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25 novembro 2016

O que é o Purgatório?

Nós, Católicos,  acreditamos na existência do Purgatório. Mas, muita gente não sabe o que ele realmente significa. Então compartilho aqui o ensinamento de três Papas sobre esse assunto. Antes, porém, vejamos o que o Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz sobre o assunto:
"§1030 Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida sua salvação eterna, passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu.


§1031 A Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos, que é completamente distinta do castigo dos condenados.
A Igreja formulou a doutrina da fé relativa ao Purgatório sobretudo no Concílio de Florença e de Trento. Fazendo referência a certos textos da Escritura, a tradição da Igreja fala de um fogo purificador.
§1032 Este ensinamento apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, da qual já a Sagrada Escritura fala: "Eis por que ele [Judas Macabeu) mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos de seu pecado" (2Mc 12,46).
Desde os primeiros tempos a Igreja honrou a memória dos defuntos e ofereceu sufrágios em seu favor, em especial o sacrifício eucarístico, a fim de que, purificados, eles possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos:
Levemo-lhes socorro e celebremos sua memória. Se os filhos de Jó foram purificados pelo sacrifício de seu pai que deveríamos duvidar de que nossas oferendas em favor dos mortos lhes levem alguma consolação? Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer nossas orações por eles.
§1472 As Penas do Pecado - Para compreender esta doutrina e esta prática da Igreja, é preciso admitir que o pecado tem uma dupla conseqüência. O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, consequentemente, nos toma incapazes da vida eterna; esta privação se chama "pena eterna" do pecado. Por outro lado, todo pecado, mesmo venial, acarreta um apego prejudicial às criaturas que exige purificação, quer aqui na terra, quer depois da morte, no estado chamado "purgatório". Esta purificação liberta da chamada "pena temporal" do pecado. Essas duas penas não devem ser concebidas como uma espécie de vingança infligida por Deus do exterior, mas, antes, como uma conseqüência da própria natureza do pecado. Uma conversão que procede de uma ardente caridade pode chegar à total purificação do pecador, de tal modo que não haja mais nenhuma pena."1.
Assim, vejamos os ensinamentos dos Papas João Paulo II, Bento XVI e  Paulo VI.

São João Paulo II deixou-nos uma profunda explicação sobre o tema na audiência "O purgatório: necessária purificação para o encontro com Deus"2. Vejamo-na:
"2. Na Sagrada Escritura podem-se captar alguns elementos que ajudam a compreender o sentido desta doutrina, embora ela não seja enunciada de modo formal. Eles exprimem a convicção de que não se pode aceder a Deus sem passar através de alguma purificação.
Segundo a legislação religiosa do Antigo Testamento, aquilo que é destinado a Deus deve ser perfeito. Por conseguinte, a integridade também física é particularmente necessária para as realidades que entram em contacto com Deus no plano sacrifical, como por exemplo os animais a serem imolados (cf. Lv 22, 22), ou institucional, como no caso dos sacerdotes, ministros do culto (cf. Lv 21, 17-23). A esta integridade física deve corresponder uma dedicação total, dos indivíduos e da colectividade (cf. 1 Rs 8, 61) ao Deus da aliança, segundo os grandes ensinamentos do Deuteronômio (cf. 6, 5). Trata-se de amar a Deus com todo o próprio ser, com pureza de coração e testemunho de obras (cf. ibid., 10, 12 s.).

A exigência de integridade impõe-se evidentemente depois da morte, para o ingresso na comunhão perfeita e definitiva com Deus. Quem não tem esta integridade deve passar pela purificação. É um texto de São Paulo que o sugere. O Apóstolo fala do valor da obra de cada um, que será revelada no dia do juízo, e diz: «Se a obra construída subsistir, o construtor receberá a paga. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá a perda. Ele, porém, será salvo, como que através do fogo» (1 Cor 3, 14-15).

3. Para alcançar um estado de perfeita integridade, às vezes é necessária a intercessão ou a mediação de uma pessoa. Por exemplo, Moisés obtém o perdão do povo com uma oração, na qual evoca a obra salvífica realizada por Deus no passado e invoca a sua fidelidade ao juramento feito aos antepassados (cf. Êx 32, 30 e vv. 11-13). A figura do Servo do Senhor, delineada pelo Livro de Isaías, caracteriza-se também pela função de interceder e de expiar a favor de muitos; no final dos seus sofrimentos ele «verá a luz» e «justificará muitos», tomando sobre si as suas iniquidades (cf. Is 52, 13-53, v. 12, especialmente 53, 11).

Segundo a perspectiva do Antigo Testamento, o Salmo 51 pode ser considerado uma síntese do processo de reintegração: o pecador confessa e reconhece a própria culpa (cf. v. 6), pede insistentemente que seja purificado ou «lavado» (cf. vv. 4.9.12 e 16) para poder proclamar o louvor divino (cf. v. 17).

4. No Novo Testamento Cristo é apresentado como o intercessor, que assume as funções do sumo sacerdote no dia da expiação (cf. Hb 5, 7; 7, 25). Mas n'Ele o sacerdócio apresenta uma configuração nova e definitiva. Ele entra uma só vez no santuário celeste, com a finalidade de interceder diante de Deus em nosso favor (cf. Hb 9, 23-26, especialmente v. 24). Ele é Sacerdote e ao mesmo tempo «vítima de expiação» pelos pecados de todo o mundo (cf. 1 Jo 2, 2).

Jesus, como o grande intercessor que nos expia, revelar-Se-à plenamente no final da nossa vida, quando Se expressar com a oferta da misericórdia mas também com o inevitável juízo sobre aquele que rejeita o amor e o perdão do Pai.

A oferta da misericórdia não exclui o dever de nos apresentarmos puros e íntegros diante de Deus, ricos daquela caridade, que por Paulo é chamada «vínculo de perfeição» (Cl 3, 14).

5. Durante a nossa vida terrena, seguindo a exortação evangélica a sermos perfeitos como o Pai celeste (cf. Mt 5, 48), somos chamados a crescer no amor para nos encontrarmos firmes e irrepreensíveis diante de Deus Pai, «por ocasião da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, com todos os seus santos» (1 Ts 3, 12 s.).
Por outro lado, somos convidados a «purificar-nos de toda a imundície da carne e do espírito» (2 Cor 7, 1; cf. 1 Jo 3, 3), porque o encontro com Deus requer uma pureza absoluta.

Todo o vestígio de apego ao mal deve ser eliminado; toda a deformidade da alma há-de ser corrigida. A purificação deve ser completa, e é precisamente assim que a doutrina da Igreja entende o purgatório. "2.

O Papa Bento XVI fala do purgatório, segundo Santa Catarina de Gênova: 
"O pensamento de Catarina sobre o purgatório, pelo qual ela é particularmente conhecida, está condensado nas últimas duas partes do livro citado no início: o Tratado sobre o purgatório e o Diálogo entre a alma e o corpo. É importante observar que, na sua experiência mística, Catarina jamais tem revelações específicas sobre o purgatório ou sobre as almas que ali estão a purificar-se. Todavia, nos escritos inspirados pela nossa santa, é um elemento central, e o modo de o descrever tem características originais em relação à sua época.
O primeiro traço original diz respeito ao «lugar» da purificação das almas. No seu tempo, ele era representado principalmente com o recurso a imagens ligadas ao espaço: pensava-se num certo espaço, onde se encontraria o purgatório. Em Catarina, ao contrário, o purgatório não é apresentado como um elemento da paisagem das vísceras da terra: é um fogo não exterior, mas interior. Este é o purgatório, um fogo interior. A santa fala do caminho de purificação da alma, rumo à plena comunhão com Deus, a partir da própria experiência de profunda dor pelos pecados cometidos, em relação ao amor infinito de Deus (cf. Vida admirável, 171v). Ouvimos sobre o momento da conversão, quando Catarina sente repentinamente a bondade de Deus, a distância infinita da própria vida desta bondade e um fogo ardente no interior de si mesma. E este é o fogo que purifica, é o fogo interior do purgatório.
Também aqui há um traço original em relação ao pensamento do tempo. Com efeito, não se começa a partir do além para narrar os tormentos do purgatório — como era habitual naquela época e talvez ainda hoje — e depois indicar o caminho para a purificação ou a conversão, mas a nossa santa começa a partir da própria experiência interior da sua vida a caminho da eternidade.
A alma — diz Catarina — apresenta-se a Deus ainda vinculada aos desejos e à pena que derivam do pecado, e isto torna-lhe impossível regozijar com a visão beatífica de Deus.
Catarina afirma que Deus é tão puro e santo que a alma com as manchas do pecado não pode encontrar-se na presença da majestade divina (cf. Vida admirável, 177r). E também nós sentimos como estamos distantes, como estamos repletos de tantas coisas, a ponto de não podermos ver Deus. A alma está consciente do imenso amor e da justiça perfeita de Deus e, por conseguinte, sofre por não ter correspondido de modo correto e perfeito a tal amor, e precisamente o amor a Deus torna-se chama, é o próprio amor que a purifica das suas escórias de pecado.
Em Catarina entrevê-se a presença de fontes teológicas e místicas das quais era normal haurir na sua época. Em particular, encontra-se uma imagem típica de Dionísio, o Areopagita, ou seja, aquela do fio de ouro que liga o coração humano ao próprio Deus. Quando Deus purifica o homem, liga-o com um fio de ouro extremamente fino, que é o seu amor, e atrai-o a si com um afeto tão forte, que o homem permanece como que «superado, vencido e totalmente fora de si». Assim, o coração do homem é invadido pelo amor de Deus, que se torna o único guia, o único motor da sua existência (cf. Vida admirável, 246rv). Esta situação de elevação a Deus e de abandono à sua vontade, expressa na imagem do fio, é utilizada por Catarina para manifestar a obra da luz divina nas almas do purgatório, luz que as purifica e eleva aos esplendores dos raios fúlgidos de Deus (cf. Vida admirável,179r).

