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23 junho 2020

Seminário de Formação Católica







O Seminário de Formação Católica é um projeto que busca trazer um método de formação acessível e gratuita de questões introdutórias às verdades da fé católica de forma mais acessível às pessoas, numa linguagem o mais simples possível.

Eu, Alessandro Silva, sou leigo, casado, batizado desde o nascimento, mas caminhando na Igreja desde 1993, quando tive uma experiência com Deus e desde lá tenho buscado conhecer cada vez mais esse Deus maravilhoso, buscando uma vida interior que lhe agrade e servindo a Igreja no que ela necessita. Desde o início precisei estudar a doutrina da Igreja pois tinha muitas dúvidas, ajudamos muitos jovens de muitos movimentos, fizemos estudos bíblicos, doutrinais, etc. Nestes quase 27 anos de caminhada aprendemos muito e não poderíamos deixar de compartilhar o que Deus nos deu de graça. Trabalhamos em vários movimentos da Igreja, onde nos foi chamado a servir. Pelo menos desde 2008 começamos a evangelizar pela internet.

Quantos desejam estudar a doutrina da Igreja, a teologia, ou a bíblia, o catecismo, etc, e não sabem por onde começar, não é verdade? Quantos de nós, nossos familiares, amigos e conhecidos se sentem com muitas dúvidas e por vezes perdidos no meio de tantas opiniões e uma avalanche de informações...

Por isso esse projeto nasceu. Para dar um norte, uma direção. Uma introdução ao conhecimento da fé católica, das Escrituras, da teologia, enfim, do chamado "depósito da fé". Desde o início da minha caminhada tenho ficado maravilhado com as incríveis riquezas da Igreja que por muitas vezes são desconhecidas. Esse projeto é um pequeno esforço de facilitar o acesso a estas verdades maravilhosas a todos quanto for possível de uma forma mais simples.

Temos o objetivo de criar um canal com vídeos e outros materiais que falem a língua do povo, que seja introdutório, que possa dialogar, conversar com as necessidades dos que desejam aprofundar. E para isso será necessário da nossa parte que seja algo simples e profundo. Que seja acessível e gratuito. E da sua parte se pede apenas uma coisa: FOCO. Sim, no meio de tantas informações que temos na internet, o que vemos é justamente falta de FOCO nas pessoas para se formarem nas coisas de Deus. E isso é extremamente necessário em todas as áreas da nossa vida, para sermos pessoas melhores, para sermos felizes, mesmo em meio a tantas dificuldades.

É um plano ousado. No momento estamos gravando vídeos ao vivo no Instagram e no Facebook e depois os disponibilizando no Youtube e no Telegram. Abaixo coloco os canais que estamos organizando esse projeto formativo. Acompanhe!

Para quem deseja acompanhar ao vivo, estamos gravando todas as segundas, terças e quartas-feiras às 22:00hs na página do Facebook do Evangelizar Nossa Missão ( https://www.facebook.com/EvangelizarNossaMissao ) e no meu Instagram ( https://instagram.com/alegeruah ). Mas para quem não pode acompanhar ao vivo, acompanhem por esses canais abaixo:

ARQUIVO DE TODAS AS AULAS

Youtube: https://bit.ly/semformcatolica
(Aqui vou reunindo todos os vídeos.)

Telegram: https://t.me/sefoca
(Neste canal no Telegram, além de colocarmos todas as aulas, você não perderá nenhuma informação, conteúdo e notícias que tivermos que repassar.)

Whatsapp: https://chat.whatsapp.com/IrGF7DK78LaEME0qVIUGDG
(Neste grupo bloqueado do Whatsapp vamos avisá-lo das nossas aulas e outras informações relevantes. Entre e você não ficará de fora de nada que produzirmos.)

Quem quiser se unir nesse projeto também na produção de conteúdo, entre em contato comigo.

Deus seja adorado, os homens formados!

"Isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade."
1 Timóteo 2,3-4

"Ora, a vida eterna consiste em que conheçam a ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste."
João 17,3

"Não há sinceridade nem bondade, nem conhecimento de Deus na terra... meu povo se perde por falta de conhecimento...."
Oséias 4,1-6

"...eu quero o amor mais que os sacrifícios, e o conhecimento de Deus mais que os holocaustos."
Oséias 6,6

"O que vos é dito aos ouvidos, proclamai-o sobre os telhados."
Mateus 10, 27

"Anunciar o Evangelho não é glória para mim; é uma obrigação que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!"
1 Coríntios 9,16

E São João Paulo II nos exortou fortemente:

"...os fiéis leigos escutem o chamamento de Cristo para trabalharem na sua vinha, para tomarem parte viva, consciente e responsável na missão da Igreja, nesta hora magnífica e dramática da história... Se o desinteresse foi sempre inaceitável, o tempo presente torna-o ainda mais culpável. Não é lícito a ninguém ficar inativo... Não há lugar para o ócio, uma vez que é muito o trabalho que a todos espera na vinha do Senhor... Dar fruto é uma exigência essencial da vida cristã e eclesial. Quem não dá fruto não permanece na comunhão: 'Todo ramo que em mim não dá fruto o meu Pai corta' (Jo 15,2)... Sem dúvida, a ordem de Jesus 'Ide e pregai o Evangelho' conserva sempre a sua validade e está cheia de uma urgência que não passa... Todo discípulo é chamado em primeira pessoa; nenhum discípulo pode eximir-se de dar sua própria resposta: 'Ai de mim se não evangelizar' (1Cor 9,16)... O problema missionário apresenta-se hoje à Igreja com tal amplitude e gravidade que só se todos os membros da Igreja o assumirem de forma verdadeiramente solidária e responsável, tanto singularmente como em comunidade, é que se poderá confiar numa resposta mais eficaz."

VOCAÇÃO E MISSÃO DOS LEIGOS NA IGREJA E NO MUNDO, Exortação Apostólica de São João Paulo II CHRISTIFIDELES LAICI, parágrafos 3, 32, 33 e 35.

17 junho 2018

Três coisas essenciais à salvação






«Três coisas são necessárias ao homem para a sua salvação:
A primeira é o conhecimento daquilo que se deve crer
a segunda, conhecer o que se deve desejar
a terceira, conhecer o que se deve realizar
O homem tem o primeiro desses conhecimentos no Símbolo dos Apóstolos (Credo); a Oração Dominical (Pai-nosso) o instrui sobre o que se deve desejar; e os dois preceitos da caridade e os dez mandamentos da lei mostram o que se deve pôr em prática».

S. Tomás de Aquino


Para um estudo profundo destes três itens, recomendo o Catecismo da Igreja Católica, pois todo ele é baseado nestes três pilares.

17 fevereiro 2018

Uso de imagens na Igreja





Artigo de Dom Estevão Bettencourt, OSB na Revista “Pergunte e Responderemos”, nº 270, Ano 1983, Pg. 412:

Em síntese: A proibição de confeccionar imagens contida no Antigo Testamento era devida a circunstâncias contingentes da história do povo de Deus; cercado de nações idólatras, Israel tendia ao culto pagão das imagens e a concepções de índole mágica que as imagens poderiam fomentar. De resto, já mesmo no Antigo Testamento o próprio Deus prescreveu a confecção de imagens como querubins, serpente de bronze, leões do palácio de Salomão, etc.

O mistério da Encarnação do Filho de Deus mostrou aos homens uma face visível de Deus, que, além do mais, se quis servir de numerosos elementos sensíveis (imagens, palavras, cenas históricas…) para comunicar a Boa Nova. Os cristãos foram então compreendendo que, segundo a pedagogia divina, deveriam passar da contemplação do visível ao invisível.

As imagens, principalmente os que reproduziam personagens e cenas da história sagrada, tornaram-se a Bíblia dos iletrados ou analfabetos. A controvérsia iconoclasta, inspirada por correntes judaizantes e heréticas nos séculos VIII e IX, terminou com a reafirmação do culto das Imagens no Concílio de Nicéia II (787). Tal culto é dito “de veneração” e é válido na medida em que as imagens representam os santos; não se confunde com adoração.

Os Reformadores protestantes rejeitaram as imagens por causa dos abusos do fim da                  Idade Média; Lutero, porém, se mostrou assaz liberal e tal propósito. Ultimamente entre os luteranos e atitude iconoclasta tem sido submetida a revisão.

As autoridades eclesiásticas católicas tem promulgado normas para se evitarem abusos e erros teológicos na confecção e no culto das imagens.

Comentário: Não raro levantam-se objeções contra o uso católico de confeccionar imagens sagradas, visto que estas parecem proibidos pela Lei de Deus. Com efeito, diz o livro do Êxodo: “Não farás para ti imagens esculpidas, nem qualquer imagem do que existe no alto dos céus, ou do que existe embaixo, na terra, ou do que existe nas águas, por debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto” (20,4).

