Domingo, dia 15 de Março de 2009
3º Domingo da Quaresma - Ano B
Terceiro Domingo da Quaresma (semana III do saltério)
Santa Luísa de Marillac, viúva, religiosa, +1660, S. Clemente Maria Hofbauer, confessor, +1821
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Santo Agostinho : «Destruí este Templo, e em três dias Eu o levantarei»
Leituras
Ex. 20,1-17.
Deus pronunciou todas estas palavras, dizendo:
«Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fiz sair da terra do Egipto, da casa da
servidão.
Não haverá para ti outros deuses na minha presença.
Não farás para ti imagem esculpida nem representação alguma do que está em
cima, nos céus, do que está em baixo, na terra, e do que está debaixo da
terra, nas águas.
Não te prostrarás diante dessas coisas e não as servirás, porque Eu, o
Senhor, teu Deus, sou um Deus zeloso, que castigo o pecado dos pais nos
filhos até à terceira e à quarta geração, para aqueles que me odeiam,
mas que trato com bondade até à milésima geração aqueles que amam e guardam
os meus mandamentos.
Não usarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão, porque o Senhor não deixa
impune aquele que usa o seu nome em vão.
Recorda-te do dia de sábado, para o santificar.
Trabalharás durante seis dias e farás todo o teu trabalho.
Mas o sétimo dia é o sábado consagrado ao Senhor, teu Deus. Não farás
trabalho algum, tu, o teu filho e a tua filha, o teu servo e a tua serva,
os teus animais, o estrangeiro que está dentro das tuas portas.
Porque em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, o mar e tudo o que está
neles, mas descansou no sétimo dia. Por isso, o Senhor abençoou o dia de
sábado e santificou-o.
Honra o teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias sobre a
terra que o Senhor, teu Deus, te dá.
Não matarás.
Não cometerás adultério.
Não roubarás.
Não responderás contra o teu próximo como testemunha mentirosa.
Não desejarás a casa do teu próximo. Não desejarás a mulher do teu próximo,
o seu servo, a sua serva, o seu boi, o seu burro, e tudo o que é do teu
próximo.»
Salmos 19,8.9.10.11.
A lei do SENHOR é perfeita, reconforta o espírito; as ordens do SENHOR são
firmes, dão sabedoria ao homem simples.
Os mandamentos do SENHOR são rectos, alegram o coração; os preceitos do
SENHOR são claros, iluminam os olhos.
O temor do SENHOR é puro, permanece para sempre. As sentenças do SENHOR são
verdadeiras, todas elas são justas.
São mais desejáveis que o ouro, o ouro mais fino; são mais doces que o mel,
o puro mel dos favos.
1 Cor. 1,22-25.
Enquanto os judeus pedem sinais e os gregos andam em busca da sabedoria,
nós pregamos um Messias crucificado, escândalo para os judeus e loucura
para os gentios.
Mas, para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é poder e
sabedoria de Deus.
Portanto, o que é tido como loucura de Deus, é mais sábio que os homens, e
o que é tido como fraqueza de Deus, é mais forte que os homens.
João 2,13-25.
Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.
Encontrou no templo os vendedores de bois, ovelhas e pombas, e os cambistas
nos seus postos.
Então, fazendo um chicote de cordas, expulsou-os a todos do templo com as
ovelhas e os bois; espalhou as moedas dos cambistas pelo chão e
derrubou-lhes as mesas;
e aos que vendiam pombas, disse-lhes: «Tirai isso daqui. Não façais da Casa
de meu Pai uma feira.»
Os seus discípulos lembraram-se do que está escrito: O zelo da tua casa me
devora.
Então os judeus intervieram e perguntaram-lhe: «Que sinal nos dás de
poderes fazer isto?»
Declarou-lhes Jesus, em resposta: «Destruí este templo, e em três dias Eu o
levantarei!»
Replicaram então os judeus: «Quarenta e seis anos levou este templo a
construir, e Tu vais levantá-lo em três dias?»
