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17 dezembro 2016

A família de Nazaré

A proximidade do Natal torna mais evidente a importância da família pois o próprio Deus quis uma família para Si. Vejamos o que Papa Francisco tem a nos ensinar sobre isso.
"A encarnação do Filho de Deus abre um novo início na história universal do homem e da mulher. E este novo início tem lugar no seio de uma família, em Nazaré. Jesus nasceu numa família. Ele podia ter vindo de modo espetacular, ou como um guerreiro, um imperador... Mas não: veio como filho, numa família. Isto é importante: ver no presépio esta cena tão bonita!
Deus quis nascer numa família humana, que Ele mesmo formou. Forjou-a num longínquo povoado da periferia do Império romano. Não em Roma, que era a capital do Império, não numa cidade grande, mas numa periferia quase invisível, aliás, bastante famigerada. Recordam-no também os Evangelhos, praticamente como um modo de dizer: «Pode porventura vir algo de bom de Nazaré?» (Jo 1, 46). Talvez, em muitas regiões do mundo, nós mesmos ainda falemos assim, quando ouvimos o nome de um lugar periférico de uma cidade grande. Pois bem, precisamente aí, na periferia do grande Império, começou a história mais santa e boa, a de Jesus entre os homens! E essa família vivia ali.
Jesus permaneceu naquela periferia durante trinta anos. O evangelista Lucas assim resume este período: Jesus «vivia submetido a eles» [ou seja, a Maria e José]. E poder-se-ia dizer: «Mas este Deus que vem para nos salvar perdeu trinta anos ali, naquela periferia de má fama?». Perdeu trinta anos! Ele quis que fosse assim. O caminho de Jesus era no seio daquela família. «A Mãe conservava tudo isto no seu coração, e Jesus crescia em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens» (2, 51-52). Não se fala de milagres ou curas, de pregações — não fez alguma nessa época — de multidões que acorrem; Em Nazaré tudo parece acontecer «normalmente», segundo os costumes de uma família israelita piedosa e diligente: trabalhava-se, a mãe cozinhava, ocupava-se dos afazeres de casa, passava a ferro... coisas de mãe. O pai, carpinteiro, labutava, ensinava o filho a trabalhar. Trinta anos. «Mas que desperdício, Padre!». Os caminhos de Deus são misteriosos. Mas ali o importante era a família! E isto não constituía um desperdício! Eram grandes santos: Maria, a mulher mais santa, Imaculada, e José, o homem mais justo... A família.
Sem dúvida, enternece-nos a narração do modo como Jesus, adolescente, enfrentava os encontros da comunidade religiosa e os deveres da vida social; saber como, jovem operário, trabalhava com José; e depois, o seu modo de participar na escuta das Escrituras, na oração dos Salmos e em muitos outros hábitos da vida diária. Na sua sobriedade, os Evangelhos nada falam sobre a adolescência de Jesus, deixando esta tarefa à nossa meditação afectuosa. A arte, a literatura e a música percorreram este caminho da imaginação. Sem dúvida, não é difícil imaginar o que as mães poderiam aprender do esmero de Maria pelo seu Filho! E quanto os pais poderiam aprender do exemplo de José, homem justo, que dedicou a sua vida para apoiar e defender o Menino e a Esposa — a sua família — nas horas difíceis! Sem mencionar quanto os jovens poderiam ser encorajados por Jesus adolescente a entender a necessidade e a beleza de cultivar a sua vocação mais profunda, e de fazer sonhos grandiosos! E nestes trinta anos Jesus cultivou a sua vocação, para a qual o Pai o enviara. E nessa época Jesus nunca desanimou, mas cresceu em coragem, para ir em frente com a sua missão.
Cada família cristã — como Maria e José — pode primeiro acolher Jesus, ouvi-lo, falar com Ele, conservá-lo, protegê-lo e crescer com Ele, e assim melhorar o mundo. Deixemos espaço ao Senhor no nosso coração e nos nossos dias. Assim fizeram também Maria e José, mas não foi fácil: quantas dificuldades tiveram que superar! Não era uma família fictícia, nem uma família irreal. A família de Nazaré compromete-nos a redescobrir a vocação e missão da família, de cada família. E, come aconteceu naqueles trinta anos em Nazaré, assim também pode ocorrer para nós: fazer com que o amor se torne normal, e não o ódio, fazer com que se a entreajuda se torne comum, não a indiferença ou a inimizade. Então, não é por acaso que «Nazaret» significa «Aquela que conserva», como Maria, que — diz o Evangelho — «conservava tudo isto no seu coração» (cf. Lc 2, 19.51). A partir de então, quando uma família preserva este mistério, até na periferia do mundo, entra em acção o mistério do Filho de Deus, o mistério de Jesus que vem salvar-nos. E vem para salvar o mundo. Esta é a grande missão da família: deixar lugar a Jesus que vem, acolher Jesus na família, na pessoa dos filhos, do marido, da esposa, dos avós... Jesus está aí. É preciso acolhê-lo ali, para que cresça espiritualmente naquela família. Que o Senhor nos conceda tal graça nestes últimos dias antes do Natal. "

Fonte: 
Papa Francisco. Audiência geral: A Família - 1. Nazaré (17.12.14). Disponível em: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2014/documents/papa-francesco_20141217_udienza-generale.html

08 dezembro 2016

Oração de Papa Francisco à Imaculada Maria

Oremos esta linda prece, feita por Papa Francisco, no Ato de Veneração à Imaculada Conceição na Praça de Espanha, em 8 de dezembro de 2013.



"Virgem Santa e Imaculada

que sois a honra do nosso povo
e a guardiã solícita da nossa cidade,
a Vós nos dirigimos com amorosa confidência.

Toda sois Formosa, ó Maria!
Em Vós não há pecado.

Suscitai em todos nós um renovado desejo de santidade:
na nossa palavra, refulja o esplendor da verdade,
nas nossas obras, ressoe o cântico da caridade,
no nosso corpo e no nosso coração, habitem pureza e castidade,
na nossa vida, se torne presente toda a beleza do Evangelho. 

Toda sois Formosa, ó Maria!
em Vós Se fez carne a Palavra de Deus.

Ajudai-nos a permanecer numa escuta atenta da voz do Senhor:
o grito dos pobres nunca nos deixe indiferentes,
o sofrimento dos doentes e de quem passa necessidade não nos encontre distraídos,
a solidão dos idosos e a fragilidade das crianças nos comovam,
cada vida humana sempre seja, por todos nós, amada e venerada.

Toda sois Formosa, ó Maria!
Em Vós, está a alegria plena da vida beatífica com Deus.

Fazei que não percamos o significado do nosso caminho terreno:
a luz terna da fé ilumine os nossos dias,
a força consoladora da esperança oriente os nossos passos,
o calor contagiante do amor anime o nosso coração,
os olhos de todos nós se mantenham bem fixos em Deus, onde está a verdadeira alegria.

Toda sois Formosa, ó Maria!

Ouvi a nossa oração, atendei a nossa súplica:
esteja em nós a beleza do amor misericordioso de Deus em Jesus,
seja esta beleza divina a salvar-nos a nós, à nossa cidade, ao mundo inteiro.
Amen."1.