Os fiéis católicos sentem-se às vezes em apuros para, diante de tal texto, justificar a praxe católica de venerar imagens. Eis por que, a seguir, abordaremos o assunto: 1) percorrendo mais a fundo a Sagrada Escritura, 2) estudando um pouco a história do Cristianismo e 3) elucidando o sentido que as imagens têm para o povo católico.

A doutrina bíblica
Distinguiremos duas etapas, ou seja, a mensagem do Antigo e a do Novo Testamento.

1.1. No Antigo Testamento
1. O Senhor vedou aos israelitas a confecção de imagens, estátuas, etc., visto que na antiguidade pré-cristã facilmente se atribuía a esses artefatos um caráter religioso; eram considerados pelos pagãos como símbolos em que a Divindade estava presente, ou como a Divindade mesma. Dada essa mentalidade dos povos vizinhos de Israel, o uso de imagens acarretava perigo para a fé monoteísta dos hebreus, que as poderiam ter na mesma conta em que as tinham os idólatras (coisa que de fato se dava quando os israelitas transgrediam o preceito do Êxodo; cf. 2Rs 18,4; Ez 8, 318).

Justamente para evitar a confecção de imagens, o Senhor não tomava forma nem figura quando falava a Israel; apenas fazia notar a sua presença por meio de raios, trovões, etc. Desta maneira subtraía ao seu povo qualquer ponto de apoio para fabricar alguma representação de Deus; o próprio Javé se dignou revelar o motivo da proibição no texto de Dt 4,15, paralelo a Ex 20,4s: “Estai atentos; já que não vistes forma nenhuma no dia em que Javé no Horebe vos falou em meio ao fogo, não prevariqueis e não façais imagem esculpida a representar o que quer que seja”.

Os Profetas foram assaz veementes na rejeição das imagens visto que, de fato, Israel tendia à idolatria; tenham-se em vista os textos de Is 40,18; 44,920; Jr 10,25…

As razões remotas que levavam os antigos a adorar imagens, eram muitas vezes de ordem mágica. Com efeito, julgavam os povos primitivos que a imagem participava da essência do indivíduo representado; a imagem era consubstancial com o indivíduo, ou mesmo a imagem era o próprio indivíduo. Em consequência, quem conseguisse fazer a imagem de um deus, capturava esse deus ou exercia poder e domínio sobre ele; encerrava a força da divindade dentro do respectivo artefato; poderia então dispor da ação poderosa da divindade.

Este fundo de cena, incompatível com a noção elevada e pura de Deus na revelação bíblica, explica adequadamente a proibição do uso de imagens no Antigo Testamento.

Como se vê, a proibição de imagens no Antigo Testamento não implicava oposição entre o visível e o Invisível, entre o material e o espiritual, nem pretendia incutir um culto espiritualizado dirigido diretamente ao Invisível. Muito diverso era o sentido dessa proibição; ela se prendia ao conceito mesmo de Javé e devia incutir que o Senhor era diferente dos deuses dos outros povos; estes podiam ser representados e fixados em determinado lugar, porque eram ficções dos homens; ao contrário, Javé se manifestava livre e soberanamente onde e quando queria, infinitamente acima das forças e dos seres sensíveis, pois Ele é o Criador de todos.

2. Não obstante, em certos casos, tomadas as cautelas contra o perigo de idolatria, o Senhor não somente permitiu, mas até mandou que se confeccionassem Imagens sagradas, a fim de elevar a piedade de Israel.

a) Foi, por exemplo, o que se deu na fabricação da Arca da Aliança: por ordem explícita de Javé, Moisés colocou dois querubins de ouro sobre o Propiciatório da Arca, tendo as asas voltadas para o alto e as faces dirigidas para a placa sagrada de metal; era pelo Propiciatório assim configurado que Javé falava ao seu povo; cf. Ex 25, 1722. Em vista disto, a Bíblia costuma dizer que “Javé está assentado sobre querubins”; cf. 1Sm 4,4; 2Sm 6,2; 2Rs 19,15; Sl 79,2; 98,1.

b) No Templo construído por Salomão, diz o texto sagrado que foram confeccionados querubins de madeira preciosa para ficar junto à Arca da Aliança (cf. 1Rs, 6,2328); e mais: as paredes do Templo foram todas revestidas de imagens de querubins (cf. 1Rs 6,29s). Tais obras se fizeram, sem dúvida, com a ordem ou a aprovação do próprio Deus (cf. 1Cr 22, 813), que, já no deserto, “comunicara a Beseleel o seu espírito – espírito de sabedoria, inteligência e ciência – para realizar toda espécie de obras, para conceber e executar projetos de obras em ouro, prata e bronze … assim como para talhar a madeira” (cf. Ex 31, 15). Vê-se assim com que apreço Deus considerava as esculturas de seu Templo, já mesmo no regime do Antigo Testamento.

c) Durante a travessia do deserto, o povo de Israel foi acometido por serpentes cuja mordedura fez perecer muita gente. Foi então que o Senhor Deus ordenou a Moisés que fizesse uma serpente de bronze e a colocasse sobre uma haste; todo aquele que, mordido, a contemplasse, seria salvo. Cf. Nm 21, 49.

d) O mar de bronze ou reservatório de água lustral colocado à entrada do palácio de Salomão era sustentado por doze bois de metal, dos quais três olhavam para o Norte, três para o Oeste, três para o Sul e três para o Leste; cf. 1Rs 7, 2326.

e) Havia também entre os ornamentos do palácio régio de Salomão figuras de leões, touros e querubins; cf. 1Rs 7,28s.

Estes textos dão a ver que a proibição de confeccionar imagens não era absoluta no Antigo Testamento, mas condicionada por circunstâncias em que vivia o povo de Israel. A própria Tradição de Israel foi aos poucos interpretando com certa flexibilidade a proibição do Decálogo. Tenham-se em vista, por exemplo, certas sinagogas da Palestina do século III d.C., onde se encontraram afrescos e figuras humanas. Seja citada também a sinagoga de Dura-Europos (à margem do rio Eufrates), na qual estavam representados Moisés diante da sarça ardente, o sacrifício de Aarão, a saída do Egito, a visão de Ezequiel.

1.2. No Novo Testamento
Passaram-se os séculos… O mesmo Senhor que se mantivera invisível, quis tomar corpo humano e viver na terra; quis assim dirigir-se aos homens mediante uma figura (a do Cristo Jesus), que, sem dúvida, devia ser impressionante. Em sua pregação, Jesus houve por bem ilustrar as realidades transcendentais (o Reino de Deus, a Misericórdia do Pai, o dinamismo da graça …) mediante imagens inspiradas pelas realidades visíveis; tal foi o significado das parábolas e alegorias utilizadas pelo Divino Mestre, que aludiu aos lírios do campo, à figueira, aos pássaros do céu, ao bom pastor, à videira e a seus ramos, às crianças que brincam na praça pública, à mulher que perdeu sua moeda, ao administrador infiel, aos operários chamados à vinha…

Ademais a evolução das culturas fez que o ambiente greco-romano fosse menos dado à magia e mais penetrado pela filosofia do que o dos povos primitivos. Isto veio permitir melhor compreensão do alcance da Encarnação do Senhor e das imagens sagradas.

Um pouco de história
Nos primeiros séculos do Cristianismo, ainda se lêem testemunhos de escritores cristãos, que apontam mal entendidos ou abusos por parte dos fiéis no uso das imagens. Outros mostram-se hesitantes quanto à validade do uso das imagens. Tal é, por exemplo, o testemunho de Minúcio Félix no século III: “Que imagem poderia eu confeccionar para representar Deus, dado que o homem mesmo é a imagem de Deus?” (Octavius 32, Patr. Latina, ed. Migne, 3,339a).

“O próprio homem é a imagem viva de Deus”, eis o argumento que Clemente de Alexandria (+ antes de 215) repete, acrescentando ainda um adágio frequente na Igreja antiga: “Viste teu irmão, viste teu Deus” (Stromateis I 19 e II 15, PG 8,812 e 1009).

Todavia os cristãos foram percebendo que a proibição de fazer imagens no Antigo Testamento tinha o mesmo papel de pedagogo (condutor de crianças destinado a cumprir as suas funções e retirar-se) que a Lei de Moisés em geral tinha junto ao povo     de Israel. Por isto o uso das imagens foi-se implantando. As gerações cristãs compreenderam que, segundo o método da pedagogia divina, atualizada na Encarnação, deveriam procurar subir ao Invisível passando pelo visível que Cristo apresentou aos homens; a meditação das fases da vida de Jesus e a representação artística das mesmas se tornaram recursos com que o povo fiel procurou aproximar-se do Filho de Deus.