Ele, porém, falava do templo que é o seu corpo.
Por isso, quando Jesus ressuscitou dos mortos, os seus discípulos
recordaram-se de que Ele o tinha dito e creram na Escritura e nas palavras
que tinha proferido.
Enquanto Ele estava em Jerusalém, durante as festas da Páscoa, muitos
creram nele ao verem os sinais miraculosos que realizava.
Mas Jesus não se fiava deles, porque os conhecia a todos
e não precisava de que ninguém o elucidasse acerca das pessoas, pois sabia
o que havia dentro delas.
Da Bíblia Sagrada
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona (Norte de África) e Doutor da Igreja
Sermão 163, 5 (trad. Brésard, 2000 anos p. 96 rev)
«Destruí este Templo, e em três dias Eu o levantarei»
Somos os trabalhadores de Deus e construímos o templo de Deus. A dedicação
deste templo já teve lugar na sua Cabeça, uma vez que o Senhor ressuscitou
dos mortos, após ter triunfado da morte; tendo destruído n'Ele o que era
mortal, subiu ao céu [...]. E agora, construímos este templo pela fé, de
modo a que aconteça também a sua dedicação aquando da ressurreição final. É
por isso que [...] há um salmo intitulado: «quando se reconstruía o Templo,
após o cativeiro» (95, 1 Vulg). Recordai-vos do cativeiro onde estivemos
outrora, quando o diabo tinha o mundo inteiro em seu poder, como um rebanho
de infiéis. Foi por causa deste cativeiro que o Redentor veio. Ele derramou
o Seu sangue para nos resgatar; pelo Seu sangue derramado, suprimiu o
bilhete da dívida que nos mantinha cativos (Colo 2, 14). [...] Outrora
vendidos ao pecado, fomos libertados pela graça.
Após este cativeiro, construímos agora o templo; para o edificar,
anunciamos a Boa Nova. É por isso que este salmo começa assim: «Cantai ao
Senhor um cântico novo.» E para que não penses que se construiu este templo
num pequeno recanto, como o constroem os hereges que se separam da Igreja,
presta atenção ao que segue: «Cantai ao Senhor terra inteira». [...]
«Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor terra inteira.» Cantai
e construí! Cantai e «bendizei o Seu nome» (v. 2). Anunciai o dia nascido
do dia da salvação, o dia nascido do dia de Cristo. Quem é, com efeito, a
salvação de Deus se não Seu Cristo? Para a salvação, nós rezamos o salmo:
«Mostrai, Senhor, a vossa misericórdia, e dai-nos a vossa salvação.» Os
antigos justos desejavam esta salvação, eis o que dizia o Senhor aos seus
discípulos: «Muito quiseram ver o que vedes, e não o viram» (Lc 10, 24).
[...] «Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor.» Vede o ardor
dos construtores! «Cantai ao Senhor e bendizei o Seu nome.» Anunciai a Boa
Nova! Qual boa nova? O dia nasceu do dia [...]; a Luz nasceu da Luz, os
Filhos nascidos do Pai, a Salvação de Deus! Eis como se constrói o templo
após o cativeiro.
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15 março 2009
Liturgia Diária!!!
14 março 2009
Bispos do mundo inteiro analisam Facebook e redes sociais
Convocados em Roma pelo Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais
Por Jesús Colina
CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 9 de março de 2009 (ZENIT.org).- O Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais convocou em Roma cerca de 75 bispos e vários sacerdotes em representação de 82 países para analisar os desafios e possibilidades propostos à evangelização pelos novos meios de comunicação digitais.
O dicastério da Santa Sé, presidido pelo arcebispo Claudio Maria Celli, propôs começar este encontro, que será concluído em 13 de março, com uma visão da evolução que a internet experimentou nos últimos anos: das páginas web e dos blogs às redes sociais (Facebook, Youtube, Flikr, Twitter etc.).
