03 dezembro 2010

Liturgia da Palavra do domingo: “À escuta do Senhor no deserto”


Por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração
SÃO PAULO, quinta-feira, 2 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) – Apresentamos o comentário à liturgia do próximo domingo – II do Advento (Ano A) Is 11, 1-10; Rm 15, 4-9; Mt 3, 1-12 – redigido por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração (Mogi das Cruzes - São Paulo). Doutor em liturgia pelo Pontificio Ateneo Santo Anselmo (Roma), Dom Emanuele, monge beneditino camaldolense, assina os comentários à liturgia dominical, sempre às quintas-feiras, na edição em língua portuguesa da Agência ZENIT.
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II Domingo do Advento – A
Leituras: Is 11, 1-10; Rm 15, 4-9; Mt 3, 1-12
Tudo o que outrora foi escrito, foi escrito para nossa instrução, para que pela nossa constância e pelo conforto espiritual das Escrituras, tenhamos firme esperança” (Rm 15, 4). Enquanto peregrinamos na espera da vinda gloriosa do Senhor, as palavras do apóstolo nos abrem ao mistério da sua palavra vivente, por ele pronunciada todos os dias no segredo das consciências, nos acontecimentos da vida, nas belezas - e nas feridas - da criação e celebrada na liturgia. Deus continua nos falando com certeza para nos instruir sobre as verdades da fé e para orientar nossos comportamentos morais no dia a dia. Mas se fosse só isso, seria muito pouco. “As escrituras são a carta de amor de Deus à sua namorada: conhece o coração de Deus nas palavras de Deus!” (São Gregório Magno). Ele fica sendo nosso interlocutor apaixonado na experiência sempre nova do encontro transformador com o seu santo Espírito. 
A celebração litúrgica do Mistério Pascal é o lugar privilegiado deste encontro vivificador, pois é o centro, o motor de todo este dinamismo do amor divino. “A celebração litúrgica torna-se uma contínua, plena e eficaz proclamação da Palavra de Deus. Por isso, constantemente anunciada na liturgia, a Palavra de Deus permanece viva e eficaz pela força do Espírito Santo, e manifesta aquele amor operante do Pai que não cessa jamais de agir em favor de todos os homens” (Introdução ao Elenco das Leituras da Missa, 4). A esta história divina e humana – uma história de amor! – estão sendo sempre acrescentadas páginas novas ao livro que a narra. Juntos, com o Senhor, estamos escrevendo as páginas do ano 2010-2011; são páginas iluminadas por todas aquelas que as precederam e que por sua vez iluminam as do passado na luz do Espírito.
Apareceu João Batista, pregando no deserto da Judéia: “Convertei-vos, porque o reino dos céus está próximo.... Produzi frutos que provem a vossa conversão” (Mt 3,1-2;8). Um grito cortante e ameaçador se eleva no deserto da boca de João, o precursor do Senhor, para despertar as consciências do povo e prepará-lo para acolher o messias de Deus. Este está já presente no meio dele, escondido na humildade da condição do homem comum, mas ungido pelo Espírito Santo em cuja força haverá de renovar as situações mais fragilizadas. Os olhos do povo ficam fechados pelo preconceito; ele, o povo, imagina e pretende de Deus um Messias forte, capaz de produzir efeitos imediatos no âmbito daquilo que mais lhe interessa: o bem estar social e a liberdade política. Até mesmo os discípulos de Jesus se esforçarão muito para aderir ao estilo pobre de Deus e de Jesus; essa dificuldade permanecerá até a iluminação do Espírito e do próprio Jesus depois da Páscoa. Será que a nossa reação frente aos desafios e às dificuldades da vida é muito diferente?
Deus é fiel à sua promessa. A profecia de uma renovação radical da situação, portadora de consolação e esperança para um povo reduzido quase a nada pelo exílio na Babilônia (Is 40,3), está para tornar-se realidade no presente. Contra as expectativas negativas de todo mundo, um novo êxodo está para ter início e irá tocar as profundezas das consciências: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai sua veredas” (Aclamação ao Evangelho). Olhando para os grandes problemas que desafiavam a Igreja e a família humana em meados do século passado, o bem-aventurado Papa João XXIII, contra os que ele chamava de “profetas de desventuras”, apontava profeticamente à primavera do Espírito que estava manifestando-se na Igreja com o Concílio Vaticano II como um novo Pentecostes. Precisamos também hoje de mestres semelhantes, guiados pelo Espírito, para reconhecer as novidades de Deus.
O reino de Deus, sua ação salvadora, está desenvolvendo seu dinamismo transformador e vai manifestar-se. Arrependimento e conversão para o Senhor constituem os aspectos complementares do mesmo processo renovador da existência e as condições para reconhecer a ação de Deus em Jesus, compreender seu estilo e conformar-se com ele. O mesmo apelo é proclamado por Jesus (cf. Mt 4,17) como eixo central da “Boa Nova”, por Ele anunciada e inaugurada. Com uma diferença substancial em relação à pregação do Batista: Jesus não ameaça, mas ele mesmo se torna “encontro” com o pecador, transformando sua inicial e confusa procura interior num encontro inesperado de salvação: “Zaqueu, desce depressa, pois hoje devo ficar em tua casa... Hoje a salvação entrou nesta casa, pois ele também é um filho de Abraão” (Lc 19,5; 9). 