Queridos amigos, na sua experiência de união com Deus os santos alcançam um «saber» tão profundo dos mistérios divinos, no qual o amor e o conhecimento se compenetram, a ponto de ajudarem os próprios teólogos no seu compromisso de estudo, de intelligentia fidei, de intelligentia dos mistérios da fé, de aprofundamento real dos mistérios, por exemplo daquilo que é o purgatório.
Com a sua vida, santa Catarina ensina-nos que quanto mais amamos a Deus e entramos em intimidade com Ele na oração, tanto mais Ele se faz conhecer e acende o nosso coração com o seu amor. Escrevendo acerca do purgatório, a santa recorda-nos uma verdade fundamental da fé, que se torna para nós um convite a rezar pelos defuntos, a fim de que eles possam chegar à visão beatífica de Deus na comunhão dos santos (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1032)."3.
Para Santa Catarina de Gênova:
"A alma que não deseja ser purificada na vida terrena e não encontra prazer na purificação, deverá sofrer uma purificação mais forte no Purgatório. Porque aqui na terra encontra complacência e consolação no Senhor.
As chamas com as quais a alma é purificada aqui na terra, são as chamas do amor divino, no Purgatório as chamas que queimam e purificam todos os nossos pecados não são chamas do amor divino por isto causam dor, angústia: não existe compaixão. E mesmo que o nosso amor pelo Senhor cresce, não tira nem diminui o tormento que se sente, mesmo quando se percebe os raios do Amor de Deus."4.
Por fim, encerro esta postagem contextualizando o purgatório em nosso Credo,com as palavras de Papa Paulo VI:
"28.Cremos na vida eterna. Cremos que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo - quer as que se devem ainda purificar no fogo do Purgatório, quer as que são recebidas por Jesus no Paraíso, logo que se separam do corpo, como sucedeu com o Bom Ladrão -, formam o Povo de Deus para além da morte, a qual será definitivamente vencida no dia da Ressurreição, em que estas almas se reunirão a seus corpos.

29.Cremos que a multidão das almas, que já estão reunidas com Jesus e Maria no Paraíso, constituem a Igreja do céu, onde gozando da felicidade eterna, vêem Deus como Ele é (cf. 1Jo 3,2) (33), e participam com os santos Anjos, naturalmente em grau e modo diverso, do governo divino exercido por Cristo glorioso, uma vez que intercedem por nós e ajudam muito a nossa fraqueza, com a sua solicitude fraterna
30.Cremos na comunhão de todos os fiéis de Cristo, a saber: dos que peregrinam sobre a terra, dos defuntos que ainda se purificam e dos que gozam da bem-aventurança do céu, formando todos juntos uma só Igreja. E cremos igualmente que nesta comunhão dispomos do amor misericordioso de Deus e dos seus Santos, que estão sempre atentos para ouvir as nossas orações, como Jesus nos garantiu: "Pedi e recebereis" (cf. Lc 11,9-10; Jo 16,24). Professando está fé e apoiados nesta esperança, nós aguardamos a ressurreição dos mortos e a vida do século futuro.
Bendito seja Deus: Santo, Santo, Santo! Amém."5.

Notas
1. Catecismo da Igreja Católica, índice analítico, P.98 Purgatório. Disponível em: http://catecismo-az.tripod.com/conteudo/a-z/p/p.html
2. Papa João Paulo II, Audiência: (4 de agosto de 1999). Disponível em: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/audiences/1999/documents/hf_jp-ii_aud_04081999.html
3. Papa Bento XVI, Audiência: Santa Catarina de Génova (12 de janeiro de 2011). Disponível em: https://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/audiences/2011/documents/hf_ben-xvi_aud_20110112.html 
4. Santa Catarina de GênovaArtigo N.º 9078 - Parte 3 - Visões de Santa Catarina de Genova – Jesus revela o Purgatório e o inferno. Disponível em: http://www.espacojames.com.br/?cat=112&id=9078
5. Papa Paulo VI, Homilia (30 de Junho de 1968). Disponível em: http://w2.vatican.va/content/paul-vi/pt/motu_proprio/documents/hf_p-vi_motu-proprio_19680630_credo.html


13 novembro 2016

Conheça as Normas na distribuição da Sagrada Comunhão


A Instrução Redemptionis Sacramentum, "sobre algumas coisas que se devem observar e evitar acerca da Santíssima Eucaristia", "preparada por mandato do Sumo Pontífice João Paulo II pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, em colaboração com a Congregação para a Doutrina da Fé" e aprovada pelo mesmo Pontífice no dia 19 do mês de março de 2004, dispõe que na "distribuição da Sagrada Comunhão",

"[88.] Os fiéis, habitualmente, recebam a Comunhão sacramental da Eucaristia na mesma Missa e no momento prescrito pelo mesmo rito da celebração, isto é, imediatamente depois da Comunhão do sacerdote celebrante.[Cf. Conc. Ecumênico Vaticano II, Const. sobre a S. Liturgia, Sacrosanctum Concilium, n. 55] É de responsabilidade do sacerdote celebrante distribuir a Comunhão, se é o caso, ajudado pelos outros sacerdotes e diáconos; e este não deve prosseguir a Missa até que haja terminado a Comunhão dos fiéis. Só aonde a necessidade o requeira, os ministros extraordinários podem ajudar ao sacerdote celebrante, de acordo com as normas do direito.[Cf. S. Congr. Ritos, Instr., Eucharisticum mysterium, n. 31: AAS 59 (1967) p. 558; Pont. Comis. para a Interpr. Aut. do Código de Direito Canônico, Respuesta ad propositum dubium, 1 de junho de 1988: AAS 80 (1988) p. 1373].


[89.] Para que também, «pelos sinais, apareça melhor que a Comunhão é participação no Sacrifício que se está celebrando»,[Missale Romanum, Institutio Generalis, n. 85] é desejável que os fiéis possam receber as hóstias consagradas na mesma Missa.[Cf. Conc. Ecumênico Vaticano II, Const. sobre a S. Liturgia, Sacrosanctum Concilium, n. 55; S Congr. Ritos, Instr., Eucharisticum mysterium, n. 31: AAS 59 (1967) p. 558; Missale Romanum, Institutio Generalis, nn. 85, 157, 243].

[90.] «Os fiéis comunguem de joelhos ou de pé, de acordo com o que estabelece a Conferência de Bispos», com a confirmação da Sé apostólica. «Quando comungarem de pé, recomenda-se fazer, antes de receber o Sacramento, a devida reverência, que devem estabelecer as mesmas normas».[Cf. Missale Romanum, Institutio Generalis, n. 160].
[91.] Na distribuição da sagrada Comunhão se deve recordar que «os ministros sagrados não podem negar os sacramentos a quem os pedem de modo oportuno, e estejam bem dispostos e que não lhes seja proibido o direito de receber».[Código de Direito Canônico, c. 843 § 1; cf. c. 915]. Por conseguinte, qualquer batizado católico, a quem o direito não o proíba, deve ser admitido à sagrada Comunhão. Assim pois, não é lícito negar a sagrada Comunhão a um fiel, por exemplo, só pelo fato de querer receber a Eucaristia ajoelhado ou de pé.
[92.] Todo fiel tem sempre direito a escolher se deseja receber a sagrada Comunhão na boca[Cf. Missale Romanum, Institutio Generalis, n. 161] ou se, o que vai comungar, quer receber na mão o Sacramento. Nos lugares aonde Conferência de Bispos o haja permitido, com a confirmação da Sé apostólica, deve-se lhe administrar a sagrada hóstia. Sem dúvida, ponha-se especial cuidado em que o comungante consuma imediatamente a hóstia, na frente do ministro, e ninguém se desloque (retorne) tendo na mão as espécies eucarísticas. Se existe perigo de profanação, não se distribua aos fiéis a Comunhão na mão.[Congr. para o Culto Divino e a Disc. dos Sacramentos, Dubium: Notitiae 35 (1999) pp. 160-161].
[93.] A bandeja para a Comunhão dos fiéis se deve manter, para evitar o perigo de que caia a hóstia sagrada ou algum fragmento.[Cf. Missale Romanum, Institutio Generalis, n. 118].
[94.] Não está permitido que os fiéis tomem a hóstia consagrada nem o cálice sagrado «por si mesmos, nem muito menos que se passem entre si de mão em mão».[Ibidem, n. 160]. Nesta matéria, Além disso, deve-se suprimir o abuso de que os esposos, na Missa nupcial, administrem-se de modo recíproco a sagrada Comunhão.
[95.] O fiel leigo «que já tendo recebido a Santíssima Eucaristia, pode receber outra vez no mesmo dia somente dentro da celebração eucarística na qual participe, quando a salvo o que prescreve o cânon 921 § 2».[Código de Direito Canônico, c. 917; cf. Pont. Comis. para a Interpr. Aut. do Código de Direito Canônico, Responsio ad propositum dubium,   11 de julio de 1984: AAS 76 (1984) p. 746]."