Navegando na internet junto à professora Nicoletta Vittadini, do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Católica de Milão, bispos de todos os continentes descobriram ou redescobriram na manhã desta segunda-feira estes lugares de encontro, especialmente para jovens e adolescentes.
Posteriormente, o professor Francesco Casetti, diretor do Departamento de Comunicação da Universidade Católica, refletiu junto aos prelados sobre as implicações antropológicas destas novas realidades.
O congresso, que conta também com a orientação de professores da Universidade Pontifícia Salesiana e da Universidade Pontifícia da Santa Cruz, está analisando de maneira inédita a mensagem que Bento XVI escreveu para a Jornada Mundial das Comunicações Sociais de 2009 sobre o tema «Novas tecnologias, novas relações. Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade».
Ao começar o congresso, Dom Celli explicou aos jornalistas: «Nós nos perguntaremos qual é a posição da Igreja, que o que a Igreja tem de fazer, porque é inegável, vê-se cada vez mais, e se pode ver na mensagem do Papa, que as novas tecnologias não são somente instrumentos, mas que estes instrumentos criam uma nova cultura digital».
«O grande problema do nosso congresso será ver como a Igreja está presente nesta nova cultura, oferecendo sua própria contribuição. É um tema sumamente delicado.»
Por este motivo, explica o arcebispo italiano, este congresso quer oferecer dicas para a pastoral da Igreja no mundo, que deverão concretizar-se em um novo documento vaticano.
«O documento que fundamenta nossa ação é Inter mirifica, do Concílio Vaticano II. Depois, o Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais publicou um documento muito importante, Aetatis Nova, de 1992. Pensamos que desde então passou muito tempo e que as novas tecnologias propõem novas perguntas, novos interesses, novas emergências pastorais.»
«A ideia deste congresso consiste em ver, junto aos bispos, quais são as orientações de uma nova pastoral da Igreja no campo dos meios de comunicação social. Depois, o Conselho, junto a cardeais, bispos e consultores, se empenhará na redação de um novo documento.»
No diálogo com os bispos, Dom Celli reconheceu que o grande desafio para eles é o fato de não terem nascido na era digital, o que implica que, diferentemente dos jovens, ela tem de ser aprendida.
Um jovem bispo, procedente da Nigéria, comentou que, neste sentido, os bispos têm a tarefa de aprender dos jovens, algo ao qual não estão acostumados.
Dom Celli insistiu no exemplo que Bento XVI deu ao decidir estar presente com um canal oficial no Youtube (www.youtube.com/vatican).
O prelado revelou que um jornalista lhe perguntou como é possível que um Papa se «rebaixe» para estar presente em uma realidade como essa, na qual aparece todo tipo de vídeos. O presidente do dicastério vaticano explicou que Cristo também se «rebaixou» para assumir a natureza humana, e explicou que a intenção de Bento XVI é estar «onde as pessoas se encontram».
Vários cardeais já estão presentes no Facebook, pelo que o cardeal Celli propôs a pergunta sobre se o Papa também estará nessa comunidade virtual. A resposta de Dom Celli foi prudente: não se está pensando nisso, ao menos de maneira imediata.
Cardeal Cañizares: «adorar Deus é o que muda a vida dos cristãos»
CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 10 de março de 2009 (ZENIT.org).- Nesta época de secularização, é conveniente, seguindo o exemplo do próprio Papa Bento XVI, recuperar a prática da adoração eucarística. Assim deu a entender hoje o prefeito da Congregação para o Culto Divino, cardeal Antonio Cañizares, a propósito da plenária que seu dicastério realiza esta semana.
Em declarações à Rádio Vaticano, o purpurado explicou que a adoração eucarística será o tema central da reunião plenária, que acontecerá na Santa Sé até a próxima sexta-feira.