Nota

1. Papa Francisco, Oração à Imaculada. Disponível em: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/prayers/documents/papa-francesco_preghiere_20131208_solennita-immacolata.html

14 novembro 2016

O Verdadeiro Amor

"O verdadeiro amor é amar e deixar-me amar. É mais difícil deixar-me amar do que amar. Por isso é tão difícil chegar ao perfeito amor de Deus, porque podemos amá-Lo, mas o importante é deixar-se amar por Ele. O verdadeiro amor é abrir-se a este amor que nos precede e gera surpresa. Se tudo o que possuís é informação, toda a informação, estais fechados às surpresas; o amor abre-te às surpresas: o amor é sempre uma surpresa, porque pressupõe um diálogo a dois. Entre quem ama e quem é amado. E nós dizemos que Deus é o Deus das surpresas, porque Ele nos amou primeiro e espera-nos com uma surpresa. Deus surpreende-nos... Deixemo-nos surpreender por Deus! E não tenhamos a psicologia do computador: crer que sabe tudo. Isto que quer dizer? Um átimo e o computador dá-te todas as respostas, nenhuma surpresa. No desafio do amor, Deus manifesta-Se com surpresas. Pensemos em São Mateus… Era um bom homem de negócios; mas traía a sua pátria porque recolhia os impostos dos judeus para os dar aos romanos. Enfim, estava cheio de dinheiro e recebia os impostos. Passa Jesus, fixa-o e diz-lhe: «Segue-Me!» Aqueles que estavam com Jesus, dizem: Chama este que é um traidor, um vilão? Ele vive agarrado ao dinheiro... Mas a surpresa de ser amado vence-o e ele segue Jesus. Naquela manhã, quando se despedia da esposa, nunca teria pensado que iria voltar sem dinheiro e com pressa para dizer à sua esposa que preparasse um banquete. O banquete para Aquele que o tinha amado primeiro; que o havia surpreendido com algo mais importante do que todo o dinheiro que ele tinha.

Deixa-te surpreender pelo amor de Deus! Não tenhas medo das surpresas, que te agitam, põem em crise, mas de novo te colocam em caminho. O verdadeiro amor impele-te a gastar a vida, mesmo a risco de ficares com as mãos vazias. Pensemos em São Francisco: deixou tudo, morreu com as mãos vazias, mas com o coração cheio.


Estais de acordo? Não jovens de museu, mas jovens sapientes. Para ser sapientes, usai as três linguagens: pensar bem, sentir bem e fazer bem. E para ser sapientes, deixai-vos surpreender pelo amor de Deus!" ( Papa Francisco)1





Nota
1.Papa Francisco, Encontro com jovens na Universidade de São Tomás, Manila (18 de Janeiro de 2015). Disponível 
em: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2015/january/documents/papa-francesco_20150118_srilanka-filippine-incontro-giovani.html


06 outubro 2016

Quem é o Anjo da Guarda?

Finalizando a série dos anjos, após mostrar suas características e missão, bem como os anjos que pecaram e seu destino, veremos agora os santos Anjos da Guarda:

Normalmente, quando se fala em Anjo da Guarda, vem à mente a imagem do anjo protetor das crianças. Sim. É verdade que os anjos estão presentes na infância, mas também estão em todo o viver, até à morte (Lc 16, 22). "A vida humana é acompanhada pela sua assistência (Sl 34, 8; 91, 10-13) e intercessão (Job 33, 23-24; Zc 1, 12; Tb 12, 12). Ainda aqui na terra, a vida cristã participa na fé da sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus"(CIC 336)1.

Segundo São Basílio Magno, «Cada fiel tem a seu lado um anjo como protetor e pastor para o guiar na vida» (CIC 336)1. E "deve ser grande a dignidade das almas, para que cada uma tenha desde o princípio do nascimento, um anjo delegado para sua guarda."(São Jerônimo)2.

Segundo são Tomás de Aquino, "o homem, colocado no estado da vida presente, está como na via, que conduz à pátria. Ora, nessa via está ele exposto a muitos perigos, interiores e exteriores, conforme a Escritura: No caminho por onde eu andava, esconderam-me o laço. E por isso, assim como se dão guardas aos homens que andam por caminho não seguro, assim a cada homem, enquanto viandante, é delegado um anjo da guarda."3.

"Pondo ao nosso lado o Seu anjo, o Senhor quer acompanhar cada momento da nossa existência com o Seu amor e com a Sua proteção, para que possamos combater a boa batalha da fé (1 Tm. 6, 12) e testemunhar, sem temor nem hesitação, a nossa adesão a Ele, morto e ressuscitado para a nossa redenção", explica Papa João Paulo II 4.

Esse amor e proteção de Deus foi expresso nas Sagradas Escrituras, tanto no Antigo como no Novo Testamento.  

No Antigo Testamento, Seu amor se manifesta quando "Deus é chamado de salvador do povo de Israel (Ex 6,6; Dt 7,8; 13,5; 32,15; 33,29; Is 41,14; 43,14; 44,24; Sl 78; 1Mc 4,30). Contudo, o seu amor preferencial por Israel tem um alcance universal, que se estende a cada pessoa individualmente (2Sm 22,18.44.49; Sl 25,5; 27,1) e a todos os seres humanos: “Sim, tu amas tudo o que criaste, não te aborreces com nada do que fizeste; se alguma coisa tivesses odiado não a terias feito” (Sb 11,24). Por meio de Israel, as nações pagãs encontrarão a salvação (Is 2,1-4; 42,1; 60,1-14). “Também te estabeleci como luz das nações, a fim de que a minha salvação chegue até as extremidades da terra” (Is 49,6)."5

E Sua proteção é percebida em: “Vou enviar um anjo adiante de ti para te proteger no caminho e para te conduzir ao lugar que te preparei." (Êxodo 23, 20); "porque aos seus anjos Ele mandou que te guardem em todos os teus caminhos." (Salmos 90,11).

No Novo Testamento, "Este amor preferencial e universal de Deus se relaciona intimamente e se realiza de um modo único e exemplar em Jesus Cristo, que é o único Salvador de todos (At 4,12), mas em particular de quem quer que se faça pequeno ou humilde (tapeinōsei) como os “pequenos”. Efetivamente, Jesus, ele próprio manso e humilde de coração (Mt 11,29), mantém com eles uma misteriosa afinidade e solidariedade (Mt 18,3-5; 10,40-42; 25,40.45). E Jesus afirma que o cuidado desses pequenos é confiado aos anjos de Deus (Mt18,10)."5.

"«Segundo a tradição da Igreja, todos nós temos um anjo, que nos preserva e nos dá conselhos». «quantas vezes ouvimos: “Deverias agir assim... isto não está bem... presta atenção!”». É «a voz deste nosso companheiro de viagem». E podemos estar «certos de que, com os seus conselhos, ele nos guiará até ao fim da nossa vida»" nos diz Papa Francisco, segundo Publicado no L'Osservatore Romano 6.

A confiança no Anjo da guarda, "a quem Deus confiou a sua singular mensagem de amor"7 traz conforto e a consciência de jamais se sentir sozinho.

