 outubro 2010

REINO UNIDO: JEJUM EM PROL DAS CRIANÇAS DE RUANDA

◊   Londres, 28 set (RV) - Na próxima sexta-feira, 1º de outubro, a Igreja inglesa celebra o “Harvest fast day”, o dia dedicado ao jejum e à coleta de fundos promovido pela Cafod, a mais importante instituição de caridade católica do país para as ajudas ao Terceiro Mundo.

Milhares, nas escolas e paróquias do Reino Unido, renunciarão a uma refeição para doar o seu valor monetário às crianças vítimas do genocídio em Ruanda, às quais é dedicada à edição deste ano. Em 2009 – destaca a agência Sir – a iniciativa recolheu cerca de 1,7 milhões de euros.

Símbolo da campanha 2010 é Jeanne, como explica Lucy Cork, porta-voz da CAFOD: “Ajudamos Jeanne desde quando ela tinha três anos. Os pais de Jeanne foram mortos diante de seus olhos, durante o genocídio em Ruanda, que causou a morte de um milhão de pessoas em 100 dias.

“Hoje Jeanne tem 18 anos, começou a trabalhar e é membro de uma família, mas os efeitos do trauma tornam ainda a sua vida difícil”. O exemplo de Jeanne mostra como a CAFOD ajuda durante anos as pessoas com necessidade. No site (www.cafod.org.uk), onde há subsídios para as escolas e paróquias que organizarão atividades relacionadas com o Harvest fast day, a Charity recorda, no entanto, que não é só o dinheiro que muda a vida, mas que através da oração e da participação em eventos como esse, todos podem fazer sua parte para derrotar a pobreza. (SP)

17 abril 2009

Jejum, o alimento que sacia a fome de Deus

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Jejum, o alimento que sacia a fome de Deus

O autodomínio acaba sendo também uma vitória

Até há alguns anos, todos os católicos aprendiam, quando crianças, os cinco mandamentos da Igreja. Um deles tem a seguinte formulação: “Jejuar e abster-se de carne conforme manda a Santa Mãe Igreja”. Escrevi “até há alguns anos”, porque após as reformas litúrgicas acontecidas na segunda metade do século passado, a situação não ficou sempre clara na mente de muitos católicos. A maioria que ainda acredita no valor da penitência, pensa que os dias de jejum e abstinência de carne foram reduzidos a apenas dois: Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa. Jejum, para quem está entre os 18 e os 60 anos; abstinência, para os que superaram os catorze anos.

Contudo, não é bem isso que prescreve o Código de Direito Canônico, sancionado pelo Papa João Paulo II, em 1983: «Os dias e tempos penitenciais, em toda a Igreja, são todas as sextas-feiras do ano e o tempo de Quaresma» (Cân. 1250).

Em 1986, a “Legislação Complementar” ao Código de Direito Canônico, redigida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, retomou e detalhou a orientação dada pela Santa Sé: «Toda sexta-feira do ano é dia de penitência, a não ser que coincida com solenidade do calendário litúrgico. Os fiéis, nesse dia, se abstenham de carne ou outro alimento, ou pratiquem alguma forma de penitência, principalmente obra de caridade ou exercício de piedade. A Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa, memória da Paixão e Morte de Cristo, são dias de jejum e abstinência. A abstinência pode ser substituída pelos próprios fiéis por outra prática de penitência, caridade ou piedade, particularmente pela participação, nestes dias, na Sagrada Liturgia».

Qual o sentido e o valor de normas como estas, em pleno século XXI? A resposta é simples: aumenta cada vez mais o número de médicos e psicólogos que olham para o jejum e a abstinência como uma das melhores terapias para a saúde física e mental. Não apenas a obesidade, mas principalmente a ansiedade e a depressão crescem e matam quando se tenta superar o vazio existencial pelos três ídolos da modernidade: o ter, o prazer e o poder.