Se para João o machado já está posto de modo ameaçador à raiz das árvores, em Jesus o Pai concede ainda um ano de espera confiante para a figueira estéril produzir frutos (Lc 13, 6-9). É “o ano da graça do Senhor” que Jesus coloca no cerne da sua missão e que não tem medida de tempo: “hoje se cumpriu aos vossos olhos esta passagem da escritura” ( Lc 4, 21). Qual estilo prevalece nas nossas comunidades e nas nossas relações interpessoais: o de João ou o de Jesus ? 
Em sintonia com a mais pura tradição dos profetas (cf. Is 1, 10-20), João frisa a exigência de não ficar na ilusão da pertença formal ao povo de Deus e das práticas rituais: “Não penseis que basta dizer: Abraão é nosso pai”. O próprio Jesus será ainda mais radical sobre este assunto na polêmica com os fariseus. O estilo de vida revela a verdadeira qualidade de toda religião. 
O deserto da Judéia é o lugar onde ressoa a mensagem exigente e promissora de João. O “deserto” na linguagem da escritura é o lugar/tempo privilegiado dos grandes eventos da história de Israel na sua relação com Deus: da eleição e aliança até a traição idolátrica. Mas é também o lugar propício para retornar ao Senhor, assim como oportunidade para um novo êxodo e uma nova libertação do exílio. Lugar e tempo da tentação, da provação e da intimidade. Na pregação dos profetas o “deserto” se torna a geografia interior que o povo, e cada autêntico israelita, precisa aprender a descobrir e habitar, para reencontrar a verdade de si mesmo e da sua relação com Deus e com os demais. 
É no deserto que o próprio Jesus é impelido pelo Espírito depois do batismo de penitência recebido por João, para ali enfrentar os radicais desafios da missão, chamado a cumprir em total obediência ao Pai. Jesus sai vitorioso do deserto também para nós. O deserto é o lugar do combate com as potências obscuras que habitam o coração do homem e da mulher de todo tempo. É o lugar da descida, até os grotões mais obscuros de si mesmo para se conhecer, se assumir com verdade e se entregar com coragem e confiança ao coração do Pai. Os místicos e as místicas cristãos falam da necessidade de descer no deserto do próprio coração para que se desperte e se renasça à nova vida. Nos dizem que é somente no silêncio do deserto interior que podem ser celebradas as núpcias com o Esposo divino.
Quantas pessoas hoje têm a coragem de ficar consigo mesmas fazendo silêncio exteriormente e interiormente para descer no deserto do próprio coração e ficar consigo mesmas? Quem sente a necessidade urgente de reservar com fidelidade pelo menos um tempo de silêncio, para a leitura rezada da palavra de Deus, lutando com coragem contra a correria às vezes superficial de todo dia? Afinal, a “cela interior/espaço sagrado” na qual podemos nos deter para cultivar a amizade com o Senhor, antes que nos mosteiros se encontra no próprio coração. Apesar do silêncio ser elemento integrante e fundamental para a autêntica participação ativa à liturgia (SC 19 e 30), quanto valor e espaço é reconhecido/concedido ao “sagrado silêncio” nas nossas celebrações? O Advento é tempo propício para deixar o nosso árido deserto florescer de novo. 
Na perspectiva do profeta, através da ação do messias vislumbra-se uma nova criação e uma nova história: “o lobo e o cordeiro viverão juntos e o leopardo deitar-se-á ao lado do cabrito”. Um sonho ingênuo destinado a desaparecer frente ao assolado deserto humano das cracolândias de São Paulo e das grandes metrópoles e da violência sem fim que arrasa países e cidades, como o Rio de Janeiro nos dias passados? O futuro “novo” é fruto sem dúvida da ação do messias na potência do Espírito. Mas não por magia. É preciso atuar com responsabilidade na sociedade deixando-se guiar pelo mesmo Espírito. “O Deus que dá constância e conforto vos dê a graça da harmonia e concórdia, uns com os outros, como ensina Cristo Jesus... por isso, acolhei uns aos outros como também Cristo vos acolheu para a gloria de Deus”( Rm 15, 5;7). 
Até que não prevaleça a nova lógica divina - mesmo entre os membros da comunidade de Cristo - dominará, mais ou menos mascarada, a lógica do lobo e do cordeiro não pacificados, como nas relações tensas entre judeus e pagãos na comunidade de Roma (Rm 15, 7-9). Mas Jesus exercita sua realeza na cruz como “Cordeiro imolado e vivente”,  compartilhando a mesma realeza  somente com aqueles/as que o seguem no mesmo caminho do amor crucificado (Ap 14, 1-5).
Consciente das potencialidades provenientes do Espírito e das contradições humanas, a Igreja nos convida a pedir ao Pai “que nenhuma atividade terrena nos impeça de correr ao encontro do vosso Filho, mas instruídos pela vossa sabedoria, participemos da plenitude de sua vida” (Oração do dia). 
FONTE: ZENIT