Considerem-se os antigos cemitérios cristãos (catacumbas), onde se encontram diversos afrescos geralmente inspirados pelo texto bíblico: Noé salvo das águas do dilúvio, os três jovens cantando na fornalha, Daniel na cova dos leões, os pães e os peixes restantes da multiplicação efetuada por Jesus, o Peixe (Ichthys), que simbolizava o Cristo... Nas Igrejas as imagens tornaram-se a Bíblia dos iletrados, dos simples e das crianças, exercendo função pedagógica de grande alcance. É o que notam alguns escritores cristãos antigos: “O desenho mudo sabe falar sobre as paredes das igrejas e ajuda grandemente” (S. Gregório de Nissa, Panegírico de S. Teodoro, PG 94, 1248c).

“O que a Bíblia é para os que sabem ler, a imagem o é para os iletrados” (São João Damasceno, De imaginibus I 17 PG, 1248c).

O Papa São Gregório Magno (􀀀 604) escrevia a Sereno, bispo de Marselha: “Tu não devias quebrar o que foi colocado nas Igrejas não para ser adorado, mas simplesmente para ser venerado. Uma coisa é adorar uma imagem, outra coisa é aprender, mediante essa imagem, a quem se dirigem as tuas preces. O que a Escritura é para aqueles que sabem ler, a imagem o é para os ignorantes; mediante essas imagens aprendem o caminho a seguir. A imagem é o livro daqueles que não sabem ler” (epist. XI 13 PL 77, 1128c).

Nos séculos VIII e IX verificou-se na Igreja a disputa em torno do uso das imagens ou a luta iconoclasta. Por influência do judaísmo, do islamismo, de seitas e de antigas heresias cristológicas, muitos cristãos do Oriente puseram-se a negar a legitimidade do culto das imagens. Os imperadores bizantinos tomaram parte na querela, por motivos políticos mais do que por razões religiosas.

Desencadeada sob o Imperador Leão Isáurico (717741), a controvérsia foi levada ao Concílio de Nicéia II (787), que, na base dos raciocínios de grandes teólogos como São João Damasceno, reafirmou a validade do culto de veneração (não adoração) tributado às imagens. Com efeito; o Concílio distinguiu entre Istréia (adoração), devida somente a Deus, e proskynesis (veneração), tributável aos santos e também às imagens sagradas na medida em que estas representam os santos ou o próprio Senhor; o culto às imagens é, portanto, relativo, só se explica na medida em que é tributado indiretamente àqueles que as imagens representam.

Assim se pronunciaram os padres conciliares: “Definimos … que, como as representações da Cruz …, assim também as veneráveis e santas imagens, em pintura, em mosaico ou de qualquer outra matéria adequada, devem ser expostas nas santas igrejas de Deus (sobre os santos utensílios e os paramentos, sobre as paredes e de quadros), nas casas e nas entradas. O mesmo se faça com a imagem de Deus Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, com as da … santa Mãe de Deus, com as dos santos Anjos e as de todos os santos e justos. Quanto mais os fiéis contemplarem essas representações, mais serão levados a recordar-se dos modelos originais, a se voltar para eles, e lhes testemunhar … uma veneração respeitosa, sem que isto seja adoração, pois esta só convém, segundo a nossa fé, a Deus” (sessão 7, 13 de outubro de 787; DenzingerSchönmetzer, Enchridion Symbolorum nº 600s).

É interessante ainda salientar como argumentava o maior defensor das Imagens, que foi São João Damasceno (+ 749): “Como fazer a imagem do invisível? …Na medida em que Deus é invisível, não o represento por imagens; mas, desde que viste o incorpóreo feito homem, fazes a imagem da forma humana: já que o inviável se tornou visível na carne, pinta a semelhança do invisível” (Tratado sobre as imagens I 8 PG 94, 12371240). “Outrora Deus, o Incorpóreo e invisível, nunca era representado. Mas agora que Deus se manifestou na carne e habitou entre os homens, eu represento o “visível” de Deus. Não adoro a matéria, mas o Criador da matéria” (Ibid. I 16 PG 94, 1245s).

A Tradição cristã reconheceu constantemente o valor pedagógico e psicológico das imagens como suportes para a vida de oração. Assim, por exemplo, escrevia Jean Gerson (13631429), mestre de espiritualidade: “Doravante ninguém há tão simples e iletrado que possa desculpar-se de não saber como viver retamente para ganhar o paraíso, quando ele tem diante de si e para si, na representação da cruz e do Crucificado, um livro ilustrado, escrito, ornamentado muito clara e legivelmente, em que todas as virtudes são aprovadas e todos os vícios reprovados” (Moralité de la Passion, em Oeuvres complètes, ad. Glorileux, t. 7, Paris 1966, p. 143).

Santa Teresa de Ávila (􀀀 1582), ao ensinar as vias da oração às suas Religiosas, dizia : “Eis um meio que vos poderá ajudar… Cuidai de ter uma imagem ou uma pintura de Nosso Senhor que esteja de acordo com o vosso gosto. Não vos contenteis com trazê-las sobre o vosso coração sem jamais a olhar, mas servi-vos da mesma para vos entreterdes muitas vezes com Ele” (Camino de la Perfección, cap. 43,1).

Foi na base dos argumentos atrás aduzidos que se firmou na Igreja Católica a veneração das imagens, a qual nada tem que ver com adoração de alguma criatura ou com idolatria.

Examinamos agora a posição protestante:
Os Reformadores do século XVI reagiram contra os excessos do culto das imagens existente na Idade Média decadente; as suas invectivas provocaram a destruição de muitas imagens. Todavia o próprio Lutero não foi intolerante, mas, de certo modo, liberal no caso, como se depreende do texto abaixo, datado de 1528: “Tenho como algo deixado à livre escolha as imagens, os sinos, as vestes litúrgicas … e coisas semelhantes. Quem não os quer, deixe-os de lado, embora as imagens inspiradas pela Escritura e por histórias edificantes me pareçam muito úteis… Nada tenho em comum com os Iconoclastas” (Da Ceia de Cristo).

Calvino, porém, foi mais radical neste particular, como atestam os dizeres seguintes: “Não julgo ilícito representar Deus sob forma visível, porque Ele proibiu que o fizessem e também porque a sua glória é assim desfigurada e sua verdade falsificada. Se não é lícito representar Deus sob forma corpórea, tanto menos será permitido adorar imagem em lugar de Deus ou adorar Deus numa imagem. Por conseguinte, que ninguém pinte ou talhe senão as coisas visíveis ao olho” (Institution de la Religion Chrestianne I, c. 11, nº 12).

A propósito seja lícito observar que não se trata, para os católicos, de adorar imagens, mas apenas de adorar a Deus mediante o estímulo que os sinais visíveis possam oferecer à mente do cristão. Este, sendo psicossomático, é sempre sustentado por elementos sensíveis, mesmo quando exerce os atos da mais elevada espiritualidade.

A tradição protestante permaneceu avessa às imagens até os últimos tempos. Recentemente, porém, novas vozes aí se fizeram ouvir, como se pode depreender das Atas do VIII Congresso Evangélico de Arte Sacra realizado em Karlsruhe (Alemanha) no ano de 1956. Duas teses bem distintas se defrontaram nos debates: a) os Reformados (calvinistas) defendiam a opinião, tradicional entre os protestantes, de que as imagens não contrárias à Escritura Sagrada e acarretam o perigo de idolatria; b) Os luteranos, porém, replicaram que o preceito de Cristo mandando aos discípulos pregar o Evangelho em todas as línguas, inclui também o uso da linguagem figurada do artista (pintor ou escultor). Lembravam que a Bíblia se serviu de imagens, palavras de sentido metafórico, para exprimir verdades divinas; Cristo mesmo falou em metáforas variadas, de sorte que o pintor protestante Rembrandt não hesitou em pintar cenas dos Santos Evangelhos. Acrescentavam os luteranos que quem, com Lutero, reconhece na música o veículo apto da fé e do amor aos cristãos, não pode deixar de reconhecer também nas representações óticas aptíssimo instrumento para exprimir a verdade revelada.

Por que admitir, de um lado, as impressões auditivas visuais? Estas parecem ainda mais eficientes do que aquelas (documentação colhida no semanário “Der christiche Sonntag”, Herder, 14 Oktober 1956, 327). Assim é que a antiga cláusula de Ex 20,4, dada ao povo de Deus ainda muito rude, vai sendo, entre os próprios protestantes, mais e mais interpretada à luz do conjunto da Revelação, que é toda irradiada pela Encarnação do Filho de Deus.