«A liturgia é antes de tudo adoração – explicou. A Igreja é obra de Deus, é ação de Deus, é reconhecimento do que Deus faz em favor dos homens. E a adoração que a liturgia expressa, sobretudo a Eucaristia, é o reconhecimento de Deus, de que tudo vem d’Ele, de que tudo o que nos pertence deve chegar a Ele.»
Precisamente no atual contexto de secularização, em que «se tende a esquecer Deus, a considerá-lo pouco importante para a vida», acrescentou o cardeal Cañizares, é oportuno «reafirmar que Deus é o primeiro».
«Isso é o que mudará a vida dos cristãos e da Igreja», acrescentou. Quando a Igreja «esquece que Deus é o centro de tudo, converte-se em uma instituição meramente humana».
Uma prática secular
Ainda que a devoção eucarística tenha sido de grande importância desde os primeiros séculos do cristianismo, a adoração fora da Missa começa a ser configurada desde o século XI, e sobretudo após a afirmação da presença real de Cristo pelos concílios romanos de 1059 e de 1079.
A adoração eucarística recebeu um forte impulso entre os séculos XIII e XIV, com o estabelecimento da festa de Corpus Christi em todo o mundo cristão, uma devoção que em oito séculos aumentou enormemente, especialmente após o Concílio de Trento, na Espanha, na Itália e nos países latino-americanos.
Ao longo da história, surgiram muitas associações dedicadas à veneração do Santíssimo Sacramento. A mais estendida atualmente é a Adoração Noturna, que em sua forma atual procede da associação fundada por Hermann Cohen em Paris, em 1848.
Liturgia Diária!!!
Sabado, dia 14 de Março de 2009
Sábado da 2ª semana da Quaresma
Santa Matilde, rainha da Prússia, +968
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Cardeal Joseph Ratzinger [Papa Bento XVI] : «Um homem tinha dois filhos»
Leituras
Miqueias 7,14-15.18-20.
Apascenta com o cajado o teu povo, o rebanho da tua herança, os que habitam
isolados nas florestas no meio dos prados. Sejam eles apascentados em Basan
e Guilead, como nos dias antigos.
Mostra-nos os teus prodígios, como nos dias em que nos tiraste do Egipto.
Qual é o Deus que, como Tu, apaga a iniquidade e perdoa o pecado do resto
da sua herança? Não se obstina na sua cólera, porque prefere a bondade.
Uma vez mais, terá compaixão de nós, apagará as nossas iniquidades e
lançará os nossos pecados ao fundo do mar.
Mostrarás a tua fidelidade a Jacob, e a tua bondade a Abraão, como juraste
a nossos pais, desde os tempos antigos.
Salmos 103(102),1-2.3-4.9-10.11-12.
Bendiz, ó minha alma, o SENHOR, e todo o meu ser louve o seu nome santo.
Bendiz, ó minha alma, o SENHOR, e não esqueças nenhum dos seus benefícios.
Ele quem perdoa as tuas culpas e cura todas as tuas enfermidades.
Ele quem resgata a tua vida do túmulo e te enche de graça e de ternura.
Não está sempre a repreender-nos, nem a sua ira dura para sempre.
Não nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos castigou segundo as
nossas culpas.
Como é grande a distância dos céus à terra, assim são grandes os seus
favores para os que o temem.
Como o Oriente está afastado do Ocidente, assim Ele afasta de nós os nossos
pecados.
Lucas 15,1-3.11-32.
Aproximavam-se dele todos os cobradores de impostos e pecadores para o
ouvirem.
Mas os fariseus e os doutores da Lei murmuravam entre si, dizendo: «Este
acolhe os pecadores e come com eles.»
Jesus propôs-lhes, então, esta parábola:
Disse ainda: «Um homem tinha dois filhos.
O mais novo disse ao pai: 'Pai, dá-me a parte dos bens que me corresponde.'
E o pai repartiu os bens entre os dois.
Poucos dias depois, o filho mais novo, juntando tudo, partiu para uma terra
longínqua e por lá esbanjou tudo quanto possuía, numa vida desregrada.