Essa proteção e conforto foi expresso por Papa Bento XVI ao falar sobre os Santos Arcanjos Gabriel, Rafael, Miguel e o anjo da guarda. Ele disse:

"Queridos irmãos e irmãs, invoquemos com confiança a sua ajuda, assim como a proteção do Anjo da Guarda, cuja festa celebraremos a 2 de Outubro. A presença invisível destes Espíritos bem-aventurados é-nos de grande ajuda e conforto: eles caminham ao nosso lado e protegem-nos em todas as ocasiões, defendem-nos dos perigos e a eles podemos recorrer em todos os momentos. Muitos santos mantinham com os Anjos uma relação de verdadeira amizade e são numerosos os episódios que testemunham a sua assistência em circunstâncias particulares."8.
Sim. Muitos santos tinham amizade com os Anjos da guarda. Vejamos o exemplo de Santa Francisca Romana:
 "Mulher de ação, Francisca hauria contudo de uma intensa vida de oração a força necessária para o seu apostolado social. O Senhor concedeu-lhe também graças extraordinárias, assim como fizera com duas outras grandes místicas daquele tempo, santa Catarina de Sena e santa Brígida da Suécia.
Permanece também típica a sua familiaridade com o Anjo da Guarda, do qual era devotíssima. Ele aparecia-lhe no seu caminho, defendendo-a dos perigos e iluminando-lhe a estrada durante a noite. Foi precisamente por isto que o Papa Pio XI em 1925 quis proclamar santa Francisca Romana Padroeira dos motoristas, para que do céu, juntamente com os Anjos da Guarda, obtivesse proteção para quem percorre as estradas da nossa cidade."9.

Alguém pode perguntar: Mas, se o anjo da guarda ama, cuida e protege a pessoa, por que é que acontecem sofrimentos com ela? Lendo São Tomás de Aquino temos a resposta: Embora, o anjo da guarda nunca abandone totalmente o ser humano, às vezes, ele não impede que a pessoa "entre em alguma tribulação, ou mesmo caia em pecado, conforme a ordem dos juízos divinos."10Isso não significa que os anjos queiram os pecados e as penas dos homens. Isso significa que querem que se conserve a ordem da divina justiça.


A vontade de Deus sempre é feita. E não somente se faz "as coisas que Deus quer que se façam, mas se farão contingente ou necessariamente, conforme ele o quiser."11. Por isso, "o que escapa à vontade divina, numa ordem, entra nela por outra. Assim, o pecador pecando, afasta-se, o quanto pode, da vontade divina; reentra, porém, na ordem desta quando punido pela divina justiça."12.


Finalizando, é interessante observar que a guarda dos anjos a cada pessoa é feita pela "ordem ínfima dos anjos [vide 3ª Hierarquia], que devem, segundo [São] Gregório [Magno], anunciar as coisas mínimas; ora, o que é mínimo, nas funções dos anjos, é buscar o que leva cada homem à salvação"13.


Além disso, realçar que nem todos os anjos da guarda exercem guarda especial sobre cada homem. Certas ordens [vide hierarquia] têm guarda mais universal.  "Assim, a guarda da multidão humana pertence à ordem dos Principados; ou talvez à dos Arcanjos, chamados príncipes dos anjos, sendo por isso Miguel, a que chamamos Arcanjo, considerado um dos primeiros príncipes. Depois sobre todas as naturezas corpóreas exercem guarda as Virtudes. Em seguida, também sobre os demônios exercem guarda as Potestades. E por fim, ulteriormente, sobre os bons espíritos, as Dominações, ou Principados, segundo Gregório"13.

Encerramos, assim, a série sobre os anjos. 

Notas
1. Catecismo da Igreja Católica (CIC), parágrafos 198-421. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s2c1_198-421_po.html
2. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, Parte 1, Tratado sobre a conservação e o governo das coisas, questão 113, artigo 2. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2165 
3.São Tomás de Aquino, Suma Teológica, Parte 1, Tratado sobre a conservação e o governo das coisas, questão 113, artigo 4. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2167
4. Papa João Paulo II, Ângelus/Regina Caeli (31 de março de 1997). Disponível em: https://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/angelus/1997/documents/hf_jp-ii_reg_19970331.html
5. Comissão Teológica Internacional, "A Esperança da salvação para as crianças que morrem sem batismo", parágrafo 44-45. Disponível em: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/cti_documents/rc_con_cfaith_doc_20070419_un-baptised-infants_po.html
6. Papa Francisco, Meditações Matutinas na Santa Missa celebrada na capela Domus Sanctae Marthae: "Todos nós temos um anjo" (2 de Outubro de 2014). Publicado no L'Osservatore Romano, ed. em português, n. 41 de 9 de Outubro de 2014. Disponível em: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2014/documents/papa-francesco-cotidie_20141002.html

7. Papa João Paulo II, homilia (13 de janeiro de 2002). Disponível em: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/homilies/2002/documents/hf_jp-ii_hom_20020113_baptisms.html

8. Papa Bento XVI, saudação às Comunidades Eclesial e civil de Castel Gandolfo (29 de Setembro de 2008). Disponível emhttp://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/speeches/2008/september/documents/hf_ben-xvi_spe_20080929_saluto-castel-gandolfo.html
9. Cardeal Angelo Sodano, homilia - festa anual de santa Francisca romana (5 de Março de 2005). Disponível em: http://www.vatican.va/roman_curia/secretariat_state/2006/documents/rc_seg-st_20060305_st-maria-nova_po.html

10.  São Tomás de Aquino, Suma Teológica, Parte 1, Tratado sobre a conservação e o governo das coisas, questão 113, artigo6. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2169
11. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, Parte 1, Tratado de Deo Uno, Questão 19, artigo 8. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/335
12. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, Parte 1, Tratado de Deo Uno, Questão 19, artigo 6. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/333
13.São Tomás de Aquino, Suma Teológica, Parte 1,  Tratado sobre a conservação e o governo das coisas, questão 113, artigo 3. Disponível em: http://permanencia.org.br/drupal/node/2166

27 setembro 2016

Salmos: escola de oração

Você está querendo aprender a orar? Então leia os Salmos.

O livro dos Salmos é uma "escola de oração"1Nele, aprendemos "continuamente a orar."(CIC 2587)4. Nele, "a Palavra de Deus se torna oração do homem"(CIC 2587)4.