Quem realiza o ser humano é sempre e somente o amor, o qual, quando verdadeiro, vem de Deus, é gratuito, busca o bem da pessoa amada e liberta quem o vive. Em contrapartida, ele não passa de uma máscara se não se percorre um caminho de conversão e santidade. É precisamente esta a função da penitência, do jejum e da abstinência. Com eles, o que se verifica é um salto de qualidade na vida da pessoa, libertando-a das amarras e dos pesos que a impedem de captar os apelos de Deus e dos irmãos. Se o alimento sacia a fome do corpo; o jejum sacia a fome da alma.

Como toda disciplina, o autodomínio na comida e na bebida acaba sendo também uma vitória sobre a cultura do consumo e do materialismo – que, aliás, não é de hoje, se já o salmista a detectava em seu tempo: «Não dura muito tempo o homem rico e poderoso; é semelhante ao gado gordo que se abate. Este é o fim do que espera estultamente, o fim daqueles que se alegram com sua sorte: são um rebanho recolhido ao cemitério, e a própria morte é o pastor que os apascenta; são empurrados e deslizam para o abismo» (Sl 49,13-15).

O verdadeiro jejum, porém, vai muito além... da comida e da bebida. Se «a lei e os profetas se resumem no amor a Deus e ao próximo» (Mt 22,40), para o jejum não é diferente. É o que assevera o próprio Deus, através do profeta Isaías: «O jejum que prefiro é este: acabar com as prisões injustas, libertar os oprimidos, romper com a escravidão, repartir o pão com o faminto, acolher os pobres e peregrinos, vestir os nus e não se fechar à própria gente. Se assim você fizer, a sua luz brilhará como a aurora, suas feridas sararão rapidamente, e quando você invocar o Senhor, ele o atenderá; você pedirá socorro e ele dirá: Eis-me aqui» (Is 58, 6-9).

Para acolher e viver o amor de Deus, o coração precisa estar limpo e livre. É esse o papel que Santo Agostinho atribui ao jejum: «O vazio precisa ficar cheio. Você conseguirá se encher de bens se se esvaziar do mal. Suponha que Deus queira enchê-lo de mel. Se você estiver cheio de vinagre, onde ficará o mel? É preciso jogar fora o conteúdo do jarro e limpá-lo, ainda que com esforço, esfregando-o, para que possa servir a outro fim. Pode ser mel, ouro, vinho, tudo o que dissermos e quisermos, mas, no fundo, há sempre uma realidade indizível, que se chama Deus. Dizendo Deus, o que dissemos? Esta única sílaba é toda a nossa expectativa. Tudo o que conseguimos dizer, fica sempre aquém da realidade. Dilatemo-nos para Ele, e Ele, quando vier, encher-nos-á. Seremos semelhantes a Ele, porque O veremos como Ele é».

Dom Redovino Rizzardo, cs
domredovino@terra.com.br

03 abril 2009

TODA SEXTA FEIRA É DIA DE JEJUM!!!



Muitos podem achar este título exagerado, mas é algo muito bem expresso na doutrina Católica!

Poucos sabem disto.

Vejamos as principais normas sobre o Jejum feitas pela Igreja:

CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO (que rege todas as normas e leis referente aos Católicos) Direito Canônico da Igreja Católica a respeito do Jejum e abstinência para Católicos de Rito Latino:


  • Cân. 1249 = Todos os fiéis, cada qual a seu modo, estão obrigados por lei divina a fazer penitência; mas, para que todos estejam unidos mediante certa observância comum da penitência, são prescritos dias penitenciais, em que os fiéis se dediquem de modo especial à oração, façam obras de piedade e caridade, renunciem a si mesmos, cumprindo ainda mais fielmente as próprias obrigações e observando principalmente o jejum e a abstinência, de acordo com os cânones seguintes.

  • Cân. 1250 - Os dias e tempos penitenciais, em toda a Igreja, são todas as sextas feiras do ano e o tempo da quaresma.