Bebedores 'de farra' têm o dobro de chances de apresentar problemas cardíacos



Adeptos de 'porres' têm duas vezes mais chances de desenvolver problemas cardíacos em relação a quem consome a mesma quantidade de bebida, mas gradualmente

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(Getty Images)
Um estudo publicado no British Medical Journal ficou de olho em beberrões “de farra” ingleses e em moderados, porém constantes, bebedores franceses por 10 anos. Concluiu: “porres” eventuais causam o dobro de malefícios ao coração do que o consumo da mesma quantidade de bebida dividido no decorrer de uma semana.  
“A pesquisa reforça o que nós já sabemos – que ingerir grandes doses de álcool pode danificar o coração”, diz Amy Thompson, enfermeira cardíaca sênior da Fundação britânica do coração. “É importante evitar porres e é melhor tomar um pouco de álcool regularmente do que grandes quantidades de uma vez”, completa. 
Pesquisa — Foram selecionados 10 mil homens consumidores de álcool na França e em Belfast, na Irlanda do Norte, Grã-Bretanha. Entre os jovens ingleses,  9% eram bebedores de final de semana, consumindo pelo menos cinco taças de vinho ou 1,4 litro de cerveja. Entre os franceses, esse número só chegava a 0,5%. Mas 75% destes últimos bebiam moderadamente todos os dias, enquanto a taxa era só de 12% entre os ingleses. 
Durante os dez anos de acompanhamento, os bebedores de final de semana tiveram quase o dobro de ataques cardíacos ou morte por doenças do coração do que aqueles que bebiam doses menores todos os dias. Para o condutor do estudo, professor Jean Ferrières, da Universidade Hospital de Toulouse, a culpa desses números é da bebedeira irregular.
Outra tese apontada pelos pesquisadores é a de que os homens ingleses tendiam a tomar mais aguardentes e cerveja, enquanto os franceses eram mais fiéis ao consumo de vinho. 
O limite diário de álcool aconselhado aos homens é de três ou quatro taças de vinho ou duas latas de cerveja. Para as mulheres, duas taças de vinho ou uma lata de cerveja. 
Fonte: Veja

