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11 julho 2016

Sobrevivi para contar



Irmãos, acho que este é um dos melhores livros que já li este ano e recomendo a todos a leitura dele. Por ser uma história real, por sinal muito bem escrita, o livro já vale à pena. Mas não para por aí. A autora, Immaculée Ilibagiza, conta a história da sua vida e de sua família diante do genocídio ocorrido em Ruanda, África, em 1994. Uma história maravilhosa, que no meio de tanto sofrimento, ensina-nos o poder da fé, da oração e do perdão em meio a tanto sofrimento, ódio e violência.

Trago abaixo a sinopse do livro no site da Editora Fontanar:

Três meses confinada num banheiro minúsculo com mais sete mulheres famintas e aterrorizadas, sem condições mínimas de higiene, saúde e alimentação, lutando contra o desespero e ouvindo as vozes dos assassinos que queriam matá-la cruelmente. O período de tortura física e psicológica é só uma parte do que a jovem Immaculée Ilibagiza teve que suportar, aos 22 anos, para escapar dos soldados que exterminaram sua família e seu povo durante o genocídio que destruiu Ruanda em 1994. Naquele ano, em apenas cem dias, mais de um milhão de ruandeses foram barbaramente assassinados num holocausto provocado por conflitos étnicos ancestrais entre tútsis e hútus, principais etnias do país africano.
Da noite para o dia, a vida da tútsi Immaculée, filha de um respeitado casal de professores líderes de sua aldeia, mudou de forma radical. Os jovens hútus, que antes eram seus vizinhos, colegas de turma e até amigos, tomaram o poder e se transformaram em caçadores, treinados para matar os inimigos "como baratas", violar mulheres, esquartejar crianças e torturar todos os rivais que encontrassem pela frente. Única mulher de quatro irmãos, Immaculée conseguiu asilo na casa de um pastor hútu. Armados com facões, os extremistas hútus do movimento juvenil Interahamwe (aqueles que atacam em conjunto) revistaram a casa do religioso várias vezes, mas nada descobriram, segundo conta a autora, por puro milagre.
Antes de 1994, Immaculée era uma jovem feliz e esperançosa. Adorava seu país, tinha uma família unida e respeitada e gostava de estudar. Não conhecia a diferença que segregava os tútsis e os hútus quando a morte do presidente hútu de Ruanda, Juvenal Habyarimana, desencadeou o massacre frenético que destruiu sua vida idílica e obrigou sua família a se separar para sempre em plena comemoração de Páscoa.
Em Sobrevivi para Contar, escrito em forma de depoimento ao jornalista Steve Erwin, Immaculée conta, sobretudo, como conseguiu sobreviver emocionalmente ao massacre de sua família, cujos detalhes inacreditáveis ela também revela em sua narrativa de surpreendente final feliz.
Salva pelas forças da ONU com a ajuda de soldados tútsi da FPR (Força Patriótica de Ruanda), Immaculée emigrou para os Estados Unidos, onde passou a trabalhar para as Nações Unidas, em Nova York, casou-se e reconstruiu a vida. Atualmente, direciona seus esforços à organização que criou para amparar sobreviventes de guerras e genocídios.

O que gostaria de destacar é que a história é contata por essa mulher, que ouso chamar de uma mulher de aço. Uma incrível lição de perdão, de amor, em meio a tanto ódio. A nação sofreu uma revolução cheia de manipulações político-ideológicas que desembocou numa onda demoníaca de mortes, assassinatos e ódio irracional entre membros de família, vizinhos e amigos.

Nossa sociedade atual tem alguns sintomas dos sinais que precederam o genocídio em Ruanda. Acredito que tal livro é atualíssimo para refletirmos sobre os problemas de convivência humana que temos presenciado. Sinais nas redes sociais e em conversas informais de um ódio que tem crescido a cada dia amparado por idéias absurdas e irracionais, mas com grande carga ideológica. Uma verdadeira neurose psicopática que vemos nascer em alguns pensamentos e tem influenciado o pano de fundo da construção de conhecimento e julgamento de muitos jovens atuais, devido a uma educação torta, mentirosa e manipuladora.

Uma alienação da verdade concreta que tem distorcido a vida e o julgamento de cada um no seu posicionamento político, nos seus estudos, na sua convivência com familiares e amigos, nos seus julgamentos profissionais e, pior, no jeito de crer e viver a sua fé entre irmãos dentro da Igreja.

O politicamente correto, entre outras coisas, tem influenciado a todos, quer queiramos ou não, e produzido um pensamento coletivo de cerceamento da liberdade e do verdadeiro amor, trazendo uma falsa caricatura de igualdade e caridade.

O mais incrível é ver o poder da oração e da fé. Como que Immaculée vive Deus em cada momento e no meio do "inferno" em que passa, ela tem profundas experiências místicas com Deus de forma simples. Um grande exemplo do poder da oração, especialmente do Santo Rosário.

Recomendo especialmente a todas as mulheres a leitura deste livro. É um tesouro de exemplo concreto, um testemunho, de alguém que, como nós, venceu as forças do inferno pelo poder da Graça de Deus.

Ela possui mais três livros publicados no Brasil pela Vide Editorial que estão na minha lista de leitura futura e que, sem dúvida, também recomendo:



Immaculée escreve de modo magnífico, com verdade e amor, sobre as aparições da Virgem Maria na cidade de Kibeho, que começaram em 1981, onde Maria alerta sobre o perigo do genocídio a acontecer no futuro próximo... e aconteceu...



Esta é a mais surpreendente história jamais contada: a de um menino que conheceu Jesus e ousou fazer-lhe perguntas que têm consumido a humanidade por mais de 2 mil anos. 



"O poder do rosário trará às nossas vidas um número incontável de bênçãos. Ele é capaz de desfazer as nossas confusões mentais, pôr fim às tormentas do nosso coração, resolver os problemas que nos afligem, restaurar-nos a saúde e encher-nos de alegria e esperança..."


06 junho 2016

Atualidade da mensagem de Nossa Senhora das Graças de Cimbres



 Por Hermes Rodrigues Nery

A sua mensagem é atualíssima, diante dos acontecimentos históricos que ainda estamos vivenciando, no momento em que comemoramos oitenta anos das aparições. 