Resta dizer breve palavra sobre:
A vigilância da Igreja
As imagens, lícitas como são, podem sempre acarretar o perigo de exageros e abusos na piedade católica. Consequentemente, as autoridades eclesiásticas, ao mesmo tempo que aproveitam a veneração relativa das mesmas, têm exercido controle sobre os tipos de imagens utilizadas no culto cristão; nunca poderão ser inspiradas unicamente pelo esteticismo ou pela devoção popular exuberante, fantasista.

Assim é que o Papa Urbano VIII em 1629 condenou a representação da Santíssima Trindade sob a forma de um tronco humano com três cabeças (monstruosidade!). Em 1745 Bento XIV rejeitou a cena de três pessoas humanas sentadas uma ao lado da outra para significar a Trindade Divina. Uma das principais razões dessas reprovações é que o Espírito Santo nunca apareceu sob forma humana; a Igreja quer que a arte cristã, para representar as Pessoas Divinas, só reproduza elementos mediante os quais estas aparecem na história sagrada ou na Bíblia: assim ao Filho será de todo oportuno atribuir figura humana; ao Espírito Santo só convém os símbolos da pomba (tenha-se em vista o batismo de Jesus, em Mt 3,16) ou das línguas de fogo (cf. a narrativa de Pentecostes, em At 2,3); quanto ao Pai Eterno, é representado por um Dedo ou uma Mão, sinais de ação e poder (note-se a expressão de Jesus em Lc 11,20: “Se é pelo Dedo de Deus que expulso os demônios …”) ou pelo tipo de um Ancião, consoante a profecia de Dn 7,9, que vê o Filho do homem adiantando-se em direção de venerável e antigo Varão de cabeleira branca, sentado sobre um trono.

De modo especial, com vistas à catequese, os Bispos franceses promulgaram certas diretrizes que devem orientar a confecção de imagens para crianças:
Não desejáveis as imagens que eduquem a fé, isto é, que façam pensar nas realidades sobrenaturais e despertem autênticos sentimentos de fé e de piedade; as imagens que levem em conta as reações da criança, e não as dos adultos;
as imagens que sejam concebidas dentro de certa preocupação com estética e não sejam feudo de alguma escola particular; as imagens que não apresentem pormenores inúteis aptos a desviar do essencial a atenção das crianças; as imagens que utilizem cor e movimentação, a fim de melhor prender a atenção e o interesse das crianças; todavia, sem exageros.
Não desaconselhadas as imagens que tratem o invisível com os mesmos traços concretos das realidades visíveis; assim os anjos configurados, sem mais, a seres humanos; as imagens que sejam capazes de impressionar e agradar, mas não suscitem sentimentos de fé e de piedade; por exemplo, aquelas que apresentam os personagens sagrados com semblante de boneca ou com expressionismo humano carregado demais, como são as imagens da Virgem SS. em geral e as de S. João Evangelista na última ceia produzidas por certos artistas do Renascimento (século XVI); as imagens que as crianças não possam facilmente compreender, por serem demasiado abstratas.

São condenadas as imagens que transmitam falsa noção da realidade, como, por exemplo, a do Menino Jesus pregado à Cruz ou detido no tabernáculo do altar ou imagens muito sentimentais; as imagens que contribuam, na mente das pessoas simples, para ridicularizar algum personagem sagrado, algum mistério da fé ou os ritos da Liturgia. Cf. La Documentation Catholique 15/09/1057.

Estas normas, sábias e prudentes como são, merecem plena atenção, visto que as imagens são veículo de instrução do povo de Deus. Sejam, pois, plenamente conformes à mensagem que elas devem transmitir.

Em conclusão: verifica-se que o culto de veneração relativa atribuído às imagens foi sendo paulatinamente integrado no patrimônio da vida da Igreja; tem o seu fundamento no mistério da Encarnação do Filho de Deus, que evidenciou o caráter provisório da proibição do Êxodo e a utilidade de representações sensíveis para o bom desempenho da catequese e o estímulo da oração. Não seria cristão recusar a arte na medida em que ela pode ser via de acesso a Deus.

Por conseguinte, a Igreja proclama: nem o Iconoclasmo nem o culto supersticioso e mágico das imagens. A cada cristão toca pessoalmente fazer o uso das imagens que melhor corresponda às suas disposições e necessidades pessoais: enquanto uns são altamente beneficiados por representações sensíveis, outros as dispensam quase por completo. Na verdade, as imagens são um meio, não um fim. Todavia que ninguém negue a legitimidade do uso moderado e teologicamente fundamentado das mesmas!”





16 fevereiro 2018

O que são as horas canônicas




Felipe Aquino:

"Os judeus costumavam rezar três vezes por dia: de manhã, ao meio-dia, no fim do dia (cf. SI 55, 17s) Os cristãos herdaram esta prática; todavia não Ihes era estranha a oração noturna, da qual Jesus e os Apóstolos deixaram precioso testemunho; cf. Lc 6,12 (Jesus passou a noite em oração antes de escolher os doze Apóstolos) e At 16,25 (Paulo e Silas, à meia-noite, cantavam os louvores de Deus na prisão de Filipos).

No século III Tertuliano (􀀀 após 220) mencionava cinco momentos de oração: aurora, terça, sexta, nona e vésperas, ou seja, ao nascer do dia, às 9h, ao meio-dia, às 15h e ao pôr do sol. Esta prática se expandiu e recebeu dois acréscimos: o da hora primeira (Prima, 7h) e o de Completas (oração antes do sono da noite). Além disso, os cristãos estimavam também a oração durante a noite. Foram principalmente os monges que, dedicando-se especialmente à oração e ao trabalho manual, contribuíram para a formação do Ofício Divino com as suas oito Horas Canônicas: Laudes (na aurora), Prima, Terça, Sexta, Noa, Vésperas, Completas, além das Vigílias noturnas. Tal número foi observado durante séculos até o Concílio do Vaticano II, que suprimiu oficialmente o Ofício de Prima, por fazer duplicata, de certo modo, com o Ofício de Laudes; além disto, o Concilio não suprimiu as chamadas Horas Menores (Terça, Sexta e Noa), mas permitiu que se celebre uma só, escolhendo-se aquela mais adaptada ao momento em que se reza (a Terça, durante a manhã; a Sexta, por volta do meio-dia; a Noa, no decorrer da tarde).

Cada uma dessas Horas Canônicas tem sua motivação e sua ambientação espirituais, como passamos a ver: As Laudes e as Vésperas, como preces da manha e da tarde, são tidas como as Horas principais.

1) As Laudes (Louvores) têm por motivo inspirador o renascer da luz do dia após as trevas da noite. Esta Hora Canônica celebra, pois, a Ressurreição de Jesus, "luz verdadeira que ilumina todo homem" (Jo 1,9) e "Sol de Justiça, que nasce do alto" (Lc 1,78); por isto uma das tônicas dessa oração é a glorificação do Senhor, que obteve a vitória sobre a morte (daí a inserção do Cântico de Zacarias no final; cf. Lc 1,6879).

As Laudes, em resposta ao dom de Deus, tencionam consagrar ao Senhor o dia do cristão, dia de trabalho e esperanças. É São Basílio (􀀀 379) quem nos diz: "A oração da manhã tem por finalidade consagrar a Deus os primeiros movimentos de nossa alma e de nossa mente e, antes de nos ocuparmos com qualquer outra coisa, deixar que nosso coração se regozije pensando em Deus, segundo está escrito: 'Dei-me conta de Deus e me alegrei' (SI 77,4), pois o corpo não se deve entregar ao trabalho sem que antes tenhamos cumprido o que disse a Escritura: 'É a Vós que invoco, Senhor, desde a manhã, escutai-me, porque desde o raiar do dia Vos apresento minha súplica e espero' (SI 5,4s)" (Regulae fusius tractatae 37,3).

S. Cipriano (􀀀 258) observa ainda: "Deve-se rezar de manhã para que, pela oração matinal, seja celebrada a ressurreição do Senhor" (De oratione dominica 35).

2) As Vésperas tiram seu nome de Véspero (= Vênus), o astro luminoso que começa a brilhar logo que caem as trevas da noite. São, por isto, a oração que conclui o dia e dá início à noite. Entre as suas finalidades, está a de dar graças a Deus pelos benefícios recebidos pelo cristão durante o dia; além disto, as Vésperas comemoram a última Ceia do Senhor e a sua morte na Cruz, ambas ocorridas em hora vespertina. Mais elas devem avivar no orante a esperança da vinda consumada do Reino de Deus, que se dará no fim da jornada deste mundo, trazendo a luz sem ocaso. São palavras de S. Cipriano "Pedimos que venha de novo a nós a luz; rogamos pela vinda gloriosa de Cristo, que nos trará a graça da luz eterna" (De oratione dominica 35).