02 dezembro 2010

Papa cita Brasil e “novos movimentos” como sinal de vitalidade da Igreja em livro-entrevista.


“Vivemos em uma época na qual é necessária uma nova evangelização. Uma época na qual o único Evangelho deve ser anunciado em sua racionalidade grande e imutável, e, ao mesmo tempo, naquela potência que supera a racionalidade. De tal modo que chegue de maneira nova a nosso pensamento e a nossa compreensão…”. São algumas das palavras do Papa Bento XVI expostas no recentemente publicado e comentado livro “Luz do Mundo: o Papa, a Igreja e os sinais dos tempos”. O material é resultado de seis horas de entrevista do pontífice com o jornalista alemão Peter Seewald, no verão passado, em Castel Gandolfo.
O mundo atual necessita mais do que nunca da mensagem de Cristo. Este interesse manifestado pela Papa, da necessidade de uma renovada ação apostólica que tenha como “leit motiv” o Evangelho, tem fundamento em sua clara visão da situação atual. Em “Luz do Mundo”, o Papa revela sua compreensão profunda da crise da modernidade, matizada com seu empenho de pastor universal da Igreja e sua condição de analista equânime da realidade dos dias de hoje.
“Algo importante que devem saber e conhecer os meios de [comunicação] é este grande ponto a favor que [o Papa] tem como educador, como um grande pensador e naturalmente como alguém que não escutá somente o mundo católico, mas também a cristandade. Creio que isso é algo que se vê muito pouco, mas é importante assinalá-lo nesta época de crise da sociedade moderna. Posso dizer que ter isso é um presente: Em um mundo que com frequência está cego é importante ter alguém com esta atitude inquebrantável de abertura. Creio que no futuro isto será melhor apreciado”, expressou o próprio Peter Seewald, em entrevista à Agência Aciprensa sobre os antecedentes do livro e suas repercussões.
“Um Papa otimista sobre a vida da Igreja”
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Bento XVI visitou a América Latina pela primeira vez como Papa, por causa da V Conferência de Aparecida
O conhecimento dessa crise, e de suas repercussões no interior do mundo católico – assunto amplamente discutido por Bento XVI em “Luz do Mundo” - não impede que o Papa veja o futuro com esperança fundamentada: “A impressão que se recebe [ quando se lê o livro de Seewald] é a de um Papa otimista sobre a vida da Igreja, apesar das dificuldades que a acompanham desde sempre”, ressaltou o presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Dom Rino Fisichella, durante a coletiva de imprensa que apresentou o livro.
Qual deve ser a linha de ação da Igreja para o futuro em um mundo secularizado? A de sempre, segundo o Papa: apresentar Jesus Cristo e sua mensagem perene, de um modo adequado aos dias de hoje. “Devemos acometer com força renovada a questão a respeito de qual é a maneira em que se pode anunciar de novo a este mundo o Evangelho, de forma que chegue a ele, e que tenhamos que emprega para isso todas as energias”, explica o pontífice em “Luz do Mundo. Neste sentido, Bento XVI se declara “muito otimista a respeito do fato de que o Cristianismo se encontra frente a uma nova dinâmica” que possivelmente o leve a assumir “um aspecto cultural diverso”.
“Uma criatividade de todo nova”
“O cristianismo neste momento está desenvolvendo também uma criatividade toda nova”, afirma o Papa na primeira parte do livro de Seewald. “No Brasil, por exemplo, se de um lado se registra um forte crescimento de seitas, cometendo muito equívocos porque prometem substancialmente riqueza e sucesso exterior; por outro lado, assiste-se também a grandes renascimentos católicos, a uma dinâmica de florescimento de novos movimentos como, por exemplo, os Arautos do Evangelho, jovens cheios de entusiasmo por haver reconhecido em Cristo o Filho de Deus e desejosos por anunciá-lo ao mundo”, expressou o Papa.
“O bispo de São Paulo – continuou o Santo Padre – me disse que naquela cidade se assiste a um nascimento de cada vez mais novos movimentos católicos. Existe, dessa forma, uma força de mudança e uma nova vida”.
No livro de Seewald há várias referências à realidade eclesial brasileira e da América Latina. Bento XVI faz um rápido balanço ao jornalista alemão sobre os cinco anos de seu pontificado e assinala que as viagens apostólicas não foram um “espetáculo qualquer”.
Como um de seus êxitos, o Papa inclui a visita ao Brasil em 2007, que coincidiu com a 5ª Conferência Geral do Episcopado Latinoamericano e do Caribe, em Aparecida, onde foi “iniciada a Missão Continental”, que agora é realizada nos programas pastorais das dioceses de todos os países da região.
Dessa viagem, o Santo Padre recorda também o encontro na “Fazenda Esperança”, um centro de recuperação para dependentes químicos; casa que se tornou modelos para muitos outros lugares.
Sobre a viagem ao Brasil, o Papa observou ainda a “consciência” de que a “Igreja Católica vive e é vigorosa”.