O Papa Bento XVI1, em sua audiência "O povo de Deus que reza: os Salmos", nos ensina o valor dos Salmos na aprendizagem do orar:
"Os Salmos são dados ao fiel precisamente como texto de oração, que tem como única finalidade tornar-se a oração daqueles que os assumem e com eles se dirigem a Deus. Dado que são uma Palavra de Deus, quem recita os Salmos fala a Deus com as palavras que o próprio Deus nos concedeu, dirige-se a Ele com as palavras que Ele mesmo nos doa. Deste modo, recitando os Salmos aprendemos a rezar. Eles constituem uma escola de oração."
"Algo de análogo acontece quando a criança começa a falar, ou seja, a expressar as próprias sensações, emoções e necessidades, com palavras que não lhe pertencem de modo inato, mas que ele aprende dos seus pais e de que vive ao seu redor. Aquilo que a criança quer manifestar é a sua própria vivência, mas o instrumento expressivo pertence a outros; e ele apropria-se do mesmo gradualmente, as palavras recebidas dos pais tornam-se as suas palavras e através destas palavras aprende também um modo de pensar e de sentir, acede a um inteiro mundo de conceitos, e nele cresce, relaciona-se com a realidade, com os homens e com Deus. Finalmente, a língua dos seus pais tornou-se a sua língua, ele fala com palavras recebidas de outros, que já se tornaram as suas palavras. Assim acontece com a oração dos Salmos. Eles são-nos doados para que aprendamos a dirigir-nos a Deus, a comunicarmos com Ele, a falar-lhe de nós com as suas palavras, a encontrar uma linguagem para o encontro com Deus. E, através de tais palavras, será possível também conhecer e aceitar os critérios do seu agir, aproximar-se ao mistério dos seus pensamentos e dos seus caminhos (cf. Is 55, 8-9), de maneira a crescer cada vez mais na fé e no amor. Do mesmo modo como as nossas palavras não são apenas palavras, mas ensinam-nos um mundo real e conceitual, assim também estas preces nos ensinam o Coração de Deus, pelo que não só podemos falar com Deus, mas podemos aprender quem é Deus e, aprendendo a falar com Ele, aprendemos como ser homens, como sermos nós mesmos."
"Quer se trate de um hino, de uma oração de aflição ou de ação de graças, de uma súplica individual ou comunitária, de canto de aclamação ao rei ou de um cântico de peregrinação, ou ainda de uma meditação sapiencial, os Salmos são o espelho das maravilhas de Deus na história de seu povo e das situações humanas vividas pelo salmista."(CIC 2588)4.

"Um Salmo pode refletir um acontecimento do passado, mas é de uma sobriedade tão grande que pode ser rezado na verdade pelos homens de qualquer condição e em qualquer tempo."(CIC 2588)4.Com sua linguagem concreta e variada, nos ensinam a fixar nossa esperança em Deus: "Esperei ansiosamente pelo Senhor, Ele se inclinou para mim e ouviu o meu grito" (Sl ,2). "Que o Deus da esperança vos cumule de toda alegria e paz em vossa fé, a fim de que pela ação do Espírito Santo a vossa esperança transborde" (Rm 15,13)."(CIC 2657)4.

Papa Francisco2, ao falar do salmo 51, chamado Miserere, nos ensina como viver a Palavra de Deus contida nos Salmos:
"Trata-se de uma oração penitencial na qual o pedido de perdão é precedido pela confissão da culpa e na qual o orante, deixando-se purificar pelo amor do Senhor, se torna uma nova criatura, capaz de obediência, de firmeza e de louvor sincero.
O «título» que a antiga tradição judaica deu a este Salmo refere-se ao rei David e ao seu pecado com Betsabé, a esposa de Urias, o Hitita. Conhecemos bem a história. O rei David, chamado por Deus para apascentar o povo e para o guiar pelos caminhos da obediência à Lei divina, atraiçoa a própria missão e, depois de ter cometido adultério com Betsabé, manda matar o seu marido. Pecado horrível! O profeta Natan revela-lhe a sua culpa e ajuda-o a reconhecê-la. É o momento da reconciliação com Deus, na confissão do próprio pecado. E aqui David foi humilde, foi grande! Quem reza com este Salmo é convidado a ter os mesmos sentimentos de arrependimento e de confiança em Deus que David teve quando se arrependeu e, mesmo sendo rei, se humilhou sem ter receio de confessar a culpa e mostrar a própria miséria ao Senhor, convicto contudo da certeza da sua misericórdia. E não era um pecado de pouca importância, o que ele tinha cometido: um adultério e um assassínio!
O Salmo começa com estas palavras de súplica: «Tende piedade de mim, Senhor, / segundo a Vossa misericórdia, / segundo a vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados. / Lavai-me totalmente das minhas iniquidades» (vv. 3-4).
A invocação é dirigida ao Deus de misericórdia para que, movido por um amor grande como o de um pai ou de uma mãe, tenha piedade, isto é, conceda a graça, mostre o seu favor com benevolência e compreensão. É um apelo urgente a Deus, o único que pode libertar do pecado. São usadas imagens muito plásticas: cancela, lava-me, purifica-me. Manifesta-se, nesta oração, a verdadeira necessidade do homem: a única coisa da qual temos deveras necessidade na nossa vida é ser perdoados, libertados do mal e das suas consequências de morte. Infelizmente, a vida faz-nos experimentar muitas vezes estas situações; e antes de tudo devemos confiar na misericórdia. Deus é maior do que o nosso pecado. (...) E o seu amor é um oceano no qual nos podemos imergir sem receio de ser subjugados: para Deus, perdoar significa dar-nos a certeza de que Ele nunca nos abandona. Independentemente do que nos reprovemos, Ele é ainda e sempre maior do que tudo (cf. 1 Jo 3, 20), porque Deus é maior do que o nosso pecado.
Neste sentido, quem reza com este Salmo procura o perdão, confessa a própria culpa, mas reconhecendo-a celebra a justiça e a santidade de Deus. E depois pede ainda graça e misericórdia. O salmista confia na bondade de Deus, sabe que o perdão divino é sumamente eficaz, porque cria aquilo que diz. Não esconde o pecado, mas destrói-o e cancela-o; mas cancela-o precisamente pela raiz, não como fazem na lavandaria quando levamos uma veste e tiram uma nódoa. Não! Deus cancela o nosso pecado precisamente pela raiz, todo! Por isso o penitente volta a ser puro, toda a mancha é eliminada e agora ele está mais branco que a neve incontaminada. Todos nós somos pecadores. É verdade isto? Se algum de vós não se sente pecador que levante a mão... Ninguém! Todos o somos.
Nós, pecadores, com o perdão, tornamo-nos criaturas novas, repletas do espírito e cheias de alegria. Agora começa para nós uma nova realidade: um coração novo, um espírito novo, uma vida nova. Nós, pecadores perdoados, que acolhemos a graça divina, podemos até ensinar aos outros a não voltar a pecar.(...)
Diz o Salmista: «Ó Senhor, criai em mim um coração puro, / e renovai ao meu interior um espírito reto. [...] Então ensinarei aos iníquos os Vossos caminhos / e converter-se-ão a Vós os pecadores» (vv. 12. 15)."
"Tomemos portanto na nossa mão este livro santo, deixemo-nos ensinar por Deus a dirigir-nos a Ele, façamos do Saltério uma guia que nos ajude e nos acompanhe quotidianamente no caminho da oração." nos convida Papa Bento XVI.

Na próxima postagem da série sobre orações, veremos o poder da oração comunitária.

Nota:
1. Papa Bento XVI, Audiência Geral: O homem em oração (7): O povo de Deus que reza: os Salmos (22 de junho de 2011). Disponível em: https://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/audiences/2011/documents/hf_ben-xvi_aud_20110622.html
3. Desconheço a autoria da imagem.
4. Catecismo da Igreja Católica, índice analítico:S.13 Salmos. Disponível em: http://catecismo-az.tripod.com/conteudo/a-z/s/salmos.html

14 setembro 2016

Parábola do "filho pródigo" sob a ótica de 3 Papas

A parábola do filho pródigo (Lc 15, 11-32) é uma das parábolas de Jesus mais conhecidas. Sua mensagem é sempre atual e, por isso, vale a pena refletir sobre ela. 