Com “O Diário do Silêncio”, a escritora Ana Lígia Lira apresenta a mais completa obra sobre as aparições de Nossa Senhora das Graças, no Brasil, ocorridas no pequeno povoado de Cimbres, distrito de Pesqueira, em Pernambuco, em 1936. A publicação do livro ocorre, portanto, próximo das comemorações dos oitenta anos das aparições, e com uma documentação inédita, de fontes primárias, com correspondências (especialmente as do Padre Kehrle, designado pelo bispo local a investigar o caso) e depoimentos que elucidam toda a história das aparições, como também da irmã Adélia, falecida em 13 de outubro de 2013 (na época, a menina Maria da Luz, uma das crianças a quem Nossa Senhora dirigiu suas palavras). Para o Padre Paulo Ricardo, a mensagem de Nossa Senhora das Graças de Cimbres “é bastante atual, principalmente para nós que vivemos num Brasil cada vez mais tomado pelo ideal do comunismo, do marxismo, porque foi exatamente aquilo que Nossa Senhora previu”1. Na verdade, a previsão foi a de que o Brasil seria tomado pelo comunismo e padeceria três castigos, evitados somente com a oração e a penitência. E que “o sangue correrá no Brasil”2.

Gostaria de me deter nesse artigo não tanto sobre os fatos em si da história das aparições (já abordados em relatos de outros autores), mas sobre alguns aspectos de conjuntura para auxiliar na compreensão da importância das aparições de Nossa Senhora das Graças, em Cimbres, especialmente nos dias de hoje, pois a sua mensagem é atualíssima, diante dos acontecimentos históricos que ainda estamos vivenciando, no momento em que comemoramos oito décadas das aparições.

Os três castigos

Os três castigos preconizados por Nossa Senhora das Graças, estariam, de certa forma, relacionados com as três tentativas de tomada do poder que os comunistas fariam no Brasil, ao longo desses últimos oitenta anos. A primeira delas, com a Intentona Comunista (1935), alguns meses antes das aparições em Cimbres. Depois, no governo de João Goulart, a segunda tentativa, que foi contida pelo regime militar (1964), especialmente na fase de combate às guerrilhas. E, em seguida, a terceira tentativa, com a redemocratização, na Nova República, principalmente nas gestões petistas, após 2003.

Nas duas primeiras tentativas, o sangue correu, assim como aconteceu nos países aonde o comunismo foi implantado. Na Intentona Comunista de 1935, vários defensores da pátria tombaram, dentre eles o herói-mártir da Polícia Militar, Luiz Gonzaga de Souza3. Também foram muitas as vítimas que tiveram o sangue derramado por terroristas e guerrilheiros comunistas na segunda tentativa, quando quiseram implantar a ditadura do proletariado no País, conforme depoimentos de conhecidas lideranças esquerdistas, que atuaram, naquela época4, reconhecendo que a luta contra o regime militar, inclusive por meios das guerrilhas, tinha como propósito a implantação de uma ditadura comunista5.

Mas, como bem destacou o Prof. Olavo de Carvalho, “o governo militar se ocupou de combater a guerrilha, mas não de combater o comunismo na esfera cultural, social e moral.”6 Por isso, criou-se o ambiente para a terceira e atual tentativa, ainda em curso, no Brasil, de complexa situação. Olavo de Carvalho explica que a parte da esquerda que não foi para a guerrilha, “se encaixou no esquema pregado por Antonio Gramsci, que é a revolução cultural, a penetração lenta e gradual em todas as instituições de cultura, mídia etc. Foi a facção que acabou tirando vantagem de tudo isso – até da derrota, porque a derrota lhes deu uma plêiade de mártires.”7 O fato é que a esquerda se apropriou de um discurso para se favorecer e buscar consolidar seu projeto de poder [daí a narrativa da controversa Comissão da Verdade], e até hoje, a base social aparelhada pela esquerda, de raiz filosófica marxista e até anarquista, continua como um barril de pólvora, num momento em que as forças conservadoras começam a reagir, sem saber como fazer, por estarem totalmente desorganizadas e sem estratégias e meios adequados para isso.

O processo de impeachment da presidente Dilma Roussef (ex guerrilheira no período do regime militar),  expôs a tensão desta terceira tentativa, cujos desdobramentos ainda são muito imprevisíveis. Terceira fase esta iniciada com a criação do Foro de São Paulo, em 1990 (por Fidel Castro e Lula), para viabilizar um projeto de poder totalitário, de integração regional latino-americana, a chamada Pátria Grande socialista. Projeto esse em que, antes da tomada do poder político, os comunistas buscaram criar uma base social aparelhada (seguindo a estratégia gramsciana), de aparelhamento das instituições, especialmente na área cultural, dos sindicatos, da imprensa, e até mesmo da Igreja Católica, se utilizando da teologia da libertação para influir e ampliar os setores progressistas dentro da instituição.

Com a eleição de Lula, em 2002, o PT alargou de modo desproporcional o aparelhamento do Estado, dando início à estratégia proposta pelo Foro de São Paulo, de fazer da democracia o método revolucionário, se utilizando inclusive de meios inteiramente amorais para captar recursos com volúpia desmesurada, não contando, porém, que seriam contidos nessa gula e obsessão de poder, pela Operação Lava Jato, o que ocasionou a gravíssima crise em que vivemos, aonde não sabemos ainda como a terminará.

Não é a toa que, durante o processo de impeachment, os maiores defensores da ex-guerrilheira Dilma Roussef vieram justamente do PCdoB (com Aldo Rebelo como seu Ministro da Defesa, Jandira Feghali na Câmara dos Deputados, Vanessa Graziotin no Senado, etc.). O fato é que a terceira tentativa de implantação do comunismo no Brasil está em fase já bem avançada. Depois das jornadas de junho de 2013, do pleito de 26 de outubro de 2014 e das grandes manifestações pró-impeachment de 2015-2016, cresceram as apreensões sobre como o Brasil poderá vencer essa nova batalha contra o comunismo, expresso não apenas no lulopetismo, mas em todos os demais partidos e movimentos sociais e culturais de esquerda alinhados com o projeto de poder do Foro de São Paulo.

E o que mais se teme, em tudo isso, é que novamente corra o sangue [conforme previu Nossa Senhora das Graças, em Cimbres], num momento que o País está dividido entre uma maioria conservadora e cristã [mas desorganizada], e uma minoria aparelhada que deteve o poder de decisão nos últimos treze anos [e muito bem organizada]. Tal tensão levou o Brasil a um impasse político sem precedentes. E muitas forças do internacionalismo de esquerda e também das fundações internacionais querendo intensificar a agenda antivida e antifamília, que já vem fazendo correr o sangue humano inocente, no ventre materno, com a difusão cada vez maior da cultura do aborto e tudo mais. Como ocorreu na União Soviética, quando o comunismo foi lá implantado.

“Os padres e os bispos sofrerão muito?”8

Nas aparições em Cimbres, na gruta do Sítio da Guarda, Nossa Senhora das Graças dissera às crianças: “virão tempos sérios”9, e dentre muitas coisas preditas, a confirmação de que o comunismo iria penetrar o Brasil, abrangendo todo o País (não no interior), e que tais coisas não viriam logo, mas que “os padres e os bispos sofrerão muito”10.