  • Cân. 1251 - Observe-se a abstinência de carne ou de outro alimento, segundo as prescrições da Conferência dos Bispos, em todas as sextas feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades; observem-e a abstinência e o jejum na quarta-feira de Cinzas e na sexta-feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

  • Cân. 1252 - Estão obrigados à lei da abstinência aqueles que tiverem completado catorze anos de idade; estão obrigados à lei do jejum todos os maiores de idade até os sessenta anos começados; Todavia, os pastores de almas e os pais cuidem que sejam formados para o genuíno sentido da penitência também os que njão estão obrigados à lei do jejum e da abstinência, em razão da pouca idade.

  • Can. 1253 - A Conferência dos Bispos pode determinar mais exatamente a observância do jejum e da abstinência, como também substituí-los total ou parcialmente, por outras formas de penitência, principalmente por obras de caridade e exercícios de piedade.

(Jejum e Abstinência no Brasil - Texto Complementar da CNBB Quanto aos Cânn. 1251 e 1253:

1- Toda a sexta-feira do ano é dia de penitência, a não ser que coincida com solenidade do calendário litúrgico. Os fiéis nesse dia se abstenham de carne ou outro alimento, ou pratiquem alguma forma de penitência, principalmente obra de caridade ou exercício de piedade.

2- A quarta-feira de cinzas e a sexta-feira santa, memória da Paixão e Morte de Cristo, são dias de jejum e abstinência. A abstinência pode ser substituída pelos próprios fiéis por outra prática de penitência, caridade ou piedade, particularmente pela participação nesses dias na Sagrada Liturgia.

Obs: Em recente mensagem, o Santo Padre solicitou que o jejum da Quarta-Feira de cinzas tenha a especial intenção da paz mundial. Autor: -- Fonte: Código Direito Canônico de 1983)

--, . Apostolado Veritatis Splendor: JEJUM , ABSTINÊNCIA E PENITÊNCIA . Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/1369. Desde 6/16/2003.


Jejum e abstinência
2. O jejum é a forma de penitência que consiste na privação de alimentos. Na disciplina tradicional da Igreja, a concretização do jejum fazia-se limitando a alimentação diária a uma refeição, embora não se excluísse que se pudesse tomar alimentos ligeiros às horas das outras refeições.
Ainda que convenha manter-se esta forma tradicional de jejuar, contudo os fiéis poderão cumprir o preceito do jejum privando-se de uma quantidade ou qualidade de alimentos ou bebidas que constituam verdadeira privação ou penitência.
3. A abstinência, por sua vez, consiste na escolha de uma alimentação simples e pobre. A sua concretização na disciplina tradicional da Igreja era a abstenção de carne. Será muito aconselhável manter esta forma de abstinência, particularmente nas sextas-feiras da Quaresma. Mas poderá ser substituída pela privação de outros alimentos e bebidas, sobretudo mais requintados e dispendiosos ou da especial preferência de cada um.
Contudo, devido à evolução das condições sociais e do género de alimentação, aquela concretização pode não bastar para praticar a abstinência como acto penitencial. Lembrem-se os fiéis de que o essencial do espírito de abstinência é o que dizemos acima, ou seja, a escolha de uma alimentação simples e pobre e a renúncia ao luxo e ao esbanjamento. Só assim a abstinência será privação e se revestirá de carácter penitencial.


fonte:http://www.saocosme.com/index.php?option=com_content&task=view&id=149&Itemid=35

20 março 2009

Uganda: cristãos jejuam para que acabem sacrifícios de crianças


Por ocasião da quaresma

KAMPALA, sexta-feira, 26 de fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- Cristãos de todas as confissões da Uganda se uniram para dedicar o jejum e a oração quaresmais ao fim da prática do sacrifício humano, especialmente de crianças, segundo informa a agência católica africana CISA. A campanha de oração começou na Quarta-Feira de Cinzas e durará até a Semana Santa.

A proposta partiu do arcebispo anglicano Henri Orombi, representante da confissão majoritária do país, que em uma carta publicada pelo jornal Monitor, advertia que o aumento destes macabros rituais está semeando o terror.