Depois de gastar tudo, houve grande fome nesse país e ele começou a passar
privações.
Então, foi colocar-se ao serviço de um dos habitantes daquela terra, o qual
o mandou para os seus campos guardar porcos.
Bem desejava ele encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam,
mas ninguém lhas dava.
E, caindo em si, disse: 'Quantos jornaleiros de meu pai têm pão em
abundância, e eu aqui a morrer de fome!
Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e vou dizer-lhe: Pai, pequei contra o
Céu e contra ti;
já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus
jornaleiros.'
E, levantando-se, foi ter com o pai. Quando ainda estava longe, o pai viu-o
e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o
de beijos.
O filho disse-lhe: 'Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não mereço ser
chamado teu filho.'
Mas o pai disse aos seus servos: 'Trazei depressa a melhor túnica e
vesti-lha; dai-lhe um anel para o dedo e sandálias para os pés.
Trazei o vitelo gordo e matai-o; vamos fazer um banquete e alegrar-nos,
porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi
encontrado.' E a festa principiou.
Ora, o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se
de casa ouviu a música e as danças.
Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo.
Disse-lhe ele: 'O teu irmão voltou e o teu pai matou o vitelo gordo, porque
chegou são e salvo.'
Encolerizado, não queria entrar; mas o seu pai, saindo, suplicava-lhe que
entrasse.
Respondendo ao pai, disse-lhe: 'Há já tantos anos que te sirvo sem nunca
transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa
com os meus amigos;
e agora, ao chegar esse teu filho, que gastou os teus bens com meretrizes,
mataste-lhe o vitelo gordo.'
O pai respondeu-lhe: 'Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é
teu.
Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava
morto e reviveu; estava perdido e foi encontrado.'»
Da Bíblia Sagrada
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Cardeal Joseph Ratzinger [Papa Bento XVI]
Retiro pregado no Vaticano, 1983
«Um homem tinha dois filhos»
Meditando nesta parábola, não se deve esquecer a figura do filho mais
velho. Num certo sentido, ele não é menos importante que o mais novo, a
ponto de esta história poder ter também o título, que talvez fosse mais
adequado, de parábola dos dois irmãos. Com a figura dos dois irmãos, o
texto situa-se no coração de uma longa história bíblica, começada com a
história de Caim e Abel, retomada com os irmãos Isaac e Ismael, Jacob e
Esaú, e interpretada em diferentes parábolas de Jesus. Na pregação de
Jesus, as figuras dos dois irmãos reflectem sobretudo o problema da relação
Israel-Pagãos. [...] Ao descobrir que os pagãos são chamados sem estarem
submetidos às obrigações da Lei, Israel exprime a sua amargura: «Há já
tantos anos que te sirvo sem nunca transgredir uma ordem tua.» Com as
palavras: «Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu», a
misericórdia de Deus convida Israel a festejar.
Mas o significado deste irmão mais velho é ainda mais abrangente. Em certo
sentido, ele representa o homem devoto, ou seja todos os que permaneceram
com o Pai sem desobedecer às suas ordens. O momento do regresso do pecador
desperta o ciúme, esse veneno até então oculto no fundo da sua alma. Por
quê este ciúme? Ele mostra que muito «devotos» também escondem no seu
coração o desejo do país longínquo e das suas seduções. A inveja revela que
estas pessoas não compreenderam realmente a beleza da pátria, a felicidade
de «tudo o que é meu é teu», a liberdade de ser filho e proprietário.
Assim, parece que também elas desejam secretamente a felicidade do país
longínquo. [...] E, no fim, não entram na festa; no fim, permanecem de
fora. [...]
A figura do irmão mais velho obriga-nos a um exame de consciência; esta
figura permite-nos compreender a reinterpretação dos dez mandamentos que é
feita no Sermão da Montanha (Mt 5,28). Não é não somente o adultério
exterior, mas também o interior que nos afasta de Deus: é possível
permanecer em casa e ao mesmo tempo partir. Deste modo, devemos também
compreender a «abundância», a estrutura da justiça cristã: ela traduz-se
por um «não» à inveja e um «sim» à misericórdia divina.