Fonte: Comunidade Shalom

As prostitutas vos precederão...


A repercussão que está tendo a publicação do livro “Luz do Mundo”, uma entrevista que o papa Bento XVI concedeu ao jornalista alemão Peter Seewad, ao qual faz afirmações históricas e proféticas acerca de temas tão debatidos em todo o cenário mundial, fez-me lembrar da realidade das prostitutas, fez-me lembrar das palavras de Jesus Cristo dirigidas aos sacerdotes e aos anciãos do povo: “...os publicanos e as prostitutas vos precederão no Reino de Deus” (cf. Mt 21,31).

Bem se sabe que a prostituição é hoje considerada, em larga escala, como “uma profissão” igual a qualquer outra. No Brasil os homens e as mulheres da prostituição são chamados de “profissionais do sexo”, são organizados e registrados em sindicato, com direitos e deveres. É claro que aqui me refiro aos que “ganham a vida” com o corpo e encara a prática não como simples “prazer sexual”, mas como profissão e meio de vida. Em Fortaleza, através das ações noturnas de evangelização da Comunidade Católica Shalom, tem-se sempre a oportunidade da aproximação e do diálogo com essas pessoas. Algumas confessam que é do lucro da prostituição que sustentam a família, os filhos e até garantem uma condição de vida mais favorável.

A situação não é tão simples, é arriscada e muitas vezes com conseqüências dolorosas de humilhação moral, violência, desrespeito e vulnerabilidade para as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), inclusive HIV. Há, sem dúvida, um sofrimento interior e uma história de vida que procuram justificar o percurso e a permanência na situação. A Igreja tem consciência desse drama de nossas mulheres, inclusive, de mulheres tão novas e até adolescentes, o que sabemos que constitui crime, mas que também elas estão ali não simplesmente porque querem. Elas sabem que deveriam estar na escola e são obrigadas pelos pais ou pela dura realidade a se submeterem ao crime para sustentarem o vício das drogas, a família e até mesmo pensarem um pouco na vaidade. Elas têm que conviver com o liciamento dos adultos, de homens casados e de turistas que lhes oferecem dinheiro, o que se torna muito mais difícil a resistência.