Fonte: 
Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, INSTRUÇÃO REDEMPTIONIS SACRAMENTUM: Sobre algumas coisas que se devem observar e evitar acerca da Santíssima Eucaristia (25 de março do 2004). Disponível emhttp://www.vatican.va/roman_curia/congregations/ccdds/documents/rc_con_ccdds_doc_20040423_redemptionis-sacramentum_po.html

12 novembro 2016

A Eucaristia e o Rosário segundo Pe. Antônio Vieira

Padre Antônio Vieira (1608 - 1697), em seu "Sermão de Nossa Senhora do Rosário", feito em 1654, mostra o proveito que nossas almas podem alcançar ao unir a meditação dos mistérios do Rosário com  o Comungar o Corpo e Sangue de Cristo. E para que você possa apreender este belo ensinamento, transcrevo aqui trechos desse Sermão:
"Naquele misterioso Livro (...) Cantares, descreve Salomão, em alto e metafórico estilo o corpo místico da Igreja Católica. E discorrendo particularmente por todos os membros e partes de que se compõem, com louvor da formosura, e declaração do ofício de cada um, chega finalmente àquela oficina universal, onde se recebe o alimento, e convertido em sangue se reparte por todo o corpo, e diz que o ventre da Igreja é semelhante a um monte de trigo, cercado ou valado de rosas.
(...) ninguém duvida que o trigo no ventre da Igreja é o Diviníssimo Sacramento do Altar, (...)Nem também se pode duvidar, que as rosas que cercam o trigo sejam as do Rosário.
(...) Sendo pois o Trigo do nosso texto o Santíssimo Sacramento, e as rosas que o cercam o Santíssimo Rosário, muita razão terá a devoção de todos os que com tanta piedade se ajuntam aqui nesta hora ao rezar, ou cantar a coros: muita razão, digo, terá de querer ouvir e saber que conveniência ou proporção tem o Rosário com o Sacramento; e que utilidades poderão conseguir os que unirem entre si estas duas grandes devoções, a de frequentar o Sacramento, e a de rezar o Rosário. Para eu o poder declarar com proveito de nossas Almas, que desejo e espero, no Diviníssimo Sacramento temos a fonte da Graça, e na Senhora do Rosário a melhor intercessora: Ave Maria.
Maravilhosa foi a visão que teve em sonhos Faraó Rei do Egito, quando viu aquelas catorze vacas, sete das quais eram fortes, corpulentas e pingues, e as outras sete vacas, secas e macilentas. E o que muito acrescentava a razão da maravilha, e ainda o temor que concebeu o Rei, foi que todas pastavam nos mesmos campos e ribeiras do Rio Nilo, e essas não secas mas verdes: Et pascebantur in ipsa amnis ripa in locis virentibus. O Nilo da Igreja Católica é a graça divina. Esta graça, como o mesmo Nilo, se divide em sete canais, que são os sete Sacramentos, por meio dos quais, como por sete bocas, se comunica a nossas Almas. O Sacramento porém entre os demais que particularmente as sustenta, é o santíssimo Sacramento do Altar, verdadeiro Corpo e verdadeiro Sangue de Cristo que temos presente. E que grande admiração, Fiéis, que grande admiração, que grande confusão, e que grande temor nos deve causar olhar para a Almas que se sustentam daquele pasto divino, e ver a notável diferença delas? Não falo das que chegassem à Comunhão em constância de pecado porque não quero supor tão horrendo e atroz sacrilégio; falo só das Almas cristãs(que as outras não merecem este nome), e das que a seu parecer comungam cristãmente. Quantos leigos comungam muitas vezes, quantos Sacerdotes celebramos todos os dias. E onde estão aqueles efeitos de Cristo se transformar em nós, e nós em Cristo: In me manet, et ego in illo? Grande bem do mundo seria, e grande glória da Igreja, se cada catorze Almas que chegam ao Sacramento, fossem sete as que se aproveitassem do pasto, e se luzisse nelas; mas todas pela maior parte cheias de imperfeições e misérias, todas fracas, todas secas, todas macilentas, e ainda, e como diz o Texto, tais que faz asco olhar para elas: Foedae, confectaeque macie.
Ora eu buscando a causa desta diferença tão notável, e qual possa ser o defeito ou impedimento porque se não logram, e luzem em nós os efeitos dese soberano manjar; acho que sem consciência do pecado, a causa não pode ser outra senão a falta de digestão. Comemos a Cristo no Sacramento, mas não o digerimos. Cristo Senhor nosso disse que o seu Santíssimo Corpo no Sacramento é verdadeira comida: Caro mea vere est cibus [Jo 6,55 "Porque a minha carne verdadeiramente é comida e o meu sangue verdadeiramente é bebida.]; E por quê? Não só porque foi instituído para alimento de nossas Almas, senão também porque no modo de alimentar tem as mesmas propriedades do mantimento corporal; E o mantimento corporal que se come, e não se digere, por mais substancial e esquisito que seja, não faz nutrição, nem se converte em substância. Lá diz o aforismo vulgar da medicina: Non quod ingeritur, sed quod digeritur, que o que alimenta, nutre, aumenta, e dá forças e vigor ao vivente, não é o comer que ele toma na boca, e recebe dentro de si, senão o que digere. 
(...) A nutrição é aquela que reparte por todas as veias e membros do corpo a substância e virtude do que se come: e o mesmo faz aquele soberano manjar (diz São Pedro Damião) quando se recebe não só no peito do corpo, senão no estômago da Alma, e nele se digere (...) Este soberano manjar, e néctar do Céu (diz o Santo) não só se recebe com grande suavidade no estômago da Alma, mas dali se difunde por todas as veia do corpo e membros, e reparte e comunica a todos os membros do nosso corpo a virtude e virtudes do corpo e membros de Cristo, que na substância e realidade do que comemos se encerra. Nos olhos do que assim comunga, aparece logo a modéstia dos olhos de Cristo; na língua o silêncio e moderação das palavras de Cristo; no coração os afetos e desejos do coração de Cristo; nos pés a compostura e madureza dos passos de Cristo; nas mãos a inocência, a mansidão, e a caridade das ações de Cristo; e finalmente, em todo o homem que comeu a Cristo. E qual a razão, Cristãos, porque em muitos de nós depois de comungarmos uma e muitas vezes, se não veem os mesmos efeitos, senão outros tão diversos, e totalmente contrários? A razão é,(...), porque comemos no Sacramento de Cristo, mas não o digerimos: Ingeritur, sed non digeritur.
 (...) Bendita seja, e para sempre bendita, a gloriosíssima Mãe de Deus, que assim como deu a seu Filho a carne e o sangue, de que compôs esta soberana iguaria, assim também compadecida de nossa fraqueza, nos proveu de um remédio tão fácil como eficaz para a inteira e perfeita digestão dela. (...) Sabeis que faz a devoção do Rosário junta com a comunhão do Sacramento? Faz que se digira em uma tudo o que se come na outra; porque o mesmo Cristo que no Sacramento se come, no Rosário se digere. Isto é o que vos quero provar, e persuadir hoje.
Digo pois, primeiramente, que o Sacramento é o Rosário indigesto, e o Rosário é o Sacramento digerido. O Sacramento é o Rosário indigesto porque  no Sacramento estão todos os mistérios da Redenção reduzidos a um só mistério;  E o Rosário é o Sacramento digerido, porque no Rosário está o mesmo mistério da Redenção dividido e estendido em quinze mistérios. No Sacramento, está o Rosário indigesto , porque o Corpo de Cristo que ali está realmente, está vivo, está morto, está ressuscitado sem distinção; E, no Rosário está o Sacramento digerido, porque enquanto Cristo vivo, está a sua vida distinta em cinco mistérios, que são os gozosos; enquanto morto, está a sua morte distinta em outros cinco mistérios, que são os dolorosos e enquanto ressuscitado, está a sua ressurreição distinta em outros cinco, que são os gloriosos. E essa é a razão porque o mesmo Sacramento, quando se consagra e oferece a Deus no sacrossanto Sacrifício do Altar, umas vezes se chama mistério, e outras mistérios. Mistério, porque indigesto e sem distinção é um só mistério; mistérios, porque digesto e distintamente considerado, é e encerra em si muitos mistérios.
(...) Cristo no Sacramento está indigesto porque os mistérios de sua vida, morte e ressurreição, que ali se contêm, não estão repartidos e digestos, senão juntos indistintamente (...) digerir essas coisas indigestas e por cada uma em seu próprio lugar com notas ou nomes certos , que as demonstrem, é obra de ânimo divino: Sed manifesta notis certa disponere sede singula, divini est animi. E isto é o que faz a Virgem Senhora nossa na  maravilhosa arquitetura do Rosário, dispondo e ordenando os mistérios da mesma vida, morte e ressurreição de seu Filho, e distinguindo a diferença deles com as notas e nomes  diversos de gozosos, dolorosos e gloriosos, e pondo uns no primeiro, outros no segundo, outros no terceiro lugar, assim como sucederam e se foram continuando, e todos em número e correspondência igual, para maior harmonia de toda a fábrica.
Agora, vede como digerir deste modo o indigesto é obra verdadeiramente de ânimo divino: Divini est animi. (...)