E, para que haja o melhor entendimento da mensagem de Jesus, eu escolhi postar aqui os ensinamentos de 3 papas: João Paulo II, Bento XVI e Francisco. Em diferentes ocasiões, eles analisaram essa parábola. E por terem diferentes óticas, as idéias dos três se complementam e propiciam verdadeiras lições de vida e de fé. Inicialmente, compartilho as observações de Bento XVI quanto ao nome dado à parábola:
"Esta, que é talvez a mais bela parábola de Jesus, é conhecida com o nome de "parábola do filho pródigo". De fato, a figura do filho perdido é tão impressionantemente descrita, e o seu destino, tanto no bem como no mal, vai tão diretamente ao coração, que ela deve aparecer como o centro autêntico do texto. A parábola, porém, tem na realidade três personagens principais. J. Jeremias e outros propuseram que seria melhor designá-la como a parábola do Pai bondoso — Ele seria o autêntico centro do texto. P. Grelot, por sua vez, chamou a atenção para a figura do segundo irmão como totalmente essencial e, a partir disso, era da opinião — com razão, parece-me — de que a designação mais adequada seria "a parábola dos dois irmãos". Isso resulta em primeiro lugar da situação à qual a parábola responde. Ela é em S. Lucas assim representada: "Todos os publicanos e pecadores vinham ter com Ele, para O escutarem. Os fariseus e os escribas irritaram-se e disseram: Ele se dá com os pecadores e até come com eles" (Lc 15,ls). Encontramos aqui dois grupos, dois "irmãos": publicanos e pecadores; fariseus e escribas. Jesus responde-lhes com três parábolas: com a das 99 ovelhas que ficaram em casa e a ovelha perdida; com a parábola da dracma perdida; e, finalmente, acrescenta outra e diz "um homem tinha dois filhos" (Lc 15,11). Trata-se, portanto, dos dois. Com isto, o Senhor agarra uma tradição muito antiga: a temática dos dois irmãos percorre todo o Antigo Testamento, a começar com Caim e Abel, passando por Ismael e Isaac, até Esaú e Jacó, e espelha-se de um outro modo de novo na relação dos 11 filhos de Jacó no que se refere a José. Na história das eleições domina uma notável dialética entre os dois irmãos, que permanece no Antigo Testamento como uma questão aberta. Jesus retomou esta temática numa nova hora da ação de Deus na história e imprimiu-lhe um novo rumo. Em S. Mateus encontra- se um texto semelhante à nossa parábola dos dois irmãos: um declara que quer fazer a vontade do pai, mas não a realiza; o outro diz não à vontade do pai, mas depois se arrepende e realiza aquilo de que tinha sido encarregado (Mt 21,28-32). Também aqui se trata da relação dos pecadores e dos fariseus; também aqui o texto, em última instância, apela a um novo sim para o chamado de Deus."(pgs. 179-180)"1.
Interessante, não é mesmo? 

Passemos, agora, às considerações sobre a estória e seus personagens. Eu optei  por não transcrever a passagem de Lucas 15, 11-32 pois a análise abaixo, de Bento XVI, praticamente conta a estória. Mas, se quiser ler os versículos bíblicos basta clicar aqui
Assim, nesta homilia feita pelo Papa Bento XVI, ele narra a parábola enfocando a liberdade, e mostrando o que é viver verdadeiramente:
"Neste Evangelho aparecem três pessoas: o pai e os dois filhos. Mas por detrás das pessoas aparecem dois projetos de vida bastante diferentes. Ambos os filhos vivem em paz, são agricultores abastados e, portanto, têm do que viver, vendem bem os seus produtos e a vida parece ser boa.

Todavia, gradualmente o filho mais jovem julga esta vida tediosa, insatisfatória: não pode ser esta, pensa ele, toda a vida: levantar todos os dias, digamos, às 6 horas e depois, segundo as tradições de Israel, uma oração, uma leitura da Bíblia Sagrada, e depois ir trabalhar e no final novamente uma oração. Assim, dia após dia, ele pensa: mas não, a vida é mais do que isto, devo encontrar outra vida, em que eu seja verdadeiramente livre, possa fazer o que me agrada; uma vida livre desta disciplina e destas normas dos mandamentos de Deus, das ordens do pai; gostaria de estar a sós e ter a vida inteira totalmente para mim, com todas as suas belezas. Agora, contudo, é só trabalho...
E assim decide pretender todo o seu patrimônio e partir. O pai é muito atencioso e generoso, e respeita a liberdade do filho: é ele que deve encontrar o seu projeto de vida. E, como diz o Evangelho, ele parte para uma terra muito distante. É provável que fosse distante geograficamente, porque deseja uma mudança, mas também interiormente, porque quer uma vida totalmente diversa.

Agora a sua ideia é: liberdade, fazer tudo o que quero, ignorar estas normas de um Deus que está distante, não permanecer no cárcere desta disciplina da casa, fazer tudo o que é bonito, aquilo que me agrada, levar a vida com toda a sua beleza e a sua plenitude.
E num primeiro momento poderíamos talvez pensar por alguns meses tudo corre bem: ele acha bom ter finalmente alcançado a vida, sente-se feliz. Mas depois, pouco a pouco, sente também aqui o tédio, também aqui é sempre o mesmo. E no final permanece um vazio cada vez mais inquietador; faz-se cada vez mais vivo o sentimento de que esta ainda não é a vida, ao contrário, continuando com todas estas coisas, a vida afasta-se cada vez mais. Tudo se torna vazio: também agora se repropõe a escravidão de fazer as mesmas atividades. E no final inclusive o dinheiro termina, e o jovem julga que o seu nível de vida é inferior ao dos porcos.
Então, começa a refletir e pergunta se era realmente aquele o caminho da vida: uma liberdade interpretada como fazer tudo o que quero, viver, levar a vida só para mim, ou se ao contrário não seria talvez mais vida, viver pelos outros, contribuir para a construção do mundo, para o crescimento da comunidade humana... Assim começa o novo caminho, um caminho interior. O jovem reflete e considera todos estes novos aspectos do problema e começa a ver que era muito mais livre em casa, sendo também ele proprietário, contribuindo para a construção da casa e da sociedade em comunhão com o Criador, conhecendo a finalidade da sua vida, adivinhando o projeto que Deus tinha para ele. Neste caminho interior, neste amadurecimento de um novo projeto de vida, vivendo depois também o caminho exterior, o filho mais jovem põe-se a caminho para regressar, para recomeçar a sua vida, porque já compreendeu que o caminho empreendido era errado. Devo partir de novo com outro conceito, diz ele, devo recomeçar.

E chega à casa do pai, que lhe tinha deixado a sua liberdade para lhe dar a possibilidade de compreender interiormente o que é viver, o que é não viver. O pai abraça-o com todo o seu amor, oferece-lhe uma festa e a vida pode começar de novo, a partir desta festa. O filho compreende que precisamente o trabalho, a humildade, a disciplina de cada dia cria a verdadeira festa e a verdadeira liberdade. Assim regressa a casa interiormente maduro e purificado: compreendeu o que é viver.