Nesse sentido e no contexto dos oitenta anos desde as aparições em Cimbres, cabe ressaltar que o sofrimento dos bons padres e bispos também está relacionado, de alguma forma, aos “erros da Rússia” espalhados pelo mundo, que não foram contidos, conforme pediu Nossa Senhora em Fátima aos pastorinhos, em 1917.

Como bem expôs  Valdis Grinsteins:

“Defensores do permissivismo moral, os comunistas aprovaram leis favorecendo o amor livre e o divórcio e, em 1920, durante o governo de Lenine, a Rússia foi o primeiro país do mundo a permitir o crime do aborto. O resultado dessa lamentável situação não tardou a aparecer: divórcios numerosos, trazendo como consequência famílias cada vez menores, nas quais o número de filhos era limitado em função da perspectiva de estabilidade do ‘cônjuge’, do trabalho, da moradia ou do capricho dos pais. Filhos abandonados ou entregues a orfanatos, dos quais fugiam depois para formar pequenos bandos de criminosos, logo se tornaram uma praga nacional. Uma geração que crescia sem conhecer o que fosse respeitar os outros. O crime chegou a tais níveis que, visando limitar seus efeitos, Stalin modificou a legislação em 1936, chegando a proibir o aborto. Como não houve nenhum arrependimento verdadeiro, mas apenas interesse político, pouco depois da Segunda Guerra Mundial o aborto voltou a ser introduzido na legislação comunista, bem como todos os outros ditos ‘avanços’. E a situação tornou-se ainda pior.”11

O comunismo, como um dos maus frutos do modernismo, adentrou dentro da Igreja, sob várias formas. E conforme advertira São Pio X, visou corroer, por dentro a sã doutrina católica. Os padres e bispos seduzidos pelo modernismo, anuíram com correntes de pensamento contrárias à fé, abrindo brechas para distorções e equívocos, agravados ainda mais pelo atual relativismo. Debilitar o cristianismo, especialmente a doutrina católica, foi estratégia dos comunistas, principalmente gramscianos para, por dentro da Igreja, promover a rebelião e a apostasia. Com isso, os bons padres e bispos foram encontrando dificuldades em defender a fé, num ambiente cada vez mais hostil à sã tradição católica. E mais: passaram também a difundir que o comunismo era coisa do passado, principalmente depois da queda do muro de Berlim e o desabamento da União Soviética, no Natal de 1991. Mas justamente na América Latina, e mais ainda no Brasil, com o Foro de São Paulo, o internacionalismo de esquerda instrumentalizou os setores progressistas da Igreja Católica para difundir os males do comunismo [com faces novas e diversificadas]. O próprio Fidel Castro, após o fracasso das guerrilhas no Brasil, entendeu que era preciso utilizar-se das estruturas e capilaridade da Igreja, para aparelhá-la por dentro, e propiciar assim a extensão da revolução cubana em todo o continente latino-americano, especialmente no Brasil. Para isso, foi utilíssimo espalhar a cizânia da teologia da libertação, gestada pela KGB, conforme revelou Ion Mihai Pacepa12.

Mas por que a Igreja não reagiu contra esta nova investida do comunismo? E por que o relativismo grassou de tal forma, minando toda e qualquer resistência na defesa da sã doutrina católica?

O Prof. Roberto de Mattei explica que um dos fatos relevantes para isso foi porque não houve uma condenação explícita do comunismo no Concílio Vaticano II (1962-1965), período em que se intensificou a segunda tentativa de implantação do comunismo no Brasil, detido – como dissemos – pelo regime militar.

O fato é que o Concílio foi “uma oportunidade extraordinária para as correntes progressistas”13 em que, em muitos aspectos, “a condenação do erro”14 deixou de ser vista como “uma obra de misericórdia”15. A nova forma de organização, através de conferências episcopais, especialmente a CNBB e o CELAM, contribuíram muito para afofar o terreno, em que foi possível emergir mais facilmente todas as tendências modernizantes. A não condenação do comunismo no Concílio favoreceu a instrumentalização dos setores progressistas da Igreja para a subversão da sã doutrina por dentro da instituição. Formou-se então uma rede cada vez mais fraterna de prelados progressistas, “entre bispos e teólogos europeus e latino-americanos”16, sob a liderança de Dom Hélder Câmara, rede esta descrita por François Houtart, o mesmo que, anos mais tarde, ministraria um curso no Partido Comunista cubano para convencer os militantes marxistas de que era possível conciliar cristianismo e socialismo, e que eles precisariam da estrutura da Igreja, para difundir essa concepção revolucionária.

Não faltaram apelos contra o comunismo durante o Concílio. Roberto de Mattei conta que “o arcebispo vietnamita de Hué, Ngô-Dinh-Thuc, por exemplo, definia o comunismo como ‘o problema dos problemas’, a mais importante questão do momento”.17 Mas empenhado na promoção do ecumenismo, e para garantir a presença do Patriarca de Moscou, que, na época, “estava  notoriamente  nas mãos do Kremlim”18, o Cardeal Bea conseguiu estabelecer “um acordo com base no qual o Patriarca de Moscou acolherá o convite pontifício se o Papa garantir que o Concílio se absterá de condenar o comunismo”19. E foi o que aconteceu. O Concílio se silenciou sobre a questão do comunismo, mesmo o Santo Ofício tendo reafirmado, em 1959, pouco antes, “a validade da excomunhão de 7 de janeiro de 1949, contra todo tipo de colaboração com o comunismo”20, pois já prevalecia, entre muitos altos prelados, de que “no fundo, os comunistas andam a procura da justiça e são gente que sofre”21. A partir dessa omissão e dessa nova mentalidade é que foi possível espalhar o cancro da teologia da libertação na América Latina, ainda quando se desejava impor o comunismo por meio da guerrilha.

“Quase” como na Espanha

Ao ser indagada se o sofrimento causado pelos castigos seria “como na Espanha” (que vivia, na época das aparições, o início da Guerra Civil Espanhola), Nossa Senhora respondera às crianças: “quase”.