Os cristãos rezam as Vésperas como os operários da vinha da Igreja, que, no fim do seu dia de trabalho, se encontram com o Divino Patrão para receber o dom do seu amor. Como recompensa da labuta prestada (cf. Mt 20, 116). Ou ainda: o cristão, ao fim da caminhada de um dia, diz ao Senhor como os discípulos de Emaús: "Fica conosco, Senhor, porque o dia vai declinando" (Lc 24,29).

Consciente destes elementos, o orante procurará colocar o Ofício de Vésperas precisamente naquele horário que mais lhe possibilite conceber em si tais atitudes interiores.

3) Ofício das Leituras é o nome que tem atualmente o Antigo Ofício de Vigílias Pode ser celebrado a qualquer hora desde o anoitecer até o fim do dia seguinte; quando é recitado no coro, deve conservar a índole de louvor noturno. Este Ofício tenciona proporcionar ao povo de Deus um contato substancioso com a S Escritura e com as mais belas páginas dos autores de espiritual idade antigos e modernos Os textos bíblicos são selecionados de modo que se lêem no Ofício Divino as secções que não são lidas na Liturgia Eucarística; assim o cristão encontra na celebração da Liturgia o alimento correspondente à época do ano em curso (Advento, Natal, Epifania, Quaresma, Páscoa...). Nas festas dos santos foram retiradas do Lecionário todas as leituras cuja veracidade histórica era discutida; de preferência, lêem-se então os escritos dos santos celebrados.

A ausculta da palavra, tão característica do Ofício de Leituras, não deve levar a esquecer a nota de louvor que é típica da Liturgia das Horas. Por isto tal Ofício consta também de salmos, hino, oração e outras fórmulas. A prece de louvor ou de súplica é a resposta da criatura a Deus que lhe fala.

 Observa a Instrução da Congregação para o Culto Divino sobre a Liturgia das Horas: "Os Padres e os autores espirituais exortaram muitas vezes os fiéis... à oração noturna pela qual se expressa e excita a espera do Senhor, que há de voltar: 'Á meia-noite ouviu-se em grande clamor: eis que chega o esposo, saí ao seu encontro' (Mt 25,6).

'Vela;' pois não sabeis quando chegará o Senhor da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã; vindo de repente, não vos encontre dormindo' (Mc 13,35s). São, portanto, dignos de louvor todos os que mantêm o caráter noturno do Ofício de leituras" (n° 72).

 4) Terça, Sexta, Noa. Situadas às 9h, às 12h, às 15h, estas três Horas Canônicas colocam-se ao longo do dia de trabalho para santifica-lo.

Cada qual evoca algum acontecimento do Evangelho ou dos Atos dos Apóstolos Com efeito, Terça recorda a vinda do Espírito Santo sobre os discípulos e Maria SS, reunidos no Cenáculo "à hora terceira do dia" (At 2,15). Por isto o hino de Terça comemora o dom do Espírito e pede-o para a Igreja contemporânea. A mesma hora terceira está associada à crucifixão de Jesus, conforme Mc 15,25.

Sexta é a hora em que Pedro rezava no terraço de uma casa e teve importante visão que o levaria a batizar o centurião Cornélio sem lhe impor a circuncisão (At 10,9). É também, conforme Mt 27,45, a hora da agonia de Cristo na Cruz. O hino de Sexta faz alusão ao calor que muitas vezes se faz sentir ao meio-dia e pede ao Senhor queira extinguir o fogo das paixões, que em plena labuta pode arder nos corações dos homens.

Noa lembra a oração de Pedra e João no Templo, onde Pedro curou o paralítico, conforme At 3,1; evoca também a morte de Jesus na Cruz, segundo Mt 27,46. O hino desta Hora pede "seja a tarde luminosa numa vida permanente; e da santa morte o prêmio nos dê glória eternamente".

5) Completas é a oração que se deve dizer antes do repouso da noite, mesmo que este comece após a meia-noite.

Tem, antes do mais, caráter penitencial, pois se inicia com um exame de consciência (o cristão tem interesse em se julgar tão lucidamente quanto Deus o julga, enquanto lhe é dado usufruir do perdão e da misericórdia divina); faz-se um ato penitencial pelas faltas do dia, ato que, se conscientemente realizado, obtém o perdão dos pecados leves cometidos durante a jornada."


112ª aula do Curso de Espiritualidade Católica da Escola da Fé Online do Professor Felipe Aquino.


12 fevereiro 2018

É importante saber escolher as leituras espirituais




Professor Felipe Aquino:

"Antes de mais nada, é preciso convencer-se da sua necessidade e tomar a decisão de fazê-la, sempre que possível, diariamente.

Ao tomar essa decisão deverá ter em conta:
Primeiro: como em todas as práticas espirituais, é importante escolher o momento do dia mais favorável. Antes do café da manhã? No escritório, antes de começar o trabalho? No começo da tarde (hora que pode ser útil para estudantes, para algumas mães de família...)? Ao visitar uma igreja, antes de voltar para casa? No ônibus ou no metrô, desde que possa sentar-se?
Reflita e defina.
Será mais fácil definir o horário se levar em conta que a leitura não precisa ser longa: ordinariamente bastam dez ou quinze minutos para tirar bom proveito dessa prática espiritual. Vivendo-a com constância, em pouco tempo terá lido e aproveitado mais bons livros do que imagina.

Mais um conselho prático: se você definir, por exemplo, dez minutos de leitura, faça sempre dez minutos como “norma”, nunca menos. Caso queira esticar essa leitura por mais tempo, ou deseje ler mais em outra hora, não há problema nenhum, mas considere esse acréscimo como “leitura extra”. É só em relação ao seu programa definido, aos seus dez ou quinze minutos bem definidos, que deve se sentir fielmente comprometido, com exigência responsável.

Escolha bem, em cada momento, o livro de leitura espiritual mais adequado. Para isso, é muito útil pedir conselho a uma pessoa de critério que conheça a sua alma e as lutas da sua vida. Em todo o caso, sempre que possível, procure ler um livro que vá ao encontro das suas necessidades espirituais e formativas, não um livro que satisfaça apenas a sua curiosidade.

Uma vez escolhido o livro, leia-o devagar, pausadamente, em sequência, e do começo ao fim (lendo, relendo, refletindo, rezando). Quem borboleteia nas leituras, “debicando” por curiosidade pedacinhos de vários livros ao mesmo tempo, sem completar nenhum, tira pouco proveito e permanece superficial na sua vida interior.

Não importa quanto tempo demore a terminar um livro, mesmo que seja breve. Também não importa, antes pelo contrário, reler vários dias em seguida os mesmos trechos do livro, se a sua intenção é a de gravá-los melhor, para tirar deles mais fruto.

Um livro bom pode ser relido todos os anos (por exemplo, um clássico sobre a Paixão de Cristo, no tempo da Quaresma; ou um bom livro sobre Nossa Senhora, em Maio, mês de Maria).

Depois da leitura diária, ao fechar o livro, pergunte-se: O que foi que eu compreendi, o que me ficou mais gravado?

É muito bom ter o desejo de conhecer e de ler as obras clássicas de espiritualidade, que têm ajudado inúmeras pessoas a se aproximarem de Deus. Como diz São Josemaria: «A leitura tem feito muitos santos» (Caminho, n. 116). Para ter ideia do tipo de livros de que estou falando, vou citar alguns, uns poucos dentre os universalmente mais conhecidos: Tomás de Kempis: A imitação de Cristo; São Francisco de Sales: Introdução à vida devota (também chamado Filoteia), Tratado do Amor de Deus (mais “teológico”); Santo Afonso Maria de Ligório: A oração, A prática do amor a Jesus Cristo, As glórias de Maria; Santa Teresa de Lisieux (Santa Teresinha): História de uma alma (também chamada Manuscritos autobiográficos); Santa Teresa de Ávila: O livro da vida, Caminho de perfeição; Santa Catarina de Sena: O diálogo; São Josemaria Escrivá: É Cristo que passa, Amigos de Deus.

Há muitos outros livros de santos, que agora seria impossível citar, além de numerosas obras excelentes de autores antigos e contemporâneos, que podem fazer um bem imenso à nossa alma. Pesquise, pergunte, consulte a quem lhe possa dar um bom conselho. Acredite na leitura espiritual.

Antes de encerrar estes conselhos, queria fazer ainda dois esclarecimentos. Não confunda a “leitura espiritual” com a “oração mental” (ou a “meditação”). É muito frequente o engano de pessoas que utilizam determinados livros para fazer a sua oração mental (ou a sua meditação), e acham que nisso consiste a leitura espiritual.

Sem reparar, confundem dois conceitos diferentes.