Sem dúvida, também no futuro a sua vida não será fácil, as tentações voltarão, mas ele já está plenamente consciente de que uma vida sem Deus não funciona: falta o essencial, falta a luz, falta o porquê, falta o grande sentido do ser homem. Ele entendeu que só podemos conhecer Deus com base na sua Palavra. (Nós, cristãos, podemos acrescentar que sabemos quem é Deus através de Jesus, no qual nos foi mostrado realmente o rosto de Deus). O jovem compreende que os Mandamentos de Deus não são obstáculos para a liberdade e para uma vida bela, mas são os indicadores da vereda pela qual caminhar para encontrar a vida. Entende que também o trabalho, a disciplina, o comprometer-se não por si mesmo mas pelos outros amplia a vida. E precisamente este esforço de se comprometer no trabalho dá profundidade à vida, porque se experimenta a satisfação de ter, no final, contribuído para fazer crescer este mundo, que se torna mais livre e mais bonito.

Agora não gostaria de falar do outro filho, que ficou em casa, mas na sua reação de inveja vemos que interiormente também ele sonhava que seria, talvez, muito melhor tomar todas as liberdades. Também ele, no seu íntimo deveria "voltar para casa" e compreender de novo o que é a vida, entender que só se vive verdadeiramente com Deus, com a sua Palavra, na comunhão da própria família, do trabalho; na comunhão da grande Família de Deus."2

Sábias palavras essas do Papa Emérito! Passemos, agora, às particularidades de cada um dos personagens desta parábola:


Filho pródigo

João Paulo II faz uma análise do jovem pródigo:

"A herança que o jovem tinha recebido do pai era constituída por certa quantidade de bens materiais. Mas, mais importante do que esses bens era a sua dignidade de filho na casa paterna. A situação em que veio a encontrar-se quando se viu sem os bens materiais que dissipara, é natural que o tivesse também feito cair na conta da perda dessa dignidade. Quando pediu ao pai que lhe desse a parte de herança que lhe tocava, para se ausentar para longe, não refletiu por certo nisso. Parece que nem mesmo agora está bem consciente dessa realidade, quando diz para si próprio: «Quantos jornaleiros na casa de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui morro de fome!». Avalia-se a si mesmo pela medida dos bens que tinha perdido e que já «não possui», enquanto os criados na casa de seu pai «continuam a possuí-los». Estas palavras exprimem principalmente a sua atitude perante os bens materiais. No entanto, por detrás delas esconde-se também o drama da dignidade perdida, a consciência da condição de filho malbaratada. 
É então que toma a decisão: «Levantar-me-ei, irei ter com o meu pai e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como a um dos teus jornaleiros» [Lc 15,18 s]. Tais palavras permitem descobrir mais profundamente o problema essencial. Através da complexa situação material de penúria a que o filho pródigo chegou, por causa da sua leviandade, por causa do pecado, amadureceu nele o sentido da dignidade perdida. Quando tomou a decisão de voltar para a casa paterna e de pedir ao pai para ser recebido, não já gozando dos direitos de filho, mas na condição de assalariado, o jovem parece à primeira vista agir por motivo da fome e da miséria em que caiu. Subjacente a esse motivo, porém, está a consciência de perda mais profunda: ser um assalariado na casa do próprio pai é com certeza grande humilhação e vergonha. Apesar disso, o filho pródigo está disposto a arrostar com tal humilhação e vergonha. Caiu na conta de que já não tem mais direito algum, senão o de ser um empregado na casa do pai. Esta reflexão, brota em primeiro lugar da plena consciência da perda que mereceu e do que, doutro modo, poderia vir a possuir. Este raciocínio, precisamente, demonstra que, no âmago da consciência do filho pródigo, se manifesta o sentido da dignidade perdida, daquela dignidade que brota da relação do filho com o pai. Com essa decisão empreendeu o caminho de regresso."3
Papa Francisco mostra que essa dignidade de filho vem do amor do pai:
"«Já não sou digno de ser chamado teu filho...»(v. 19). Mas esta expressão é insuportável para o coração do pai, que ao contrário se apressa a devolver ao filho os sinais da sua dignidade: a roupa bonita, o anel, o calçado. (...) O abraço e o beijo do seu pai levam-no a entender que foi sempre considerado filho, não obstante tudo. Este ensinamento de Jesus é importante: a nossa condição de filhos de Deus é fruto do amor do coração do Pai; não depende dos nossos méritos, nem dos nossos gestos, e portanto ninguém no-la pode tirar, nem sequer o diabo! Ninguém nos pode privar desta dignidade. 4
Filho mais velho

Bento XVI faz uma análise do filho mais velho:
"Agora entra em ação o filho mais velho. Ele regressa a casa vindo do trabalho no campo, ouve a festa em casa, informa-se acerca da causa da festa e fica muito zangado. Ele não pode simplesmente achar justo que a este vadio que dissipou com prostitutas toda a sua fortuna — o bem do Pai —, agora, sem prova nem tempo de penitência, imediatamente e com brilhante esplendor, lhe seja oferecida uma festa. Isto contradiz o seu sentido de justiça: uma vida de trabalho, que ele passou, parece sem importância perante o indecente passado do outro. Fica cheio de amargura: "Há tantos anos que te sirvo e nunca transgredi um sequer dos teus mandamentos", diz para o pai, "e nunca me deste nem sequer um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos" (Lc 15,29). Também com ele foi ter o pai, e agora lhe fala cheio de bondade. O irmão mais velho não sabe nada a respeito da mudança interior e das peregrinações do outro, do caminho para o longínquo afastamento, da sua ruína e do seu reencontrar-se. Ele só vê a injustiça."1
Papa Francisco chama de soberba a atitude desse filho:
"Quando alguém se sente justo — «Eu fiz sempre tudo bem...» —, o Pai vem de igual modo procurar-nos, porque aquela atitude de se sentir justo não é boa: é a soberba! Vem do diabo."6
E fala que esse filho mais velho também precisa da misericórdia do pai: 
"Ele permaneceu sempre em casa, mas é muito diverso do pai! As suas palavras carecem de ternura: «Há muitos anos que te sirvo, sem jamais transgredir ordem alguma... E agora que voltou este teu filho» (vv. 29-30). Vemos o desprezo: nunca diz «pai», nunca diz «irmão», só pensa em si mesmo, gaba-se de ter permanecido sempre ao lado do pai e de o ter servido; e no entanto nunca viveu esta proximidade com alegria. E agora acusa o pai porque nunca lhe deu um cabrito para fazer festa. Coitado do pai! Um filho foi embora e o outro nunca permaneceu realmente próximo dele! O sofrimento do pai é como o do Deus, o de Jesus quando nos afastamos ou porque vamos embora ou porque estamos perto mas sem o estar deveras.
Também o filho mais velho precisa de misericórdia. Inclusive os justos, aqueles que se julgam justos, têm necessidade de misericórdia. Este filho representa cada um de nós, quando nos perguntamos se vale a pena labutar tanto, se depois nada recebemos em troca. Jesus recorda-nos que não permanecemos na casa do Pai para receber uma recompensa, mas porque temos a dignidade de filhos corresponsáveis. Não se trata de «negociar» com Deus, mas de seguir Jesus que se entregou incondicionalmente na cruz."4 
Pai