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13 março 2009
Liturgia Diária!!!
Sexta-feira, dia 13 de Março de 2009
Sexta-feira da 2ª semana da Quaresma
Santa Serafina, virgem, +1253, S. Rodrigo, mártir, +857
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Santo Ambrósio : A parábola da vinha
Leituras
Gén. 37,3-4.12-13.17-18.
Ora Israel preferia José aos seus outros filhos, porque era o filho da sua
velhice, e mandara-lhe fazer uma túnica comprida.
Os irmãos, vendo que o pai o amava mais do que a todos eles, ganharam-lhe
ódio e não podiam falar-lhe amigavelmente.
Um dia, os irmãos de José conduziram os rebanhos de seu pai para Siquém.
E Israel disse a José: «Os teus irmãos apascentam os rebanhos em Siquém.
Prepara-te, pois quero enviar-te para junto deles.» José respondeu: «Estou
pronto.»
O homem disse-lhe: «Partiram daqui, pois ouvi-lhes dizer: 'Vamos para
Dotain.'» José seguiu os passos dos irmãos e encontrou-os em Dotain.
Eles viram-no de longe e, antes que se aproximasse, fizeram planos para o
matar.
Salmos 105(104),16-17.18-19.20-21.
Fez, depois, cair a fome sobre a terra e privou-os do pão, que dá o
sustento.
Enviou diante deles um homem, José, que foi vendido como escravo.
Apertaram-lhe os pés com grilhões e puseram-lhe uma argola de ferro ao
pescoço,
até que se cumpriu a profecia, e a palavra do SENHOR lhe deu razão.
Então o rei deu ordens para que o soltassem, o soberano dos povos pô-lo em
liberdade.
Nomeou-o mordomo da sua casa e administrador de todos os seus bens,
Mateus 21,33-43.45-46.
«Escutai outra parábola: Um chefe de família plantou uma vinha, cercou-a
com uma sebe, cavou nela um lagar, construiu uma torre, arrendou-a a uns
vinhateiros e ausentou-se para longe.
Quando chegou a época das vindimas, enviou os seus servos aos vinhateiros,
para receberem os frutos que lhe pertenciam.
Os vinhateiros, porém, apoderaram-se dos servos, bateram num, mataram outro
e apedrejaram o terceiro.
Tornou a mandar outros servos, mais numerosos do que os primeiros, e
trataram-nos da mesma forma.
Finalmente, enviou-lhes o seu próprio filho, dizendo: 'Hão-de respeitar o
meu filho.'
Mas os vinhateiros, vendo o filho, disseram entre si: 'Este é o herdeiro.
Matemo-lo e ficaremos com a sua herança.'
E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no.
Ora bem, quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?»
Eles responderam-lhe: «Dará morte afrontosa aos malvados e arrendará a
vinha a outros vinhateiros que lhe entregarão os frutos na altura devida.»
Jesus disse-lhes: «Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os construtores
rejeitaram transformou-se em pedra angular? Isto é obra do Senhor e é
admirável aos nossos olhos?
Por isso vos digo: O Reino de Deus ser-vos-á tirado e será confiado a um
povo que produzirá os seus frutos.
Os sumos sacerdotes e os fariseus, ao ouvirem as suas parábolas,
compreenderam que eram eles os visados.
Embora procurassem meio de o prender, temeram o povo, que o considerava
profeta.