Esse “quase” pode estar relacionado à posição do clero em relação à divisão ideológica que a Espanha viveu, ao longo da guerra civil (1936-1939), quando morreram milhares de pessoas, especificamente mais de seis mil religiosos. No entanto, o clero espanhol comparou a guerra contra o comunismo na Espanha, naquele período, como uma “cruzada moderna”22. O mesmo não se pode dizer do clero brasileiro atual, imbuído de relativismo, com um bom número de bispos conservadores (especialmente após o pontificado de Bento XVI), mas com padres e bispos progressistas em postos estratégicos de decisão, muitos alinhados ainda à esquerda, com paróquias e OnGs católicas (e até universidades como as PUCs) como base social aparelhada pelo lulopetismo. Dada a complexidade da situação, no cenário brasileiro atual, muitos padres e bispos se dizem impotentes para fazer qualquer coisa, e de se pronunciar a respeito. Por isso, se constata o silêncio e a omissão de muitos em relação ao permissivismo moral (especialmente da classe artística), evitando se posicionar ideológica e politicamente contra os governos petistas de Lula e Dilma Rousseff. Daí a posição de neutralidade da conferência episcopal em relação ao processo de impeachment, quando a maioria do povo brasileiro (conservador) foi às ruas clamando “Fora Dilma, Fora PT, Fora Foro de São Paulo”. Significativo foi o ato em que fiéis leigos ergueram após a missa de encerramento da 54ª assembleia da CNBB23, na Basílica de Aparecida, diante de todos os bispos que passavam em direção à sacristia, com os dizeres; “Por uma Igreja livre do PT e do comunismo”, imagem essa que teve um número enorme de curtidas e compartilhamentos nas redes sociais, comprovando assim (nesse aspecto) o sentimento da maioria do povo brasileiro, que clama por posições de pastores mais em consonância com a doutrina moral e social da Igreja, sem ambiguidades, mas de modo firme e cristalino, de modo especial contra o comunismo.

Nesse sentido, os três castigos preconizados por Nossa Senhoras das Graças, às crianças, em Cimbres, podem também estar associados (tendo em vista o que ocorreu durante a Guerra Civil Espanhola), a tais fatores e consequências:  1º) a divisão ideológica do País; 2º) a anarquia social provocada por instituições e grupos aparelhados; 3º) o derramamento de sangue. Mas o “quase” predito pode significar que é possível evitar as situações extremas de tais fatores e consequências, se principalmente as autoridades eclesiásticas exortarem o povo à oração e à penitência, e se, enfim, o comunismo for rechaçado mais explicitamente e condenado (recorrendo aos documentos já existentes da doutrina social da Igreja) por aqueles que tem o dever de orientar os fiéis católicos dos perigos que representam as correntes de pensamento e os partidos políticos que tem como premissa ideológica o ideário comunista. O clero, portanto, não pode estar omisso quanto a isso, para que tais fatores não acarretem tais consequências.

Os castigos previstos podem ser evitados com a oração e a penitência

Os oitenta anos das aparições de Nossa Senhora das Graças, em Cimbres, coincidem com o momento mais crítico da crise econômica e política que colocou em xeque o lulopetismo no País, podendo comprometer assim o projeto de poder do Foro de São Paulo e frear a terceira tentativa de implantação do comunismo. Por isso, se houve previsões de “tempos calamitosos para o Brasil”24, a Mãe do Céu dissera às crianças Maria da Conceição e Maria da Luz que os castigos previstos poderiam ser evitados pela oração e penitência. Esta exortação (em sintonia com todas os apelos feitos por Nossa Senhora, em La Salette, em Lourdes, em Fátima e em todas as demais aparições pelo mundo) indicam as armas pelos quais os cristãos devem se empenhar no combate ao mal. Assim como os cristãos venceram em Lepanto (1571), fazendo do Rosário a “arma da vitória”25, assim também foi a força do Rosário capaz de evitar o derramamento de sangue no difícil processo abolicionista, no séc. XIX, em que a Princesa Isabel fez triunfar a libertação dos escravos, com a Lei Áurea, vencendo também pela oração os desafios das turbulências políticas de sua época.

Nossa Senhora apresentou-se às crianças como “a Mãe da Graça”, e se veio “avisar ao povo que se aproximam três grandes castigos”26, também apareceu com o Menino Jesus em seus braços como “a Mãe do Céu”, “a Mãe de Deus”, para dizer também que é com a oração e a penitência que é possível desviar-se de tais castigos, invocando-a como Nossa Senhora das Graças, e apresentando ainda as devoções ao Coração de Jesus e a ela própria, como práticas para afastar tais males.

A leitura, portanto, de “O Diário do Silêncio”, de Ana Lígia Lira (competente pesquisadora e escritora), torna-se imprescindível para que conheçamos, em detalhes, o que ocorreu em Cimbres, e o quanto atual é a mensagem de Nossa Senhora das Graças, e a validade da sua exortação à oração e a penitência, para vencer a terceira (e mais complexa) tentativa de implantação do comunismo no Brasil.

Hermes Rodrigues Nery é coordenador do Movimento Legislação e Vida. Email: hrneryprovida@uol.com.br


Notas:
  1. https://padrepauloricardo.org/episodios/o-alerta-de-maria-para-o-brasil.
  2. http://aparicoes.leiame.net/brasil/pesqueira.html
  3. http://museuvitimasdoscomunistas.com.br/saloes/ver/intentona-comunista-1935-
  4. https://www.youtube.com/watch?v=cP5PGY08vbs
  5. https://www.youtube.com/watch?v=cP5PGY08vbs
  6. http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/olavo-de-carvalho-esquerda-ocupou-vacuo-pos-ditadura
  7. Ibidem.
  8. http://aparicoes.leiame.net/brasil/pesqueira.html
  9. Ibidem.
  10. Ibidem.
  11. http://catolicismo.com.br/materia/materia.cfm/idmat/B29467EA-3048-560B-1CD5958C0D784589/mes/Agosto2006
  12. http://www.acidigital.com/noticias/ex-espiao-da-uniao-sovietica-nos-criamos-a-teologia-da-libertacao-28919/
  13. Roberto de Mattei, O Concílio Vaticano II – Uma História nunca escrita. Porto, 2012, p. 167.
  14. Ib. p. 173.
  15. Ibidem.
  16. Ib. p. 189.
  17. Ib. 152.
  18. Ib. 147.
  19. Ib. pp. 149-150.
  20. Ib. p. 152.
  21. Ibidem.
  22. http://historia-portugal.blogspot.com.br/2009/05/guerra-civil-espanhola.html
  23. https://www.youtube.com/watch?v=Xi6WMq2cQq0
  24. http://aparicoes.leiame.net/brasil/pesqueira.html
  25. http://imperiobrasileiro-rs.blogspot.com.br/2015/12/integra-da-palestra-princesa-isabel.html
  26. http://aparicoes.leiame.net/brasil/pesqueira.html

FONTES:


13 outubro 2012

O Evangelho como me foi revelado (Maria Valtorta)




Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever (João 21, 25)
            Um dos objetivos deste blog é a evangelização por meio da divulgação de revelações feitas a místicos da Igreja, com destaque para Maria Valtorta, cuja obra principal apresentamos brevemente abaixo.
            A principal obra de Maria Valtorta – L'Evangelo come mi è stato rivelato  é publicada em diversos idiomas pelo Centro Editoriale Valtortiano, dentre os quais o português (O Evangelho como me foi revelado).
Não obstante sua grandiosidade, trata-se de publicação ainda pouco conhecida no Brasil. Cheguei ao seu conhecimento por meio do Pe. José Antonio Fortea, exorcista espanhol, o qual, em palestra proferida em Fortaleza em setembro/2006, recomendou aquela que, para ele, fora a obra mais importante para a sua formação sacerdotal.
O Evangelho como me foi revelado é composto de 10 volumes. As revelações iniciais (volume 1) dizem respeito às vidas de S. Joaquim e Sta. Ana e à Conceição Imaculada de Maria. O 10o e último volume se inicia com a agonia de Jesus no horto, contempla toda a Via Crucis, a perdição de Judas Iscariotes, a Ressurreição de Jesus, o Pentecostes, os primórdios da Igreja, a assunção de Nossa Senhora – a “Arca que contém a Palavra Divina” – ao Céu. Em todos os volumes, além da minuciosa descrição dos fatos, há comentários de Jesus e, por vezes, de Nossa Senhora, de notável profundidade teológica. Muitos desses comentários são dirigidos ao tempo presente.
Como na obra (edição em português) não existe prefácio, reproduzo, abaixo, algumas informações sobre Maria Valtorta extraídas há algum tempo do sítio oficial do Centro Editoriale Valtortiano (lamentavelmente, hoje, referido sítio não mais contempla versão para o idioma português):
          Sobre Maria Valtorta  (http://www.mariavaltorta.com/?set_lang=pt)
          MARIA VALTORTA nasceu em Caserta, Itália, no dia 14/03/1897. Criou e formou-se em várias cidades do norte (Faenza, Milão, Voghera) mostrando um caráter forte, ressaltados à capacidade humana e a extraordinários dotes espirituais. Durante a 1ª guerra mundial foi enfermeira “samaritana” no Hospital Militar de Florença. Em 1924 estabelecia-se com os pais em Viareggio, onde aplicou-se na Paróquia como delegada da cultura para os jovens de Ação Católica. A sua verdadeira missão, aquela de escritora mística, amadureceu e desdobrou-se nos anos centrais da sua longa enfermidade, que a obrigou a estar de cama desde 1934 até à sua morte, ocorrida em Viareggio no dia 12/10/1961. Em 1943, enferma há nove anos, Maria Valtorta aderiu a um pedido do confessor e escreveu a sua Autobiografia. Revelando o seu talento de escritora, preencheu, em um lance, sete cadernos para narrar sem reticências a própria vida, humana até à passionalidade, ascética até ao heroísmo. Logo em seguida dava início a uma produção literária prodigiosa. A maior obra de Maria Valtorta, publicada em 10 volumes, é O Evangelho como me foi revelado. Estando sentada no leito, Maria Valtorta escrevia de seu punho em cadernos comuns, de um lance, sem preparar esquemas nem corrigir.
          O Evangelho como me foi revelado narra o nascimento e a infância da Virgem Maria e do seu filho Jesus, os três anos da vida pública de Jesus (que constituem a parte mais ampla), a sua paixão, morte, ressurreição e ascensão, os primórdios da Igreja e a assunção de Maria. Literariamente elevada, a obra descreve passagens, ambientes, pessoas, eventos, com a vivacidade de uma representação; apresenta caracteres e situações com habilidade introspectiva; expõe alegrias e dramas com o sentimento de quem participa realmente; informa sobre características ambientais, costumes, ritos, culturas, com particulares irrepreensíveis. Através da narração da vida terrena do Redentor, especialmente com os discursos e os diálogos, a obra ilustra toda a doutrina do cristianismo segundo a ortodoxia católica. “Dons naturais e dons místicos harmoniosamente unidos – assim escreveu o venerável Gabriele M. Allegra, ilustre apreciador da obra valtortiana – explicam esta obra-prima da literatura religiosa italiana e talvez, deveria dizer, da literatura cristã mundial”.
            E a Igreja, qual o seu posicionamento em relação à publicação em tela?
            A primeira manifestação – creio – vem do Papa Pio XII, o qual, numa audiência particular, afirmou o seguinte: “Publique este trabalho como está... Quem o ler compreenderá.” (Osservatore Romano, 26/02/1948).
            Desde então, a importância da obra vem sendo reconhecida formalmente pela Igreja. Bispos indianos concederam quatro Imprimaturs para a tradução malaiala (uma das línguas faladas na parte ocidental da Índia). A obra teve ainda a aprovação do então Arcebispo de Suva, capital de Fiji, George H. Pearce, além do pleno aval do Bispo canadense Roman Danylak.
Quanto ao Vaticano, este, depois de análise feita pela Congregação para a Doutrina da Fé – à época (início dos anos 90) sob a liderança do Cardeal Joseph Ratzinger –, autorizou a leitura e a distribuição da obra.
             Segundo o Monsenhor Ugo Latanzi, Diácono da Faculdade de Teologia da Universidade Pontifical Laterana, “a autora... não poderia ter escrito tais materiais abundantes... sem estar sob influência do poder sobrenatural”.
            O Pe. Oscar Pilloni (paroquia@gospamira.com.br), que representa o Centro Editoriale Valtortiano no Brasil, faz o seguinte comentário sobre a publicação em evidência:
          É impressionante “ouvir” as pregações de Jesus praticamente “ao vivo”, ver a descrição física e psicológica d’Ele, dos Apóstolos, de Madalena, de Pilatos, etc. Às vezes Jesus comenta algum acontecimento dando explicações teológicas maravilhosas. Toda a obra é perfeitamente em sintonia com a Teologia Cristã.
          Maria Valtorta nunca saiu da Itália, mesmo assim as suas descrições perfeitas permitiram reconstruir o mapa exato da Palestina, em alguns casos de aparentes erros geográficos os achados arqueológicos surgidos depois deram razão à versão de Valtorta.
          O Relato VALTORTIANO resolveu também enigmas bíblicos e até problemas relativos ao Santo Sudário. Como por exemplo o braço de Jesus mais cumprido de 4 cm e a posição dos furos da mão e do pulso.
         Poderíamos continuar longamente elogiando esta obra, sabemos que “gostar das coisas de Deus é Graça” para isso entregamos estes livros, oferecidos agora também ao Brasil, à oração de todos para que o Espírito Santo os leve aos corações escolhidos por Ele.
            Na internet há relatos de que o Santo Padre Pio e Madre Theresa de Calcutá recomendavam a leitura da obra.
            A recomendação para a leitura de “O Evangelho como me foi revelado” ganha ainda mais força diante da crise de apostasia pela qual passa o mundo contemporâneo. Nesse sentido, aliás, vejamos os motivos para as revelações em tela, feitas por Nosso Senhor Jesus Cristo a Maria Valtorta, conforme trecho objeto do décimo volume, abaixo reproduzido:
[...] Eu me reservei o trabalho de fazer isso neste século no qual a Humanidade se precipita rumo ao abismo das trevas e do horror, e podeis vós evitar que Eu o faça? Podeis, por acaso, dizer que não há necessidade disso, vós que tendes um espírito tão nublado, tão surdo, enlanguescido, diante das luzes, das vozes e dos convites do Alto? (VALTORTA, Maria. O Evangelho como me foi revelado. Isola del Liri - Itália: Centro Editoriale Valtortiano, 2002, v. 10, p. 507). 
            A firme convicção na grande riqueza espiritual contida nas revelações feitas a Maria Valtorta é uma das motivações que nos levou a criar este blog, um veículo por meio do qual poderemos compartilhar dessas maravilhas – e de outras – recomendando, desde já, a leitura da obra original.
            Fiquem com Deus.