(...) se Deus se digeriu a Si mesmo, distinguindo a sua divindade, e multiplicando a sua unidade em três Pessoas; porque não faria a Mãe de Deus outra obra semelhante em Cristo sacramentado, digerindo os mistérios de sua humanidade na ordem e divisão de outras três partes distintas? Santo Ambrósio, comentando o nosso Texto, diz que o trigo e as rosas ambos foram partes da Virgem Santíssima (...) Ao trigo, deu a Senhora como Mãe e matéria; e às rosas, também como Mãe, a forma. Ao trigo deu a matéria: porque deu a Cristo a carne e o sangue de que instituiu o Sacramento; e às rosas deu a forma: porque dos mistérios da vida, morte e ressurreição do mesmo Cristo formou e distinguiu o Rosário. (...)
Temos visto em comum como o Sacramento é o Rosário indigesto e o Rosário o Sacramento digerido; e que assim como por meio do Sacramento comemos a Cristo, por meio do Rosário o digerimos. Resta agora ver como se faz essa soberana digestão e como nós havemos de juntar o Rosário ao Sacramento, para que por meio dela recebam nossas almas a nutrição e o alimento espiritual, para que o mesmo Sacramento e o mesmo Rosário foram instituídos (...)
(...)Assim como o comer corporal por mais bem feito e bem preparado que esteja, não basta que o homem o coma, se as potências interiores do mesmo homem, que são os instrumentos de nutrição, não obrarem; da mesma maneira para as Almas se nutrirem e cobrarem forças, não basta que comunguem a Cristo no Sacramento, se os mesmos mistérios que o Senhor tem obrado, elas os não tornarem a obrar com todas as suas potências. E isto é o que se faz no Rosário.
Aristóteles e Galeno, descrevendo a fábrica da nutrição, para a qual formou a natureza várias oficinas e instrumentos, reduzem toda a operação delas a três potências principais: uma que recebendo retém, outra que alterando assemelha, outra que unindo converte. E tudo isto obra o Rosário por meio das três potências de nossa Alma nos mistérios da vida, morte e paixão de Cristo, de que ele se compõe, e não só em todos, senão em cada um. Com a potência da memória recebe e retém o mistério por meio da apreensão; com a potência do entendimento altera-o e assemelha-o a si (ou a si a ele) por meio da meditação; e com a potência da vontade converteu e uniu em si mesma por meio da imitação. (...) Não instituiu a Senhora o Rosário para o rezarmos só com a boca, e com tanta pressa, como se passam as contas; mas para ter na memória os mistérios, para os meditar e cuidar neles com grande consideração, e para os tomar como exemplo, e os aplicarmos em nossas vidas.
Quanto à memória, esta foi a primeira que Cristo Senhor nosso nos encomendou, quando instituiu o Santíssimo Sacramento (...) a memória é aquela em que se faz a primeira decocção deste soberano manjar (...) Santo Agostinho, excelente filósofo da memória no-lo ensinou, e já antes dele tinha definido Platão (...). O estômago da Alma é a memória porque assim como no estômago do corpo se recebe e retém o comer corporal, e ali se faz a primeira decocção, assim esta potência é a primeira que há de receber e recolher dentro de si o Divino sacramento, lembrando-se não de passagem senão muito devagar (como se faz no corpo) e representando à Alma quem é o que está presente naquele mistério e os mistérios altíssimos que nele se encerram (...) a memória cuja propriedade é fazer presentes as coias ausentes, no-lo há de fazer presente.
(...) E o entendimento que faz? Olha para eles [os mistérios] com grande consideração, meditando-os, e por meio desta vista considerada e atenta se assemelha ao que vê, que é o efeito da segunda decocção. (...) No Céu, diz São João que havemos de ser semelhantes a Deus porque o havemos de ver assim como é (...) De sorte que Deus visto no Céu é como um espelho às avessas: porque não é ele o que se há de fazer semelhante a nós, senão nós os que havemos de ser semelhantes a ele.  E isto que então há de ser por meio da visão beatífica, e vista clara de Deus, isso mesmo é o que agora fazemos por meio da meditação e vista escura do sacramento. Oh se viramos e considerávamos atentamente o que debaixo daquele Divino Pão se encerra, quão aumentadas e bem nutridas haviam de andar as nossas Almas, que hoje se veem tão desmedradas e desfalecidas! Comemos com os olhos do entendimento e da consideração fechados, e por isso se não luz, nem logra o que comemos. Ouvi a Salomão (...): Abri os olhos, e comei de tal modo o pão, que fiqueis abastado e satisfeito. E que Pão é este, que não farta, nem satisfaz, nem se logra, se se não come com os olhos abertos? Daqui infere São Jerônimo, que este Pão é o do Santíssimo Sacramento, e não o Pão comum, de que nos sustentamos(...).Mas por esta mesma razão parece que nos havia de mandar Deus, que fechássemos os olhos, e não que os abríssemos; porque o sacramento do Altar é por antonomásia o mistério da Fé, e a Fé há de ser cega, e crer a olhos fechados. Assim é. Mas por isso mesmo nos manda Deus, que abramos os olhos; porque se não há de contentar o nosso entendimento só com crer o que não se vê naquele mistério com os olhos fechados; mas com ver e considerar muito atentamente os mistérios que nele se encerram, com os olhos abertos(...).
Assim vê com os olhos interiores a Alma, e assim contempla e considera os profundíssimos mistérios da Vida, Morte e Ressurreição de Cristo, que naquele compêndio de maravilhas, não tanto de Onipotência, quanto de Bondade Divina estão pelos Sacramentos ocultos, e pelo Rosário manifestos.
(...) com a meditação atenta de seus mistérios, e estando já semelhante pela operação do entendimento, entra a terceira e última, que é a vontade, na qual se aperfeiçoa e consuma a nutrição, unindo-se o que se comunga e medita, ao mesmo Cristo comido e meditado e incorporando-se nele. Diga-nos isto compendiosamente S. Bernadino de Sena; porque do que fica declarado na primeira e segunda decocção se entende sem nova repetição esta última (...) Como a meditação do entendimento cresce, diz ele [São Bernadino de Sena], o amor na vontade (...) e com este calor sobrenatural que é instrumento imediato de todas as três digestões, se une o que comunga por caridade a Cristo, e quanto mais se assemelha pelo entendimento a ele, tanto mais se incorpora pela vontade com ele: Eique magis ac magis assimilatur, et incorporatur.
(...)Todas as vezes que chego ao santíssimo sacramento, diz o devotíssimo Bernardo, ali me mudo, ali me assemelho, ali me transformo. E, por que modo se mudava; por que modo se assemelhava; por que modo  se transformava aquela Alma pura? Por digestão, por concocção, e por união, que são as três operações com que se aperfeiçoa a nutrição da alma (...) E para que ninguém duvide, que tudo se consegue por virtude do Rosário, e meditação dele; tudo isto disse S. Bernardo, comentando aquele lugar dos cantares, em que se diz que o Senhor Sacramentado se apascenta entre rosas: qui pascitur inter lilia.
(...) o que por conclusão vos peço em nome do mesmo Cristo sacramentado, e da mesma Virgem do Rosário, é que para conseguir os efeitos daquele Divino manjar, vós não contenteis só com vozes do que rezais, senão com uma meditação mui atenta de seus soberanos mistérios (...) assim nós depois de comungar havemos de meditar e considerar com muita atenção, de quem é o Corpo e sangue, e quais são os mistérios de nossa Redenção, que com ele e por ele foram obrados (...) meditando e considerando não só de passagem, e de corrida, senão muito devagar, e com grande atenção os mistérios do mesmo Sangue, preço de nossa Redenção, que são todos os do Rosário; porque na Encarnação tomou o Filho de Deus a nossa carne e sangue; na Paixão, padeceu na carne, e derramou o sangue; e na Ressurreição tornou a unir o sangue à carne, que é tudo o que contém no Sacramento o Corpo e Sangue de cristo, e tudo o que nós no Rosário digesta e distintamente consideramos.
E se me perguntares quando se há de fazer esta meditação, e qual é o tempo em que se hão de ruminar estes mistérios (que é o ponto muito essencial nesta matéria) (...) eu digo que há de ser depois de comungar, e antes de comungar, e sempre e todos os dias (...) Pois assim como o Rosário se reza todos os dias, assim o Sacramento se digere todos os dias (...) Os que comungam de oito em oito dias, hão de ruminar aqueles mistérios todos os dias da semana; os que comungam de mês em mês, todos os dias do mês; e isto sem mudar ou acrescentar outro exercício, senão meditando e ruminando atentamente o mesmo Rosário que rezam. Dos que só comungam de ano em ano, não falo porque estes não são devotos do Rosário nem do Sacramento, e se pode duvidar se são Cristãos. (...)
Seja pois a conclusão de tudo, que unindo a meditação do Rosário com o Santíssimo sacramento, e a comunhão do santíssimo sacramento com o Rosário, digiram as nossas almas em um, o que comem no outro; de tal sorte que aquele Divino Pão cresça em nós a grandeza de um monte: Sicut acrevus tritici. E das rosas, com que a Virgem do Rosário o cerca nesta vida: Vallatus lilis; nos teça na outra, como faz a seus devotos, uma Coroa de Glória etc."