O Papa Bento XVI, realça a atitude do pai de sempre ir ao encontro dos filhos:
"notamos que quando aparece o filho mais velho indignado pelo acolhimento festivo reservado ao irmão, é sempre o pai que lhe vai ao encontro e sai para o suplicar: «Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu» (Lc 15, 31)"7.
E percebe a semelhança das palavras do pai com as palavras de Jesus:
"Meu Filho, tu estás sempre comigo", diz-lhe o pai, "tudo o que é meu é também teu" (Lc 15,31). Ele lhe explica assim a grandeza de ser filho. São as mesmas palavras com as quais Jesus, na oração sacerdotal, descreve a sua relação com o Pai: "Tudo o que é meu é teu e o que é teu é meu"(p.179)1. 
São João Paulo II enfatiza a fidelidade do amor do pai:
"O pai do filho pródigo é fiel à sua paternidade, fiel ao amor que desde sempre tinha dedicado ao seu filho. Tal fidelidade manifesta-se na parábola não apenas na prontidão em recebê-lo em casa, quando ele voltou depois de ter esbanjado a herança, mas sobretudo na alegria e no clima de festa tão generoso para com o esbanjador que regressa."3
Papa Francisco realça a atitude amorosa do Pai para com o filho:
"Jesus não descreve um pai ofendido e ressentido, um pai que por exemplo diz ao filho: «Vais pagar»: não, o pai abraça-o, espera por ele com amor. Ao contrário, a única coisa que o pai quer é que o filho esteja diante dele, são e salvo, é o que o torna feliz, e por isso faz festa. A recepção do filho que volta é descrita de modo comovedor: «Ainda estava longe, quando o seu pai o viu e, movido de compaixão, correu ao seu encontro, lançou-se ao seu pescoço e beijou-o» (v. 20). Quanta ternura; viu-o de longe: o que significa isto? Que o pai subia continuamente ao terraço para perscrutar a estrada a ver se o filho voltava; aquele filho que tinha feito de tudo, mas o pai esperava-o. Como é bonita a ternura do Pai! (...) O abraço e o beijo do seu pai levam-no a entender que foi sempre considerado filho, não obstante tudo."4  

Da interação desses três personagens da parábola, podemos tirar lições sobre o relacionamento com Deus e com o Próximo:


Lições sobre relacionamento com Deus 

1) A mensagem de Jesus é de esperança:
"Esta palavra de Jesus anima-nos a nunca desesperar. Penso nas mães e nos pais em apreensão quando veem os filhos afastar-se seguindo por caminhos perigosos. Penso nos párocos e catequistas que às vezes se interrogam se o seu trabalho foi em vão. Mas penso também em quantos estão na prisão e têm a impressão de que a sua vida acabou; naqueles que fizeram escolhas erradas e não conseguem olhar para o futuro; em todos os que têm fome de misericórdia e perdão, e julgam que não o merecem... Em qualquer situação da vida, não devo esquecer que nunca deixarei de ser filho de Deus, filho de um Pai que me ama e espera a minha volta. Até na pior situação da vida, Deus espera-me, Deus quer abraçar-me, Deus aguarda-me."4
2) Independentemente de se pensar e/ou agir como o filho pródigo ou como o filho mais velho, Deus permanece sempre fiel em seu amor:
"Deus continua a considerar-nos seus filhos quando nos perdemos, e vem ao nosso encontro com ternura quando voltamos para Ele. E fala-nos com tanta bondade quando nós pensamos que somos justos. Os erros que cometemos, mesmo se forem grandes, não afetam a fidelidade do seu amor. "6
"cada um de nós é aquele filho que esbanjou a própria liberdade, seguindo ídolos falsos, miragens de felicidade, e perdeu tudo. Mas Deus não se esquece de nós, o Pai nunca nos abandona. É um Pai paciente, espera-nos sempre! Respeita a nossa liberdade, mas permanece sempre fiel. E quando voltamos para Ele, acolhe-nos como filhos na sua casa, porque nunca, nem sequer por um momento, deixa de esperar por nós com amor. E o seu coração rejubila com cada filho que volta para Ele. Faz festa, porque é alegria. Deus tem esta alegria, cada vez que um de nós, pecadores, vamos ter com Ele e pedimos o seu perdão. Qual é o perigo? É que nós presumimos que somos justos e julgamos os outros. Julgamos até Deus, porque pensamos que Ele deveria castigar os pecadores, condená-los à morte, em vez de perdoar. Então sim que corremos o risco de permanecer fora da casa do Pai! Como aquele irmão mais velho da parábola, que em vez de ficar feliz porque o seu irmão voltou, irrita-se com o pai que o recebeu e faz festa. Se no nosso coração não há misericórdia, a alegria do perdão, não estamos em comunhão com Deus, ainda que observemos todos os preceitos, porque é o amor que salva, não apenas a prática dos preceitos. É o amor a Deus e ao próximo que dá cumprimento a todos os mandamentos. E este é o amor de Deus, a sua alegria: perdoar. Ele espera-nos sempre! Talvez alguém no seu coração tenha algum peso: «Mas eu fiz isto, fiz aquilo...». Ele espera-te! Ele é Pai: espera-nos sempre!"8
3) A relação com Deus se constrói através de uma história:
"este texto evangélico tem o poder de nos falar de Deus, de nos fazer conhecer o seu rosto, melhor ainda, o seu coração. Depois de Jesus nos ter narrado acerca do Pai misericordioso, as coisas já não são como antes, agora conhecemos Deus: Ele é nosso Pai, que por amor nos criou livres e dotados de consciência, que sofre se nos perdemos e faz festa se voltamos. Por isso, a relação com Ele constrói-se através de uma história, analogamente a quanto acontece a cada filho com os próprios pais: no início depende deles; depois reivindica a própria autonomia; e por fim – se há um desenvolvimento positivo –chega a um relacionamento maduro, baseado no reconhecimento e no amor autêntico.Podemos ler nestas etapas também momentos do caminho do homem na relação com Deus. Pode haver uma fase que é como a infância: uma religião movida pela necessidade, pela dependência. À medida que o homem cresce e se emancipa, quer libertar-se desta submissão e tornar-se livre, adulto, capaz de se regular sozinho e de fazer as próprias escolhas de modo autónomo, pensando até que pode viver sem Deus. Precisamente esta fase é delicada, pode levar ao ateísmo, mas também isto, com frequência, esconde a exigência de descobrir o verdadeiro rosto de Deus. Felizmente, Deus nunca falta à sua fidelidade e, mesmo se nós nos afastamos e nos perdemos, continua a seguir-nos com o seu amor, perdoando os nossos erros e falando interiormente à nossa consciência para nos chamar a si. Na parábola, os dois filhos comportam-se de modo oposto: o menor vai embora de casa e cai muito em baixo, enquanto o maior permanece em casa, mas também ele tem um relacionamento imaturo com o Pai; de facto, quando o irmão volta, o maior não é feliz como o pai, ao contrário irrita-se e não quer entrar em casa. Os dois filhos representam dois modos imaturos de se relacionar com Deus: a rebelião e a hipocrisia. Estas duas formas superam-se através da experiência da misericórdia. Só experimentando o perdão, só reconhecendo-nos amados por um amor gratuito, maior do que a nossa miséria, mas também maior do que a nossa justiça, entramos finalmente num relacionamento deveras filial e livre com Deus."4
4) Deus nos acolhe no sacramento da confissão:
"No sacramento da confissão podemos sempre recomeçar de novo a vida: Ele acolhe-nos, restitui-nos a dignidade de seus filhos. Portanto, redescubramos este sacramento do perdão, que faz brotar a alegria num coração renascido para a vida verdadeira."2 