O último caso, que comoveu o país, aconteceu há poucos dias, com o descobrimento do cadáver de uma menor brutalmente mutilada, no distrito de Kibaale.

«Há um grito em nossa terra – afirma o arcebispo Orombi. Este grito é tão forte, que as Igrejas – independentemente de sua denominação – declararam conjuntamente uma campanha nacional contra o mal da bruxaria e dos sacrifícios humanos.»

Os cristãos, agrega o prelado, condenam «fortemente e de forma inequívoca esta prática depravada, que não só profana a santidade da vida humana, mas que revela também o grau de degeneração ao qual nossa sociedade está chegando pela avareza, pelo ateísmo e pela corrupção moral».

O prelado faz um convite aos fiéis de todas as Igrejas do país ao arrependimento da falta de moral que «precipitou a maldade do sacrifício humano, que os que praticam a bruxaria ou equivocadamente confiam nela utilizam para atrair riquezas rapidamente».

«O sacrifício humano é mau e demoníaco. Trata-se claramente de um problema espiritual, que precisa de uma solução espiritual. Os demônios que exigem o sangue do inocente de nossa terra devem ser silenciados, expulsos e destruídos, para que nosso querido país fique limpo e curado deste mal», conclui.

13 fevereiro 2009

Vencer a fome com o jejum

Podemos quantificar o número de pobres? Actualmente, quantas pessoas passam fome? Quantificar é quase impossível, mas sabemos – através dos dados fornecidos pelas estatísticas – que são muitos. Olhar para o pobre e esfomeado que nos rodeia faz-nos pensar e, acima de tudo, actuar.

No início da Quaresma, Bento XVI propõe – na sua mensagem para este tempo litúrgico três práticas penitenciais muito queridas à tradição bíblica e cristã: oração, esmola e jejum. E acrescenta: “o jejum ajuda-nos a tomar consciência da situação na qual vivem tantos irmãos nossos”.

Podemos perguntar que valor e que sentido tem para nós, “privar-nos de algo que seria em si bom e útil para o nosso sustento”. “As Sagradas Escrituras e toda a tradição cristã ensinam que o jejum é de grande ajuda para evitar o pecado e tudo o que a ele induz. Por isto, na história da salvação é frequente o convite a jejuar” – lê-se na Mensagem de Bento XVI.

Tanto em Portugal como no exterior, a situação social e económica é sombria. A maratona da pobreza começa em Viana do Castelo e termina em Faro. Ou melhor, viajamos pelo globo e encontramos uma quantidade de bocas a pedir um simples alimento.

Com a Quaresma à porta, revisitei o poeta Daniel Faria. “Depois das Queimadas as chuvas / Fazem as plantas vir à tona”... “A estrela nasce da raiz carbonizada / do caule queimado”. Será que a próxima Quarta-Feira de Cinzas mostrará ao cristão que a fome está no outro lado da rua? A sociedade contemporânea necessita de cinzas fertilizantes que sejam tónico para o nascimento da árvore justa e sem egoísmos.

Diariamente, a comunicação social traz-nos o lado negro da sociedade actual. Mostra-nos as lágrimas de milhares de pessoas e a fome que inunda os lares. A Igreja – através de vários sectores da pastoral – não abandona os pobres. O interesse activo dedicado pela Igreja à questão social, que tem como fim o “desenvolvimento autêntico do homem e da sociedade, por forma a respeitar e promover a pessoa humana em todas as suas dimensões, manifestou-se sempre das mais diversas maneiras” (Sollicitudo Rei Socialis).

As profundas desigualdades na distribuição da riqueza no mundo atingiram, actualmente, proporções verdadeiramente chocantes. Não são poucos os desequilíbrios económicos e sociais que ferem hoje a justiça e a humanidade e “erros gravíssimos ameaçam as actividades, os fins, as estruturas e o funcionamento do mundo económico” – alerta a encíclica «Mater et Magistra».