Fonte: Padre Antônio Vieira, Sermão Nossa Senhora do Rosário com o Santíssimo Sacramento. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraDownload.do?select_action=&co_obra=16413&co_midia=2

 
 

10 julho 2016

O Prefeito da Liturgia do Vaticano pede que todos os sacerdotes e bispos celebrem a Missa 'ad orientem' e fiéis comunguem de joelhos



"Queridos padres, devemos ouvir novamente o lamento de Deus proclamado pelo profeta Jeremias: “eles voltaram suas costas para mim” (2:27). Voltemo-nos novamente para o Senhor!"

– Por John-Henry Westen – LifeSiteNews
 – Tradução Sensus Fidei

Confira também matéria na ACI Digital clicando aqui.

LONDRES, 5 de JULHO de 2016 – Falando em uma conferência sobre a liturgia em Londres (em 4 de julho de 2016), o Cardeal Robert Sarah (foto), a mais alta autoridade sobre o assunto na Igreja Católica sob o Papa Francisco, pediu a todos os bispos e sacerdotes que voltem a adotar a antiga postura na Missa, onde o sacerdote se volta para o Tabernáculo, juntamente com toda a assembleia, em vez de permanecer de frente para o povo. Ele pediu que a postura seja adotada para o Advento deste ano, que começa aos 27 de novembro. Durante o mesmo discurso, Cardeal Sarah encorajou todos os católicospara que recebam a Comunhão de joelhos. Durante a sua conferência, o prefeito da liturgia do Vaticano revelou que o Papa Francisco lhe pediu para “continuar o trabalho litúrgico iniciado pelo Papa Bento (XVI).”

Observadores do Vaticano estão particularmente chocados de que o Papa Francisco, considerado por muitos como um liberal, tenha incentivado uma abordagem litúrgica tradicional. Todavia o cardeal Sarah disse: “Nosso Santo Padre Francisco tem o maior respeito pela visão litúrgica e pelas medidas do Papa Bento”.

Dom Dominique Rey
O bispo francês Dominique Rey, presente na conferência, assumiu o pedido do Cardeal Sarah sem hesitação, prometendo, pelo menos, começar a implementar a mudança em sua diocese para o Advento. Rey, Bispo de Fréjus-Toulon, dirigiu-se ao Cardeal Sarah na conferência, dizendo: “Em resposta ao seu apelo, gostaria de anunciar, agora, que certamente, no último domingo do Advento deste ano, em minha celebração da Santa Eucaristia na Catedral, e em outras ocasiões, conforme apropriado deverei celebrar ‘ad orientem’ – voltado para o Senhor que vem”. Dom Rey acrescentou ainda: “Antes do Advento enviarei uma carta aos meus sacerdotes e fiéis sobre esta questão para explicar a minha ação. Devo incentivá-los a seguir o meu exemplo.”



E a tal 'inculturação' na Igreja?

Cardeal Sarah usou com propriedade do seu patrimônio africano para esclarecer com brilhantismo as coisas. “Eu sou um africano”; disse ele. “Deixe-me dizer claramente: a liturgia não é o lugar para promover a minha cultura. Pelo contrário, é o lugar onde minha cultura é batizada, onde minha cultura é levada para o divino!” [– Resistamos à tentação de imprimir grandes cartazes com a estas palavras e pendurá-las às portas das residências de certos bispos brasileiros...].

Sarah sugeriu que os Padres do Concílio Vaticano II pretenderam trazer mais fiéis para a Missa, no entanto, a maior parte deste esforço falhou. “Meus irmãos e irmãs, onde estão os fiéis dos quais os padres do Concílio falaram?”, perguntou; e prosseguiu:

Muitos dos fiéis são agora infiéis: eles não participam na liturgia. Para usar as palavras de S. João Paulo II: 'Muitos cristãos estão vivendo em um estado de apostasia silenciosa; eles 'vivem como se Deus não existisse'1. Onde está a unidade que o Concílio esperava alcançar? Nós ainda não chegamos a ela. Fizemos um progresso real em chamar toda a humanidade para o seu lugar na Igreja? Eu acho que não."

Ele expressou “profundo pesar” pelas “muitas distorções da liturgia em toda a Igreja de hoje”, e lembrou que a “Eucaristia é um dom demasiado grande para suportar ambiguidades e reduções.”

Um dos abusos mencionados por ele é quando os padres “se afastam para permitir que os ministros extraordinários distribuam a sagrada Comunhão”, desde que muitos sacerdotes pensaram ser esta uma maneira de permitir uma maior e mais substancial participação dos leigos na Missa. Mas, conclui, “isto é errado, é uma negação do Ministério sacerdotal, bem como uma clericalização dos leigos” que não tem sentido e não é católica: “Quando isso acontece, é um sinal de que a formação foi muito errada, e que precisa ser corrigida”, acrescentou.

Ele incentivou uma recepção generosa da Missa tradicional em latim e também incentivou as práticas tradicionais propostas anteriormente pelo Papa Bento, incluindo o uso do latim na Missa nova, ajoelhando-se para a Santa Comunhão, bem como o canto gregoriano. “Devemos cantar música sacra litúrgica, e não apenas música religiosa, ou pior, canções profanas!”, enfatizou. “O Concílio nunca teve a intenção de que o rito romano fosse exclusivamente celebrado em língua vernácula, mas tinha a intenção de (apenas) permitir a sua maior utilização, em particular para as leituras”.

O prefeito da liturgia do Vaticano também fez questão delembrar os sacerdotes de que eles estão proibidos de negar a Comunhão aos fiéis que se ajoelham para a recepção do Santíssimo Sacramento. Mais do que isso, encorajou todos os católicos a receberem a Comunhão ajoelhados, sempre que possível. “Ajoelhar-se na Consagração é essencial. No Ocidente, este é um ato de adoração corporal que nos humilha diante de nosso Senhor e Deus. É um ato próprio de oração. Onde essa reverência e genuflexão desapareceram da liturgia, é necessário que sejam restauradas, em particular no momento da nossa recepção a Nosso Santíssimo Senhor na Sagrada Comunhão”.

Uma longa seção de sua palestra foi dedicada a conclamar os sacerdotes e bispos a celebrar a Missa “ad orientem” ou, seja, com o padre e os fiéis, juntos, voltados para Nosso Senhor:

Mesmo que eu sirva como o Prefeito da Congregação para o Culto Divino, faço-o com toda a humildade, como um padre e um bispo, na esperança de que se promova uma reflexão madura, boa formação e boas práticas litúrgicas em toda a Igreja. (...) Quero fazer um apelo a todos os sacerdotes: eu acredito que é muito importante que nós retornemos o mais rapidamente possível para uma orientação comum, dos sacerdotes e dos fiéis voltados juntos na mesma direção – para o Leste, na direção do Senhor que vem – naquelas partes dos ritos litúrgicos quando estamos nos dirigindo a Deus. Este é um passo muito importante no sentido de garantir que, em nossas celebrações o Senhor esteja verdadeiramente no centro.

E então, queridos padres, peço-lhe para que implementem essa prática sempre que possível, com prudência e com a catequese necessária, certamente, mas também com a confiança pastoral de que isso é algo bom para a Igreja, algo bom para o nosso povo.