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Fonte: 
http://evangelismopresente.blogspot.com.br/2011/03/o-evangelho-como-me-foi-revelado-maria.html

31 julho 2012

Encontrados no Santo Sudário restos de ungüentos de 2 mil anos atrás



A investigadora italiana Marzia Boi assegurou em Valência que os restos de pólen encontrados no Santo Sudário de Turim não só correspondem com os que foram se depositando fortuitamente no tecido ao longo da história, mas também guardam uma correspondência “com os dos ungüentos e flores que se utilizavam para ritos funerários há 2.000 anos”, informou a Arquidiocese de Valência em um comunicado.
O trabalho da pesquisadora, exposto no Congresso Internacional sobre o Santo Sudário que se celebra em Valência, se acrescenta a outros estudos apresentados neste simpósio que mostram a compatibilidade entre o corpo envolvido com a Síndone e o de Jesus Cristo.
Em sua exposição, Marzia Boi, que trabalha no laboratório de Botânica do departamento de Biologia da Universidade das Ilhas Balear, argumentou também que no Evangelho se descreve que a sepultura de Jesus foi realizada com honras de reis, “o que implicava a preparação do cadáver com bálsamos e óleos”.
Ao analisar no microscópio as fotos dos polens extraídos em anteriores investigações sobre o Santo Sudário, a investigadora identificou tipos de plantas que “conforme está documentado desde antigo”, eram usualmente utilizadas para os enterros.
Entre elas, no Santo Sudário há polens principalmente de Helichrysum, segundo sua observação, assim como láudano, terebinto, gálbano aromático ou lentisco.
A identificação dessas plantas supõe, segundo a Dra. Boi, “um dado adicional que confirma que o homem do Sudário só poderia ser Jesus”.
A investigadora indicou que a revisão por parte de especialistas paleólogos de todos os “polens do sudário ajudaria a identificá-los melhor”. Do mesmo modo, ela reparou em que os óleos e ungüentos presentes no manto o conservaram por conterem potentes elementos repelentes de insetos e fungos.
fonte: www.catolicosdobrasil.com.br



09 abril 2012

O MILAGRE DO FOGO SAGRADO EM JERUSALÉM






“No Sábado Santo os fiéis se reúnem numa disputada aglomeração na Igreja do Santo Sepulcro. Porque neste dia, o fogo desce do céu e acende as lamparinas da Igreja”, lê-se num dos muitos itinerários do século XII, de peregrinação da Páscoa à Terra Santa.
“O milagre do Fogo Sagrado” é conhecido pelos cristãos da comunidade ortodoxa como “o maior de todos os milagres cristãos”. Acontece todo ano, na mesma hora, do mesmo modo e no mesmo lugar. Não se conhece nenhum outro milagre que ocorra tão regularmente e por tanto tempo.
Os primeiros documentos conhecidos que se referem a este milagre remontam ao século VIII d.C.. O milagre acontece na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, que é para milhões de crentes, o lugar mais sagrado da terra.
Podemos seguir os testemunhos do milagre através dos séculos nos numerosos itinerários para a Terra Santa. O abade russo Daniel apresenta, no seu itinerário escrito em 1106/7, de maneira minuciosa, “O Milagre da Santa Luz” e as cerimônias que o cercam. Ele lembra como o Patriarca entra na Capela do Santo Sepulcro (a Anástasis) com duas velas. O Patriarca se ajoelha diante da pedra sobre a qual foi recostado Cristo depois da sua morte e diz certas orações, depois das quais o milagre acontece. Uma Luz sai do coração da pedra, uma luz azul, indefinível, que depois de certo tempo acende as lamparinas de azeite fechadas e as duas velas do Patriarca. Esta luz é “O Fogo Sagrado” e se difunde por todas as pessoas que estão presentes na Igreja.
A cerimônia que cerca o “Milagre do Fogo Sagrado” talvez seja a cerimônia ininterrupta mais antiga da cristandade, em todo o mundo. A partir do século IV d.C., sem interrupção até os nossos dias, numerosos documentos mencionam o admirável prodígio. Deduz-se pelos documentos que o milagre tem acontecido no mesmo lugar, na mesma festividade e na mesma data litúrgica ao longo destes séculos.
Para investigar esse tema, viajei a Jerusalém para assistir a cerimônia e agora posso atestar que isto não só acontecia na igreja primitiva e ao longo da Idade Média, mas ocorreu também no Sábado, dia 29 de Abril de 2000.
O Patriarca Ortodoxo Grego de Jerusalém, Diodoro I, é quem todos os anos entra na tumba para rezar e é quem recebe a Santa Chama. Ele é o Patriarca de Jerusalém desde 1982, pelo que se torna uma testemunha ocular do milagre. Antes da cerimônia o Patriarca me recebeu numa audiência privada e, graças à sua intervenção, fui admitido nos balcões da cúpula da Basílica do Santo Sepulcro, de onde tive uma visão privilegiada do grupo de pessoas que se reuniu com antecedência em volta da tumba, para o “Grande Milagre do Fogo Sagrado”.