Para a oração mental (que, como víamos, quase sempre vai unida à meditação), você pode escolher cada dia textos de livros diferentes, os que achar que lhe podem servir de apoio para “falar com Deus” naquele dia; pode variar muito. A “leitura espiritual” é coisa diferente: trata-se de ler em sequência, quase que de “estudar” um livro inteiro, completo, que garanta o aprofundamento da sua formação. Não esqueça essa distinção.

Segundo. Há outras leituras, que também nos fazem muito bem; mais ainda, que nos fazem muita falta: as que nos proporcionam formação doutrinal. Entre elas, podem-se destacar os catecismos: desde o Primeiro Catecismo da doutrina cristã ou o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, até o próprio Catecismo da Igreja Católica, amplo, profundo, excelente, por mais que exija certo preparo doutrinário para entende-lo bem. Um bom livro de teologia para leigos, que não hesito em recomendar, é a obra do americano Leo Trese, A fé explicada: excelente, pedagógico e claro. Em bastantes casos, essas obras podem ser usadas também como “leitura espiritual”. Hoje, num mundo de ideias confusas, o estudo da doutrina é uma necessidade vital para todos nós.

100ª aula do Curso de Espiritualidade Católica na Escola da Fé Online do Professor Felipe Aquino

15 janeiro 2018

Catequeses do Papa sobre a Eucaristia




Irmãos, o Papa Francisco começou uma série de catequeses às quartas-feiras sobre a Eucaristia, a Santa Missa e suas partes. Iniciou em 8/11/2017. Para estudarmos melhor estas catequeses, criei um canal no Telegram onde postarei os documentos relativos a cada catequese, os textos, os links, os vídeos, etc.

Se você ainda não tem o Telegram, instale ele no seu celular, cadastre-se e acesse o link abaixo entrando no canal com todo esse preciosíssimo material:

https://t.me/joinchat/AAAAAFGaKwGD791eJ6ON7Q


03 janeiro 2018

A importância de valorizar textos riquíssimos




Conta­-se que em certa ocasião, voltando de Saint Denis juntamente com alguns frades de sua ordem, São Tomás de Aquino viu de longe a imensa cidade de Paris. Um de seus companheiros comentou como seria de grande proveito para a obra de São Domingos, serem possuidores da cidade de Paris. O Doutor Angélico, atônito, perguntou­-lhe, então, o que haveriam de fazer com ela. O frade deu­-lhe a idéia de vendê­-la ao Rei da França e, com o dinheiro, mandar construir mosteiros para que a Ordem pudesse receber mais vocações. Porém, para o espanto do frade, São Tomás respondeu-­lhe que preferia antes os comentários de São João Crisóstomo sobre o evangelho de São Mateus, por serem eles de grande valor teológico e de enorme benefício às almas.



09 outubro 2017

Ciclo Temporal Católico



Irmãos, poucos sabem mas o católico possui um ciclo temporal de meditação, vivência e oração. Esse ciclo varia entre ciclos anuais, mensais, semanais e até em horas do dia. O tempo da Graça, o Kairós, deve ser vivido de forma atenta. Descuidar do tempo é enterrar o principal talento que Deus nos deu. O tempo é o talento que deve ser posto em ação para gerar mais frutos e é dele que prestaremos contas no julgamento particular.

Devido a essa importância, venho listar aqui algumas informações sobre o ciclo temporal de vivência de um católico.



ANUAL/MENSAL

A primeira observação é com relação ao ciclo de três anos em que nossa liturgia percorre para leitura de todos os livros da Bíblia: ANO A, ANO B e ANO C. 2017 é um ano predominantemente no ciclo ANO A, 2018 ANO B, 2019 ANO C, 2020 volta para o ANO A e assim sucessivamente...

Temos os tempos litúrgicos que são tempos fortes de mergulho nos mistérios da nossa salvação. Abaixo segue uma figura que resume de forma bem simples o ano litúrgico:


Junto ao ano litúrgico, popularmente, foi-se construindo temáticas mensais para meditação e reflexão popular. Abaixo eu listo algumas temáticas que reuni e que será muito útil para quem deseja viver tempos fortes de reflexão e oração nos principais temas cristãos:






SEMANAL/DIÁRIO

Também popularmente houve uma certa cultura popular que unida à algumas recomendações da Igreja, definiu-se temáticas semanais para sua devoção particular. Abaixo segue um quadro sobre os dias da semana:




HORAS DO DIA

Durante ao longo do dia também nos é proposto algumas horas específicas para oração. A liturgia das horas é uma fonte rica de oração baseada em textos oriundos da Sagrada Tradição e das Sagradas Escrituras, especialmente os Salmos. Abaixo segue uma descrição dos horários e o nome específico de cada:


  • Ofício das Leituras: Pode ser rezado em qualquer horário do dia, mas geralmente faz-se de manhã junto com a Laudes. Aqui temos leituras bíblicas e da Tradição, salmodia e algumas orações.
  • Laudes: É a primeira oração do dia. Geralmente ao nascer do sol. Oração de louvor agradecendo a Deus mais um dia e começo do trabalho.
  • Horas Médias: As horas médias são compostas de três horários distintos com seus nomes específicos: 1)Hora Terça que é rezada às 09:00h; 2) Hora Sexta que é rezada às 12:00h; e 3)Hora Nona ou Noa que é rezada às 15:00h, costumeiramente chamada hora da paixão.
  • Vésperas: São as orações do fim da tarde e início da noite, geralmente recomendada para o pôr do sol. Agradecimento pelo fim do dia.
  • Completas: Para ser rezada à noite em preparação para dormir. Faz-se o ato de contrição entre outras orações.



Temos alguns sites e aplicativos de celular que disponibilizam a liturgia das horas para consulta os quais vou colocar os links no final deste post. Quero focar aqui em dois canais que te será muito útil para te notificar para as horas de oração, lembretes para os temas da semana e os temas mensais:



  • Twitter Liturgia das Horas: https://twitter.com/OficiodasHoras; Perfil no Twitter onde você pode seguir e acionar o sininho das notificações para ser avisado em cada publicação para não perder as horas de oração, as principais orações das horas em mp3, liturgia do dia, santo do dia e lembretes dos temas diários e mensais para meditação.

  • Bot "Orações Diárias" no Telegram: https://telegram.me/orar_bot; Ferramenta privada no Telegram para você receber as mesmas notificações do perfil do Twitter mencionado acima e ainda você pode solicitar o terço em latim e outras coisas mais que vamos implementando devagar.


Fizemos também um post com propostas para a vivência da Liturgia das Horas de forma breve para quem não tem tanto tempo para fazer a oficial: http://www.missaocefas.org/2018/05/liturgia-das-horas-brevissima.html

Qualquer dúvida, crítica ou sugestão podem entrar em contato comigo no Telegram: https://telegram.me/alessandroger.

Deus te abençoe! Shalom!







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Obs.: Segue abaixo alguns canais para a liturgia das horas:
Ibreviary
Arquivos em pdf
Comunidade Liturgia das Horas
Festas Litúrgicas
Oração de Hora fixa
Sobre o Ofício Divino
O tempo de uma vida em pedaços





06 outubro 2017

Brevíssima história do Rosário




Dia 7 de Outubro é o dia de Nossa Senhora do Rosário. Por isso fiz um levantamento para quem desejar conhecer a história desta santa devoção. Abaixo trago um texto com um brevíssimo resumo da história e no final indico alguns links e livros para quem deseja aprofundar. O Rosário foi construído ao longo de anos de tradição mística, não nasceu completo como o conhecemos hoje num dia só, por uma única pessoa. Conhecer sua história é valorizar a riqueza da nossa Santa Tradição.




Por João César das Neves (Professor UCP):

"O Nascimento do Rosário O Rosário é uma oração cuja origem se perde nos tempos. A tradição diz que foi revelado a S. Domingos de Gusmão (1170-1221), numa aparição de Nossa Senhora, quando ele se preparava para enfrentar a heresia albigense. Parece não haver muitas dúvidas de que o Rosário nasceu para resolver um problema importante dos novos frades mendicantes. De facto, os franciscanos e dominicanos estavam a introduzir um novo tipo de ordem religiosa no século XII, em alternativa aos antigos monges, sobretudo Beneditinos e Agostinhos. Estes, nos seus mosteiros, rezavam todos os dias os 150 salmos do Saltério. Mas os mendicantes não o podiam fazer, não só por causa da sua pobreza e estilo de vida, mas também porque em grande parte eram analfabetos. Assim nasceu, nos dominicanos, o Rosário, o “saltério de Nossa Senhora”, a “Bíblia dos pobres”, com 150 Avé-Marias.