Durante todo o discurso, Cardeal Sarah destacou a grave responsabilidade dos sacerdotes em relação à Eucaristia. “Nós, sacerdotes; nós, bispos, temos uma grande responsabilidade”, disse ele. “Com o nosso bom exemplo construímos uma boa prática litúrgica; com o nosso descuido ou má conduta prejudicamos a Igreja e a sua Sagrada Liturgia!”; – e advertiu seus colegas sacerdotes: “Tenhamos cuidado com a tentação da preguiça litúrgica, porque é uma tentação satânica.”

_________
1. Exortação Apostólica Ecclesia in Europa, 28 de junho de 2003, 9.


Fonte:
http://www.ofielcatolico.com.br/2006/07/o-prefeito-da-liturgia-do-vaticano-pede.html

30 maio 2013

O Surgimento da solenidade de Corpus Christi

A Festa de Corpus Christi é a celebração em que solenemente a Igreja comemora a instituição do Santíssimo Sacramento da Eucaristia, que surgiu no século XIII, na diocese de Liège, na Bélgica, por iniciativa da freira Juliana de Mont Cornillon, que recebia visões nas quais o próprio Jesus lhe pedia uma festa litúrgica anual em honra do sacramento da Eucaristia. 

Em 11 de agosto de 1264 o Papa Urbano IV emitiu a bula "Transiturus de mundo", onde prescreveu que na quinta-feira após a oitava de Pentecostes, fosse oficialmente celebrada a festa em honra do Corpo do Senhor. São Tomás de Aquino foi encarregado pelo Papa para compor o Ofício da celebração. Em 1247, aconteceu a primeira procissão em carácter diocesano e depois, em todo o mundo no século XIV, quando o Papa Clemente V confirmou a Bula de Urbano IV, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial.

Em 1317, o Papa João XXII publicou na Constituição Clementina o dever de se levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas. A partir da oficialização, a Festa de Corpus Christi passou a ser celebrada todos os anos na primeira quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade.

“Se, por exemplo, em nome de uma fé secularizada e não mais necessária de sinais sagrados, fosse abolida esta procissão urbana de Corpus Domini, o perfil espiritual de Roma resultaria “esvaziado”, e nossa consciência pessoal e comunitária se tornaria enfraquecida. Também pensamos em uma mãe e em um pai que, em nome de uma fé dessacralizada, privassem seus filhos de qualquer ritual religioso: na realidade terminariam por deixar o campo livre a tantos substitutos presentes na sociedade de consumo, e a outros ritos e a outros sinais, que mais facilmente poderiam se tornar ídolos,” exortou Bento XVI, na homilia da Festa de Corpus Christi, em 2012.

Fonte: Canção Nova

26 abril 2013

Papa Francisco e o milagre eucarístico de Buenos Aires


O atual Papa Francisco conduziu investigação para comprovar um dos maiores milagres eucarísticos da história recente, ocorrido em Buenos Aires em 1996.
Foi o chamado Milagre Eucarístico de Buenos Aires, onde uma Hóstia Consagrada tornou-se Carne e Sangue. O Cardeal Jorge Bergoglio, Arcebispo de Buenos Aires, hoje Papa Francisco, ordenou que se chamasse um fotógrafo profissional para tirar fotos do acontecimento para que os fatos não se perdessem. Depois foram conduzidas pesquisas de laboratório coordenadas pelo Dr. Castanon.
Os Estudos mostraram que a matéria colhida da Hóstia era uma parte do ventrículo esquerdo, músculo do coração de uma pessoa com cerca de 30 anos, sangue tipo AB de uma pessoa que tivesse sofrido muito com a morte, tendo sido golpeado e espancado. Os cientistas que realizaram o exame e os estudos não sabiam que era material proveniente de uma Hóstia Consagrada, isso só lhes foi revelado após a análise, e foram surpreendidos porque haviam encontrado glóbulos vermelhos, glóbulos brancos pulsando durante a análise, como se o material tivesse sido colhido direto de um coração ainda vivo.
A Hóstia Consagrada tornou-se Carne e Sangue
Às 19h de 18 de agosto de 1996, o Padre Alejandro Pezet celebrava a Santa Missa em uma igreja no centro comercial de Buenos Aires. Como estava já terminando a distribuição da Sagrada Comunhão, uma mulher veio até a ele e informou que tinha encontrado uma hóstia descartada em um candelabro na parte de trás da igreja. Chegando ao lugar indicado, o Padre Alejandro Pezet viu a hóstia profanada. Como ele não pudesse consumi-la, colocou-a em uma tigela com água, como manda a norma local, e colocou-a no Santuário da Capela do Santíssimo Sacramento, aguardando que dissolvesse na água.
Na segunda-feira, 26 de agosto, ao abrir o Tabernáculo, viu com espanto que a Hóstia havia se tornado uma substância sangrenta. Relatou o fato então ao Arcebispo local, Cardeal Dom Jorge Bergoglio, que determinou que a Hóstia fosse fotografada profissionalmente. As fotos foram tiradas em 6 de setembro de 1996. Mostram claramente que a Hóstia, que se tornou um pedaço de Carne sangrenta, tinha aumentado consideravelmente de tamanho.
Análises Clínicas
Durante anos, a Hóstia permaneceu no Tabernáculo e o acontecimento foi mantido em segredo estrito. Desde que a Hóstia não sofreu decomposição visível, o Cardeal Bergoglio decidiu mandar analisá-la cientificamente.
Uma amostra do Tecido foi enviado para um laboratório em Buenos Aires. O laboratório relatou ter encontrado células vermelhas e brancas do sangue e do tecido de um coração humano. O laboratório também informou que a amostra de Tecido apresentava características de material humano ainda vivo, com as células pulsantes como se estivessem em um coração.
Testes e análises clínicas: "Não há explicação científica"
Em 1999, foi solicitado ao Dr. Ricardo Castañón Gomez que realizasse alguns testes adicionais. Em 5 de outubro de 1999, na presença de representantes do Cardeal Bergoglio, o Dr. Castañón retirou amostras do tecido ensanguentado e enviou a Nova York para análises complementares. Para não prejudicar o estudo, propositalmente não foi informado à equipe de cientistas a sua verdadeira origem.
O laboratório relatou que a amostra foi recebida do tecido do músculo do coração de um ser humano ainda vivo.
Cinco anos mais tarde (2004), o Dr. Gomez contatou o Dr. Frederic Zugibe e pediu para avaliar uma amostra de teste, novamente mantendo em sigilo a origem da amostra. Dr. Zugibe, cardiologista renomado, determinou que a matéria analisada era constituída de "carne e sangue" humanos. O médico declarou o seguinte:
"O material analisado é um fragmento do músculo cardíaco que se encontra na parede do ventrículo esquerdo, músculo é responsável pela contração do coração. O ventrículo cardíaco esquerdo bombeia sangue para todas as partes do corpo. O músculo cardíaco tinha uma condição inflamatória e um grande número de células brancas do sangue, o que indica que o coração estava vivo no momento da colheita da amostra, já que as células brancas do sangue morrem fora de um organismo vivo. Além do mais, essas células brancas do sangue haviam penetrado no tecido, o que indica ainda que o coração estava sob estresse severo, como se o proprietário tivesse sido espancado."
Evidentemente, foi uma grande surpresa para o cardiologista saber a verdadeira origem do tecido. Dois cientistas australianos, o cientista Mike Willesee e o advogado Ron Tesoriero, testemunharam os testes. Ao saberem de onde a amostra tinha sido recolhida, demonstraram grande surpresa. Racional, Mike Willesee perguntou ao médico por quanto tempo as células brancas do sangue teriam permanecido vivas se tivessem vindo de um pedaço de tecido humano que permaneceu na água. "Elas deixariam de existir em questão de minutos", disse o Dr. Zugibe. O médico foi então informado que a fonte da Amostra fora inicialmente deixada em água durante um mês e, em seguida, durante três anos em um recipiente com água destilada, sendo depois retirada para análise.
Dr. Mike Willesee Zugibe declarou que não há maneira de explicar cientificamente este fato: "Como e por que uma Hóstia Consagrada pode mudar e tornar-se Carne e Sangue humanos? Permanece um mistério inexplicável para a ciência, um mistério totalmente fora da minha jurisdição".
Abaixo, um vídeo com o depoimento do Dr. Castañón e imagens do Milagre.




04 junho 2012

Corpus Christi


Nesta quinta-feira, 07, a Igreja Católica, em todo o mundo, comemora o dia de Corpus Christi. Nome que vem do latim e significa “Corpo de Cristo”.

A festa de Corpus Christi tem por objetivo celebrar solenemente o mistério da Eucaristia - o Sacramento do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo.

Acontece sempre em uma quinta-feira, em alusão à Quinta-feira Santa, quando se deu a instituição deste sacramento. Durante a última ceia de Jesus com seus apóstolos, Ele mandou que celebrassem Sua lembrança comendo o pão e bebendo o vinho que se transformariam em seu Corpo e Sangue.