a Capela com a tumba de onde o Fogo Sagrado sai

O que é que realmente acontece no Santo Sepulcro no Sábado da Páscoa? Por que tem tanta importância na tradição ortodoxa? Por que parece que não se ouve nada sobre o milagre nos países protestantes e católicos?
O milagre acontece a cada ano no Sábado da Páscoa ortodoxa, celebrado conjuntamente por todas as comunidades ortodoxas. Há muitas denominações de cristãos ortodoxos: Sírios (de Antioquia), Armênios, Russos e Gregos, e também Coptas. Na Igreja do Santo Sepulcro há sete diferentes denominações cristãs, e todas, exceto os católicos, participam da cerimônia.
Desde que aconteceu o cisma entre ocidente e oriente no ano de 1054 os “Dois pulmões do corpo de Cristo”, como chama o Papa João Paulo II, os Ortodoxos e Católicos vivem existências separadas, mas nos dois primeiros séculos posteriores ao cisma não era assim no Santo Sepulcro. O impacto da cerimônia sobre o público era tão grande que, apesar do cisma, católicos e ortodoxos continuaram se reunindo para celebrá-la juntos. Logo depois do ano de 1246, quando os católicos deixaram Jerusalém com a frustrada Cruzada, o Milagre do Fogo Sagrado se transformou numa cerimônia privativa dos ortodoxos, que permaneceram em Jerusalém mesmo depois da ocupação palestina por parte dos turcos.
O Metropolita Timóteo, do Patriarcado Ortodoxo de Jerusalém, representante do Patriarca na celebração ecumênica de abertura da Porta Santa na Basílica de São Pedro em Roma, disse que o poder ecumênico e unificador do Fogo Sagrado é excepcional. “Até o século XIII era a Igreja inteira que celebrava a cerimônia do Fogo Sagrado”, disse-nos o Patriarca.
“Mesmo depois que os católicos deixaram Jerusalém, continuou como uma cerimônia unificante para os que aqui ficamos, isto é para todas as ramificações do mundo ortodoxo. Torna-se importante olhar a Chama que se difunde a partir de uma perspectiva simbólica: pode-se ver a Chama e o modo de se difundir, como sangue bombeado pelo coração para os diferentes membros do corpo. A Chama vem milagrosamente de Cristo para o Patriarca Grego Ortodoxo dentro da tumba. Ele a dá aos Metropolitas Armênio e Copta, os quais, por sua vez, a entregam às demais comunidades e daí se difunde para toda a comunidade dos fiéis. Terminada a cerimônia os fiéis de todo Israel e dos territórios Palestinos levam-na às casas dos seus familiares. Alguns peregrinos que vêm de longe fazem provisão de boa quantidade de azeite e de lamparinas especiais com as quais levam a Chama para os seus países.”
“A companhia aérea Olympic Airways ajuda a distribuir a Chama a numerosos países onde há cristãos ortodoxos, especialmente para Alexandria, no Egito, e para a Geórgia,a na Rússia, mas também para a Bulgária e Estados Unidos. Todos os anos escrevemos cartas de recomendação ao Ministro Dos Assuntos Religiosos de Israel que por sua vez ajuda aos peregrinos a levar lamparinas com o Fogo Sagrado atravessando os postos de Alfândega e levando-o aos respectivos aviões. Assim tão importante é a difusão da Chama para nós. É Santa e mantém para nós a lembrança de como o Espírito Santo está presente em todas as partes do Corpo de Cristo, do mesmo jeito que o sangue flui por todos os membros do corpo humano.”

Arcebispo Alexios de Tiberias traz a Santa Chama para Atenas e é recebido com honras de chefe de estado

A partir das 11 horas da manhã, aproximadamente, até as 13 horas, os cristãos árabes cantam com fortes vozes canções tradicionais. Estas canções remontam à época da ocupação turca de Jerusalém, no século XIII, quando os cristãos só podiam cantar suas canções nas Igrejas.
“Nós somos os Cristãos, e o fomos durante séculos e o seremos para sempre. Amém!” cantam com voz guturais e acompanhados pelo som de tambores. Os tocadores de tambor sentam-se nos ombros dos outros, que dançam freneticamente em redor da Capela do Sepulcro.

Antes da chegada do fogo miraculoso, cristãos Palestinos dançam de acordo com seu costume na cerimônia

Às 13 horas as canções se desvanecem e faz-se silêncio, um silêncio tenso e carregado de ansiedade pela espera da grande manifestação do Poder de Deus, que todos estão prestes a presenciar. Às 13 horas acontece outro fato: uma delegação das autoridades locais abre passagem acotovelando-se no meio da multidão. Embora estes oficiais não sejam cristãos, eles são parte das cerimônias. Nos tempos da ocupação turca da Palestina, eram os turcos muçulmanos; hoje em dia são os israelenses.

Todo ano autoridades israelenses checam a tumba se ela tem escondida alguma luz, e se está selada até a chegada do patriarca

Durante séculos a presença destes oficiais faz parte integrante da cerimônia. Sua função é a de representar os Romanos dos tempos de Jesus. O Evangelho fala dos Romanos que foram selar a tumba para que os discípulos de Jesus não pudessem roubar o Seu Corpo e proclamar que havia ressuscitado. Do mesmo modo as autoridades israelenses vêm neste Sábado da Páscoa e selam a tumba com cera. Antes de selar a porta é costume que entrem na tumba para verificar se não há fogo escondido com o qual se pudesse produzir alguma fraude. Assim, como os romanos estavam presentes para garantir que não haveria manipulação depois da morte de Jesus, do mesmo modo, as autoridades israelenses locais devem garantir que, também em nosso tempo não haja embuste.
Uma vez que a tumba tenha sido inspecionada e selada, toda a igreja canta o Kyrie Eleison. Às 13:45 horas chega o Patriarca. Imediatamente depois de uma longa procissão que rodeia a tumba três vezes, retiram seus os ornamentos reais e litúrgicos e ele fica vestindo sua alva branca, como sinal de humildade diante do grande prodígio de Deus, do qual está para ser testemunha principal.

O Patriarca chega e rodeia a tumba três vezes em procissão

Todas as lamparinas de azeite foram apagadas na noite anterior, e agora apagam as luzes artificiais restantes, de modo que quase todo o templo se encontra envolvido na escuridão. O Patriarca entra com dois círios na Capela do Santo Sepulcro, primeiro na pequena antecâmara e logo em seguida na tumba.
Não é possível ver o que acontece dentro da tumba, de modo que eu perguntei ao Patriarca de Jerusalém, Diodoro I:

Sua Beatitude Deodoro I durante a entrevista com o autor

“Beatitude, o que é que acontece quando Vossa Eminência entra no Santo Sepulcro?”
“Entro na tumba e me ajoelho com santa reverência diante do lugar onde Cristo foi deitado logo após a Sua morte e de onde Ele ressuscitou da morte. Já rezar no Santo Sepulcro é sempre para mim um momento muito sagrado, num lugar sagrado. É aqui de onde ressuscitou novamente na glória e foi daqui que Ele difundiu Sua Luz pelo mundo.
“Creio que não é por acaso que o Fogo Sagrado surja precisamente deste lugar. Em Mt 28, 3, lê-se que quando Cristo ressuscitou da morte, veio um anjo, rodeado de uma poderosa luz. Creio que a impressionante luz que envolveu o anjo na Ressurreição do Senhor é a mesma luz que aparece milagrosamente em cada Sábado que antecede a Páscoa. Cristo quer nos lembrar que a Sua Ressurreição é uma realidade e não simplesmente um mito; Ele veio realmente ao mundo para oferecer o sacrifício necessário por meio da Sua morte e Ressurreição, de modo que pudéssemos nos reunir com nosso Criador.”
“Procuro o caminho na escuridão para o interior da câmara, na qual caio de joelhos. Rezo aqui certas orações que nos foram transmitidas há séculos e, tendo rezado, espero. Às vezes devo esperar alguns minutos, mas habitualmente o milagre acontece imediatamente depois de ter rezado as orações.”
“Do coração da própria pedra sobre a qual Jesus foi depositado se derrama uma luz indefinível. Geralmente tem uma tonalidade azulada, mas a cor pode mudar e tomar diferentes matizes. Não se pode descrever em termos humanos. Às vezes cobre exatamente a pedra, enquanto que outras vezes ilumina todo o Sepulcro, de maneira que o povo reunido de pé do lado de fora da tumba e que olha para dentro avista o Sepulcro cheio de luz. A luz não queima; durante os 16 anos em que sou Patriarca de Jerusalém e recebi o Fogo Sagrado, nunca queimei a minha barba. A luz é de consistência diferente da do fogo normal que arde numa lamparina de azeite.
“Num certo ponto a luz se eleva e forma como que uma coluna em que o fogo é de natureza diferente, e na qual consigo acender meus círios. Assim que recebo a chama nos meus círios, saio e dou fogo primeiro ao Patriarca Armênio e em seguida ao Copta. Posteriormente dou fogo a todas as pessoas presentes no templo.”
Enquanto o Patriarca está dentro da Capela ajoelhado diante da pedra, há escuridão do lado de fora, mas está longe de haver silêncio. Ouve-se um murmúrio bastante forte e a atmosfera é muito tensa. Quando o Patriarca sai com os dois círios acesos e que resplandecem brilhando na escuridão, um estrépito de júbilo ressoa no templo, unicamente comparável a um gol num jogo de futebol.

O Patriarca sai da tumba com os Círios acesos



Espalhando a chama...

A Santa Chama é recebida com o mesmo entusiasmo ano a ano. Os peregrinos sempre relatam terem viso uma chama azul se movendo a agindo livremente, acendendo velas apagadas e lamparinas fechadas na Igreja

O milagre não se resume ao que realmente acontece dentro da pequena tumba, onde o Patriarca reza. O que pode ser ainda mais significativo, é que se diz que a luz azul aparece e age fora da tumba. Todos os anos os fiéis afirmam que esta luz milagrosa acende espontaneamente velas que eles sustentam em suas mãos.
Essa luz freqüentemente acende lamparinas de azeite fechadas, diante dos olhos dos peregrinos. Vê-se a chama azul mover-se em diferentes lugares no templo. Numerosos testemunhos assinados por peregrinos que tiveram as suas velas acesas espontaneamente, atestam a veracidade desse acontecimento. A pessoa que experimenta o milagre de perto, ou tem uma vela sua acesa ou vê a luz azul, usualmente sai de Jerusalém transformada.
Poderíamos colocar a pergunta, por que o Milagre do Fogo Sagrado é pouco conhecido na Europa ocidental. Nos países protestantes pode ser explicado de certa forma pelo fato de que não há tradição de milagres: as pessoas realmente não sabem onde devem situar os milagres e eles não ocupam muito espaço nos jornais. Mas, na tradição católica há um grande interesse por milagres. Por que não é mais divulgado?
Somente as igrejas ortodoxas participam das cerimônias que emolduram o milagre. Acontece somente no Sábado que antecede a Páscoa ortodoxa e sem a presença de nenhuma autoridade católica. Para alguns ortodoxos esta evidência comprova que a igreja ortodoxa é a única legítima Igreja de Cristo no mundo, e esta afirmação obviamente pode causar certo mal-estar em quem assim não pensa.
Como em muitos outros milagres há pessoas que crêem que se trata de uma fraude e que não seria nada mais do que uma obra prima da propaganda ortodoxa. Eles acreditam que o Patriarca tem um isqueiro dentro da tumba. Estas críticas, contudo, se deparam com uma série de problemas. Fósforos e outros meios de acender o fogo são descobertas recentes. Poucos séculos atrás acender um fogo era uma tarefa que requeria muito mais tempo do que o Patriarca dispõe quando está dentro da tumba.
Os argumentos principais contra a fraude não são, contudo, os referentes aos Patriarcas, que são mutáveis. O maior desafio que as críticas enfrentam são os milhares de testemunhos independentes de peregrinos, cujas velas se acenderam espontaneamente diante dos seus olhos, sem explicação humanamente plausível.
De acordo com nossas investigações, nunca foi possível filmar nenhuma das velas ou lamparinas de azeite enquanto se acendiam sozinhas. Contudo, tenho um vídeo filmado por um jovem engenheiro de Belém, Suhail Thalgich. O senhor Thalgich esteve presente à cerimônia do Fogo Sagrado desde a sua infância. Em 1996 pediram-lhe que filmasse a cerimônia do balcão da cúpula do templo. Junto dele, no balcão, estavam uma freira e outros quatro fiéis. A freira estava à direita do Sr. Thalgich.
No vídeo pode-se ver como ele aproxima a multidão com o ‘zoom’ da filmadora. Num dado momento todas as luzes se apagam: é o momento em que o Patriarca entra na tumba e pega o Fogo Sagrado. Enquanto ele ainda se encontrava no interior da tumba, ouve-se de repente um grito de surpresa e de admiração proveniente da freira que estava de pé junto do Sr. Thalgich. A câmera começa a balançar enquanto se escutam vozes excitadas das outras pessoas presentes no balcão. A câmera gira para a direita e é possível ver-se o motivo da emoção. Um círio grande, sustentado pela freira russa, acende-se diante das pessoas presentes, antes que o Patriarca saísse da tumba. Com as mãos tremendo ela sustenta o círio enquanto faz repetidamente o sinal da cruz em ato de reverência pelo prodígio testemunhado por ela.
O milagre, como a maior parte dos milagres, está rodeado de fatores inexplicáveis. Como disse o Arcebispo Alexios, de Tibenas, quando eu o visitei em Jerusalém. “O milagre nunca foi filmado e, talvez nunca o seja. Os milagres não podem ser provados. Exige-se fé para que um milagre dê fruto na vida de uma pessoa e, sem este ato de fé não há milagre no sentido estrito. O verdadeiro milagre na tradição Cristã tem um só propósito: estender a Graça de Deus sobre a criação, e Deus não pode estender Sua Graça sem que esta seja intermediada pela fé por parte das Suas criaturas.”
Niels Christian Hvidt
(uma versão em inglês mais completa desta reportagem encontra-se em http://www.miraclebook.org/Excerpt.html)


Fonte: http://www.tlig.org/pg/pgforum/pgnuforum185.html

"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12
CEFAS, oriundo do nome de São Pedro apóstolo, significa também um Acróstico: Comunhão para Evangelização, Formação e Anúncio do Senhor. É um humilde projeto de evangelização através da internet, buscando levar formação católica doutrinal e espiritual.