Lições sobre relacionamento com o próximo


1) O homem é uma criatura capaz de fazer o bem2
"não é uma "mónada", uma entidade isolada que vive somente para si mesma e deve ter a vida unicamente para si própria. Pelo contrário, nós vivemos com os outros, fomos criados com os outros e somente permanecendo com os outros, entregando-nos aos outros, encontramos a vida. O homem é uma criatura na qual Deus imprimiu a sua imagem, uma criatura que é atraída no horizonte da sua Graça, mas é também uma criatura frágil, exposta ao mal; porém, capaz de bem. E finalmente o homem é uma pessoa livre."2
2)  A lógica humana é diferente da lógica de Deus:
"«Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Convinha, porém, fazer festa...» (vv. 31-32). Assim diz o Pai ao filho mais velho. A sua lógica é a da misericórdia! O filho mais jovem pensava que merecia um castigo por causa dos seus pecados, e o filho mais velho esperava uma recompensa pelos seus serviços. Os dois irmãos não falam entre si, vivem histórias diferentes, mas ambos raciocinam segundo uma lógica alheia a Jesus: se fizeres o bem, receberás uma recompensa, se fizerem o mal serás punido; esta não é a lógica de Jesus, não!"4
3) O pecado traz dor; o perdão, alegria.
"A decisão do filho mais novo de se emancipar, esbanjando os bens recebidos do pai e vivendo de maneira dissoluta (cf. Lucas 15, 13), é uma descarada renúncia à comunhão familiar. O afastamento da casa paterna exprime bem o sentido do pecado, com o seu carácter de ingrata rebelião e as suas consequências também humanamente dolorosas. Diante da escolha deste filho o raciocínio humano, expresso de algum modo no protesto do filho mais velho, teria aconselhado a severidade de uma adequada punição, antes de uma plena reintegração na família.
Mas ao contrário o pai, ao vê-lo de longe que retornava, vai ao seu encontro cheio de comoção (ou melhor, «agitando-se nas suas entranhas», como diz literalmente o texto grego: Lc 15, 20), estreita-o num abraço de amor e quer que todos lhe façam festa.
A misericórdia paterna é ressaltada mais ainda quando este pai, ao censurar com ternura o irmão mais velho que reivindica os próprios direitos (cf. ibidem, 15, 29 s.), o convida ao comum banquete de alegria. A pura legalidade é superada pelo generoso e gratuito amor paterno, que supera a justiça humana e convoca os dois filhos a sentarem-se mais uma vez à mesa do pai."9
4) A fraternidade traz alegria ao Pai.
"O pai recuperou o filho perdido e agora pode inclusive restituí-lo ao seu irmão! Sem o filho mais jovem, também o filho mais velho deixa de ser um «irmão». A maior alegria para o pai é ver que os seus filhos se reconheçam irmãos."4
5) A misericórdia do pai é modelo para os confessores:
"Cada confessor deverá acolher os fiéis como o pai na parábola do filho pródigo: um pai que corre ao encontro do filho, apesar de lhe ter dissipado os bens. Os confessores são chamados a estreitar a si aquele filho arrependido que volta a casa e a exprimir a alegria por o ter reencontrado. Não nos cansemos de ir também ao encontro do outro filho, que ficou fora incapaz de se alegrar, para lhe explicar que o seu juízo severo é injusto e sem sentido diante da misericórdia do Pai que não tem limites. Não hão-de fazer perguntas impertinentes, mas como o pai da parábola interromperão o discurso preparado pelo filho pródigo, porque saberão individuar, no coração de cada penitente, a invocação de ajuda e o pedido de perdão. Em suma, os confessores são chamados a ser sempre e por todo o lado, em cada situação e apesar de tudo, o sinal do primado da misericórdia."5 


Concluindo esta postagem da parábola do Filho pródigo, deixo  a mensagem de Papa Francisco: 

"Jesus chama todos nós a seguir este caminho: «Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso» (Lc6, 36). Agora, peço-vos algo. Em silêncio, todos pensemos... cada um pense numa pessoa com a qual não está bem, com a qual está irritado, da qual não gosta. Pensemos naquela pessoa e em silêncio, neste momento, oremos por essa pessoa, sejamos misericordiosos para com aquela pessoa. [silêncio de oração]."8



Notas

1. Ratzinger, Joseph (Bento XVI), Jesus de Nazaré: Primeira parte: do batismo no Jordão à transfiguração. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007.
2. Papa Bento XVI, homilia (18 de Março de 2007). Disponível em: https://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/homilies/2007/documents/hf_ben-xvi_hom_20070318_istituto-penitenziario.html
3. Papa João Paulo II Carta Encíclica Dives in Misericordia (30 de novembro de 1980). Disponível em: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_30111980_dives-in-misericordia.html
4. Papa Francisco. Audiência Geral (11 de maio de 2016). Disponível em: https://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2016/documents/papa-francesco_20160511_udienza-generale.html
5. Papa Francisco, Bula de proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia(11 de abril de 2015). Disponível em :https://w2.vatican.va/content/francesco/pt/bulls/documents/papa-francesco_bolla_20150411_misericordiae-vultus.html
6. Papa Francisco, Angelus (6 de março de 2016). Disponível em: https://w2.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2016/documents/papa-francesco_angelus_20160306.html
7. Papa Bento XVIAngelus (14 de março de 2010). Disponível em:  http://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/angelus/2010/documents/hf_ben-xvi_ang_20100314.html 
6. Papa João Pauo II, Audiência (20 de setembro de 2000). Disponível em: https://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/audiences/2000/documents/hf_jp-ii_aud_20000920.html  
7. Papa Bento XVI, Angelus (12 de setembro de 2010). Disponível em: https://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/angelus/2010/documents/hf_ben-xvi_ang_20100912.html 
8. Papa Francisco, Angelus(15 de setembro de 2013). Disponível em: https://w2.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2013/documents/papa-francesco_angelus_20130915.html
9. Papa João Paulo II, Audiência:"Creio na remissão dos pecados" (8 de setembro de 1999). Disponível em: https://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/audiences/1999/documents/hf_jp-ii_aud_08091999.html


"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12
CEFAS, oriundo do nome de São Pedro apóstolo, significa também um Acróstico: Comunhão para Evangelização, Formação e Anúncio do Senhor. É um humilde projeto de evangelização através da internet, buscando levar formação católica doutrinal e espiritual.