"O que come a minha carne e bebe o meu sangue, tem a vida eterna e, eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne é verdadeiramente comida e o meu sangue é verdadeiramente bebida. O que come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. O que come deste pão viverá eternamente" (Jo 6, 55 - 59).

Através da Eucaristia, Jesus nos mostra que está presente ao nosso lado, e se faz alimento para nos dar força para continuar. Jesus nos comunica seu amor e se entrega por nós.

Origem da Celebração

A celebração teve origem em 1243, em Liège, na Bélgica, no século XIII, quando a freira Juliana de Cornion teria tido visões de Cristo demonstrando-lhe desejo de que o mistério da Eucaristia fosse celebrado com destaque.

Em 1264, o Papa Urbano IV através da Bula Papal "Trasnsiturus de hoc mundo", estendeu a festa para toda a Igreja, pedindo a São Tomás de Aquino que preparasse as leituras e textos litúrgicos que, até hoje, são usados durante a celebração. Compôs o hino “Lauda Sion Salvatorem” (Louva, ó Sião, o Salvador), ainda hoje usado e cantado nas liturgias do dia pelos mais de 400 mil sacerdotes nos cinco continentes.

A procissão com a Hóstia consagrada conduzida em um ostensório é datada de 1274. Foi na época barroca, contudo, que ela se tornou um grande cortejo de ação de graças.

No Brasil

No Brasil, a festa passou a integrar o calendário religioso de Brasília, em 1961, quando uma pequena procissão saiu da Igreja de madeira de Santo Antônio e seguiu até a Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima. A tradição de enfeitar as ruas surgiu em Ouro Preto, cidade histórica do interior de Minas Gerais.

A celebração de Corpus Christi consta de uma missa, procissão e adoração ao Santíssimo Sacramento.

A procissão lembra a caminhada do povo de Deus, que é peregrino, em busca da Terra Prometida. No Antigo Testamento esse povo foi alimentado com maná, no deserto. Hoje, ele é alimentado com o próprio Corpo de Cristo.

Durante a Missa o celebrante consagra duas hóstias: uma é consumida e a outra, apresentada aos fiéis para adoração. Essa hóstia permanece no meio da comunidade, como sinal da presença de Cristo vivo no coração de sua Igreja.

Fonte: http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=234011

Em Guarapari/ES 

A Paróquia São José estará promovendo a confecção dos tapetes de Corpus Christi, na Comunidade Santa Rita de Cássia, bairro Itapebussu, Vila da Samarco. Será nesta quarta-feira, dia 6 às 21h. Participe com sua família e comunidade! A Missa no dia 07 será às 19hs, após procissão saindo da Santa Rita em direção a Comunidade Sao Francisco de Assis, onde haverá Benção do Santíssimo Sacramento!

Na Matriz S José, bairro São José às 8:00h da manhã haverá Missa e Benção. Em Santo Antônio (Buenos Aires) 10h (Missa, Procissão e Benção).

Escolha o melhor horário para você e sua família e celebre com a Igreja este momento solene! Deus o abençoe!


21 junho 2011

Origem da festa de Corpus Christi.”A celebração do Amor e União

História: A Festa de Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV com a Bula “Transiturus” de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes.
O Papa Urbano IV foi o cônego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège na Bélgica, que recebeu o segredo das visões da freira agostiniana, Juliana de Mont Cornillon, as quais exigiam uma festa da Eucaristia no Ano Litúrgico.
Juliana nasceu em Liège em 1192 e participava da paróquia Saint Martin. Com 14 anos, em 1206, entrou para o convento das agostinianas em Mont Cornillon, na periferia de Liège. Com 17 anos, em 1209, começou a ter ‘visões’, exigindo da Igreja uma festa anual para agradecer o sacramento da Eucaristia. Com 38 anos, em 1230, confidenciou esse segredo ao arcediago de Liège, que 31 anos depois, por três anos, se tornaria o Papa Urbano IV (1261-1264), tornando mundial a Festa de Corpus Christi, pouco antes de morrer.
A “Fête Dieu” começou na paróquia de Saint Martin em Liège, em 1230, com autorização do arcediago para procissão Eucarística só dentro da igreja, a fim de proclamar a gratidão a Deus pelo benefício da Eucaristia. Em 1247, aconteceu a primeira Procissão Eucarística pelas ruas de Liège, já como festa da diocese. Depois se tornou festa nacional na Bélgica. A festa mundial de Corpus Christi foi decretada em 1264, 6 anos após a morte de irmã Juliana em 1258, com 66 anos.
Santa Juliana de Mont Cornillon foi canonizada em 1599 pelo Papa Clemente VIII.
Celebração: O decreto do Papa Urbano IV teve pouca repercussão, porque ele morreu em seguida. Mas se propagou por algumas igrejas, como na diocese de Colônia na Alemanha, onde Corpus Christi é celebrada antes de 1270. O ofício divino, seus hinos, a sequência ‘Lauda Sion Salvatorem’ são de Santo Tomás de Aquino (1223-1274), que estudou em Colônia com Santo Alberto Magno. Essa festa [Corpus Christi] tomou seu caráter universal definitivo, 50 anos depois de Urbano IV, a partir do século XIV, quando o Papa Clemente V, em 1313, confirmou a Bula de Urbano IV nas Constituições Clementinas do Corpus Júris, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial.
Em 1317, o Papa João XXII publicou esse Corpus Júris com o dever de levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas. O Concílio de Trento (1545-1563), por causa dos protestantes, da Reforma de Lutero, dos que negavam a presença real de Cristo na Eucaristia, fortaleceu o decreto da instituição da Festa de Corpus Christi, obrigando o clero a realizar a Procissão Eucarística pelas ruas da cidade, como ação de graças pelo dom supremo da Eucaristia e como manifestação pública da fé na presença real de Cristo na Eucaristia.
Em 1983, o novo Código de Direito Canônico – cânon 944 – mantém a obrigação de se manifestar “o testemunho público de veneração para com a Santíssima Eucaristia” e “onde for possível, haja procissão pelas vias públicas”, mas os bispos escolham a melhor maneira de fazer isso, garantindo a participação do povo e a dignidade da manifestação.
Sacramento: A Eucaristia é um dos sete sacramentos e foi instituído na Última Ceia, quando Jesus disse: “Este é o meu corpo…isto é o meu sangue… fazei isto em memória de mim”. Porque a Eucaristia foi celebrada pela primeira vez na Quinta-Feira Santa, Corpus Christi se celebra sempre numa quinta-feira após o domingo depois de Pentecostes.
Na véspera da Sexta-Feira Santa, a morte na cruz impede uma festa solene e digna de gratidão e doutrinação. Porque a Última Ceia está no Novo Testamento, os evangélicos lhe têm grande consideração, mas com interpretação diferente.
Para os luteranos e metodistas, a Eucaristia é sacramento, mas Cristo está presente no pão e no vinho apenas durante a celebração, como permanência e não transubstanciação. Outras igrejas cristãs celebram a Ceia como lembrança, memorial, rememoração, sinal, mas não reconhecem a presença real de Cristo nela. Mas alguma coisa existe em comum que, por intermédio da Eucaristia, une algumas Igrejas cristãs na Eucaristia, ensina o Concílio Vaticano II, no decreto “Unitatis Redintegratio”.
A Eucaristia é também celebração do amor e união, da comum-união com Cristo e com os irmãos.
Ela [Eucaristia], que é a renovação do sacrifício de Cristo na cruz, significa também reunião em torno da mesa, da vida e da unidade para repartir o pão e o amor. E é o centro da vida dos cristãos: “Eu sou o Pão da Vida, que desceu do céu para a vida do mundo, por meio da vida de comum-união dos cristãos”.
Ornamentação: A decoração das ruas para a Procissão de Corpus Christi é uma herança de Portugal e tradição brasileira. Muitas cidades enfeitam suas ruas centrais com quilômetros de tapetes, feitos de serragem colorida, areia, tampinhas de garrafa, cascas de ovos, pó de café, farinha, flores, roupas e outros ingredientes.
Monsenhor Arnaldo Beltrami (*)
20/06/2011 –