O número de pobres não pára de crescer. Para a agência da ONU, o dado mais preocupante é a tendência de que esse número aumente até 2015, quando os países menos desenvolvidos poderão passar a ter centenas de milhões de pessoas a viver abaixo da linha da pobreza.

O dossier deste número da Agência ECCLESIA centra-se na paisagem dantesca da fome. Basta percorrer as páginas do Compêndio da Doutrina Social da Igreja para encontrarmos pistas que ajudariam a eliminar o lado negro da sociedade. O amor tem diante de si um vasto campo de trabalho e a Igreja, nesse campo, quer estar presente também com a sua Doutrina Social, que diz respeito ao homem todo e se dirige a todos os homens.

“Como é possível que ainda haja, no nosso tempo, quem morra de fome, quem esteja condenado ao analfabetismo, quem viva privado dos cuidados médicos mais elementares, quem não tenha uma casa para abrigar-se?” (Compêndio da Doutrina Social da Igreja (CDSI), nº 5) Depois de lançar a questão, o CDSI responde no nº 341: “Não praticar a usura, chaga que ainda nos nossos dias é uma realidade vil, capaz de aniquilar a vida de muitas pessoas”. As regras do comércio internacional também não beneficiam alguns países que ficam penalizados com tais cânones. Com o aumento da dívida externa desses países, os mais sacrificados são pobres.

Na sua mensagem da Quaresma, Bento XVI aconselha a prática do jejum como forma de cultivar o estilo do Bom Samaritano, que “se inclina e socorre o irmão que sofre”. E acrescenta: “Escolhendo livremente privar-nos de algo para ajudar os outros, mostramos concretamente que o próximo em dificuldade não nos é indiferente. Precisamente para manter viva esta atitude de acolhimento e de atenção para com os irmãos, encorajo as paróquias e todas as outras comunidades a intensificar na Quaresma a prática do jejum pessoal e comunitário, cultivando de igual modo a escuta da Palavra de Deus, a oração e a esmola”.

Vence o Jejum

Bento XVI centra a sua Mensagem da Quaresma deste ano na palavra jejum. Este conceito é utilizado 28 vezes, a Palavra «Esmola» é utilizada duas vezes e o conceito «Oração» seis vezes.

Disciplina Canónica da Quaresma

Para assegurar expressão comunitária à prática penitencial, sobretudo no tempo da Quaresma, a Igreja mantém o jejum e a abstinência tradicionais. Embora estas duas práticas digam hoje pouco à sensibilidade dos fiéis, mantêm-se em vigor, com variantes de país para país. Entre nós (Normas da CEP aprovadas na Assembleia Plenária de Jul.1984), são dias de jejum para os fiéis dos 18 aos 59 anos (a menos de dispensa, por doença ou outra causa) a Quarta-Feira de Cinzas e a Sexta-Feira Santa (convidando a liturgia a prolongar o jejum deste dia ao longo de Sábado Santo). E são dias de abstinência de carnes, para os fiéis depois dos 14 anos (embora seja bom que a iniciação nesta prática se faça mais cedo), as sextas-feiras do ano (a menos que cesse a obrigação pela coincidência com festa de preceito ou solenidade litúrgica), com possibilidade de substituição por outras práticas de ascese, esmola (caridade) ou piedade, embora seja aconselhado manter a prática tradicional nas sextas-feiras da Quaresma. No que respeita à esmola, ela deve ser proporcional às posses de cada um e significar verdadeira renúncia, podendo revestir-se da forma de “contributo penitencial” (e, como já entrou nos hábitos diocesanos, de “renúncia quaresmal”) com destino indicado pelo bispo.


"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12
CEFAS, oriundo do nome de São Pedro apóstolo, significa também um Acróstico: Comunhão para Evangelização, Formação e Anúncio do Senhor. É um humilde projeto de evangelização através da internet, buscando levar formação católica doutrinal e espiritual.