Da Bíblia Sagrada
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Santo Ambrósio (c. 340-397), Bispo de Milão e Doutor da Igreja
Comentário sobre o Evangelho de São Lucas 9, 29-30 (trad. Véricel, L'Evangile commenté, p. 290 rev. ; cf SC 52, p. 150)
A parábola da vinha
A vinha é o nosso símbolo, porque o povo de Deus eleva-se acima da terra
enraizado na cepa da vinha eterna (Jo 15, 5). Fruto de um solo ingrato, a
vinha pode desenvolver-se e florescer, ou revestir-se de verdura, ou
assemelhar-se ao jugo amável da cruz, quando cresce e os seus braços
estendidos são os sarmentos de uma videira fecunda. [...] É, pois, com
razão que chamamos vinha ao povo de Cristo, quer porque ele traça na testa
o sinal da cruz (Ez 9, 4), quer porque os frutos da vinha são recolhidos na
última estação do ano, quer porque, tal como acontece aos ramos da videira,
pobres e ricos, humildes e poderosos, servos e senhores, todos são, na
Igreja, de uma igualdade completa. [...]
Quando é ligada, a vinha endireita-se; se é podada, não é para a diminuir,
mas para fazê-la crescer. E o mesmo se passa com o povo santo: quando é
preso, liberta-se; quando é humilhado, eleva-se; quando é cortado, é uma
coroa que lhe é dada. Melhor ainda: tal como o rebento que é retirado de
uma árvore velha e enxertado noutra raiz, assim também este povo santo
[...] vem a desenvolver-se quando é alimentado na árvore da cruz [...]. E o
Espírito Santo, como que expandindo-Se nos sulcos de um terreno, derrama-Se
sobre o nosso corpo, lavando tudo o que é imundo e limpando-nos os membros,
para os dirigir para o céu.
O Vinhateiro tem por costume mondar esta vinha, ligá-la e apará-la (Jo 15,
2). [...] Ora inunda de sol os segredos do nosso corpo, ora os rega com a
chuva. Gosta de mondar o terreno, para que os espinheiros não perturbem os
rebentos; e vela para que as folhas não façam demasiada sombra [...],
privando-nos de luz as virtudes e impedindo os frutos de amadurecer.
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12 março 2009
Informativo Cléofas - 12/03/20
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Quinta-feira, dia 12 de Março de 2009
Quinta-feira da 2ª da Quaresma
S. Luís Orione, sacerdote, fundador, +1940, Santo Inocêncio I, papa, +417
Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Pedro Crisólogo : «O rico viu de longe Abraão com Lázaro no seu seio»
Leituras
Jer. 17,5-10.
Isto diz o Senhor: Maldito aquele que confia no homem e conta somente com a
força humana, afastando o seu coração do Senhor.
Assemelha-se ao cardo do deserto; mesmo que lhe venha algum bem, não o
sente, pois habita na secura do deserto, numa terra salobra, onde ninguém
mora.
Bendito o homem que confia no Senhor, que tem no Senhor a sua esperança.
É como a árvore plantada perto da água, a qual estende as raízes para a
corrente; não teme quando vem o calor, e a sua folhagem fica sempre
verdejante. Não a inquieta a seca de um ano e não deixará de dar fruto.
Nada mais enganador que o coração, tantas vezes perverso: quem o pode
conhecer?
Eu, o Senhor, penetro os corações e sondo as entranhas, a fim de
recompensar cada um pela sua conduta e pelos frutos das suas acções.
Salmos 1,1-2.3.4.6.
Feliz o homem que não segue o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho
dos pecadores, nem toma parte na reunião dos libertinos;
antes põe o seu enlevo na lei do SENHOR e nela medita dia e noite.
É como a árvore plantada à beira da água corrente: dá fruto na estação
própria e a sua folhagem não murcha; em tudo o que faz é bem sucedido.
Mas os ímpios não são assim! São como a palha que o vento leva.
O SENHOR conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios conduz à
perdição.
Lucas 16,19-31.
«Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino e fazia todos os
dias esplêndidos banquetes.
Um pobre, chamado Lázaro, jazia ao seu portão, coberto de chagas.
Bem desejava ele saciar-se com o que caía da mesa do rico; mas eram os cães
que vinham lamber-lhe as chagas.