Mas é preciso dizer que, nessa altura, não havia ainda a Ave Maria. Já desde o século IV se usava a saudação do arcanjo S. Gabriel (Lc 1, 28) como forma de oração, mas só no século VII ela aparece na liturgia da festa da Anunciação como antífona do Ofertório. No século XII, precisamente com o Rosário, juntam-se as duas saudações a Maria, a de S. Gabriel e a de S. Isabel (Lc 1, 42), tornando-se uma forma habitual de rezar. Em 1262 o Papa Urbano IV (papa de 1261-1264) acrescenta-lhes a palavra “Jesus” no fim, criando assim a primeira parte da nossa Ave Maria. Só no século XV se acrescenta a segunda parte de súplica, tirada de uma antífona medieval. Esta fórmula, que é a actual, torna-se oficial com o Papa Pio V (1566-1572). Grande reformador no espírito do concílio de Trento (1545-1563), S. Pio V é o responsável pela publicação do Catecismo, Missal e Breviário Romanos surgidos do Concílio, que renovam toda a vida a Igreja. Foi precisamente no Breviário Romano, em 1568, que aparece pela primeira vez na oração oficial da Igreja a Avé-Maria.

A Batalha de Lepanto e a festa de Nossa Senhora do Rosário O contributo de S. Pio V, um antigo dominicano, para a história do Rosário não se fica por aqui. O grande reformador criou também o último grande momento da antiga Cristandade, a unidade dos reinos cristãos à volta do Papa. Os turcos otomanos, depois do cerco e queda de Constantinopla em 1453, o fim oficial da Idade Média, e das conquistas de Suleiman, o Magnífico (1494-1566, sultão desde 1520), estavam às portas da Europa. Dividida nas terríveis guerras entre católicos e protestantes, a velha Europa não estava em condições de resistir. O perigo era enorme. Além de apelar às nações católicas para defender a Cristandade, o Papa estabeleceu que o Santo Rosário fosse rezado por todos os cristãos, pedindo a ajuda da Mãe de Deus, nessa hora decisiva. Em resposta, houve um intenso movimento de oração por toda a Europa. Finalmente, a 7 de Outubro de 1571 a frota ocidental, comandada por D. João de Áustria (1545-1578), teve uma retumbante vitória na batalha naval de Lepanto, ao largo da Grécia. Conta-se que nesse mesmo dia, a meio de uma reunião com os cardeais, o Papa levantou-se, abriu a janela e disse “Interrompamos o nosso trabalho; a nossa grande tarefa neste momento é a de agradecer a Deus pela vitória que ele acabou de dar ao exército cristão”. A ameaça fora vencida. Este foi o último grande feito da Cristandade. Mas o Papa sabia bem quem tinha ganho a batalha. Para louvar a Vitoriosa, ele instituiu a festa litúrgica de acção de graças a Nossa Senhora das Vitórias no primeiro domingo de Outubro. Hoje ainda se celebra essa festa, com o nome de Nossa Senhora do Rosário, no memorável dia de 7 de Outubro.

A partir de então, o Rosário aparece em múltiplos momentos da vida da Igreja. Já no fresco do Juízo Final, pintado por Miguel Ângelo (1475-1564) na Capela Sistina do Vaticano de 1536 a 1541, estão representadas duas almas a serem puxada para o céu por um Terço. São as almas de um africano e de um asiático, mostrando a universalidade missionária da oração".

A Imaculada Conceição rezou o Terço com Bernadette Soubirous (1844-1879) nas aparições de Lourdes em 1858. O Papa Leão XIII, “Papa do Rosário”, (como lhe chama a recente Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae do Papa São João Paulo II, n.º 8) dedicou mais de 20 documentos só ao estudo desta oração, incluindo 11 encíclicas.

O Beato Bártolo Longo (1841-1926) é um os grandes divulgadores do Rosário, como o refere a recente Carta Apostólica (n.º 8, 15, 16, 36, 43). Antigo ateu, espírita e sacerdote satânico, depois da sua conversão viu na intercessão de Nossa Senhora a sua única hipótese de salvação. Sendo advogado, em 1872 deslocou-se à região de Pompeia por motivos profissionais e ficou chocado com a pobreza, ignorância, superstição e imoralidade dos habitantes dos pântanos. Entregou-se a eles para o resto da vida. Arranjou um quadro da Senhora do Rosário, que fez vários milagres e criou em 1873 a festa anual do Rosário, com música, corridas, fogo de artifício. Construiu uma igreja para essa imagem, que se veio a tornar no Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompeia. Fundou uma congregação de freiras dominicanas para educar os órfãos da cidade, escreveu livros sobre o Rosário e divulgou a devoção dos «Quinze Sábados» de meditação dos mistérios.

Outro grande momento da divulgação do Terço é, sem dúvida, Fátima. “Rezar o Terço todos os dias” é a única coisa que a Senhora referiu em todas as suas seis aparições. A frase repete-se sucessivamente, quase como uma ladainha, manifestando bem a sua urgência e importância. Na carta do Dr. Carlos de Azevedo Mendes, num dos primeiros documentos escritos sobre Fátima, afirma-se “Como te disse examinei ou antes interroguei os três em separado. Todos dizem o mesmo sem a mais pequena alteração. A base principal que de tudo, o que me dizem, deduzi é «que a aparição quer que se espalhe a devoção do Terço»”

A história do Rosário não pode terminar sem referir um momento decisivo desta evolução. A escolha do Papa João Paulo II de celebrar as suas bodas de prata pontifícias com o Rosário, acrescentando-lhe os cinco mistérios luminosos, é um marco importante na devoção. Mas a ligação do Papa a esta oração não é de hoje, como ele mesmo diz na Carta: “Vinte e quatro anos atrás, no dia 29 de Outubro de 1978, apenas duas semanas depois da minha eleição para a Sé de Pedro, quase numa confidência, assim me exprimia: «O Rosário é a minha oração predilecta. Oração maravilhosa! Maravilhosa na simplicidade e na profundidade.»”(n.º 2)"


(Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/noticias/dossier/uma-breve-historia-do-rosario-da-virgem-maria/)



Para um maior aprofundamento recomendo:

O Rosário - A sua origem e a sua intenção primordial - Site dos monges Cartuxos

Livro "A História do Rosário" - Anne Vail - Edições Loyola

Livro "História do Rosário" - Emanuele Giulietti - Editora Paulus

Capítulo sobre uma breve história do Rosário do livro "O Rosário de Nossa Senhora" do Padre João Medeiros Filho

Carta Apostólica Rosrium Virginis Mariae





30 agosto 2017

A verdade em ser Igreja





PAPA SÃO JOÃO PAULO II


São João Paulo II: “Devemos defender a verdade a todo custo, mesmo que voltemos a ser somente doze.”




PAPA BENTO XVI


Jornalista: "O senhor está preocupado com a perda de fiéis pela Igreja nos últimos anos?”

Papa Bento XVI: “A Igreja não perdeu nenhum fiel. Aqueles que se foram nunca foram fiéis católicos realmente. Não se pode perder o que nunca se teve. Os que deixaram a Igreja eram indecisos, curiosos ou pessoas que estavam apenas ‘cumprindo uma obrigação’ passada por seus pais ou avós. Os que vêm e vão não pertencem ao Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja na Terra. Da mesma maneira, os que são católicos mas ainda não estão na Igreja, infalivelmente chegarão ou retornarão a ela no devido tempo. A Igreja, Casa e Família de Deus, surgiu como um pequeno grupo; não importa a quantidade, e sim a qualidade dos seus filhos, como cristãos conscientes e santificados.”






24 julho 2017

Seleção de vídeos e áudios sobre os Santos




Irmãos, o site do Padre Paulo Ricardo é uma fonte maravilhosa de muitos vídeos e áudios sobre a vida dos santos. Como ele mesmo nos disse, e já publicamos AQUI, a primeira etapa da evangelização do cristão católico deve ser o estudo da vida dos santos conforme é atestado no modo em que ocorriam as catequeses na história da Igreja.

Devido a isso resolvi listar alguns materiais do seu site sobre a vida de vários santos. Trago abaixo uma seleção do 'Programa Ao Vivo Com Padre Paulo Ricardo' com conteúdos relacionados, onde você terá um robusto material para crescer na fé e santidade que Deus nos pede e um instrumento útil para evangelizar os irmãos, levando a eles uma formação sólida, pois a vida dos santos é o melhor meio de formar para a vida em Cristo.