Crianças e adolescentes no mundo da prostituição nunca poderá ser uma situação aceitável, mas combatida, denunciada, seja qual for a circunstância. Quanto aos “profissionais do sexo”, os adultos, precisam de respeito, em primeiro lugar, e de um olhar de misericórdia para a pessoa e o contexto em que se encontram, por sua vez dramático. Necessário será sempre uma educação sexual às nossas crianças, ao menos pela Igreja, visto que muitos pais são os primeiros promotores da prostituição dos filhos e filhas. Quanto a nós, cristãos católicos, não podemos nos omitir no processo da educação sexual, e penso que deve começar com a nossa acolhida, escuta, diálogo, testemunho pessoal e, evidentemente, a coragem de propor uma mudança de vida, o conhecimento da vida de Deus, da vida de fé que pode transformar nossa existência, esteja ela como estiver. O Papa Bento XVI, como toda a Igreja, tem essa consciência e sabe que não se trata de “liberar o uso da camisinha”, mas de humanizar essas vidas, de ajudá-las a retornarem à consciência de que são amadas por Deus e que a Igreja está com os que sofrem e padecem, quer propor-lhes vida nova, a vida de Cristo!

Antonio Marcos
Graduado em Filosofia e Cursando Bacharelado em Teologia pela Faculdade Católica de Fortaleza CONTATO: antoniomarcosdeaquino@hotmail.com

01 dezembro 2010

Barulho de Carroça



Certa manhã, meu pai convidou-me a dar um passeio
no bosque e eu aceitei com prazer. 

Ele se deteve numa clareira e depois de um pequeno
silêncio me perguntou:

- Além do cantar dos pássaros, você está ouvindo mais
alguma coisa? 
Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi: 

- Estou ouvindo um barulho de carroça. 

- Isso mesmo, disse meu pai. É uma carroça vazia ... 
Perguntei ao meu pai: 

- Como pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos? 

- Ora, respondeu meu pai. É muito fácil saber que uma carroça está vazia, por causa do barulho.
Quanto mais vazia a carroça maior é o barulho que faz.

Tornei-me adulto, e até hoje, quando vejo uma pessoa falando demais, inoportuna, interrompendo a conversa de todo mundo,
tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai dizendo:

Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz...

Autor desconhecido

PAPA NAS VÉSPERAS DO ADVENTO: PROMOVER CULTURA DE RESPEITO PELA VIDA


◊   Cidade do Vaticano, 28 nov (RV) - Bento XVI presidiu na tarde de ontem, sábado, na Basílica de São Pedro, as Primeiras Vésperas do I Domingo do Advento.

As vésperas foram inseridas no âmbito da vigília pela vida do nascituro, na perspectiva do Tempo de Advento e do Natal que se aproxima. Várias paróquias, comunidades, movimentos e associações de todo o mundo aderiram ao convite do Papa de rezar pela vida nascente.

Em sua homilia, o Santo Padre exortou os protagonistas da política, da economia e da comunicação social a promoverem uma cultura de respeito pela vida, buscar condições favoráveis e redes de apoio ao acolhimento e desenvolvimento da vida. "A vida, uma vez concebida, deve ser protegida com o máximo cuidado" – frisou Bento XVI.

O Papa agradeceu a todas as pessoas que aderiram ao convite de celebrar uma vigília pela vida nascente. "O início do Ano Litúrgico nos faz viver novamente a espera do Deus que se fez homem no seio da Virgem Maria, o Deus que se fez pequeno, se tornou uma criança" disse ainda o pontífice.

Bento XVI ressaltou os problemas que afetam as crianças após o nascimento como abandono, fome, miséria, doença, abusos, violência e exploração. "As muitas violações dos direitos das crianças que se comentem no mundo ferem dolorosamente a consciência de toda pessoa de boa vontade" – frisou o Papa.

"Diante deste triste cenário de injustiças perpetradas contra a vida humana, antes e depois do nascimento, faço minhas as palavras do Papa João Paulo II em favor da responsabilidade de todos e de cada um: respeita, defende, ama e serve a vida, toda vida humana. Somente neste caminho encontrarás justiça, desenvolvimento, verdadeira liberdade, paz e felicidade" – disse Bento XVI.