Ora, o pobre morreu e foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu
também o rico e foi sepultado.
Na morada dos mortos, achando-se em tormentos, ergueu os olhos e viu, de
longe, Abraão e também Lázaro no seu seio.
Então, ergueu a voz e disse: 'Pai Abraão, tem misericórdia de mim e envia
Lázaro para molhar em água a ponta de um dedo e refrescar-me a língua,
porque estou atormentado nestas chamas.'
Abraão respondeu-lhe: 'Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em
vida, enquanto Lázaro recebeu somente males. Agora, ele é consolado,
enquanto tu és atormentado.
Além disso, entre nós e vós há um grande abismo, de modo que, se alguém
pretendesse passar daqui para junto de vós, não poderia fazê-lo, nem tão
pouco vir daí para junto de nós.'
O rico insistiu: 'Peço-te, pai Abraão, que envies Lázaro à casa do meu pai,
pois tenho cinco irmãos;
que os previna, a fim de que não venham também para este lugar de
tormento.'
Disse lhe Abraão: 'Têm Moisés e os Profetas; que os oiçam!'
Replicou-lhe ele: 'Não, pai Abraão; se algum dos mortos for ter com eles,
hão-de arrepender-se.'
Abraão respondeu-lhe: 'Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas,
tão-pouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dentre os mortos.'»
Da Bíblia Sagrada
Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Pedro Crisólogo (c. 406-450), bispo de Ravena, Doutor da Igreja
Sermão 122, sobre o rico e Lázaro
«O rico viu de longe Abraão com Lázaro no seu seio»
«Abraão era muito rico», diz-nos a Escritura (Gn 13, 2). [...] Abraão, meus
irmãos, não era rico devido a si próprio, mas devido aos pobres; em vez de
guardar para si a sua fortuna, propôs-se partilhá-la. [...] Este homem, ele
próprio estrangeiro, não cessou de tudo fazer para que o estrangeiro
deixasse de se sentir estrangeiro. Vivendo dentro da tenda, não podia
suportar que alguém passasse sem abrigo. Perpétuo viajante, acolhia sempre
os hóspedes que apareciam. [...] Em vez de repousar sobre a generosidade de
Deus, sabia-se chamado a reparti-la: usava-a para defender os oprimidos,
para libertar os prisioneiros, ou mesmo para arrancar ao seu destino homens
que iam morrer (Gn 14, 14). [...] Na presença do estrangeiro que recebe (Gn
18, 1ss.), Abraão não se senta, permanece de pé. Não é conviva do seu
hóspede, faz-se seu servidor; esquece que na sua casa é ele o senhor, traz
ele próprio o alimento e, preocupado com uma preparação cuidada, pede ajuda
à sua mulher. Para si próprio, entrega-se inteiramente aos seus empregados,
mas para o estrangeiro que recebe, pensa que vale a pena confiá-lo à
sabedoria da sua esposa.
Que direi ainda, meus irmãos? É uma delicadeza tão perfeita... que atraiu o
próprio Deus para a casa de Abraão, que O forçou a ser seu hóspede. Assim
veio a Abraão, repouso dos pobres, refúgio dos estrangeiros, Aquele que,
mais tarde, haveria de dizer-Se acolhido na pessoa do pobre e do
estrangeiro: «Tive fome, disse Ele, e destes-Me de comer; tive sede e
destes-Me de beber; fui estrangeiro e recebestes-Me» (Mt 25, 35).
E lemos ainda no Evangelho: «O pobre morreu e foi levado pelos anjos ao
seio de Abraão». Não é natural, meus irmãos, que Abraão, até no seu
repouso, acolha todos os santos, e que até na sua beatitude se ocupe do seu
serviço de hospitalidade? [...] Sem dúvida alguma, não se poderia sentir
plenamente feliz se, mesmo na glória, não continuasse a exercer o seu
ministério de partilha.
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