3. A vida de São Pio de Pietrelcina

20. São Felipe Neri: "Prefiro o paraíso"

30. Os Mártires de Hoje

59. A Quaresma de São Miguel e o auxílio dos anjos

70. Maria e o Vaticano II

74. A história de uma alma

84. São José de Anchieta

85. A Divina Misericórdia

86. A Mãe do Salvador e a Nossa Vida Interior

91. A Espiritualidade Carmelitana e a Virgem Maria

93. A vida extraordinária de São Charbel Makhluf

95. O santo sacerdócio de João Maria Vianney

99. A oração da “Ave Maria”

102. Na presença dos anjos!

116. O glorioso São José

117. A vida de Santa Teresa d'Ávila

128. A vida de São Felipe Neri

130. A paixão do Padre Pio de Pietrelcina

131. Santa Teresinha: Doutora de Vida

134. A Medalha Milagrosa

135. Beato Miguel Pro, sacerdote e mártir

136. A vida de São João da Cruz

138. Projeto Segunda Morada

143. A vida de São Luís Gonzaga

144. Santa Zélia Martin

145. São Luís Martin

146. A Oração, de Santo Afonso de Ligório

147. Aprenda a rezar rezando, com Padre Paulo Ricardo

148. Maria e a nossa vida de oração

151. Projeto Terceira Morada

152. Santa Elisabete da Trindade

153. A conversão de Santa Teresa d'Ávila

156. As deploráveis Terceiras Moradas

155. Aprenda a rezar o Terço

159. O Ano da Virgem Maria

169. A Paixão de Cristo e a Compaixão da Virgem

172. As santas crianças de Nossa Senhora de Fátima

173. O milagre dos Pastorinhos

174. O Imaculado Coração triunfará!

176. Maria depois de Pentecostes

180. Nascemos do sangue dos mártires

181. O Segredo do Rosário

182. Santo Inácio: o desentortador de vidas

184. A Quaresma de São Miguel e o Apocalipse

186. As conversões de Santo Agostinho

188. O Santo, o Pecador... e o Mundano

189. Santa Teresinha, Lutero e a Misericórdia

23 julho 2017

Importância do conhecimento da vida dos santos



Irmãos, convido a todos a assistir o vídeo abaixo, pois reflete algo que tenho constatado nestes muitos anos de caminhada, a formação cristã deve começar pelo conhecimento da vida dos santos. Eles são o sinal vivo dado por Deus de que o seguimento de Jesus e as Sagradas Escrituras são possíveis de serem seguidos. Não é uma realidade distante, mas real, palpável a todos nós, mesmo vendo a grandeza dos santos.




Aproveito e convido a todos para acompanhar nosso blog sobre a vida do São Padre Pio de Pietrelcina. Começamos hoje a soltar os textos. Todos os dias um texto para meditação onde vamos percorrer em detalhes toda a vida deste grande santo. Link para acessar o blog:

http://gospepio.blogspot.com.br/


Deus te abençoe! Shalom!

24 junho 2017

Como surgiu o Credo


Irmãos, trago aqui este texto sobre o Credo na História da Igreja pelo Prof. Felipe Aquino.


O Credo católico foi sendo elaborado a partir do ensinamento dos Apóstolos, daquilo que aprenderam com Jesus; por isso se chamou Símbolo dos Apóstolos, que acabou se transformando na Oração, expressão da fé católica. Surgiram os Credos batismais, e outros mais elaborados. O Credo é o Símbolo da fé, a coletânea das principais verdades sobre a fé. Daí o fato dele servir primeiramente como ponto de referência fundamental da catequese.

O Símbolo dos Apóstolos é o resumo fiel da fé cristã. É o antigo símbolo batismal da Igreja de Roma. Segundo Santo Ambrósio: “Ele é o símbolo guardado pela Igreja Romana, aquela onde Pedro, o primeiro Apóstolo, teve sua Sé e para onde ele trouxe a comum expressão de fé” [sententia communis= opinião comum] (CIC §194). Desde a origem da Igreja os Apóstolos exprimiram e transmitiram a fé em fórmulas breves e normativas para todos, em resumos orgânicos e articulados, destinados, sobretudo, aos candidatos ao Batismo. São Cirilo de Jerusalém (†386) disse em suas Catequeses:

“Esta síntese da fé não foi elaborada segundo as opiniões humanas, mas da Escritura inteira recolheu-se o que existe de mais importante, para dar, na sua totalidade, a única doutrina da fé. E assim como a semente de mostarda contém em um pequeníssimo grão um grande número de ramos, da mesma forma este resumo da fé encerra em algumas palavras todo o conhecimento da verdadeira piedade contida no Antigo e no Novo Testamento” (CIC §186).

Foram várias as formas de profissões ou Símbolos da fé na História da Igreja em resposta às necessidades das diversas épocas; temos o Credo Niceno-constantinopolitano (325); o Símbolo Quicumque, de Santo Atanásio (†373), as profissões de fé de certos Concílios (Toledo; Latrão; Lião; Trento) e de alguns Papas, como a Fides Damasi – Profissão de Fé de São Dâmaso (366-384) – ou o Credo do Povo de Deus de Paulo VI (1968). Nenhum dos Símbolos da fé das diferentes etapas da vida da Igreja pode ser considerado ultrapassado e inútil (cf. CIC §193).

Clique aqui para ler o que o Catecismo diz sobre o Credo e as duas versões, a apostólica e a Niceno-Constantinopolitano.

Mais sobre o Credo

30 abril 2017

Bots de conteúdo no Telegram que recomendo


Irmãos, como já disse aqui em postagens anteriores o Telegram é o melhor comunicador que existe atualmente. Se você não conhece, instale imediatamente e verá que maravilha que é e quanto tempo você tem perdido com os benefícios que ele propõe. Eu fiz algumas publicações aqui que recomendo:




Hoje quero divulgar alguns bots de conteúdo que mais uso e acompanho. O que são bots no Telegram? São robozinhos que cumprem tarefas específicas. Como fazer para acompanhar um bot: Você vai clicar no link que lhe levará ao bot dentro do Telegram. Depois clique em "INICIAR". Pronto, agora é só aguardar que quando houver conteúdo o bot lhe enviará automaticamente. Veja abaixo a lista que recomendo e o conteúdo que cada um distribui. Tenho certeza de que serão muito úteis a você ter tais maravilhosos serviços na palma da mão.



PRINCIPAIS BOTs DO TELEGRAM QUE RECOMENDO



Papa Francisco

Publicações do Papa nas redes sociais e seus discursos e ações conforme publicações no site do Vaticano.

https://telegram.me/Pontifex_pt_bot








Pe. Paulo Ricardo

Publicações do Padre no site oficial.


https://telegram.me/padrepauloricardo_bot









Prof. Felipe Aquino

Publicações do Professor do seu site e redes sociais.

https://telegram.me/FelipeAquino_bot










Sagrado Coração de Jesus

Publicações de divulgação das mensagens de Jesus Cristo a Vassula Ryden nos escritos de "A Verdadeira Vida em Deus".

https://telegram.me/vvdjesus_bot









Chesterton

Publicações em alguns sites de divulgação do pensamento deste grande intelectual católico.

https://telegram.me/Chesterton_bot









São Luis Maria de Montfort

Bot para auxiliar na vivência da consagração à Jesus Cristo pelas mãos de Maria segundo o método de São Luis Maria de Montfort

https://telegram.me/luismaria_bot









Anjinho

Frases dos santos e pensamentos reflexivos para estimular a sabedoria para bem viver.

https://telegram.me/anjinho_bot









Orações Diárias

Liturgia diária, Liturgia das horas, Meditação diária, Rosário e outras orações e reflexões.

https://telegram.me/orar_bot











Ortodoxia

Sites que buscam a fidelidade ao depósito da fé da Santa Igreja.

https://telegram.me/ortodoxia_bot








Olavo tem Razão

Transmissão das publicações do filósofo Olavo de Carvalho.

https://telegram.me/OlavoTemRazaoBot









Mídia sem Máscara

Site de estudo e investigação sobre temas atuais e urgentes.

https://telegram.me/midiasemmascara_bot








Terça Livre

Site de cultura, reflexão, notícias, cursos e etc.

https://telegram.me/tercalivre_bot









O Antagonista

Notícias a respeito do que acontece no Brasil e no mundo com um variado ponto de vista.

https://telegram.me/oantagonistaBot







Café Brasil

Excelente site de reflexões sobre cultura geral.

https://telegram.me/cafebrasil_bot









Como disse acima, estes são bots de conteúdo. Existem vários bots no telegram que são melhores que os melhores canivetes suíços que você já viu. Para ver algumas dicas, sugiro este link: http://telegrambr.blogspot.com.br/search/label/Dicas%20de%20Bot

Futuramente farei um do Padre Pio e um voltado à Formação. Aguarde. Se tiver alguma ideia de bot para criarmos, deixe nos comentários. Deus te abençoe!





"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12
CEFAS, oriundo do nome de São Pedro apóstolo, significa também um Acróstico: Comunhão para Evangelização, Formação e Anúncio do Senhor. É um humilde projeto de evangelização através da internet, buscando levar formação católica doutrinal e espiritual.