18 maio 2011

Milagre Eucarístico

OFFIDA, Itália, ano 1273

Esta Manifestação Sobrenatural também poderia ser chamada de Milagre Eucarístico de Lanciano II.Leia atentamente como a imaturidade e falta de conselhos santos nos leva a pecados irreversíveis.Está jovem buscava a paz e a felicidade em seu matrimônio, mas não soube onde buscar optou pela feitiçaria prática abominavel aos olhos de Deus, vejamos o que aconteceu:
Giacomo e Ricciarella eram dois jovens recém casados que moravam na zona rural de Lanciano. Mas não viviam em harmonia e numa desejada comunhão amorosa. Ao contrário, revelavam incompatibilidade de gênios, principalmente pelo lado dele, que direcionava sua atenção exclusivamente ao trabalho. Não se conhece o motivo que o levou a proceder assim. Contudo, Ricciarella não concordava com aquela situação e se esforçava, reagindo contra uma série de pequenas ocorrências domésticas insignificantes, mas que ganhavam intensidade e cresciam estimuladas pelo mal-humor do marido. Acrescente-se que Giacomo era por dema is impulsivo ,a ponto de se exaltar e partir para a agressão física.
Ricciarella resistia a tudo com muita bravura e paciência, procurando contornar todas as dificuldades. Ela só queria uma vida melhor para os dois.
Foi assim, que buscando conseguir um meio para converter o grosseiro gênio de seu marido, procurou os serviços de uma feiticeira.
A bruxa era famosa e segundo diziam, alcançava feitos admiráveis com a sua alquimia. Por isso mesmo, Ricciarella a procurou cheia de esperanças. A feiticeira lhe recomendou o seguinte:
“Receba a Sagrada Comunhão numa Igreja, mas guarde a Hóstia e leve-a para a sua casa. Coloque-a numa telha de barro em forma de canal para cozinhá-la ao fogo. Transforme-a em pó e vai colocando diariamente na sopa ou no vinho de seu marido. Depois de uma semana volte aqui para me contar o resultado. A transformação nele será visível e benéfica.”
A descrição feita pela feiticeira de como o seu esposo se sentiria sob os efeitos da bruxaria, deu a moça o impulso e a coragem que faltavam, deixando-a animada e até impaciente, com pressa em executar o trabalho.
Todavia, Ricciarella, do mesmo modo que seus pais e irmãos, foram criados na fé católica e por isso, ela sabia que o seu ato era um pecado mortalum terrível sacrilégio. Então, não é difícil imaginar o quanto ela lutou contra a sua própria consciência, que lhe indicava o caminho do direito e da razão, antes de tomar a decisão de cometer o abominável ato. Mas ela repetia em sua mente para manter a coragem: “È necessário que eu faça isso para converter o meu marido…”dizia ela.
E assim decidida, entrou na Igreja. A Santa Missa já tinha começado. No momento da Comunhão foi receber JESUS acompanhando os fieis que estavam devidamente preparados e que se aproximavam da balaustrada de madeira que separava o Altar do povo. Assim que o sacerdote colocou a Sagrada Hóstia em sua língua, veio rapidamente para a entrada da Igreja e sem que ninguém percebesse, guardou o Santíssimo Sacramento.
Não esperou o fim da cerimônia. Imediatamente saiu e correu pelas ruas de Lanciano até a sua casa. Suas mãos tremiam vigorosamente. Assustada, mas repleta de emoção, pôs em ação a segunda parte do plano da feiticeira. Acendeu o fogo e encima acomodou uma telha de barro em forma de canal, igual àquelas que usamos nas cumeeiras das casas. Dentro da telha colocou a Hóstia e tratou de cozinhá-la. Entretanto, logo que a Sagrada Espécie foi deixada naquele utensílio, começou a sair uma densa fumaça. Ao redor da Hóstia Sagrada se transformou em Carne do SENHOR e começou a Sangrar profusamente, enquanto o centro da Pequena Partícula continuava com o aspecto das Hóstias que os fieis recebem na Santa Missa. A mulher ficou aterrorizada… Não sabia o que fazer… O Sangue da Hóstia já cobria o fundo da telha! Ela rapidamente apagou o fogo e jogou cera encima para cobrir o Sangue, a Carne e a Hóstia. Encheu o resto da telha com terra e ficou pensando o que devia fazer. Todavia o Sangue do SENHOR passou por entre a terra e apareceu na parte superior! Ela ainda mais assustada, pegou uma toalha de fibra e envolveu a telha com tudo. Mas onde colocá-la? Com uma ferramenta foi até o estábulo, cavou um buraco num local protegido. Era o cantinho onde a mula de seu esposo gostava de deitar. Ali enterrou a telha com a Eucaristia.
À noite, quando seu marido voltou do trabalho e deixou a mula próximo ao estábulo, observou que o animal ficou agitado e não queria permanecer ali. A mula não quis entrar no estábulo, como era o costume. Giacomo cansado, ansioso para descansar, vendo aquele comportamento esquisito do animal, tratou de empurrá-lo de qualquer jeito, para dentro do estábulo, aplicando-lhe inclu sive algumas chicotadas.
Diante da violência, o animal caiu com os joelhos e o peito no chão e permaneceu assim, imóvel no seu local preferido, quase numa posição de adoração.
Giacomo espantado percebeu que algo havia acontecido, porque observou, o chão tinha sido recentemente escavado. Entrou em casa e logo ofendeu Ricciarella pelo estranho comportamento do animal, dizendo que ela era a culpada, que tinha feito algum feitiço e enterrado no estábulo. E extravasando sua ira, castigou a esposa com diversos golpes de chicote, que ainda mantinha em suas mãos.
Para ela, a vida se transformou num verdadeiro inferno a partir daquele momento. Além de sentir uma grande angústia por estar com a consciência pesada em face de seu grande pecado, sentia que a falta de paciência e os maus tratos de seu marido aumentaram de maneira insuportável.
E assim se passaram sete (7)anos de um tempo difícil e penoso, porque tinha que esconder o seu segredo, suas angústias e seus sofrimentos, carregando viva em seu coração a maldita lembrança de um erro que lhe torturava a alma e a estava deixando em ponto de enlouquecer. Com a mente perturbada e mal organizada acreditava que os maus tratos que recebia de Giacomo faziam parte do castigo que DEUS lhe enviava por causa de sua transgressão. E assim, perdeu todas as esperanças em querer convertê-lo. Por outro lado, guardava uma imensa tristeza pelo crime imperdoável que cometeu contra o SENHOR. Logo contra ELE que nunca lhe fizera nenhum mal! Ao contrário, JESUS já lhe havia socorrido em diversas situações difíceis na vida! Por isso, estava envergonhada com o seu procedimento, chorava e sentia uma profunda angústia, pois pensava em reparar o mal que cometeu, mas não tinha coragem. Queria aproximar-se de um sacerdote para confessar o seu pecado e livrar-se daquela monstruosa culpa, mas imaginava coisas terríveis, como por exemplo, uma violenta reação do padre excomungando-a pelo absurdo pecado. E assim, decorriam os dias e ela não sabia o que fazer.
Entretanto, quando não suportou mais viver com aquela pena imposta por ela mesma durante sete longos anos, Ricciarella entrou em contato com Padre Diotallevi, que pertencia a Ordem de Santo Agostinho e era o Pároco em Lanciano. Arrependida e com o rosto banhado em lágrimas, confessou o seu grave pecado… O sacerdote surpreso e pasmo, a ouviu em silêncio, deixando que ela esvaziasse o coração. Depois, sem que ninguém percebesse, a acompanhou até a casa dela. Entraram no estábulo e cavaram no local.

Quando o Padre encontrou a toalha e descobriu o que estava dentro, viu admirado que a Carne que sangrou e a parte central da Hóstia permaneceram incorruptas e perfeitas através dos anos, e que portanto, eram verdadeiramente o Corpo e o Sangue do SENHOR JESUS. Então, respeitosamente pegou a toalha manchada de Sangue e a telha de barro que continha a Carne, o Sangue e o centro da Hóstia Consagrada e levou-os para o Convento Agostiniano em Offida, uma cidade próxima.
Para justificar o seu procedimento, Padre Diotallevi disse que agiu assim por dois motivos: primeiro pensou na segurança do Milagre, tinha medo que malfeitores aparecessem ou que algum fanático quisesse destruí-lo por alguma razão inconfessável; segundo, porque ele m esmo residia no Convento em Offida.
Depois, na continuidade dos dias, levou o fato ao conhecimento do Padre Miguel Mallicani, que era o Superior Geral dos Agostinianos e que diante daquela notícia, ficou vivamente interessado no assunto e não permitiu que o Milagre fosse levado para outro local. Em obediência a ordem de seu superior hierárquico, concordou em que o Milagre ficasse definitivamente em Offida.



Padre Mallicani mandou preparar uma Capela especial no Santuário de Santo Agostinho, que passou a ser conhecido como o Santuário do Milagre Eucarístico. O Milagre foi colocado dentro de um rico e precioso Relicário em forma de Cruz, feito em Veneza e pode ser venerado pelos fieis somente no dia 3 de Outubro de cada ano, data em que é festejado o acontecimento. Contudo, a “Telha de Barro” e a “Toalha de Fibra com manchas de Sangue do SENHOR”, encontram-se disponíveis a visitação pública na Capela especial.


"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12
CEFAS, oriundo do nome de São Pedro apóstolo, significa também um Acróstico: Comunhão para Evangelização, Formação e Anúncio do Senhor. É um humilde projeto de evangelização através da internet, buscando levar formação católica doutrinal e espiritual.