A vigília pela vida do nascituro marcou também a conclusão do Congresso Internacional da Família promovido pelo Pontifício Conselho para a Família. Um encontro que abordou o tema da família como sujeito ativo na pastoral e no anúncio missionário e que contou com a participação e o testemunho de vida de muitas famílias. (MJ)

200 milhões de cristãos são perseguidos no mundo


Apresentado o Relatório sobre a Liberdade Religiosa da AIS
MADRI, quarta-feira, 24 de novembro de 2010 (ZENIT.org) – O Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo 2010, que a organização católica Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) apresenta bianualmente, revela que o número de cristãos perseguidos é de 200 milhões. Outros 150 milhões são descriminados por sua religião.
O relatório indica que na Europa os católicos não são perseguidos, mas sofrem bullying. A versão espanhola do relatório da organização católica foi apresentada ontem em Madri.
Desde o relatório anterior a situação não melhorou, de acordo com AIS, organização que ajuda cristãos em todo o mundo em projetos de apoio às igrejas locais como bolsas para sacerdotes, construção de igrejas, tradução de livros, etc.
A organização indica que a crescente tendência à perseguição e discriminação por motivos religiosos deve-se tanto à radicalização do mundo islâmico quanto à chamada “cristianofobia” e à facilidade com que se ridiculariza a Igreja em alguns países desenvolvidos.
Na apresentação do relatório, Javier Menéndez Ros, diretor da AIS na Espanha, e o missionário salesiano no Paquistão Miguel Ángel Ruiz, citaram o que Bento XVI disse na véspera da beatificação do cardeal John Newman: “No tempo de hoje, o preço a pagar pela fidelidade ao Evangelho já não é ser enforcado ou esquartejado, mas sim frequentemente significa ser excluído, ridicularizado, objeto de piada”.
A fé cristã é a mais difundida e também a mais perseguida. Como explicou Javier Menéndez, o número total é similar ao do relatório de dois anos atrás, ainda que os pesquisadores que participaram este ano do trabalho asseguram que a situação piorou para os cristãos.
O relatório analisa 194 países, com problemas em cerca de noventa, entre eles vários dos países mais populosos do mundo: China, Índia, Indonésia, Rússia e Paquistão. A piora da situação, segundo salienta Menéndez, deve-se especialmente a uma maior radicalização no âmbito muçulmano, com maior fanatismo, intolerâncias e abusos a praticantes de outras religiões.
Os países onde se produzem as maiores violações à liberdade religiosa são Arábia Saudita, Bangladesh, Egito, Índia, China, Uzbequistão, Eritreia, Nigéria, Vietnã, Iêmen e Coreia do Norte.
Menéndez salientou que “onde não existe liberdade religiosa não existe a liberdade democrática”, e sublinhou “a obrigação de qualquer ser humano de respeitar o direito ao culto, a evangelizar e a viver de acordo com sua fé”. No Egito, vige uma lei de liberdade religiosa, mas os cristãos sofrem discriminações e ataques, permitidos, segundo AIS, pelo governo de Hosni Mubarak.
O missionário salesiano Miguel Ángel Ruiz descreveu a situação no Paquistão. Ele explica que o terrorismo islâmico não afeta somente os cristãos, mas “todos que não pensam como os fundamentalistas”. “Se o terrorismo se centrasse somente nos cristãos, estaríamos muito pior agora”, afirmou.
Padre Ruiz considera que a perseguição só não é mais acirrada porque os meios de comunicação dão muita atenção aos ataques.
Em sua opinião, tanto Estados Unidos como Europa têm falhado muito: “Se a Europa, e especialmente a Espanha, não desperta, continuamos mal”, disse.



"Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da Luz" Rm 13,12
CEFAS, oriundo do nome de São Pedro apóstolo, significa também um Acróstico: Comunhão para Evangelização, Formação e Anúncio do Senhor. É um humilde projeto de evangelização através da internet, buscando levar formação católica doutrinal e espiritual.